Rodízio de coxinhas é a aposta da vez

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Investimento em diferente jeito de comercializar o salgado proporciona aumento de público, além de trabalhar o marketing dos negócios food service

A coxinha é um dos salgados mais populares e consumidos do país. O amor dos brasileiros pela iguaria é tão grande que existe o Dia Nacional da Coxinha, celebrado todo 18 de maio.
Feita tradicionalmente com massa de farinha de trigo e caldo de galinha, a coxinha conta com um recheio bastante elaborado com frango temperado, carne, calabresa, requeijão cremoso, espinafre, queijo, entre outros variados sabores inventados ao longo dos anos, inclusive os doces, como chocolate, doce de leite e morango.
Mas as atualizações em relação a esse tradicional salgado não pararam no quesito recheio. Até o formato de gota, que remete à coxa de galinha em referência ao nome, e a base da massa já ganharam novas versões, como minicoxinha, coxinha gigante, redonda e/ou desconstruída de mandioca, mandioquinha e/ou batata doce. Porém, a aposta da vez é a maneira de comercialização do salgado que, nos últimos anos, tem feito bastante sucesso com o modelo de rodízio.
Tiago Trotta de Almeida é fundador e proprietário da marca de franquias Coxinharia, de Itajubá, Sul de Minas Gerais. Ele conta que, desde 2014, investe no negócio de rodízio de coxinhas. “O rodízio de coxinhas da Coxinharia foi o pioneiro no Brasil, seguindo as características da marca desde sua criação. A essência da Coxinharia é qualidade dos produtos, qualidade em atendimento e ambiente aconchegante. As coxinhas do rodízio são exatamente as mesmas servidas individualmente, diferentemente de todos os rodízios, não só de coxinhas, mas de outros produtos, que utilizam padrões diferentes das servidas individualmente”, ressalta.
De acordo com Almeida, “o rodízio de coxinhas, assim como a Coxinharia, surgiu da ideia de unir uma paixão nacional, no caso a coxinha, a um apelo de uma maior qualidade em atendimento, ambiente, produtos que o momento pedia. A ideia do rodízio é não só um marketing apelativo, mas também uma maneira de as pessoas experimentarem novos sabores e saírem da tradicional coxinha de frango”, explica.
O rodízio de coxinhas da Coxinharia “funciona de duas maneiras diferentes. Incluindo as coxinhas de sobremesa ou apenas as coxinhas salgadas. É operado de forma individual e cada cliente pede suas coxinhas de acordo com o gosto e ‘tamanho da fome’. É permitido a escolha de todos os sabores. O que difere dos rodízios tradicionais é que as coxinhas, assim como ocorre fora do rodízio, são fritas na hora. Isso mantém a qualidade do produto apresentado. Então, os clientes pedem duas ou três de cada vez. O valor de venda do rodízio é diferente, dependendo da loja e região onde a unidade está localizada”, diz Almeida.
O empresário destaca ainda que, na Coxinharia, o “rodízio de coxinhas tem como papel principal o marketing e é feito como um evento semanal. Todas as terças. Ele traz para empresa um aumento de clientes, aumento do faturamento bruto e rotatividade no estoque para trabalharmos sempre com produtos novos. Como estratégia de marketing, é um excelente investimento”, afirma. “O lucro estimado somente com rodízio é um número difícil de retratar, mas está em torno de 15% do faturamento mensal/anual”, partilha.
Almeida garante também que “o rodízio faz muito sucesso, pois gera uma satisfação do cliente em poder experimentar o que quiser sem alterar o valor que vai desembolsar. Isso gera competitividade, principalmente, entre jovens e torna o ambiente descontraído, movimentado. Além disso, o produto coxinha por si só já é um elemento cultural, que tem seu próprio apelo”, avalia.
David Gomes da Silva é outro empresário que aposta no rodízio de coxinhas. Proprietário da Kafua Coxinhas, localizada em Vila Velha, no Espírito Santo, ele diz que trabalha com essa modalidade desde 2016, após analisar que o sistema de rodízio tinha caído no gosto da população da sua cidade.
“O rodízio de coxinhas surgiu em meio a um grande movimento de rodízios em meu estado de diversos segmentos. No início, a Kafua Coxinhas era uma simples pastelaria onde o cliente montava seu próprio pastel e, na estufa, eu tinha algumas pequenas quantidades de coxinhas de frango. Um certo dia, eu tirei os recheios dos pastéis que mais tinham saída e coloquei dentro da massa de coxinha, como carne seca, camarão etc. No entanto, quando chegou no recheio de bacon com queijo, aí, foi sucesso total. Foi eleita até como a melhor coxinha do ano pelo jornal local. A minha grande inspiração sempre foram os rodízios de antigamente, como pizza sorvetes etc. E, no início de 2016, veio o rodízio de mini-hambúrgueres, que foi um modo de alavancar as vendas em um dia de menor movimento”, contextualiza.
Na Kafua Coxinhas, “o rodízio funciona da seguinte forma. O cliente tem a opção de escolher cinco sabores de coxinhas. No decorrer do rodízio, ele já analisa como ele quer as demais, sendo mais uma ou duas e, por aí, vai, sendo que só é possível pedir mais depois que comeu completamente todas”, conta. “Nossos clientes não têm um perfil próprio. Mas, o que é mais divertido são as disputas de amigos que competem para ver quem come mais e quem perder paga”.
Ainda conforme Silva, o rodízio de coxinhas da Kafua é pioneiro no estado do Espírito Santo, sendo realizado uma vez por mês. “Eu gosto muito desses dias de rodízio. É bem lucrativo e a demanda alcança nossas expectativas. A média de lucro mês/ano ultrapassa 150%. O nosso diferencial é que, no dia a dia, também trabalhamos com um cardápio de doze recheios e, nos dias de rodízio, chegamos à margem de vinte e quatro recheios de coxinhas variadas em salgadas e doces”, destaca.

