O valor do engenheiro químico

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Em todo o processo de fabricação de um alimento, cada profissional envolvido, seja qual for a função exercida, tem importante participação do início ao fim. Um dos profissionais que se destacam é o engenheiro químico. Ele detém conhecimentos técnicos essenciais para a preparação de um produto que será comercializado e consumido por milhares de pessoas.
“Na indústria de alimentos, o engenheiro químico pode atuar desde a concepção do projeto da indústria, no controle e otimização do processo de produção, assim como na gestão da viabilidade econômica. Apresenta um papel fundamental em processos relacionados a transformações físico-químicas de matéria-prima em produto final, no desenvolvimento de novos produtos e no controle de qualidade dos mesmos”, ensina a professora Ms. Leila Cristina Magalhães, coordenadora de Engenharia Química das Faculdades Oswaldo Cruz.

O Grupo Oswaldo Cruz, atualmente, possui seis unidades instaladas em cinquenta mil metros quadrados, abrigando mais de oito mil alunos. A graduação oferece um total de 20 cursos, divididos entre as áreas de Ciências da Saúde, Ciências Exatas, Ciências Sociais Aplicadas, Comunicação, Design, Educação, Engenharias e Tecnologias. Já o Centro de Pós-Graduação Pesquisa e Extensão Oswaldo Cruz possui 55 cursos de lato sensu ou MBA, distribuídos nas áreas de Comunicação, Educação, Engenharias, Gestão de Negócios, Química e Saúde. O Grupo iniciou sua tradicional trajetória de comprometimento com a educação em 1914, através do Colégio Oswaldo Cruz.

Com caráter pioneiro, foi criado, em 1956, o curso técnico de Química. A especialização dos químicos representava o primeiro de toda a América Latina, já que as indústrias do setor começavam a se instalar no país, mas não existia mão de obra de profissionais qualificados para suprir suas necessidades. O sucesso do curso técnico trouxe a necessidade de químicos de nível superior na indústria e o Grupo Oswaldo Cruz implantou, em 1967, os cursos para a graduação em Química Industrial e Engenharia Química, fundando a Escola Superior de Química.

Os principais setores de atuação do engenheiro químico são: petroquímico, celulose e papel, álcool, alimentício, tintas e vernizes, plástico, cerâmico, fertilizantes etc. O profissional pode atuar no estudo da viabilidade técnico-científica dos projetos de instalações industriais químicas; projeto, planejamento e implantação de indústrias químicas; coordenação da execução de projetos de montagem industrial na área química; supervisão, consultoria, peritagem, vistoria, avaliação e elaboração de laudos e pareceres técnicos relativos à sua especialidade.

A professora Leila ainda complementa que outra atuação do engenheiro químico na indústria de alimentos é o projeto e controle do tratamento de água e dos rejeitos industriais. “Como o engenheiro químico é um profissional atuante em vários segmentos industriais e com conhecimento multidisciplinar, as empresas que contam com um profissional apresentam várias vantagens, tais como: otimização dos processos de transformação e fabricação, desenvolvimento de novos produtos, avanço da biotecnologia, garantia no controle da qualidade dos produtos, análise econômica dos processos, além da garantia do controle ambiental dos rejeitos e efluentes industriais.”

Desenvolvimento

A Escola Superior de Engenharia de Minas Gerais (Emge) é uma instituição de ensino superior sem fins lucrativos, associada à Companhia de Jesus (Jesuítas), infundida na metodologia inaciana e mantida pela associação Renato Vilela. A princípio, a Emge está oferecendo os cursos de Engenharias Civil, da Computação, de Produção, Elétrica e Química. Sendo que esses profissionais terão uma formação personalizada e flexível, indispensável à pedagogia das competências, e alinhado a Emge desenvolvimento de excelência que enfrente os desafios deste século. Os laboratórios da escola obtiveram conceito máximo na avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação (MEC), por possuírem infraestrutura de acordo com as normas ditadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e com as Normas Regulamentadoras (NR’s) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os laboratórios da Emge são equipados com ferramentas, equipamentos e instrumentos de última geração. Sobre a engenharia química, a atividade é responsável pela transformação de matérias-primas em bens de consumo, dedicando-se à concepção, desenvolvimento, dimensionamento, melhoramento e aplicação dos processos e dos seus produtos.
De acordo com Rafaela Pozzebon, editora do site Oficina da Net, na engenharia química os cargos e salários dos profissionais estão diretamente ligados ao tempo de serviço (experiência) e aos títulos (conhecimento), sendo desde o estagiário com ganhos em média de R$ 1.076,29 ao diretor chegando a ganhar, em média, R$ 25 mil.

