Sinal amarelo

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Food truck viveu um boom no início da década passada. A atual realidade tem exigido diversas adaptações para que esse mercado continue firme e atuante. Empreendedores relatam como isso é possível

Febre no Brasil há alguns anos, o mercado de food truck conquistou diversos investidores e consumidores, atraídos pelo moderno conceito dos caminhões de comida, na tradução livre, e seus preparos criativos, que diferem totalmente dos espaços convencionais de alimentação, como restaurantes, lanchonetes e bares.

O boom do food truck no Brasil pôde ser percebido nos primeiros anos da década passada, em um momento anterior à popularização dos serviços de m-commerce, o delivery de comida por aplicativo. Mas e agora, em uma nova década, como esses empreendimentos têm atuado, se adequado e sobrevivido a um contexto diferente ao da sua chegada em massa ao país?

Adaptando as operações

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“O mercado ainda é fomentado por alguns perseverantes empreendedores que levam seus food trucks para condomínios residenciais, alguns atendem dentro de empresas e poucos continuam pelas ruas da Capital, como nós”, afirma Adolpho Schaefer, proprietário do Holy Pasta food truck

Adolpho Schaefer é proprietário do Holy Pasta food truck, localizado em São Paulo capital, e para ele o sucesso dos food trucks no Brasil se deveu aos eventos gastronômicos ao ar livre, que possibilitaram aos consumidores conhecerem o conceito e assim se interessarem pelo visual, cardápios e atendimento.

“O mercado foi puxado pelos eventos de comida ao ar livre, as chamadas Feiras Gastronômicas. Esses eventos foram o grande outdoor para o mercado de comida informal e os food trucks se tornaram a grande atração por serem uma nova versão do mercado de comida de rua nacional. O visual diferente, cozinhas profissionais, comidas diferentes – apesar de a maioria ser hambúrguer, atrelados à informalidade no atendimento faziam com que o público se interessasse em ir atrás dos ‘trucks’”, afirma.

De acordo com Adolpho Schaefer, as vendas vinham alcançando bons números antes da pandemia da Covid-19. Segundo ele, o Holy Pasta teve bons resultados desde o início de seu funcionamento.

“Antes da pandemia, vínhamos em uma crescente excelente, no meu food truck, Holy Pasta, estávamos conquistando mais e mais clientes a cada semana que passava, sempre focados na hora do rush do almoço nos grandes centros empresariais – eixo Faria Lima/Berrini. Desde o início de nossa operação, tivemos constante crescente no negócio, vindo da kombi e terceirizando todos os produtos quando tudo começou até a produção própria e o crescimento para um caminhão, cozinha de produção e delivery pelos apps”, destaca.

Ainda em relação ao assunto pandemia, o empresário afirma que o baque foi grande no mercado de food trucks e isso acabou gerando fechamentos. Para Adolpho Schaefer, a sobrevivência do setor tem se dado com a adaptação dos proprietários que buscam diferentes formas de seguir atuando.

“A pandemia fez muitos encerrarem as operações, infelizmente. O mercado ainda é fomentado por alguns perseverantes empreendedores que levam seus food trucks para condomínios residenciais, alguns atendem dentro de empresas e poucos continuam pelas ruas da Capital, como nós. Vale ressaltar a adaptação nas operações, enxugando custos, reduzindo equipe, trazendo para a casa dos empreendedores o local de produção das comidas. E também as cervejarias como local de grande demanda pelos food trucks”, ressalta.

A Food Service News perguntou para Adolpho Schaefer o que os food trucks têm feito e podem fazer para não perder espaço no mercado e ele respondeu que levar o serviço para dentro de espaços privados e ter cuidado ao administrar os negócios é o que os empresários do ramo têm buscado e devem seguir buscando.

“Já estão fazendo há algum tempo, desenvolvendo esse mercado dentro dos espaços privados de empresas e condomínios residenciais. Além disso, muita, mas muita atenção na gestão do negócio para conseguir sobreviver a tantas altas nos preços em meio à essa redução drástica da demanda”, diz ele.

Adolpho Schaefer finaliza falando sobre a continuidade do setor, que segundo ele vem em processo de mudança para se adaptar à nova realidade e tentar superar o momento de crise, ganhando sobrevida no momento em que o isolamento social não mais for necessário.

“Há tempos atrás, meados de 2018, o mercado teve um encolhimento em função da realidade enfrentada por muitos empreendedores que não tiveram condições de gerir o food truck como um negócio e desistiram. Hoje em dia as mudanças são fundamentais para atrair os mais diversos públicos e aumentar as vendas. Estou na torcida para que os food trucks que estão na ativa hoje consigam sobreviver até que o convívio social não seja mais um perigo para as pessoas e todos nós como pessoas possamos aproveitar as delícias e a atmosfera única proporcionadas por esses que são os ícones da idade moderna da comida de rua, os food trucks”, afirma ele.

Necessidade de facilitar a operação

Carlos Rogério Oliveira Paes, chef no Veggies na Praça, que trabalhou com food truck até o início da pandemia e que hoje, com a necessidade de isolamento social, atende pela internet, destaca os motivos do sucesso do food truck no início da década passada no Brasil.

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“Hoje em dia as mudanças são fundamentais para atrair os mais diversos públicos e aumentar as vendas”, diz Adolpho Schaefer, proprietário do Holy Pasta food truck

“O sucesso é devido à facilidade que a gente tinha em montar uma cozinha num espaço pequeno, como começar um restaurante, você tem os eventos onde garantir o público, então parecia ser uma venda certa. Muitos dos eventos considerados bons eram aqueles que a gente ia para lá como catering, com tudo vendido. Então a gente entrava numa festa e isso era bom”, diz ele.

O chef relata que houve grande queda nas vendas com a chegada da pandemia, já que os eventos e o atendimento presencial precisaram ser parados.

“Antes da pandemia, eu vendia o dobro, porque além de vender pela internet, como eu faço hoje, eu tinha o público presencial que vinha no meu restaurante. Eu também fazia eventos, então quando eu consegui ter o restaurante aberto e fazer eventos, era como nos multiplicar. A gente se acertava, o restaurante ficava funcionando, se eu fosse em um evento bom, ganhava mais ainda, se eu fosse em um ruim, tudo bem, o restaurante estava funcionando, o evento serviu para fazer propaganda e um network”, afirma.

De acordo com Carlos Rogério Oliveira Paes, o mercado de food truck precisa se adaptar frequentemente. “O food truck sempre tem que estar se adaptando dentro das normas de fiscalização, que são muito difíceis para o setor, por serem as mesmas de uma cozinha fixa. Os trucks precisam ter respeito com o que fazem, trabalhar bastante, pesado. Vamos ver se o setor volta, com fé. Existem food parks ainda, são bem maneiros, bem legais, o que precisa é que seus donos façam um esquema melhor para quem está lá, pois o aluguel é muito alto algumas vezes e a conta não bate”, diz.

Holy Pasta
www.instagram.com/holypastafoodtruck
Veggies na Praça
www.instagram.com/veggiesnapraca

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