Olha quem está de volta

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Fundada em 1961, em Parma, na Itália, a Parmalat tornou-se uma empresa referência no segmento de leite: foi pioneira no envase asséptico e na produção de leite UHT, e em 2002 ganhou o prêmio Top Of Mind nessa categoria. Com 139 unidades de produção espalhadas em 30 países, possui mais de 36 mil funcionários, sendo que no Brasil emprega cerca de 3.150 pessoas (antes da crise eram 4.500), em oito fábricas. Reunida em torno do um sonho de “Nutrir a Vida”, que representa para a Parmalat mais que alimentar, a empresa busca atender às necessidades do consumidor, trazendo qualidade, praticidade e inovação para sua mesa. Para isso, trabalha em cima de valores como: criatividade, prazer na refeição, produtos disponíveis nos momentos e lugares oportunos, ética empresarial, empresa cidadã e atratividade para os stake holders. Sua atuação na área de responsabilidade social inclui desde investimentos em segurança e métodos de preservação ambiental até o desenvolvimento de projetos a partir do Instituto Parmalat, que concentra as ações da empresa. Mantém ainda, estreita parceria com os produtores de leite e convênios para troca de tecnologia com faculdades e instituições privadas, que gerem estudos, treinamentos e palestras para o desenvolvimento e aprimoramento da atividade leiteira. No setor de foodservice, a companhia apresenta novidades em embalagens, volumes e informações adequadas às necessidades desse segmento, composto por vários produtos da área culinária. Como diferencial competitivo, aposta no talento de seus profissionais. Recentemente foi alvo dos principais noticiários do País, que divulgaram uma série de escândalos financeiros envolvendo a matriz, na Itália. Para falar sobre esses e outros assuntos, a FOOD SERVICE NEWS entrevista, este mês, Nelson Bastos, presidente da Parmalat Brasil. É ele quem vem contar, com exclusividade, quais são as estratégias da empresa para retornar à mídia e obter de volta sua posição no mercado, como uma das maiores empresas de leite e derivados do Brasil e do mundo.

FSN: Os desvios de dinheiro, as fraudes contábeis, a criação de subsidiárias fantasmas e a falência em que a Parmalat internacional se envolveu trouxeram quais conseqüências para a Parmalat Brasil?

Nelson Bastos: A empresa brasileira e a Parmalat Participações tiveram seus pedidos de concordata, solicitados através do escritório Felsberg e Associados, acolhidos no dia 02 de julho 2004, pelo juiz Núncio Theófilo Neto, da 29ª Vara Cível. Esses fatos, divulgados pela imprensa, principalmente na televisão, provocaram a perda de confiança dos bancos, fornecedores e clientes da Parmalat Brasil S/A. A decisão da Justiça marcou um importante avanço no franco processo de recuperação das empresas. Em concordata, as duas empresas Parmalat terão um prazo de 24 meses para saldar suas dívidas ou equacionar-se com seus credores.

Nelson Bastos, presidente da Parmalat

FSN: Há intenção da filial brasileira de separar-se da matriz italiana, devido aos últimos acontecimentos?

Nelson Bastos: A Parmalat S/A se dispõe a transferir aos credores financeiros todo o valor das suas operações no Brasil, sem prejuízo das garantias que a matriz possa a eles ter oferecido, e assim, uma vez fechado esse acordo, deixará de ser acionista da nova empresa brasileira.

FSN: Quais as estratégias que a filial brasileira está usando para fugir da crise e apagar de vez as marcas do escândalo internacional em que se encontra?

Nelson Bastos: Buscamos recuperar a confiança dos fornecedores e clientes, equacionando o passivo com os credores financeiros. Dessa forma, estamos voltando a distribuir produtos em todo o Brasil, da mesma maneira eficiente de antes, buscando operar as nossas fábricas com mais produtividade.

FSN: Como presidente da Parmalat Brasil, cargo que assumiu em meio à crise mundial (em maio de 2004), quais são seus desafios à frente da empresa, –hoje?

Nelson Bastos: O principal desafio da Parmalat é continuar a merecer a preferência de seus clientes, quer sejam eles consumidores ou instituições. Para isso, estamos disponibilizando nossos produtos de forma abrangente e eficiente, em todos os canais de distribuição aos quais estamos acostumados a atender.

FSN: Como está a relação da empresa com os produtores e as cooperativas de leite no Brasil?

Nelson Bastos: A situação está normalizada em todas as bacias leiteiras brasileiras, com a captação de leite em crescimento compatível com as necessidades da operação industrial e comercial da Parmalat.

FSN: Qual é a estrutura que a empresa tem hoje?

