Repondo Energias

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Em busca de uma vida mais saudável, várias pessoas têm procurado academias em todo o Brasil. No ano passado, um levantamento divulgado pelo Sebrae mostrou que o número de academias no Brasil alcançou a marca de 21.760 estabelecimentos. Esse número torna o Brasil o segundo país com maior número de negócios fitness, perdendo apenas para os Estados Unidos, com 29.960 estabelecimentos.

Um dado impressionante sobre o mercado brasileiro nesse setor mostra que, enquanto os números nos Estados Unidos têm se mantido estáveis por três anos, o Brasil apresentou o aumento de 29% no mesmo período, com 4.948 novos estabelecimentos. São 2,8 milhões de alunos matriculados nessas 21.760 academias, gerando 317 mil empregos formais e movimentando 2,45 bilhões de reais por ano.

Com uma demanda tão grande por esse mercado saudável, o setor de alimentação fora do lar tem se aproximado desses espaços. As academias têm disponibilizado, cada vez mais, lanchonetes e restaurantes em seus estabelecimentos. Muitas vezes esse serviço pode vir, por exemplo, terceirizado pela academia ou oferecido por ela. Com o mercado brasileiro muito positivo a esses negócios, empreendedores buscam entender o público que frequenta essas academias para faturar. Conversamos com duas nutricionistas que trabalham em academias para tentar desvendar esse público consumidor.

Bodytech

Um dos exemplos mais expressivos desses estabelecimentos está na academia Bodytech. A Bodytech Company atua com duas marcas: a Bodytech e a Fórmula, somando 93 academias espalhadas pelo país. Para atrair o público que frequenta as academias, a alimentação oferecida nesses locais precisa ser cuidadosamente pensada, atendendo conceitos de uma vida mais saudável.

Na unidade da Bodytech Eldorado, localizada em Minas Gerais, profissionais da Clínica BodyHealth auxiliam os alunos a terem uma alimentação que combine com os exercícios feitos na academia e a rotina de vida de cada pessoa. Liane Buchman, nutricionista da clínica, conta como surgiu a ideia de oferecer o serviço para esses alunos. “A ideia da clínica BodyHealth é desenvolver um programa nutricional que ensine as pessoas a tornarem seu dia a dia mais saudável. Percebemos que isso só é possível se trouxermos soluções para a realidade das pessoas. Atendo muitas mulheres e famílias que, muitas vezes, queriam modificar seus hábitos, mas, na prática, tinham dificuldade por questões de tempo ou porque não sabiam como cozinhar com menos sal ou gordura, ou como congelar de forma segura. É muito prático chegar em casa e ter uma refeição adequada às suas necessidades, paladar e na quantidade certa”, explica.

Para que essas lanchonetes possam atender melhor o público que passa pelas academias, elas precisam se adequar às dietas que essas pessoas fazem. As refeições sugeridas por Liane, por exemplo, possuem algumas especificações. “As refeições são planejadas de acordo com as necessidades do cliente: se precisa de menos sódio ou mais fibra, por exemplo”, conta.

De acordo com a especialista, os cuidados para oferecer refeições mais nutritivas passam primeiro pela escolha dos fornecedores desses alimentos. Liane conta que alguns podem fazer grande diferença nesse quesito, como o aspecto financeiro e a qualidade dos produtos que são disponibilizados por essas pessoas. “Os nutrientes são cuidadosamente selecionados: de acordo com a qualidade nutricional, mas as condições financeiras e logística da casa também são considerados”, explica.

A procura de alunos por especialistas para cuidar da saúde tem sido recorrente e tem agradado os clientes. “Os pacientes veem resultados em tudo: bem-estar, mais disposição, saúde, mais tempo de ficar com a família ou amigos”, explica a nutricionista.

