Um verdadeiro destaque

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Um verdadeiro destaque

Procura por pães artesanais aumentou nos últimos anos. Nesse cenário, criatividade é um dos pontos-chaves

No ano passado, levantamentos apontaram que as buscas realizadas no Google sobre como fazer pão aumentaram consideravelmente. Diversas pessoas passaram a valorizar ainda mais o alimento produzido de maneira artesanal.

Camila Ribeiro é jornalista e padeira. Ela lançou um e-book que ensina a fazer pães artesanais coloridos, por meio da plataforma digital do Atelier Gourmand. Em entrevista para a Food Service News, ela falou mais acerca desse cenário.

Sucesso

Quando o assunto é o sucesso que os pães artesanais têm feito, Camila Ribeiro aponta que o diferencial desses itens é o modo de fazer.

Um verdadeiro destaque
“Se você quer aprender a fazer, comece”, diz Camila Ribeiro

“Como eu só uso o fermento natural, ele leva tempo para ficar pronto (cerca de 24h), é um produto muito especial. Eu sou vegetariana há quase 10 anos e sempre me interessei por assuntos relacionados à nutrição e saúde. Quando comecei a fazer os pães de levain, senti em mim mesmo, no meu organismo, que eles funcionavam diferente. Tirei aquela ideia da cabeça que pão não pode, que faz mal, que engorda… porque o pão de fermentação natural me faz bem. Não me sinto inchada, não me sinto pesada depois de comer. O glúten que é vilão em muitas dietas, neste caso, é digerido melhor pelo nosso organismo, por causa do levain (fermento natural). Enfim, é incrível de verdade. Além disso, fazer pão é uma terapia muito divertida. E o mais legal é que você pode comer o resultado dessa terapia depois (risos). Também acredito que empodera quem resolve botar a mão na massa e tenta fazer o seu. E, mais do que isso, é pão…. todo mundo gosta de pão. Se você quer aprender a fazer, comece. Pode ser que nos primeiros você erre alguma coisa, mas o segredo é continuar tentando e praticando. E é uma sensação deliciosa tirar o pão do forno e sentir aquele cheiro no ar”, afirma.

A jornalista e padeira conta que, inicialmente, ela começou a fazer os pães para ela e para os amigos. “Eu comecei a fazer pão para mim e meus amigos. Muita gente começou a falar para eu começar a vender, mas não sabia como. Também não sabia se ia ter saída ou sucesso para que eu investisse pesado em maquinário. Então optei por fazer artesanal. Antes da pandemia, eu morava em uma casa e lá tinha um jardim bem legal. Criei o perfil no Instagram, Bread Social Club, com essa ideia, de ser um clube de experiência em torno do pão. Comecei a fazer pão e convidar as pessoas para ir tomar café comigo. E, com a pandemia, as pessoas começaram a pedir para eu entregar. Então mesmo sem os encontros (que espero retomar quando pudermos), o pão continuou a todo vapor”, relata.

Com isso, a criação de pães coloridos veio naturalmente. “Sempre gostei de cozinhar. E sempre gostei de inventar receitas, adicionar ingredientes, experimentar, acho que a graça da cozinha é justamente essa: criação. E, com os pães, comecei a pensar: será que se eu colocar abóbora na massa, fica cor de laranja e fica gostoso? E cúrcuma? Beterraba? Cacau com nibs… será? E meus amigos e clientes estavam abertos a experimentar minhas criações. Comecei então a inventar pães coloridos naturalmente. E foi assim que nasceu a ideia de produzir um e-book de receitas de pães coloridos, que acabei de lançar em parceria com o Ta na Mesa, site da turma do Ateliê Gourmand”, relata.

