Não estamos em Itu, mas…

Os chamados lanches e salgados gigantes são uma ótima estratégia para alcançar visibilidade e satisfação dos consumidores

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Apesar do município de Itu, localizado no interior do estado de São Paulo, ser nacionalmente conhecido como a cidade dos exageros (por conta dos objetos em enormes dimensões, como orelhões, semáforos e bonecos, que estão dispostos pelas ruas), existem outros locais que – pelo menos no que dizem respeito às opções gastronômicas – não ficam devendo em nada para a cidade paulista.

São os casos dos salgados e lanches gigantes, que são capazes de atrair a atenção da clientela, desafiar a capacidade daqueles que se consideram verdadeiros glutões ou até mesmo servir de refeição para grupos inteiros de amigos e familiares.

Criação acidental

A Panetteria ZN, localizada no bairro do Imirim, zona Norte da cidade de São Paulo, ganhou grande repercussão na mídia no começo deste ano depois de alguns veículos da imprensa noticiarem a possibilidade de comprar uma coxinha gigante, de 1 quilo, no estabelecimento. A partir de então, o local passou a desafiar os clientes: aqueles que conseguissem consumir o quitute em até 10 minutos não teriam que pagar cerca de R$ 32,90 pelo produto, teriam suas fotos divulgadas nos televisores da Panetteria e, ainda, concorreriam a um tablet IPad no final do mês de fevereiro.

Apesar de aproveitar a grande exposição midiática para aumentar a divulgação de seu ilustre produto, o surgimento do salgado veio por acaso, como explica Fátima Dias, proprietária da Panetteria ZN. “A supercoxinha surgiu a princípio em junho de 2013, de um erro de produção da nossa salgadeira Maria Quirino das Neves, que estava produzindo a tradicional coxinha de 200 gramas e colocou um pouco mais de massa e recheio. Nosso gerente, então, aproveitando a oportunidade, pediu para que ela tentasse aumentar ainda mais o salgado até chegar a 1 quilo, fritar para testar e verificar se o salgado ficaria “comestível” e de boa aparência”, conta. “A experiência deu certo, fritamos algumas unidades e enviamos para a loja. Foi quando tiramos a foto da coxinha na mão do nosso gerente Wanderley de Souza, que acabou ficando famosa e sendo postada nas principais redes sociais. Naquele dia, todos os clientes que estavam na loja tiraram foto, elogiaram e alguns fizeram encomendas do salgado. Depois disso, o produto era vendido apenas por encomenda, por se tratar de um item que requer certos cuidados. Ele não pode ser armazenado por muito tempo, não pode ser congelado, além de não poder ficar na estufa por mais de duas horas”, explica.

A supercoxinha, segundo explica a dona do local, requer diversos cuidados especiais, para ficar com o gosto desejado: sua produção é totalmente artesanal, com sua base feita com farinha, ovos, temperos e margarina e o recheio com frango temperado e desfiado, na proporção de 600 gramas de massa, 300 gramas de recheio e 100 gramas de catupiry. Após produzida, ela não pode ser armazenada por mais de 24 horas, ou seja, é frita praticamente após ser confeccionada. Além disso, para se conservar a textura e crocância de uma coxinha tradicional, a Panetteria ZN utiliza uma fritadeira industrial, com um cesto próprio.

A proprietária ainda conta como a divulgação espontânea, por meio das redes sociais, fez com que o salgado se tornasse um sucesso. “Após sete meses, começamos a receber alguns telefonemas sobre a supercoxinha e, em princípio, não entendíamos de onde estava vindo tal informação. Quando pesquisamos em nossa página no Facebook, a mesma foto postada no ano passado havia sido compartilhada milhões de vezes em 24 horas. Esse fato despertou o interesse de uma revista, que nos ligou para uma entrevista. Foi então que, aproveitando a oportunidade, resolvi criar a promoção da supercoxinha para promover e divulgar mais ainda nosso produto”, relembra Fátima.