Para quem deseja abrir um negócio focado no público dessas academias, Liane explica que alguns cuidados são essenciais. Quando o estabelecimento fica dentro da própria academia, por exemplo, é preciso estar sempre atento à qualidade dos alimentos oferecidos, para que não haja contaminação. Outra dica é quanto ao público. “Os estabelecimentos que oferecem alimentação dentro de academias precisam ficar atentos à higiene e segurança alimentar, além de adequação do cardápio aos tipos de clientes, que precisam de informações, como se a refeição é rica em proteínas ou em carboidratos, por exemplo”, afirma.

Para escolher um cardápio que atenda às necessidades de quem está indo treinar, é preciso tomar alguns cuidados. Liane conta que muitos alimentos não são indicados para consumo antes do treino. “Alimentos de difícil digestão, por exemplo, como gorduras, excesso de fibras, muita proteína ou excesso de açúcar. Carboidratos de rápida absorção também podem causar picos de insulina e, consequente, queda na glicemia e energia”, complementa a especialista.

Smart

Smart Fit é uma das academias mais conhecidas no Brasil, com presença em todas as regiões do país. São mais de 50 mil clientes nas 190 unidades da Smart, aliando a referência na área exercícios físicos, com uma presença abrangente no território nacional. Junto com a academia Bio Ritmo, do grupo Bio Ritmo Academias, compõem o maior grupo fitness da América Latina.

Assim como outras academias, a Smart possui o serviço de alimentação dentro de seu espaço. A forma que a academia encontrou para oferecer essa comodidade aos clientes foi alugando áreas para as lanchonetes. “O serviço é terceirizado, de forma que sublocamos os espaços e a produção é dos locatários”, explica Fúlvia Gomes Hazarabedian, nutricionista da Bio Ritmo.

De acordo com Fúlvia, outro serviço oferecido pela empresa é a orientação nutricional. “Temos um serviço de nutrição exclusivo da academia, prestado por uma empresa parceira e com supervisão técnica constante. Esse serviço não está relacionado aos alimentos servidos nas lanchonetes e nos espaços gastronômicos da academia e, sim, voltado à saúde, prevenção e bem-estar dos alunos da academia. Ele é personalizado, individualizado e adaptado às necessidades pessoais dos alunos da academia que buscam por esse serviço tanto para perda de peso como para definição e aumento de massa magra”, afirma.

Oferecer o serviço de alimentação e orientação nutricional é uma das formas dessas academias se diferenciarem no mercado fitness. Todos esses fatores, por exemplo, podem interferir na escolha do aluno pelo melhor local para malhar. “Nossos alunos têm acesso a orientações e informações sobre alimentação saudável, além de possuírem esse serviço de nutrição diferenciado”, finaliza a nutricionista.

ProntoLight

Baseado no conceito de saudabilidade, Eduardo Dimand criou um novo negócio que alia alimentos com alto valor nutricional à facilidade de serem preparados. Ao começar a fazer fisiculturismo,
Dimond procurou especialistas para perder peso e ganhar massa muscular. O método receitado por nutricionistas aliava três fatores essenciais: alimentação correta, descanso e treino. Com a rotina corrida de Eduardo, a alimentação adequada poderia ser um problema, mas foi ideia para o ProntoLight: um delivery que entrega, em casa ou no trabalho, as comidas orientadas pelo especialista.

Depois de três anos atuando no negócio, Eduardo recebeu a ajuda de dois amigos para compor a administração do ProntoLight. Fernando Negrão, que é educador físico, e Pedro Pandolpho, administrador e cliente da empresa, compõem o time de empreendedores do ProntoLight.

É possível pedir a refeição ideal para seu dia através do smartphone ou tablet. As opções oferecidas pelo ProntoLight variam desde proteínas e bebidas a sobremesas e sopas. O modo de preparo dos produtos é bem simples, bastando aquecer no micro-ondas ou em banho maria para ficar pronto. Quem desejar congelar o produto pode guardá-lo por até seis meses. Já os produtos próprios de geladeira têm validade de seis dias para consumo.

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