“O hambúrguer virou commodities”

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“O hambúrguer virou commodities”

Empresário e chef de cozinha, Marcos Nunes fala como se destacar em um mercado que tem se tornado saturado

“O hambúrguer virou commodities”
“Todo mundo faz hambúrguer, os sabores são muito parecidos. Hoje, para se diferenciar, é preciso oferecer uma experiência completa ao cliente”, diz o empresário e chef de cozinha Marcos Nunes

O hambúrguer é um produto de grande sucesso no Brasil e em todo o mundo. Para se ter uma ideia, de acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Gastronômico das Américas (IGA), em um período de 10 anos, entre os anos de 1994 e 2014, o consumo do produto apresentou um aumento de 575% no país. O item tem até um dia em comemoração a ele mundialmente: 28 de maio.

Mas os números de êxito do hambúrguer não param por aí, pelo contrário. O item é o preferido em quatro das cinco regiões do Brasil entre aqueles que utilizam os serviços do iFood. De março a agosto do ano passado, foram pedidos aproximadamente sete milhões de hambúrgueres por mês por meio do aplicativo.

Nesse cenário, muitos empreendimentos têm investido no hambúrguer para compor os seus cardápios. Várias casas especializadas também têm sido abertas para a comercialização do produto. Mas, afinal, como se diferenciar entre elas? O que fazer para se destacar no mercado?

Diferencial

Marcos Nunes é empresário e chef de cozinha, formado em administração e gastronomia, com pós-graduação em Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas.
O empreendedor morou no Mississipi, nos Estados Unidos, e, ao retornar para o Brasil, abriu o Let’s Eat, no ano de 2010. A inspiração do restaurante são os tradicionais casual dinner americanos.

Além do hambúrguer, o empreendimento também comercializa comida mexicana, american BBQ, steaks, entre outros. Atualmente, a rede já marca presença em doze cidades do país: Americana, Campinas, Guarujá, Itu, Jundiaí, Limeira, Mogi-Guaçu, Piracicaba, Poços de Caldas, Rio Claro, Sorocaba e Valinhos.

A Food Service News conversou com Nunes acerca do mercado de hambúguer atualmente que, de acordo com ele, está um pouco saturado. Para o empresário, ainda existe espaço, mas é importante que se tenha um diferencial.

“O mercado está um pouco saturado, principalmente pensando em hamburguerias. É claro que ainda há espaço, mas somente para quem tem diferencial. Muita gente acha que para se abrir uma hamburgueria basta colocar carne moída no meio do pão”, afirma ele.

Nunes diz que o “hambúrguer virou commodities” e que é preciso oferecer mais do que bons hambúrgueres para conquistar os clientes. Dessa forma, destaca ele, é relevante investir em uma experiência completa para o consumidor, que envolve fatores que vão desde o atendimento à decoração do local.

“Todo mundo faz hambúrguer, os sabores são muito parecidos. Hoje, para se diferenciar, é preciso oferecer uma experiência completa ao cliente. No momento em que ele entra no estabelecimento ao momento que ele sai. Música, decoração, banheiros, atendimento… tudo tem que ser pensado. Em relação à comida, é preciso além de um bom hambúrguer, o ‘toque final’, a apresentação, o molho que se destaca, é o detalhe que faz a diferença”, ressalta Nunes.

Além disso, existem os desafios para se investir nesse mercado. O empresário chama a atenção para o fato de que o valor do investimento inicial, por exemplo, está muito alto.
“Hoje é o valor do investimento inicial, está muito alto. Esse ‘boom’ do mercado
associado à alta do dólar está dificultando os novos negócios. Por exemplo, uma boa coifa é essencial para se ter uma boa hamburgueria e uma boa coifa gira em torno de R$ 80 mil, uma boa chapa é outro bom exemplo. Para montar algo simples, não vale à pena, pois você terá que concorrer com o carrinho de lanche ou com a lanchonete da esquina. Suas chances são menores”, diz ele.

Mas os benefícios também são muitos, de acordo com Nunes. “Para quem gosta, os benefícios são muitos. Mas nenhum deles supera o prazer de se estar em uma cozinha desenvolvendo um novo prato”, afirma Nunes, que também destaca que a qualidade dos produtos deve ser um dos fatores priorizados para garantir a qualidade dos estabelecimentos. “Dizer que um bom chef transforma um produto ruim em um produto final de qualidade é mentira”, ressalta ele.

Êxito profissional

“O hambúrguer virou commodities”
“Hoje nos consolidamos, nos tornamos referência onde nos instalamos e sabemos fazer isso com profissionalismo e eficiência”, afirma o empresário e chef de cozinha Marcos Nunes

A Food Service News também perguntou para Nunes o que é preciso para obter êxito profissional. Ele destaca a importância da gestão. “Gestão! Se você for um bom chef, mas um péssimo gestor, você quebra. No entanto, se for um bom gestor e chef mediano, suas chances de êxito são enormes”, afirma ele, que ainda fala acerca dos seus maiores aprendizados na área até agora. “A importância de saber gerir o negócio e as pessoas. O segredo do sucesso está aí”, diz Nunes.

Além disso, quando o assunto é ter bons resultados mesmo em tempos de crise, o empresário salienta a relevância de ser fiel à essência. “Sendo fiel a sua essência. Vi muita gente se transformando durante a crise, mudando sua ausência, vendendo marmitas sendo que nunca havia feito isso. Compreendo que a situação ficou difícil para muitos estabelecimentos, mas agora, para recuperar a imagem e sua essência, vai ser preciso dedicação dobrada”, diz ele.

Consumidores e futuro

Muito se tem falado ainda que o consumidor não é mais o mesmo e está mais exigente ao longo do tempo. Nunes destaca, nesse cenário, que a oferta também é muito maior, o que deixou a competição mais acirrada.

“Há 30 anos, na cidade em que eu moro, no interior de São Paulo, havia cinco opções de restaurantes. Hoje, há mais de 100! Ou seja, a oferta é muito maior, com isso a competição ficou mais acirrada assim como as referências do consumidor. A linha de corte subiu”, destaca ele.

Quando perguntado sobre como ele acha que será o mercado de hambúrguer do futuro, Nunes salienta que é difícil prever e que muita coisa pode acontecer. “Muita coisa pode acontecer, mas imagino um mercado muito parecido com o americano, onde há as hamburguerias gourmet e as grandes redes. Bem divididas”, afirma ele.

Let’s Eat

Sobre os planos da rede em médio e em longo prazo, Nunes destaca a expansão. “Nossa meta é expandir pelo interior de São Paulo, em cidades com até 500 mil habitantes. Para este ano já teremos o incremento de mais duas lojas, em São Carlos e Araraquara”, diz ele, que ainda fala acerca das principais conquistas da marca. “As principais conquistas são a própria marca e o conhecimento adquirido. Hoje nos consolidamos, nos tornamos referência onde nos instalamos e sabemos fazer isso com profissionalismo e eficiência”, afirma ele.

Let’s Eat
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