Especificidades

“O rodízio de coxinhas por si só não é um elemento para segurar uma empresa isoladamente, em minha opinião. Ele é mais uma ferramenta que ajuda na divulgação de produtos/marca e cria um evento semanal para o negócio. Talvez, com uma frequência maior, ele perde força. O conselho que eu daria seria não fazer do rodízio a ação principal de um negócio. O rodízio é uma ferramenta”, aconselha Almeida, da Coxinharia.
Já Silva, da Kafua Coxinhas, considera que “os resultados com rodízio de coxinhas são incríveis na venda e na demanda. São absurdas, fora da realidade de que como caiu no gosto do meu público. Sem contar que onde você tem mais expectativas, também há maiores decepções. Ou seja, quem você acha que vai comer mais, acaba não comendo. Não que o rodízio de coxinhas não seja algo promissor, mas serve mais para sair da rotina e não deixar aquele cliente que ama rodízios ficar sem um de coxinha. Entretanto, acredito que o rodízio de coxinhas não é mais moda. Se não, eu não estaria com ele há três anos no cardápio. Meu conselho é, antes de tudo, saber bem com qual público queremos lidar. Com isso, o indicado é construir uma boa campanha de publicidade e focar, mas focar mesmo no dia do rodízio, que, no fim, acaba virando um grande evento de gastronomia”, garante.

Origem

Assim como várias receitas tradicionais, a origem da coxinha também não é bem definida. Os relatos mais frequentes são que o salgado foi criado no século XIX, na região da Grande São Paulo, durante a industrialização da capital paulista com o objetivo de ser vendido como um alimento substituto mais barato e menos perecível do que as tradicionais coxas de galinha, que eram comumente vendidas nas portas das fábricas. Rapidamente, a iguaria caiu no gosto popular e foi ganhando outros mercados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
Há ainda a versão de que a coxinha nasceu dentro da Fazenda Morro Azul, onde a princesa Isabel e o Conde d’Eu mantinham um filho com deficiência mental e que se recusava a comer qualquer coisa além de coxas de galinha fritas. Mas, um belo dia, não tinha mais aves à disposição e, com isso, a cozinheira da casa teria ficado aflita e inventado a receita com o uso de sobras ao desfiar o frango e incorporá-lo à uma massa com farinha de trigo.

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