Perfil: Defensor da gastronomia brasileira

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Cesar Santos

Considerado o embaixador da cozinha pernambucana, o premiado chef César Santos enxerga a gastronomia como cultura e forma de transformar vidas

Defensor da gastronomia brasileira. É assim que Josevaldo César Santos, pernambucano nascido e criado em Casa Amarela, bairro popular de Recife, de 53 anos, solteiro e sem filhos, o chef César Santos, se define. “Sou chef de cozinha que defendo a gastronomia brasileira, trabalhando com ingredientes regionais bem conhecidos dos pernambucanos e nordestinos. Defendo a gastronomia como cultura e como forma de transformar vidas”, afirma.

Com mais de 30 anos de carreira, o chef carrega o título de embaixador da cozinha pernambucana e é destaque no cenário nacional e internacional pelo seu trabalho. “Esse título veio como consequência do meu trabalho, revisitando receitas famosas da gastronomia pernambucana. Fico feliz e honrado em ter esse título”, partilha César Santos, que, há 26 anos, é chef e proprietário do Restaurante Oficina do Sabor, localizado no bairro de Amparo, em Olinda, região metropolitana de Recife.

O Oficina do Sabor funciona em um casarão histórico. O local é considerado um dos melhores restaurantes do Brasil. “Seguimos o conceito da cozinha brasileira com técnicas internacionais. O menu é variado, com entradas, pratos principais, sobremesas e drinks, muitos deles autorais. A especialidade do restaurante é o Jerimum Recheado, contando com várias opções com frutos do mar, peixes e carnes”, diz o chef, que já foi bastante premiado em reconhecimento da gastronomia que desenvolve por meio do seu empreendimento desde 1992.

Como tudo começou

O chef César Santos começou cedo a sua história na gastronomia. Conforme o chef, seu primeiro contato com a culinária ocorreu ainda durante a sua infância. “Começou ainda na minha infância, vendo e ajudando a minha mãe na cozinha de casa. Era uma casa humilde, sempre com muita gente, mas nunca nos faltou comida. Foi das panelas de casa que vi a possibilidade de utilizar ingredientes do dia a dia e transformá-los em pratos deliciosos, utilizando técnicas e apresentações diferentes”, partilha.

Baio do chef César Santos
“O menu é variado, com entradas, pratos principais, sobremesas e drinks, muitos deles autorais”, ressalta César Santos

Aos 17 anos, cozinhar para o chef César Santos já era uma atividade profissional e, por isso, um amigo dele, chamado João Valença, sugeriu que o jovem estudasse na área. Todos os estudos do chef César Santos foram concluídos no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Além da formação em cozinheiro, ele também fez cursos de garçom, tortas, coberturas, planejamento, aperfeiçoamento e de eventos.

Assim que saiu do Senac, César Santos trabalhou por um ano na cozinha de um hotel-fazenda chamado Viver Hotel, em Moreno, uma cidade a 40 minutos de Recife. Nesse período, ele foi passar o Carnaval em Salvador, quando outro amigo o convidou para ficar na Bahia e tentar um emprego. Entretanto, o chef desistiu e voltou para Recife, quando sua mãe já havia se mudado para Olinda, onde o chef começou a ir à casa das pessoas durante a semana e fazer comida congelada para um mês. E, nos fins de semana, cozinhava em festas, batizados e casamentos.

César Santos relata ainda que fazia “comidinhas por encomenda. Eram doces e salgados para festas e comidas congeladas, além de ser convidado para fazer grandes jantares. Mas, em 1992, resolvi concentrar meus trabalhos em um endereço fixo, em Olinda. E é lá que estou há 26 anos”, relembra.

O chef já teve diversas oportunidades de cozinhar pelo mundo. “Foram nessas oportunidades que fui aumentando o meu repertório de sabores, conhecendo novos ingredientes, temperos e sabores. Considero muito importante esse intercâmbio para conhecer culturas diferentes. As viagens internacionais são sempre experiências inesquecíveis por levar um pouco de Pernambuco para quem está longe e também pela oportunidade de conhecer novas culturas, ingredientes, técnicas”, avalia.

Inspirações

De acordo com o chef César Santos, sua culinária é inspirada na sua história de vida de uma forma geral. “Muito do que eu cozinho tem lembranças afetivas, são receitas que contam histórias e homenagens. O próximo Prato da Boa Lembrança, por exemplo, é em homenagem à minha mãe. O Camarão à Vita traz camarões flambados no conhaque ao molho de café e bolo salgado de mandioca, ingredientes preferidos da minha mãe”, detalha.

Ainda conforme o chef, o segredo para alcançar o sucesso no mercado de gastronomia está em “trabalhar sempre com muita ética, utilizando produtos e ingredientes de qualidade e estar sempre atualizado no mercado, buscando novidades para os clientes”.
Para César Santos, “não existe alta gastronomia. Existe uma boa gastronomia. Sou a favor da popularização do que é bom. Seja na criação de novos cursos de gastronomia pelo Brasil ou no acesso do público a insumos, técnicas e sabores mais elaborados. Não podemos limitar experiências para privilegiar apenas poucos”, salienta.

Fora da cozinha

Em decorrência de sua renomada carreira, o chef César Santos tem uma rotina muito corrida. Porém, como todo bom cozinheiro, ele também tem uma vida e suas preferências fora da cozinha. “Sou feliz com o meu restaurante e concentro minhas atenções nele. No máximo, presto consultoria para cardápios de outros restaurantes, quando sou convidado. Tenho uma vida muito agitada, sempre trabalhando no restaurante ou em eventos pelo país. Mas, quando eu estou em casa, costumo ficar quieto para descansar ou vou visitar os amigos para colocar a conversa em dia”, relata.

O chef avalia ainda que “em mais de três décadas de trabalho, pode ter certeza de que todo dia eu tenho o desafio de fazer algo maior e melhor”. E, inspirado na sua história, deixa um recado para aqueles que ainda estão começando na carreira da gastronomia: “Não tenha medo de começar de baixo. Às vezes, vai ser preciso lavar prato, fazer o que não quer e o que não gosta, mas tudo é aprendizado. Humildade é o ingrediente principal para uma carreira de sucesso e vaidade é igual a comida muito salgada, ninguém aguenta e faz mal. Também não podemos esquecer de colocar sempre muito amor em tudo!”, aconselha.

Oficina do Sabor
www.oficinadosabor.com

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