Somente entre os dias 6 e 28 de fevereiro deste ano, quando foi realizada a promoção da padaria, foram vendidas aproximadamente 3.000 coxinhas do tamanho família, sendo que, deste total, cerca de 1.500 pessoas participaram da promoção e 217 delas (todos homens) conseguiram comer em menos de 10 minutos. Entre eles, o recorde foi de 2 minutos e 59 segundos.

Após o término da promoção, segundo conta a proprietária do estabelecimento, os próprios clientes pediram que a coxinha gigante permanecesse entre as opções da casa. Atualmente, cerca de 10 delas são vendidas diariamente nos dias de semana, mas, durante os finais de semana, essa média sobe para 30 a 40 coxinhas comercializadas por dia.

A padaria Panetteria ZN foi fundada em 1996, tem, ao todo, 140 funcionários e, além da unidade de rua, conta com uma lanchonete dentro de uma academia, também localizada na zona Norte da capital paulista.

De acordo com Fátima, a fama do salgado gigante trouxe benefícios comerciais para o estabelecimento. “A promoção fez com que a padaria se tornasse ainda mais conhecida e aumentou cerca de 10% as vendas, mantendo-se mesmo após o término da promoção. Uma das curiosidades foi que a superoxinha fez com que a venda da coxinha tradicional dobrasse, pois muitos clientes, como não conseguem comer a grande, acabam pedindo a pequena para experimentar”, relata a proprietária, que até hoje se mostra impressionada com a reação dos clientes depois do surgimento do quitute. “Nunca imaginamos que a paixão do paulistano por coxinha fosse uma coisa tão grande. A receptividade e o espírito de “eu venci” é surpreendente, pessoas vieram de muito longe, até de outros estados, para provar ou apenas ver o salgado. O clima da padaria mudou, já que na hora em que as pessoas estavam competindo, os demais clientes que nem as conheciam torciam, abraçavam o ‘campeão’ e tiravam foto”, conta.

As coxinhas de tamanho regular da padaria custam R$ 4,50 (sem catupiry) e R$ 5,20 (com catupiry).

Um lanche, 24 ingredientes

A premiação oferecida pela Santa Coxinha para aqueles que conseguirem consumir seu maior lanche é bem peculiar. “O desafio que fazemos para os clientes é o seguinte: quem comer dois Ultra X-Tudão sozinho ganha o terceiro de graça, um refrigerante light e um café com adoçante. Os clientes caem na risada quando falamos o desafio”, conta Fernando Junior, gerente comercial do estabelecimento, que garante que “ninguém conseguiu ainda” vencer a competição.

Tamanha segurança se deve ao fato de que o Santa Coxinha, que existe desde 1982 e está localizado na Vila Prudente, zona Leste de São Paulo, utiliza nada mais e nada menos do que 24 ingredientes para confeccionar o Ultra X-Tudão. São dois hambúrgueres, quatro salsichas, frango desfiado, presunto, queijo, quatro ovos, bacon, calabresa, azeitona, palmito, batata palha, tomate, purê, milho, ervilha, alface, batata frita, cenoura palha, cebola, maionese, cheddar, polenta frita e, enfim, catupiry. Tudo isso disposto em um pão sírio.

Para produzi-lo, são necessários entre 25 e 30 minutos, sendo que a maior parte do lanche é preparado na chapa e apenas a salada, as batatas fritas e as polentas fritas são feitas por fora.
Sendo comercializado no valor de R$ 129,90, o lanche pesa cerca de 2,5 quilos e tem em torno de 7.500 calorias. Entretanto, segundo explica Junior, a refeição passou por algumas alterações antes de chegar ao modelo atual. “O Ultra X-Tudão não tem uma data precisa de sua criação. Fizemos a primeira versão dele em 2005 e tivemos que ‘melhorá-lo’ depois que um cliente o comeu e pediu um X-Salada em seguida”, afirma.

