Uniformizando a Nutrição Escolar

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A modificação nos hábitos alimentares da população brasileira vem sendo notada ao longo dos anos e seu resultado não é nada animador. Adultos e crianças que antes enfrentavam o problema de desnutrição no país, hoje esbarram diariamente com a facilidade no consumo de alimentos industrializados altamente gordurosos, com baixo teor nutritivo e taxa calórica elevada que aliados a uma rotineira falta de atividade física esta transformando a população em obesos.

A obesidade é considerada o maior problema de saúde pública da atualidade. É caracterizada pelo excesso de gordura no corpo que desencadeia uma série de problemas de saúde de acordo com o grau da doença. Os fatores de risco mais conhecidos são: Diabetes tipo II, hipertensão arterial, colesterol alto, doenças cardiovasculares, trombose, derrame cerebral, apneia entre outros. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença mata por ano no Brasil cerca de 100 mil pessoas e cerca de 43% da população se encontra acima do peso.

A alimentação é o ponto fundamental para quem deseja permanecer longe da obesidade. Por isso, moderação e equilíbrio no consumo de alimentos são essenciais para se manter saudável.

O governador Aécio Neves sancionou, no dia 4 de outubro, a lei 18.372/2009, que proíbe o fornecimento e a comercialização de produtos e preparações com alto teor calórico, gordura saturada, gordura trans, açúcar e sal ou com poucos nutrientes nas escolas de ensino infantil, fundamental e médio das redes pública e privada no Estado de Minas Gerais.

As autoridades acreditam que é função do governo zelar pela saúde da população. Considerando a situação atual onde 18% dos meninos e 15,4% das meninas se encontram acima do peso e 1,8% dos meninos e 2,9% das meninas estão obesos ( dados do IBGE) a influência do estado nas escolas só pode ser benéfica para essas crianças que já assumem um grupo de risco com tão pouca idade.

A partir da nova legislação, que entra em vigor seis meses após a sanção, os lanches e as bebidas fornecidas e comercializadas nas escolas devem ser preparados de acordo com padrões de qualidade nutricional que promovam a saúde dos alunos e a prevenção da obesidade infantil. Quem desrespeitar a norma estará sujeito a multas e outras penalidades previstas na legislação sanitária.

A descrição específica dos alimentos que serão proibidos de serem comercializados e fornecidos nas escolas será definida em decreto que regulamentará a lei. O projeto de lei acrescenta dispositivo à Lei 15.072/2004, que determina ao Estado responsabilidade em orientar o desenvolvimento de programas de educação alimentar e nutricional nas escolas do ensino básico da rede pública e privada de Minas Gerais.

Segundo eles, o estudante terá o direito de comer o que quiser, porém, isso não pode ser patrocinado ou endossado pelas autoridades que são responsáveis pelo estabelecimento de ensino. Está comprovado que alimentos com alto teor calórico e baixo valor nutritivo predispõem à obesidade. Se a criança está acima do peso na idade pré-escolar ou na idade escolar, a probabilidade de ser um adulto obeso é de 32% e 50%, respectivamente. Esta cifra sobe para 80% para os adolescentes nessa situação. E não se trata de uma questão estética. Uma vida saudável só é possível se houver a manutenção do peso ideal, atividade física regular, alimentação equilibrada, abstenção do tabaco e ingestão nula ou moderada de álcool.

Segundo a nutricionista Mariana Del Bosco que atende diariamente pacientes com obesidade infantil, os fornecedores de alimentos para cantinas escolares devem se adaptar a lei levando em consideração alimentos pertencentes a 3 grupos essenciais, os reguladores, os construtores e os energéticos. Se a criança consumir um lanche composto por elementos que reúnem esses 3 grupos ela estará fazendo uma refeição muito saudável e benéfica para seu organismo. Ex. Um suco com um sanduiche de pão integral com queijo. Lembrando sempre que essa deve ser apenas mais uma das refeições que a criança deve fazer no dia para complementar sua rotina alimentar.

ALIMENTOS REGULADORES : são os que fornecem sais minerais, vitaminas e fibras em maior proporção em sua composição química. Ex. Frutas, verduras e legumes

ALIMENTOS CONSTRUTORES: São aqueles que fornecem proteínas em maior quantidade, são alimentos que têm função de construir e reparar estruturas do nosso corpo. Desde o nascimento até a fase adulta.

Ex. Leite, iogurte e queijo

ALIMENTOS ENERGÉTICOS: São os que predominam em sua composição, hidratos de carbono, açucares, amido e gorduras. Estes componentes depois de transformados dentro do nosso organismo fornecem energia para desenvolvermos todo tipo de atividade: pensar, trabalhar, andar, correr, falar, estudar, etc.

Ex. Pão, cereais e massas.

Os primeiros anos de vida é a melhor idade para estabelecer bons hábitos alimentares, mas não é isso o que vem ocorrendo. Daí a importância da intervenção do Estado. A escola como um ambiente saudável deverá dar início a um novo estilo de vida para essas crianças e jovens gerando uma grande mudança comportamental. Além disso, é muito comum quando crianças aprendem novos hábitos na escola os integrarem a sua rotina em casa, estendendo para seus familiares os benefícios que estão recebendo a partir de uma educação nutricional correta.

As empresas da área de food service cada vez mais estão se adaptando a esse novo conceito de consumo saudável. Há algum tempo podemos notar a substituição de ingredientes na elaboração dos produtos, a redução nos tamanhos das porções, o uso correto das tabelas nutricionais informativas alem do investimento em pesquisas e estudos nutricionais. Essas modificações ainda não são suficientes, mas mostra que o interesse das empresas em melhorar seus produtos é evidente e que pouco a pouco o caminho certo esta sendo trilhado.

O selo “Minha Escolha” é uma boa prova disso. Com intuito de ajudar as pessoas a identificarem de forma simples e rápida as escolhas mais saudáveis, foi criado o Programa Minha Escolha. Uma iniciativa global que partiu dos representantes das indústrias de alimentos e ciência.

A fundação internacional, Choices International Foundaion é responsável pela criação de critérios do programa. Ela é formada por um comitê cientifico que revisa padrões a cada dois anos, de modo a mantê-los sempre alinhados com os mais recentes avanços das áreas de saúde e nutrição.

O Programa Minha Escolha tem dois objetivos centrais:

1. Ajudar os consumidores a identificar, de forma simples e rápida, opções saudáveis no momento da compra.

2. Estimular as indústrias alimentícias a aprimorar a composição de seus produtos, aumentando, assim, a disponibilidade de alimentos e bebidas mais saudáveis e atendendo a demanda de consumo.

Para concretizar tais objetivos, o Programa Minha Escolha desenvolveu uma ferramenta de comunicação simples, clara e objetiva: o selo MINHA ESCOLHA.

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