Reflexos para produção e consumo

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Alta nos preços do tomate influenciou o mercado de diferentes formas

O primeiro trimestre do ano foi marcado pela alta dos preços dos produtos alimentícios essenciais, com destaque para o tomate, que se transformou em um inimigo do bolso do consumidor. De acordo com o levantamento divulgado no início de abril pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em 18 capitais pesquisadas o aumento influenciou o preço da cesta básica.
Segundo o Dieese, o  preço do tomate sofre grande influência das condições climáticas, e os preços no varejo vêm sendo impactados pelo excesso de chuva desde o começo do ano, diminuindo a produtividade das lavouras e a qualidade do produto. Segundo o levantamento, o tomate no varejo teve alta em 12 capitais no mês de março. Os maiores aumentos ocorreram em Vitória (42%), Belo Horizonte (17,20%) e São Paulo (15,68%).
Os dados da safra de verão 2012/2013 confirmaram redução na área de cultivo e na quantidade produzida, o que acarretou aumento nos preços praticados no atacado. Na comparação anual, houve aumento em 17 capitais com informações disponíveis. As variações mais expressivas ocorreram no Rio de Janeiro (320,55%), Vitória (213,33%) e Aracaju (172,93%).
Dependentes tanto da produção interna quanto externa de tomates, empresas do segmento de atomatados sofreram de diferentes formas com essa elevação nos preços, refletindo diretamente no consumidor final.

