Vale a pena importar?

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Especialistas alertam que atuação no mercado de importação exige extremo preparo e planejamento

Vale a pena importar?De acordo com a previsão da balança comercial divulgada no fim de 2018 pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as importações brasileiras devem aumentar 2,1% este ano, totalizando US$ 186,360 bilhões, contra US$ 182,534 bilhões programados para o ano passado. Já segundo dados divulgados pela Organização Mundial do Comércio (OMC), também em 2018, o Brasil foi o país que mais legitimou medidas para abrir seu mercado para produtos estrangeiros.
No total, foram adotadas dezesseis medidas para facilitar o comércio exterior, incluindo reduções de tarifas de importação, suspensão de algumas barreiras e incentivos para exportadores. Além disso, em certos casos, os impostos de importação até foram eliminados, como os referentes às vacinas e outros remédios. Assim como, bens de capital, produtos químicos e outros setores também foram beneficiados.
Diante dessa positiva expectativa e abertura de mercado, o investimento em importação tem sido uma escolha de atuação por parte dos empresários food service. No entanto, como a maioria das áreas, esse nicho também apresenta vantagens e desvantagens e o conhecimento de todas essas especificidades é o que ajuda a garantir um bom resultado.
Segundo Ana Paula Lima, que tem experiência como docente do curso de graduação Tecnologia em Comércio Exterior do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) EAD e despachante aduaneira na empresa Faris Assessoria Aduaneira, “o mercado de importação requer profissionais qualificados e uma boa comunicação entre os integrantes da cadeia de suprimentos, pois, para o sucesso da operação, tudo deve estar muito bem sincronizado. Um bom planejamento é crucial. Então, deve-se observar muito bem o momento correto para a compra, evitando, assim, desabastecimento ou grandes estoques que geram custos adicionais ao importador. Em relação ao food service, creio que a embalagem e o acondicionamento para o transporte são de suma importância para manter o produto em excelentes condições até a chegada ao consumidor final, tanto para um produto acabado, quanto para uma matéria-prima. É importante salientar que um produto importado passa por um processo de transporte um pouco mais longo, além de manuseios e movimentações. Então, a embalagem é fundamental para manter a qualidade do produto”, explica.
Lima complementa ainda que “para se ter sucesso no mercado de importação, é fundamental que o importador conheça muito bem o produto que vai importar. Quando se trata de um produto final acabado, a aceitabilidade desse produto no mercado interno deve ser estudada. Quando se trata de matéria-prima, as características técnicas devem ser muito bem analisadas. Uma boa forma de se fazer isso é o envio de amostras para testes ou o envio de pequenos lotes para testar a aceitação do produto final. O importador também deve conhecer muito bem o produto quando pretende importar uma máquina que, normalmente, tem valor agregado alto e o investimento total acaba impactando nas operações da empresa. Além disso, é fundamental conhecer a legislação nacional para importação, conhecer os incoterms (International Commercial Terms, ou Termos Internacionais de Comércio), e se certificar da melhor forma de pagamento. A minha dica para a empresa que pretenda iniciar nessa área é procurar uma boa empresa de assessoria aduaneira, além de investir em cursos de formação específica. Atualmente, temos no mercado excelentes cursos de curta duração. O domínio de um idioma estrangeiro, em especial o inglês, também ajuda muito na concretização da importação”, aconselha.

Cenário atual

Vale a pena importar?Para Lima, que há 26 anos trabalha com importações, o cenário atual do mercado de importações é positivo, conforme previsão da AEB para este ano. “Eu avalio com um mercado promissor, que oferece boas oportunidades de as empresas brasileiras adquirirem produtos de boa qualidade, com preços competitivos no mercado externo para inserção no mercado interno, permitindo ao consumidor nacional maiores opções no momento da compra. No que se refere à importação de matéria-prima e maquinário, também creio haver grandes oportunidades de compra internacional para melhorar a qualidade e reduzir preço do produto nacional, tornando-o mais competitivo, inclusive, no mercado externo. Afinal, o Brasil tem um grande volume de exportação de produtos acabados. Não é um mercado fácil de se operar, mas também não é tão complexo quanto algumas empresas imaginam. Creio que, com um bom planejamento e conhecimento específico, o processo se torna menos complexo a cada operação”, esclarece.

Na prática

Juan Andres Fontana, sócio-diretor do Grupo La Tregua e proprietário dos restaurantes El Tranvía, tradicional marca de gastronomia uruguaia atuante em São Paulo, capital, relata que, atualmente, “entre os produtos importados oferecidos pelo grupo estão as carnes, cerveja Patricia e Zillertal, doce de leite uruguaio, entre outros. Mas nossos principais produtos importados hoje são as carnes bovinas e as cervejas uruguaias. Iniciamos importando carnes e cervejas para nos autoabastecer há 20 anos aproximadamente. Posteriormente, começamos a ser procurados por diversos interessados em comprar nossos produtos. Foi aí que montamos uma operação específica para importação, armazenagem e distribuição de produtos importados”, partilha.
Para Fontana, a conquista do sucesso no mercado de importação depende de alguns passos que o empresário disposto a investir nesse mercado precisa seguir. “Estude muito bem a parte tributária, comece devagar, abra um cliente de cada vez para não ter problemas de estoque, veja a melhor forma de distribuir com o menor custo e esteja sempre atento ao seu fluxo de caixa”, indica.

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