Tudo a Ver: Museu Mais Doce do Mundo conquista os brasileiros

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Exposição tem como objetivo proporcionar aos seus visitantes uma experiência instagramável, doce e feliz e conta com grandes marcas de alimentos como parceiras

“Diga Sim à Felicidade!”. Esse é o tema do museu que, em poucos meses de inauguração, já conquistou milhares de brasileiros. Intitulado ‘O Museu Mais Doce do Mundo’, o espaço é composto por uma exposição que tem como objetivo proporcionar aos seus visitantes uma experiência instagramável, doce e feliz.

Após o sucesso em Lisboa, Portugal, com o nome The Sweet Art Museu, a exposição teve sua primeira edição brasileira em São Paulo, nos meses de junho e agosto. Em setembro e neste mês de outubro é a vez do Rio de Janeiro.

De acordo com Luzia Canepa, diretora do O Museu Mais Doce do Mundo no Brasil e da empresa Aúna, que é a responsável por trazer o projeto para o país, “o museu é uma exposição interativa com temática de doces, em que se podem conhecer suas histórias por meio do aplicativo. Observando casos internacionais, nos inspiramos nos doces, que estão na cultura de todos os povos como elementos de celebração, brincadeiras e alegrias. Por isso, o nome de museu para preservar essa característica cultural e social dos doces. O doce sempre aparece nas histórias, em reuniões e momentos de premiação. A exposição foi planejada a partir dessa memória afetiva para proporcionar momentos alegres com o doce, que acompanha as festas e pequenas celebrações diárias de indivíduos e grupos ao longo da história. Quanto à forma, é uma exposição temporária e foi planejada para o perfil dos contemporâneos, que usam tecnologia em tudo e têm hábito de compartilhar imagens de suas experiências. Nas 15 salas, trazemos instalações interativas, em que é possível rememorar os aspectos sociais e culturais dos doces, além de suas histórias. Duas salas enfatizam doces brasileiros, como o quindim e o brigadeiro. Mas ressaltamos que é uma exposição com temática dos doces e não um local de comilança. Há três pontos de degustações facultativas, mas com uma unidade de doce por pessoa”, ressalta.

A diretora relata também que quem vai ao museu tem a oportunidade de explorar “quinze salas-instalações em 700 m². A mais famosa é a piscina de marshmallow, que também foi um sucesso em Portugal. São marshmallows cenográficos, claro, com o cheiro do verdadeiro. Uma das instalações é a do Planeta Quindim, uma homenagem ao doce brasileiro de origem portuguesa. A cenografia é inspirada no jogo Space Invaders, que fez a cabeça de quem cresceu na década de 80. E conta com um game em realidade virtual para jogar na hora. Outra que provoca brincadeiras entre os amigos é a Porta do Biscoiteiro, que surgiu da inventividade do memeiro brasileiro. A ‘porta’ é parte da instalação que viaja no mundo dos cookies. As pessoas adoram fazer fotos irreverentes com os amigos nesse local. As salas trazem a história de cada doce representado por meio de realidade aumentada, via app d’O Museu. Mas o intuito é puro entretenimento e diversão. Não há pretensão de ser diferente disso. Assim como na primeira edição, em Lisboa, em 2018, convidamos uma artista jovem para participar. No Brasil, convidamos a Maria Raquel Bolinho, grafiteira que ganhou projeção em Minas Gerais ao grafitar bolinhos pela capital. A comunidade se identificou tanto que fizeram um roteiro turístico para conhecer Belo Horizonte, seguindo os bolinhos, que viraram, inclusive, o apelido da Maria Raquel. Ela tem o doce em suas memórias de infância e gosta muito de cozinhar e receber os amigos com seus quitutes. Grafitar bolinhos foi algo natural, de sua vivência. O mural dela é uma das instalações”, detalha.

Funcionamento

As visitas ao museu custam de R$ 60 (inteira) a R$ 30 (meia-entrada) e os ingressos podem ser comprados pessoalmente ou pela Internet. “O visitante compra o ingresso com a hora marcada. O roteiro é feito em grupos de até vinte pessoas. A venda ocorre antecipadamente pelo site Eventim, mas também pode ser realizada na bilheteria do local. Pessoas de todas as idades são nosso público-alvo. Você encontra desde grupos de amigos adolescentes ou jovens adultos, até famílias inteiras, com avós, pais, tios e crianças. E a cada ingresso vendido, o museu doa R$ 0,50 para a instituição Renovatio, que ajuda crianças e adolescentes a enxergar melhor o mundo, promovendo exames de vista e doação de óculos de grau. A ideia é que, com a doação, sejam atendidas pelo menos 400 pessoas”, destaca Canepa.

Também segundo a diretora, durante a visita ao museu, “as pessoas circulam pelas instalações, aproveitando todas as experiências possíveis”, diz. “Há também um cheiro doce no ar. Um mais caramelizado no primeiro andar e outro mais achocolatado no segundo, onde estão a Fábrica do Biscoiteiro e a Sala do Brigadeiro”, conta.

Diferenciais

Toda a cenografia da exposição foi planejada para despertar memórias afetivas aos visitantes por meio das cores, cheiros, tatos e gostos. Entretanto, um dos grandes diferenciais do museu está no fato de que tudo também foi pensado para ser o espaço mais digital e instagramável do Brasil.

“Todas as experiências podem ser filmadas e fotografadas em cenários muito divertidos para que o público compartilhe suas brincadeiras com quem quiser. Hoje, as pessoas de todas as idades usam muito a tecnologia e compartilham nas redes as suas experiências. Alguns museus restringem as imagens, mas pensamos o nosso espaço para que as pessoas possam fazer essas imagens. As pessoas acabam compartilhando sua alegria, suas narrativas pessoais a partir da ligação com esse universo colorido e irreverente dos doces”, explica Canepa.