Tomate de mesa X Tomate industrial

Mesmo com peculiaridades que diferenciam bastante o tomate industrial do tomate de mesa, as consequências da alta dos preços atingiram as empresas fabricantes de produtos à base dos dois tipos de tomate.
“Em todo o mundo, o tomate de mesa é produzido com irrigação artificial, de tal forma que seja fornecida à planta a quantidade ideal de água para o seu desenvolvimento vegetativo. As maiores inimigas da tomaticultura são chuvas constantes e em excesso, que provocam o aparecimento de doenças fúngicas de difícil controle. Por isso, o tomate produzido sob alta incidência de chuvas fica caro pelo número de tratamentos com fungicidas, não fica com boa aparência e ainda tem produtividade reduzida”, explica João Vidigal, diretor comercial da Karambi Alimentos, empresa localizada ao norte do Estado de Minas Gerais, que há 21 anos iniciou a industrialização dos produtos Colonial. A empresa desenvolveu variedades de tomate industrial visando o aprimoramento qualitativo constante da matéria-prima. “Este ano, nas principais regiões produtoras, as chuvas vieram mais tardias, castigando duramente a produção nos meses de fevereiro e março, dificultando sobremaneira o desenvolvimento das lavouras”, completa.
Para o tomate industrial que é plantado fora do período chuvoso (plantio entre março e junho e colheita entre junho e outubro), problemas climáticos não deveriam ocorrer.  Entretanto, em 2012, chuvas fora de época durante o outono e o inverno reduziram significativamente a produtividade de Goiás e São Paulo, as maiores regiões produtoras. “Por esta razão, este ano o Brasil importou uma grande quantidade de polpa de tomate da China e do Chile, encarecendo os custos em função de outros fatores como cotação do dólar, logística e impostos”, relata o diretor.
Apesar de processar 30.000 toneladas de tomate industrial por ano, os produtos Colonial sofreram aumento, também, por outros fatores. “A mão de obra não chega a ser um problema para o tomate industrial, pois a cultura é totalmente mecanizada, mas o aumento do diesel e dos adubos exerceu pressão sobre a matéria-prima que começará a ser colhida em junho”, descreve João Vidigal.
Esse aumento refletiu nos preços dos produtos à base de tomate, que sofreram ainda um aumento no custo das embalagens. “Todas as embalagens tiveram reajuste no início do ano. Os plásticos acumulam uma alta de 30% nos últimos seis meses, os vidros 11% em fevereiro e as embalagens metálicas 13% em janeiro e fevereiro. Dessa forma, os atomatados devem manter uma tendência de alta”, aponta o diretor.
Com o preço elevado do tomate de mesa, houve um crescimento sensível da venda de molhos, extratos e ketchup. “Foi sentido um aquecimento nas vendas dos derivados de tomate da ordem de 15% em volume sobre o mesmo período do ano passado. Os consumidores migraram do tomate de mesa para os molhos industrializados”, finaliza.
Aumento de custos
A De Tommaso, pioneira em antepastos no Brasil e há mais de 25 anos no mercado com uma das linhas de produtos mais completas do segmento, sentiu o impacto do preço do tomate na indústria de tomate seco.
Hoje, todas as pequenas indústrias de tomate seco migraram para a compra do tomate importado já seco, que chegando ao Brasil é hidratado, temperado e embalado. “Estamos favorecendo outros países”, relata Carmen De Tommaso, diretora, que acredita que daqui para frente esta falta de mercadoria será cada vez mais comum.
O impacto com o aumento nos preços do tomate afetou tanto a produção quanto a comercialização dos produtos Tomate Seco, Sardella, Enroladinho de Berinjela com Tomate Seco e Patê de Tomate Seco da De Tommaso, aumentando o custo de produção e diminuindo 25% no faturamento. “Consequentemente, refletiu nos preços de distribuição, com aumento de 8% no preço de venda”, relata a diretora. Para a empresa, um reflexo muito negativo. “Houve diminuição na produção por oito meses consecutivos e, em função disso, a comercialização chegou a zero”, lamenta.
Mas a De Tommaso continua investindo em seus produtos. “Nos próximos meses será lançada uma linha de patê com base de soja e uma nova linha de molhos para macarrão e bruschetas”, conclui.
Efeitos
O Grupo Predilecta, formado pelas empresas Predilecta, Tradelli, Tomilho, Showcau, SóFruta, Stella D’Oro, Dez+, Lafer Alimentos e Minas Mais, e que comercializa centenas de produtos,  tanto para o mercado nacional quanto para o internacional, é uma das principais indústrias de alimentos do país, com destaque para os segmentos de tomates e goiaba. Oferece produtos de alta qualidade aos seus consumidores, permitindo-lhes desfrutar de artigos nobres e com sabor requintado.
O Grupo investe no nicho de mercado de molhos prontos, o que mais cresce no segmento de atomatados. E, por isso, sentiu os reflexos do preço da matéria-prima. “Houve um aumento no custo de produção em todos os produtos à base de tomate, como molhos, polpas e extrato de tomate, pois trabalhamos com frutas frescas e selecionadas. O impacto foi direto”, comenta Rogério Byczyk, gerente de Marketing e Institucional do Grupo Predilecta.
Mas o efeito acabou não sendo tão negativo. De acordo com o gerente, o Grupo Predilecta cresce ano a ano devido a investimentos em novas embalagens, novos sabores e novas tecnologias, visando levar ao consumidor mais saúde e sabor. “O mercado segue a lei da oferta e procura. Dessa forma, nossos produtos tiveram um reajuste em função do alto preço do tomate, porém as pessoas continuaram consumindo. Hoje, molhos de tomate já são parte importante do dia a dia da dona de casa”, discorre.
E o grupo Predilecta comemora um novo ciclo de vida com o lançamento de sua nova marca, para mostrar todo o investimento feito no Grupo e a solidez com que vem conquistando o mercado. “Aproveitando o aumento no consumo de molhos, investimos no lançamento de novos produtos, como o ketchup em embalagem top dow da marca Franz, elaborado para atender aos paladares mais exigentes, colocando à disposição do consumidor mais praticidade em sua abertura e alta qualidade de matéria- prima em sua composição”, relata o gerente. O Grupo investiu, também, no lançamento do molho barbecue em bisnagas, além de vegetais em bandejas a vácuo e sem conservantes.
Situação inversa
Como os produtos à base de tomate oferecidos são importados da Itália, a situação acabou sendo inversa na Natural Alimentos, empresa com sede em Cajamar, São Paulo, que possui uma área industrial e um centro logístico próprio preparado para atender a todo o território nacional.
Entre a extensa linha de produtos, disponíveis tanto em embalagens para o varejo como em embalagens institucionais específicas para atendimento ao food service, a empresa possui passatas de 690g e tomate sem pele em embalagens de 400g e 2,55kg, todos da marca Tondela. “Os produtos da Itália também sofreram com a crise econômica no mercado europeu, pois os bancos restringiram crédito aos agricultores, o que gerou um aumento nos preços desses produtos. Mas, mesmo com esse aumento, o produto importado possui grande vantagem competitiva comparado com o mercado interno, além de qualidade superior”, explica Alberto Fernando Trigo Filho, presidente da Natural Alimentos. “O tomate italiano tem ótima qualidade e preço mais competitivo que o mercado interno, o que representou 30% de aumento nas vendas de abril do produto Tomate sem pele Tondela (2,55 kg), pois muitos restaurantes acabaram alterando em suas receitas o uso do tomate in natura pelo tomate enlatado”, relata.
Com a alta dos preços do tomate no mercado brasileiro, na Natural Alimentos não houve aumento nos preços de distribuição. “Pelo contrário, devido à grande procura, o volume de compra proporcionou à empresa a possibilidade de negociar melhores preços junto aos compradores”. O impacto positivo também atingiu a linha de food service. “Tivemos um retorno muito bom, pois nossos produtos e preços se tornaram mais competitivos junto ao mercado interno”, comemora o presidente.
De acordo com Filho, a preocupação da Natural Alimentos vai muito além de oferecer produtos em embalagens institucionais que reduzam o preço para o mercado de food service. “Ela quer oferecer a esses profissionais produtos que facilitem seu dia a dia na preparação de pratos”, diz. Para isso, investe em novidades, com o lançamento de novos produtos como os Blends Especiais com azeites em embalagens de 5,02 litros, os Blends saborizados (Alho, cebola, cebola frita, bacon, orégano e coentro) em embalagens de 5,02 litros,  e a linha de azeitonas lambuzadas no azeite e temperadas com orégano ou com orégano e pimenta em embalagens de 2 kg.
A Natural Alimentos também inaugurou, em março de 2013, sua primeira loja de fábrica, o Empório Natural Alimentos, que fica próximo à fábrica na cidade de Cajamar, onde são realizadas vendas no atacado e varejo. O consumidor pode encontrar toda a linha de produtos em um só lugar. “Há também projetos para uma possível importação da Itália de molhos de tomate específicos para pizzas sabor napolitano, molho com manjericão, entre outros”, finaliza o presidente.

Colonial
www.colonialconservas.com.br
De Tommaso:
www.detommaso.com.br
Predilecta:
www.predilecta.com.br
Natural Alimentos:
www.naturalalimentos.com.br

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