Recuperação à vista

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Recuperação à vista

Após queda nos números devido aos reflexos da pandemia da Covid-19, food service já aponta para retomada

Recuperação. São essas as expectativas para o food service no próximo ano. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), as estimativas são de que o share da alimentação fora do lar nas vendas da indústria de alimentos para o mercado interno chegue a 28% (R$ 166,9 bilhões) neste ano e se recupere por completo em 2022.

“Em um cenário realista, a recuperação em curso do mercado de food service (FS) se estenderá por 2022, avançando no início de 2023. Importante ressaltar, porém, que esta melhora está condicionada à evolução do controle da pandemia, especialmente com a ampliação da vacinação em todo o país, e também com a melhora da economia. Assim como outros setores, o FS passou por profundas transformações em seu funcionamento e estrutura durante as fases mais críticas da pandemia, mas agora apresenta uma trajetória de retomada gradual. Há que se considerar que um dos principais momentos de consumo no FS é o almoço em dias comerciais e a reativação deste hábito em níveis pré-pandemia acontecerá com o retorno ao trabalho presencial nos grandes centros urbanos”, destaca o presidente da Abia, João Dornellas.

Recuperação à vistaO profissional salienta que o segmento sofreu os efeitos da pandemia da Covid-19 por conta das restrições ligadas ao funcionamento dos estabelecimentos, além das alterações no comportamento de consumo e das dificuldades de acesso ao crédito.

“Isso levou muitos operadores do FS a reduzirem, de forma temporária — ou até mesmo encerrarem ¬ — suas atividades. Este processo foi mais intenso entre os operadores de micro e pequeno portes. Os operadores que obtiveram melhores resultados durante a pandemia foram aqueles que já estavam engajados na modernização de seus negócios, como a adoção do e-commerce, delivery, e focados na qualidade dos serviços prestados. Neste sentido, a aceleração tecnológica foi fundamental para que os estabelecimentos de FS fossem capazes de se adequarem rapidamente à nova realidade de mercado e à demanda dos consumidores”, diz ele.

Conforme explica João Dornellas, “os desafios foram superados principalmente pela atuação colaborativa entre as empresas participantes da cadeia do food service no sentido de melhorarem a eficiência das operações e buscarem soluções compartilhadas em favor da sobrevivência e retomada dos negócios”, afirma.

Daniel Silva, coordenador do Comitê de Food Service da Abia, acrescenta que “a indústria teve um papel bastante relevante nesse sentido, adequando rapidamente políticas comerciais, flexibilidade de entrega (trabalhando com maiores níveis de estoque e reduzindo pedidos mínimos) e portfólio, buscando soluções inovadoras que entregassem melhor performance e otimização de custos”, diz.

Além disso, destaca João Dornellas, “foi importante a interlocução das entidades que representam a cadeia do FS com os governos federal, estaduais e municipais, encaminhando questões importantes, a exemplo do decreto que instituiu a ‘essencialidade do alimento’, a PEC dos salários, além da concessão de crédito”, destaca.

Diante de todo esse quadro, também houve mudanças significativas, que vieram para ficar. “O movimento de transformação digital dos negócios do canal food service foi acelerado durante a pandemia e veio para ficar. No caso do consumo, o avanço do delivery foi um dos fatos mais importantes, seja via plataformas ou sistemas próprios. Em relação à cadeia de suprimentos e abastecimentos, as plataformas de comércio B2B continuaram avançando”, afirma João Dornellas.

Cenário ao longo dos anos

Apesar de todos os desafios vividos pelo food service, o cenário é promissor. João Dornellas ressalta que “que nos últimos 10 anos que antecederam a pandemia, o food service cresceu, em média, 11% ao ano em termo nominais, respondendo por 33,1% das vendas da indústria de alimentos no mercado interno. Em 2020, houve queda de 24,3% nas vendas, o que reduziu a participação do food service a 24,4%. Para este ano, a perspectiva é de retomada das vendas com alta de 15% a 20%, elevando a participação do food service para o patamar próximo a 28%”, diz ele.

Uma oferta diferenciada de soluções em serviços deve contribuir para os números positivos. “Somos otimistas e as projeções são de que o setor continuará avançando, baseado em uma oferta de soluções em serviços de alimentação que valorize a satisfação e experiência dos consumidores. Os sistemas de comércio eletrônico, delivery, cloud kitchens, ghost kitchens, entre outros novos modelos de negócios, continuarão avançando”, afirma João Dornellas.

Daniel Silva acrescenta que “o FS atende as necessidades do consumidor em conveniência, saudabilidade e praticidade, portanto, é um segmento que deverá se recuperar e em algum momento voltar a crescer acima do varejo”, afirma.

Conforme João Dornellas, no que diz respeito aos investimentos, “entre os principais investimentos em curso estão a conversão dos negócios para modelos de segurança de alimentos cada vez mais avançados em toda a cadeia, inovações na transformação digital, além da modernização dos serviços, cardápios, sustentabilidade, entre outros”, ressalta.

Vantagens

Quando o assunto são as principais vantagens de atuar nesse setor, João Dornellas frisa o crescimento expressivo e as muitas oportunidades presentes no segmento.

Recuperação à vista“Além do crescimento expressivo e sustentado no período pré-pandemia, o food service, em seus diversos segmentos, oferece inúmeras oportunidades para atender às necessidades de consumo de alimentos das pessoas, em suas diversas ocasiões, o que contribui, de forma direta, para a ampliação da economia em geral e do bem-estar da sociedade, com a geração de novos fluxos de negócios, empregos e renda”, diz.

Para crescer mesmo em momentos de crise, de acordo com João Dornellas, “é necessário que os operadores se preparem para atender as demandas emergentes de soluções em serviços de alimentação dos consumidores. Isso deve ser feito por meio do planejamento integrado com fornecedores e clientes estratégicos, com base na inovação aberta e valores compartilhados, sem falar no contínuo desenvolvimento e a capacitação dos recursos humanos. Essas estratégias permitirão alcançar a excelência nos negócios, que se traduz em conquista e manutenção de elevados níveis de satisfação. No caso dos pequenos operadores, que respondem por cerca de 80% dos estabelecimentos, a profissionalização é fator de base para a sobrevivência e o crescimento mesmo nos momentos de crise”, afirma.

Consumidores

Em todo esse cenário, também é muito importante estar verdadeiramente atento aos desejos dos consumidores.

“O consumidor tem à sua disposição um crescente volume de dados, informações e conhecimentos, além de ser cada vez mais o próprio agente da comunicação, on-line e em tempo real, manifestando seus desejos e avaliações, o que pode se traduzir em oportunidades para as empresas que se prepararem para analisar estes dados a fim de formatarem estratégias de negócios vencedoras. Entre os temas centrais neste contexto estão as questões relativas à saúde e ao bem-estar, gastronomia e culinária, nutrição especializada, segurança do alimento, sustentabilidade, novas tecnologias de informação, valorização da experiência de consumo (prazer), entre outros”, afirma João Dornellas.

Daniel Silva destaca também que “para o operador de FS é fundamental conhecer seu público-alvo e adequar a operação, comunicação, nível de serviço e cardápio às necessidades do público que pretende atingir. Utilizar tecnologia para conversar com estes clientes e trabalhar com programas de descontos e fidelização podem ser diferenciais neste novo cenário”, diz ele.

Abia
www.abia.org.br

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