Nelson Bastos: A empresa no Brasil manteve sua estrutura produtiva intacta, ocorrendo redução mais significativas apenas nas áreas administrativas. Nossa operação engloba os negócios de leite e derivados (com as marcas Parmalat e Gloria), vegetais (com a Etti e a Cajamar), biscoitos (Duchen) e os sucos (Santal).

FSN: A empresa foi pioneira ao implantar o envase asséptico e produzir leite em embalagem longa vida ou UHT (Ultra High Temperature ou Ultra Alta Temperatura). Neste momento, pensa em inovar mais uma vez e criar ou desenvolver novos produtos e/ou novas formas de distribuição para eles? Quais seriam?

Nelson Bastos: A inovação sempre foi uma constante em produtos Parmalat, e isso deverá permanecer. Porém, no presente momento estamos priorizando a regularização das operações dos produtos atuais, inclusive da linha Natura Premium (Integral, Dietalat Calcio Plus, Dietalat Light e Zymil Natura Premium), com tecnologia exclusiva.

FSN: Quais as marcas que ainda são controladas pela Parmalat Brasil?

Nelson Bastos: As marcas Parmalat e Santal pertencem à Parmalat Itália. Devemos, porém, continuar a trabalhar com elas aqui no Brasil também, sob licença, nos próximos anos. As marcas Gloria, Etti, Alimba, Duchen, Lacesa entre outras pertencem à Parmalat Brasil e vão continuar a serem utilizadas.

FSN: Os produtos da Parmalat primam pela qualidade nutricional. Como é o trabalho da empresa para que isso aconteça?

Nelson Bastos: Para manter a tradição de nutrição, qualidade e rentabilidade dos produtos Parmalat é que priorizamos a defesa das estruturas de produção, tecnologia, processos e controles industriais e logísticos.

FSN: Quais são os critérios que a Parmalat utiliza no desenvolvimento dos seus produtos para manter a qualidade nutricional dos mesmos?

Nelson Bastos: Desenvolvemos praticamente 100% de nossos produtos em nossas instalações, mantendo os conceitos de tecnologia e qualidade tradicionais à Parmalat. As eventuais produções por terceiros são feitas após certificação e acompanhamento de processos e controles por nossos técnicos.

FSN: O lema ou a missão da Parmalat é “Nutrir a vida”. O que isso representa, ou melhor, o que a empresa busca quando “pronuncia” esta frase?

Nelson Bastos: O aspecto nutricional é relevante para a Parmalat, pois fazemos parte da alimentação do ser humano no início da vida, passando pela maturidade até a velhice. Com isso, estamos presentes em todas as fases de evolução de uma pessoa. É isso que nos move a participar cada vez mais de uma vida saudável, oferecendo produtos nos quais os consumidores podem confiar.

FSN: Quais produtos para o mercado de foodservice a empresa fabrica e como eles são desenvolvidos?

Nelson Bastos: Atualmente temos uma linha destinada à culinária de uma forma geral, que vai desde uma confecção de uma entrada (ketchup e mostarda Etti), passando pelo prato principal (milho, ervilha, extratos e molhos também da linha Etti, e creme de leite Parmalat e Glória), chegando às sobremesas (leite, leite condensado e creme de leite, também das marcas Parmalat e Glória), sem deixar de lado as bebidas (sucos Santal). Todos esses produtos, a Parmalat desenvolve com o propósito deles acompanharem e comporem um prato mais saudável.

FSN: Como é o investimento da empresa na área social?

Nelson Bastos: Priorizamos a manutenção de todos os benefícios vigentes aos nossos funcionários, assim como, a dedicação total à conformidade do emprego.

FSN: Quais as metas que a empresa tem para este ano?

Nelson Bastos: Estamos a 80% dos históricos de receita da empresa, e qualificando nossas margens com controles rigorosos de despesas. Pretendemos atingir um crescimento gradativo e consistente em 2005, para atingirmos os resultados que nos permitam responder aos compromissos da concordata.

FSN: Quais as novas estratégias comerciais que a empresa pretende seguir em 2005?

Nelson Bastos: Após sete anos fora da mídia, os “mamíferos da Parmalat” voltaram em campanha que resgata a magia dos filhotes e o bordão “Tomou?”, trazendo à memória um dos maiores cases da propaganda mundial. O retorno à mídia, em um filme de 60 segundos, que vai ao ar nos intervalos do horário nobre da TV, significa um grande avanço no processo de recuperação da empresa e busca reforçar junto ao público a imagem da marca, garantindo a continuidade de um bem sucedido processo que envolve fornecedores, parceiros e consumidores finais.

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