O professor Dr. Luiz Carlos Santos Angrisano, coordenador do curso de graduação em Engenharia Química da Emge, esclarece que “a indústria de alimentos exige muito rigor e lida com uma legislação diferenciada das demais. O engenheiro químico que trabalhar nesse setor deve ser muito exigente com os parâmetros de qualidade e higiene dos produtos, trabalhando com autoclaves na esterilização do material utilizado, com a devida padronização das cores e limpeza da vestimenta dos funcionários (botas, óculos, tocas para cabeça e luvas), limpeza da área de processamento e descarte do rejeito de acordo com as normas ambientais.”

Com as habilidades e competências adquiridas pelas disciplinas de bioquímica e bioengenharia, o químico possui um conhecimento aprofundado em microbiologia e ferramentas de qualidade. Trabalhando neste setor, o engenheiro acompanhará todas as etapas do processo, observando, principalmente, o risco de contaminação do produto como a existência de matérias-primas fora de especificação ou com manuseio indevido. O professor Luiz Carlos continua: “Um rigoroso controle de qualidade e de segurança é adotado pelas indústrias de alimentos na fabricação e/ou processamento de seus produtos. Esses cuidados se iniciam na aquisição, seleção e armazenamento das matérias-primas, passa pelos cuidados na assepsia e manutenção dos equipamentos, na seleção de materiais corretos para acondicionamento e armazenamento desses produtos e, por fim, e muito importante, na escolha de transporte correto para distribuição de determinados alimentos, visando evitar a perda de suas propriedades físicas, físico-químicas, de paladar, odor e visual (características organolépticas).”

Em indústrias de grande porte, existem funções específicas para todos os tipos de engenheiros. “No passado, aspectos que não eram relevantes anteriormente, além do menor preço do produto, tornaram-se, hoje, essenciais na aquisição dos alimentos como: estar legível nos alimentos ou em suas embalagens (rótulos) anotações do lote, data de fabricação e validade; propriedades físicas e físico-químicas, forma de acondicionamento (como preservar o alimento em casa e por quanto tempo); composição química e presença de conservantes”, conta.

“É muito complexo especificar as funções de um engenheiro químico dentro de uma indústria de alimentação. Dependendo da área de atuação de cada profissional, este pode desenvolver múltiplas tarefas. Falando sobre a minha experiência profissional, posso destacar, dentre as diversas funções que exerço diariamente na indústria: programação e controle da produção; padronização das receitas de acordo com os processos e com o maquinário utilizado, para a mínima perda durante o processo; cálculo de custo do produto final; controle de qualidade; acompanhamento dos processos de controle de pragas, limpeza de caixa d’água, análise de potabilidade da água usada nos processos; e muito mais”, elenca Vitor Stabile Garcia, engenheiro químico da Frotelle.

A Frotelle é uma indústria no ramo alimentício, derivada da rede FestPan Alimentos®, que atua no mercado de food service há quase 40 anos. A política é fornecer salgados congelados com grande variedade, com um catálogo contendo mais de 65 tipos de produtos, que visam atender a demanda do cliente de forma específica, de acordo com a sua necessidade. Entre os muitos diferenciais que incorporam o portfólio da Frotelle, ressalta-se possuírem aprovação e registro na Anvisa, servindo como modelo padrão de fábrica alimentícia, além de seguir às normas do Food and Drug Administration (FDA), o que proporciona a possibilidade de exportação futura. Além disso, a empresa conta com o rastreamento dos produtos e análise microbiológica por laboratório certificado no Inmetro, procedimentos que garantem a segurança alimentar desde a obtenção da matéria-prima até a entrega do produto para o cliente.

