Pioneirismo de sucesso

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J oão Emílio Rocheto, diretor-presidente da Bem Brasil, fundou a empresa com uma ideia pioneira no país: a produção de batatas pré-fritas congeladas, que antes eram provenientes apenas de importação.

Criada com a expectativa de produzir 40.000 toneladas de produto final por ano, a Bem Brasil produz, atualmente, mais do que o dobro. A empresa possui o food service como seu principal segmento. Rocheto acredita que esse mercado tem, ainda, grande potencial de crescimento.

Nesta entrevista, o empresário fala também sobre as maiores dificuldades que enfrentou no início do empreendimento, a importância da sustentabilidade, os valores que busca agregar à gestão da empresa e o que pensa ser essencial para obter êxito como profissional.

Food Service News: Primeiramente, o senhor pode contar um pouco da história da Bem Brasil?

João Emílio Rocheto: A Bem Brasil nasceu no final de 2003, após vários anos de estudo, três projetos e planos de negócio. No início, era um grupo de produtores composto por três sócios, cada um representando vários outros produtores. Tivemos mais ou menos um ano e meio de orçamentos, projetos, definições de fornecedores, linhas de equipamentos, projetos arquitetônicos, estruturação das fontes de financiamento e recursos, e mais um ano e meio de construções e montagens. A empresa iniciou suas operações no final de 2006, completando seis anos no próximo mês de dezembro.

FSN: Por que o senhor decidiu investir no ramo alimentício?

JER: A Bem Brasil foi criada com o intuito de preencher um espaço que existia no mercado brasileiro, pois não tínhamos produção de pré-fritas congeladas no Brasil, sendo que todo abastecimento era proveniente de produtos importados da Argentina ou Europa. O país é hoje um dos maiores produtores de alimentos do mundo, estando em primeiro ou segundo lugar em vários itens como soja, açúcar, frango, carne bovina, café etc. Portanto, sabíamos que poderíamos também produzir batata para processamento com qualidade para atender a uma parte do mercado e não ficar totalmente dependente das importações.

FSN: Como é sua rotina de trabalho como diretor-presidente da Bem Brasil? Quais seus maiores desafios e responsabilidades?

JER: Gerenciar uma empresa no Brasil é tarefa que exige muita dedicação, empenho e atenção à legislação que tem de ser cumprida. Normas legais ligadas às áreas trabalhista, ambiental e fiscal são muito complexas e exigem grande atenção dos gestores brasileiros.

FSN: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no início da empresa?

JER: No início, o maior desafio era mostrar ao mercado que podíamos produzir aqui no Brasil um produto tão bom ou melhor que os produtos importados. Como somos uma empresa pioneira em nosso setor, chegamos para quebrar um paradigma que era a produção local de matéria-prima para processamento; todo o mercado dizia que isto não era viável. Também tivemos de buscar conhecimento operacional, formar mão de obra, conquistar espaço no mercado. A gestão do capital de giro também é sempre complicada no início.

FSN: Que valores o senhor busca agregar à gestão da empresa?

JER: Valorização das parcerias internas e externas, transparência, humildade, ousadia e criatividade são os principais valores da companhia.

FSN: Quais eram suas expectativas ao fundar a Bem Brasil? Elas foram todas superadas?

JER: A Bem Brasil nasceu para produzir 40.000 toneladas de produto final por ano e, já no final do primeiro ano, tinha atingido sua capacidade operacional. Em 2010, montamos a segunda linha e hoje produzimos mais de 80.000 toneladas ao ano, atendemos aproximadamente 26% do mercado e somos o segundo player em volume. Nossa visão é ser líder do mercado brasileiro e estamos trabalhando muito para chegar lá.

FSN: O que o senhor acredita ser o diferencial da Bem Brasil?

JER: Ter um produto de ótima qualidade; a produção local não está sujeita a todas as variáveis que são comuns em relação ao produto importado, facilidades da logística na qual o cliente é atendido em um prazo máximo de dois a três dias, além do sabor incomparável do nosso produto. Esses são nossos principais diferenciais.

FSN: Como o senhor vê a importância da sustentabilidade atualmente? Como esse conceito é aplicado na Bem Brasil?

JER: Cuidar de todas as variáveis que tornam uma empresa estável em longo prazo – estabilidade financeira, respeito ao meio ambiente, interação e respeito para com a comunidade, valorização das pessoas, estabelecimento de parcerias saudáveis, formação de equipes competentes. São nossos grandes pilares para a sustentabilidade: a dimensão ambiental, que atualmente determina a possibilidade de crescimento da Bem Brasil Alimentos com maior rapidez e menor custo, principalmente com água, energia, efluentes e passivos ambientais; a dimensão social, que vai determinar sobrevivência e crescimento por meio da formação de uma equipe sólida e talentosa, retenção destes talentos e pela convivência harmoniosa com a sociedade local; e a dimensão econômica, que vai determinar a sobrevivência e o crescimento por meio da otimização de custos e maior lucratividade, aprovação de investimentos e financiamentos graças à sustentabilidade da empresa, relacionamento com clientes, fornecedores e outras partes envolvidas.

FSN: De que forma o senhor vê o atual mercado de food service? Quais suas expectativas em relação a ele?

JER: É um mercado em constante crescimento e que, nos últimos três anos, tem atingido em média 15% ao ano, com espaço imenso de crescimento a ser buscado. Fatores como a maior inclusão da mulher no mercado de trabalho, o crescimento da renda média da população, a busca por praticidade, o alimentar-se fora do lar – que é uma tendência em crescimento também – farão com que este mercado continue a crescer. Espera-se, no mínimo, o dobro do crescimento do PIB do país. No caso da batata, quando analisamos mercados mais maduros como Europa e Estados Unidos, mais de 50% são consumidas de forma processada e no Brasil esse consumo está próximo a 25%, incluindo os produtos importados. Por tudo isso, enxergamos e acreditamos que temos muito a crescer nestes segmentos de mercado.

FSN: Qual a importância do food service para a Bem Brasil?

JER: É nosso principal segmento de mercado, com aproximadamente 80% de nosso faturamento. Também é bastante estável, muito pulverizado e que sempre valorizamos, procurando ter sempre os melhores distribuidores e parceiros em prestação de serviços, visto que é um mercado muito dinâmico e exigente, principalmente quando se fala em agilidade de entrega.

FSN: O que o senhor acredita ser essencial para obter êxito como empresário?

JER: Acreditar no que está fazendo, muita dedicação, persistência, não desistir nunca.

FSN: Qual a expectativa de crescimento da Bem Brasil em 2012?

JER: Em 2012, a empresa fecha com um crescimento próximo a 45% em volume e faturamento.

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