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“Eu comecei a fazer pão para mim e meus amigos. Muita gente começou a falar para eu começar a vender, mas não sabia como”, relata Camila Ribeiro

A criatividade, aliás, diz Camila Ribeiro, é algo importante. “Acredito que em qualquer cenário a criatividade é importante. Sem a criatividade não existe reinvenção, inovação…Muitas ideias podem dar errado, mas se você não testar, como vai saber. E, no caso dos pães, as possibilidades são infinitas. Dá para fazer pão com quase tudo que tem por aí… se não der para fazer o pão, dá para criar algum toast com recheios que combinem com pão. Pão combina com bar, com restaurante com entrada chique de casamento, com qualquer presente que você queira surpreender também. Enfim, são tantos os nichos dentro do ‘fazer pão’ que você pode atuar… e aí é que entra a criatividade”, diz.
No entanto, a jornalista e padeira ressalta que não se deve começar nada porque está na moda. “Primeira coisa, nunca comece nada porque está na moda. Ou porque é tendência. Só vai dar certo se você fizer porque gosta, porque ama. Penso que temos que abraçar projetos e investir nosso tempo e dinheiro em algo que faça a gente feliz. Que a gente goste de verdade. Porque parece clichê, mas aí nunca vai ser trabalho. Os problemas que aparecerem você vai querer resolver porque você ama fazer aquilo — não por obrigação. No caso dos pães de fermentação, acho que tem que gostar muito. Porque é um processo trabalhoso e que demanda muito da nossa atenção”, diz.

Mercado

Perguntada sobre como é possível se destacar nesse mercado de pães artesanais, Camila Ribeiro ressalta a importância da experiência com o produto.

“Primeiro, acredito que seja a experiência com o produto. O pão tem que ser gostoso. Tem que ter valor agregado, ingredientes saudáveis e claro, tem que ser autêntico. Lembrar que você está fazendo pão para alguém e que essa pessoa precisa ter a melhor experiência possível com o produto que comprou. Acho que pensando assim, já é um destaque bacana. Assim como o pão é artesanal, o cuidado com o cliente tem que ser tão ‘artesanal’ quanto”, diz.

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“Acredito que em qualquer cenário a criatividade é importante. Sem a criatividade não existe reinvenção, inovação…”, destaca Camila Ribeiro

A jornalista e padeira relara que, quando começou a fazer os pães, um mundo de possibilidades se abriu para ela. “Quando comecei a fazer os pães de levain, um mundo de possibilidades se abriu pra mim. Sou jornalista e trabalho com produção de conteúdo digital, e amo o que eu faço. Como comunicadora já sou feliz profissionalmente e só por isso tenho muito a agradecer. E o lance de fazer pães e vender agregou algo a mais na minha vida; me deu outra perspectiva. Sempre achava que fazer comida para vender não era algo legal, que dava muito trabalho, que era difícil trabalhar com o público, mas não é. Tem sido gratificante demais para mim fazer pão para alguém. É demais ver nos olhos e na cara das pessoas quando elas estão comendo o pão, ou quando me mandam fotos, mensagens e feedbacks sobre o pão e como foi consumi-lo… Enfim, brinco que vou ter que escrever um livro ou criar algum conteúdo nessa linha: das mensagens que recebo dos clientes e amigos que compram meu pãozinho. E isso para mim é o melhor presente: ver alguém comendo meu pão e ver que ele fez sucesso. Sério, é muito gostoso mesmo. E isso me empoderou a criar outras ideias, a ousar nas receitas, a querer aprender mais e mais sobre a fermentação natural — porque sei que estou só no começo dessa jornada mágica recheada de pães gostosos”, afirma.

Mas também existem os desafios. “Acredito que insistir. Como qualquer projeto, a gente precisa de prática, investimento, vontade e amor para fazer dar certo. E claro, aperfeiçoar o seu pão, criar um padrão, e acima de tudo: entender a demanda. Os equipamentos de padaria são muito caros, então é um investimento que eu acredito que deva ser feito só quando você tem uma demanda fiel”, diz.

Para obter êxito profissional, afirma Camila Ribeiro, é importante acreditar no seu produto. “Acreditando no seu produto, no seu potencial, testando receitas, experimentando com as pessoas, que são o principal. Criando experiências diferentes para que mais e mais pessoas queiram te conhecer. Mas, acima de tudo: produzindo um produto bom de verdade. No meu caso, pão gostoso”, diz ela, que também dá dicas para quem deseja atuar na área. “Comece. Estude. Bote a mão na massa. E ouse nas suas receitas. Experimente as suas ideias. A criatividade de cada um pode ser o pão ser sempre diferente”, diz.

Camila Ribeiro
@breadsocialclub
Tá na Mesa
tanamesa.com/ebook/paes-coloridos/

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