As imagens da exposição podem ser acompanhadas por meio das hashtags #digasimafelicidade e #omuseumaisdocedomundo.

Parceria

Atualmente, o ‘Museu Mais Doce do Mundo’ conta com a parceria de grandes marcas, como Bauducco, Leite Moça, Itubaína, Multiplan, Perfumaria Puig, Docile e Huawei. “Os brasileiros já gostaram do ‘O Museu Mais Doce do Mundo’ desde sua primeira edição, em Portugal. Imaginávamos que teríamos uma boa receptividade porque o brasileiro é afetuoso, adora celebrar e tem o doce como um símbolo de alegria”, avalia Canepa.

Repercussão

“É um espaço paralelo à realidade, uma chamada a momentos únicos de diversão e felicidade, com experiências que remetem ao imaginário de brincadeira e de gostosura que todo mundo traz da infância consigo. Quem nunca pensou em entrar em um lugar cheio de doces?”, disse Carla Santos, idealizadora do ‘O Museu Mais Doce do Mundo’, em anúncio à imprensa sobre o lançamento da inusitada exposição.

Talvez por isso que a repercussão do espaço está sendo a melhor possível. Porém, especialistas apontam que os visitantes precisam ficar atentos de que as promessas oriundas do museu não podem ser confundidas com a realidade para além da mágica visita.

Lucas Machado Mantovani, psiquiatra e professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), por exemplo, afirma que “o emprego de doces como algo lúdico pode se dar eventualmente, mas o que temos observado ultimamente na nossa cultura é de fato a sua utilização como uma forma de alívio para os seres humanos. De modo algum isso é saudável, tanto do ponto de vista metabólico quanto emocional. A razão científica para esse processo é complexa, mas envolve basicamente mecanismos adaptativos na secreção da insulina (hormônio que ‘permite a entrada’ do carboidrato nas células) e no sistema de recompensa cerebral, que direciona nosso comportamento em tudo o que diz respeito a sentimentos prazerosos”, pontua.

“O doce como uma válvula de escape para o ser humano pode ser saudável até o ponto que é possível equilibrar a
alimentação”, diz Marina Petra,
da Clínica Penche

Marena Petra Ferreira Gonçalves, psicóloga e psicanalista na Clínica Penchel, complementa que “se o museu representar um espaço paralelo à realidade, onde as pessoas vão para terem sentimentos bons, para trazer memórias marcantes da infância e sentirem felicidade e depois irem embora se separando do mundo real, não há o que se atentar. Mas, por outro lado, se essa separação não ocorre, temos aí um problema. Quando a imaginação é provocada para cada pessoa vai ocorrer de uma forma e não se tem como ter o controle disso, pois o imaginário é algo que vai além. Assim como, a válvula de escape para o ser humano tem a ver com se alimentar de algo, principalmente, doce, para não pensar e lidar com uma frustração ou um dia difícil, como também na tentativa de tamponar vazios. Existem formas mais saudáveis de lidar com o vazio que sempre existirá, não somos seres completos na vida e nem temos de ser. Quem de vocês não chegou em casa em um dia corrido, de muito trabalho e esforço, e não teve o seguinte pensamento: “Hoje eu mereço comer um brigadeiro”, sem ter consciência do que estava fazendo. Com isso, o doce como uma válvula de escape para o ser humano pode ser saudável até o ponto que é possível equilibrar a alimentação, sem que haja excessos e repetições de comportamentos e que a comida não passe a ocupar um lugar de recompensa para o ser humano”, aconselha.

“A comida pode ser vista como atração sim”, afirma a psiquiatra Jaqueline Bifano

Jaqueline Bifano, psiquiatra, acrescenta ainda que “a comida pode ser vista como atração sim! Mas, para que isso ocorra de maneira sadia, deve ser levado em conta o lado cultural da mesma, como a origem, história e modo de preparo ou até mesmo o quão importante determinados alimentos são para determinadas regiões e como elas afetam e interferem diretamente na saúde da população. Dessa maneira, ela pode se tornar interessante, lúdica e até mesmo informativa. A comida também pode ser vista de uma forma terapêutica, lúdica e saudosa! Quem não se lembra do cheiro e gosto de um bolo feito pela avó na infância? O doce, por exemplo, é visto como algo agradável, que traz uma sensação boa e gostosa. E isso é saudável! Mas, não deve ser usado para preencher uma frustração ou alegrar um dia triste”, indica.

 

Já Weslley Gomes Carneiro, psicólogo clínico, conclui que “a proposta do Museu Mais Doce do Mundo convida o visitante a experimentar uma relação de afeto com os alimentos, que é algo que em algum nível aprendemos em nossos primeiros anos de vida pela amamentação através do seio materno que é oferecido ao bebê nos momentos de choro, mas que nem sempre representam sinais de fome ou saciedade. A conduta adotada pelos cuidadores e a história de vida pode contribuir para o desenvolvimento de uma relação delicada com os alimentos e que não se limita apenas aos benefícios nutricionais, podendo também exercer impactos psicológicos, como quando, por exemplo, tratamos das Comfort Foods. Termo esse que serve para designar quando um alimento é capaz de despertar memórias afetivas no indivíduo e, consequente, aumento na quantidade e frequência de consumo não pautado pelo seu valor nutricional, mas no impacto emocional que é capaz de exercer”.

O Museu Mais Doce do Mundo
www.omuseumaisdocedomundo.com.br
Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais
www.feluma.org.br
Clínica Penchel
www.clinicapenchel.com.br
Jaqueline Bifano
@dra.jaquelinebifano
Sander Medical Center
www.sandermedicalcenter.com.br

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