Como já especificado, o engenheiro químico é o profissional que vai interligar todos os setores da indústria, permitindo, dessa forma, uma produção alinhada, minimizando perdas e melhorando de maneira geral a produtividade da indústria. “No caso do desenvolvimento e padronização de embalagens, o engenheiro químico conhece as especificações químicas dos diversos polímeros, podendo determinar com segurança qual é o melhor tipo de embalagem para ser usada em seus produtos”, exemplifica. No ponto de vista de Vitor, toda indústria alimentícia que visa obter uma qualificação diferenciada em seus processos deve ter um engenheiro químico atuando no seu quadro de funcionários.

Cursos

A Universidade Estácio de Sá oferece cursos de Graduação, Pós-graduação e Tecnológicos. Os cursos são com foco no mercado de trabalho; as instalações possuem infraestrutura moderna e recursos tecnológicos de ponta; currículos integrados nacionalmente; intercâmbio de alunos e professores entre as diversas unidades em todas as regiões do país. Nos cursos de Pós-graduação (lato sensu), mantém um convênio com Harvard Business Publishing mediante a utilização de estudos de casos. Esse método, que já é aplicado em algumas outras cidades ao redor do mundo, agora faz parte das aulas e dia a dia dos alunos da universidade. Oscar Javier Celis Ariza, coordenador nacional de área Tecnológica-Pós Graduação Lato Sensu da Estácio, reforça que a profissão do engenheiro químico dentro da indústria de alimentos é de grande importância.

Em qualquer indústria, é indispensável o estudo do processo em questão de escolher os melhores equipamentos (operações unitárias), integração energética entre as diferentes unidades para otimizar o processo e controlar as diferentes variáveis de operação. Essas atribuições fazem parte do dia a dia do profissional. A maior parte das empresas de alimentos conta com processos como secagem: leito de jorro, spray-dryer (chocolate, café solúvel, leite em pó etc.) e muitas unidades que precisam de vapor como geração de energia, proveniente de caldeiras, assim como uso de temperaturas mediante o uso de trocadores de calor. Essas unidades básicas em qualquer indústria estão dentro das análises para operação que um engenheiro químico conhece. A manutenção das mesmas podem ser supervisionadas por ele para garantir o melhor funcionamento, assim como manter todas as questões de segurança.

Desempenho

A Associação Brasileira de Engenharia Química (Abeq) é uma sociedade sem fins lucrativos que congrega profissionais e empresas interessadas no desenvolvimento da engenharia química no Brasil. É filiada à Confederação Interamericana de Engenharia Química. Seu conselho superior, a diretoria e as diretorias das sete seções regionais são eleitos pelos associados a cada dois anos. Há 40 anos, a Abeq desempenha importante papel na valorização dos profissionais e estudantes da engenharia química no país, bem como na divulgação da engenharia química e de sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. A Associação também promove e organiza cursos específicos de aperfeiçoamento para os profissionais de engenharia química, distribui prêmios aos melhores alunos de engenharia química nas escolas –patrocinados por grandes empresas – e possui um plantão de dúvidas na área.

Mario Montini, diretor do Núcleo de Desenvolvimento Institucional e Formação da Abeq, diz que “a engenharia química é por muitos considerada a engenharia universal, devido à grande abrangência de formação de seus engenheiros, mas as vantagens do engenheiro químico aparecem, sobretudo, quando o ambiente de trabalho é multidisciplinar, isto é, o profissional se depara com atividades que excedem os processos industriais típicos da indústria de alimentos, por exemplo, a indústria tem seu próprio tratamento de água, tratamento de efluentes, geração de vapor, geração de energia, transporte pneumático, destilação, e, sobremaneira, quando as transformações se dão em reatores, envolvendo cinética de reação e cálculo de reatores, disciplinas que o engenheiro químico aprende mais do que qualquer outro profissional”.

Mesmo que a fabricação de um bom produto alimentício não seja privilégio de nenhum profissional e, sim, de um bom trabalho em equipe, onde todos, e não apenas engenheiros, têm de fazer o melhor de si, sempre, e com grande paixão e dedicação, o engenheiro químico se constitui numa resenha de conhecimento geral da indústria de enorme valia para toda a indústria e a indústria alimentícia, simplesmente, não foge à regra.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHARIA QUÍMICA
www.abeq.org.br

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