O gerente comercial conta que a reação inicial da clientela ao se deparar com o lanche é de espanto. “A maioria dos clientes ficou assustada quando viram o Ultra X-Tudão pela primeira vez. Alguns diziam que tinham até medo do lanche”, diz.

A média de saída da enorme refeição é de cerca de 10 por semana e, de acordo com Junior, tem auxiliado no aumento de frequência e, consequentemente, de vendas do estabelecimento. “Aumentou o número de clientes pela curiosidade que têm com o lanche, pela curiosidade que desperta nas pessoas. Eles vêm e perguntam sobre o Ultra X-Tudão, alguns o comem, enquanto outros acabam conhecendo a casa e optam por outros produtos, como nossos 56 tipos de coxinhas, salgados e mais de 70 lanches exclusivos”, enumera.

Desafio aceito

No município de Toledo, no oeste do estado do Paraná, comer um pastel pode ser uma tarefa das mais complexas. Isso porque a Pastelaria Bom Sabor, desde 2008, ostenta o título de possuir o maior pastel do Brasil, pesando incríveis 4,6 quilos.

A sócia do estabelecimento, Rubiane Mello, conta que o salgado gigante surgiu a partir de uma proposta feita para sua irmã. “Em 2008, buscando uma inovação, desafiei minha irmã, sócia e chefe de cozinha Sheila Melo a fazer um pastel que fosse o maior do Brasil. Ela topou. Então, entrei em contato com o Rank Brasil, instituto de pesquisa e auditoria e, ao mesmo tempo, com o programa “Tudo é Possível” da Rede Record, para ranquearmos o pastel gigante no palco do programa”, conta. “Fomos ao ‘Tudo é Possível’ eu, a Sheila Melo, além de um funcionário e a nutricionista Dara Segantini. Foi um sucesso na cidade e região. Ficamos muito felizes com o resultado. A Pastelaria Bom Sabor ficou muito mais popular na cidade e região. Passamos até a receber turistas”, relata.

Apesar de o pastel produzido no programa de televisão ter 52 centímetros e pesar 4,6 quilos, Rubiane garante que, depois desse, outro ainda maior – com 88 centímetros e 5,2 quilos – já foi confeccionado. Entretanto, no dia a dia, por conta da praticidade, a pastelaria produz versões ‘enxutas’ do alimento, com no máximo 2 quilos, que levam em torno de 30 minutos para ficarem prontas. Mas, mesmo assim, já é o suficiente para render uma competição com os clientes. “Temos um desafio: se o cliente comer o pastel de 2 quilos inteiro, ele não paga. Até agora, os que tentaram não conseguiram”, explica a sócia.

Os desafiantes que tentam e não conseguem comer por completo o modelo menor do pastel acabam pagando R$ 49,50. Já para os mais corajosos que preferem arriscar a versão de 4,6 quilos, devem pagar R$ 98,00.

Além disso, Rubiane Mello ainda explica por que a oferta desse salgado gigante atrai tanto a atenção das pessoas. ”Acredito que, no fundo, todos somos crianças grandes, curiosas e interessadas no impossível. Esses tipos de alimentos são as coisas que desejávamos quando pequenos”, afirma.

A Pastelaria Bom Sabor foi fundada em 1996 e conta com 20 funcionários, sendo que tanto a sede quanto a filial (inaugurada há um ano) estão localizadas no centro de Toledo.

Para a Copa do Mundo de Futebol, o estabelecimento preparou quatro opções de pastéis coloridos, homenageando quatro países que já conquistaram a competição: Brasil, Itália, Alemanha e Argentina. O pastel brasileiro é recheado com feijoada, acompanhado de arroz, couve e farofa. O pastel italiano, por sua vez, é recheado com muçarela, muçarela de búfala, tomate e manjericão. A versão germânica do salgado é recheada com porco no caramelo e, por fim, o pastel argentino é recheado com churrasco temperado com chimi churri.

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