O bom sabor do êxito

Dra. Inez Appel ficou à frente da Bom Sabor por 30 anos, deixando um importante legado

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“Minha mãe tinha uma personalidade forte e teve que ter pulso muito firme para tocar uma indústria em um mercado dominado por homens. Ela era uma pessoa extremamente transparente e sincera”, orgulha-se Marcio Appel, filho da Dra. Inez Appel e diretor comercial da Bom Sabor. Inez, antes de assumir a gestão da Bom Sabor, exerceu a profissão de veterinária por dez anos. Sendo assim, o título de doutora ficou sendo usado também durante o comando da empresa.
A Bom Sabor foi fundada pelo avô de Marcio em 1955, e sua mãe tocou a empresa por 30 anos – de 1979 a 2009. “Podem ter certe¬za de que não era fácil para uma mulher tocar uma indústria na época em que ela começou”, salienta. Até o início dos anos 1990, a empresa era focada na prestação de serviço de envase, e o principal produto eram as cartelas de fichas telefônicas.
“Provavelmente, quem tem menos de 30 anos nem deve saber o que é uma ficha telefônica”, brinca Marcio. Com a chegada do cartão telefônico, a Dra. Inez teve a ideia de focar na linha alimentícia e expandiu a atuação com a marca Bom Sabor. O diretor conta que o sonho dela era um dia ter cinco mil clientes – e ela o realizou em 2008. “Infelizmente, em 2009, minha mãe faleceu de forma repentina, vítima de um infarto fulminante, com apenas 58 anos de idade”, lamenta.

“Minha mãe tinha uma personalidade forte e teve que ter pulso muito firme para tocar uma indústria em um mercado dominado por homens”, diz Marcio Appel, filho da Dra. Inez Appel e diretor comercial da Bom Sabor

Atualmente, Marcio e seu irmão Mario Appel estão à frente da gestão da empresa, sendo seu irmão o CEO e ele o responsável pela área comercial. “Podemos dizer que tivemos uma grande professora e um grande exemplo de pessoa trabalhadora, justa e visionária dentro de casa”, diz. “Os ensinamentos e experiências passados por ela guiam a empresa até hoje. Foram inúmeros esses preceitos.
Tinha uma frase que ela gostava muito de dizer e que é lema na Bom Sabor: ´não há fracasso que resista a um bom trabalho’ Sempre que temos alguma dificuldade, sabemos que vamos superá-la com esforço e ´um bom trabalho`”, garante o diretor.
O relacionamento entre a gestora e os colegas/colaboradores da Bom Sabor sem¬pre foi harmonioso. Dra. Inez aplicava feedbacks verdadeiros, por mais que algumas vezes eles não fossem agradáveis de receber. Até hoje, tem inúmeros colaboradores e ex-colaboradores que trabalharam com ela, que dizem que aprenderam demais com a doutora e que ela sempre foi muito justa com todos.

Empresa

A Bom Sabor tem 62 anos no mercado e é líder no segmento de sachês alimentícios no país. A atuação é 100% focada no setor de food service. É oferecida uma linha com mais de 60 produtos em sachês que vão des­de os tradicionais ketchup, maionese, açú­car e adoçante, até produtos como vinagre balsâmico, sal rosa do himalaia, biscoitos e geleias. Além de embalar os produtos, a Bom Sabor tornou-se uma indústria alimentícia onde fabrica a maioria de seu portfólio como condimentos, molhos, geleias e adoçantes.

Hoje, a Bom Sabor tem mais de 10 mil clientes ativos no food service e comerciali­za mais de 350 milhões de sachês por mês. A matriz fica localizada na grande São Paulo, e há outra fábrica em Santa Catarina. A marca também conta com quatro centros de distri­buição. “Queremos ampliar nossa atuação nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil onde acreditamos que há grande possibilida­de de crescimento”, destaca Marcio.

História

A Bom Sabor é muito forte no Televen­das e foi uma das pioneiras no país a vender alimento por telefone. “Temos cerca de 50 vendedores no setor de Televendas e atende­mos diretamente os grandes hospitais, redes de hotéis, redes de lanchonetes, cafeterias, caterings e cozinhas industriais. Temos, ainda, uma grande malha de distribuidores que ajudam a distribuir nossos produtos em todo o país e nos demais segmentos de mer­cado”, diz Marcio. E continua: “gostamos de dizer que qualquer lugar que tenha uma gar­rafa ou uma máquina de café, por exemplo, já é nosso cliente em potencial”.

As vantagens/benefícios dos empresários em investir e revender os produtos da Bom Sabor são muitas: praticidade – fácil manu­seio e acondicionamento; higiene – o pro­duto é oferecido ao cliente de forma mais higiênica; economia – evita desperdício ex­cessivo e diminui o custo operacional; pro­dutos frescos até o momento do consumo; marca líder de mercado; qualidade e tradi­ção desde 1955; linha completa de sachês.

A Bom Sabor teve um grande crescimen­to com uma taxa média em torno de 20% ao ano nas últimas duas décadas. “De 2011 a 2015, entramos no ranking da consulto­ria Delloitte como uma das 250 Pequenas e Médias Empresas (PMEs) que mais cresce­ram no país. Não foi fácil passar por esses últimos anos de crise, mas posso dizer que aprendemos muito e estamos ainda mais fortalecidos”, destaca.

A Bom Sabor está expandindo sua atua­ção com produtos em bags de 1,1kg, como molhos para saladas, ketchup, maionese e molho barbecue. “Estamos começando a ser uma solução para a cozinha e não ape­nas para as mesas dos estabelecimentos”, complementa Marcio.

Organizações

Segundo a Pesquisa de Empresas Familiares no Brasil, divulgada no fim de 2016 pela consultora PwC, as empresas familiares representam 80% das 19 milhões de companhias que existem no país. Inovação e planejamento sucessório são fundamentais à sobrevivência de empresas familiares. Esse percentual cita­do contribui com metade do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, sendo uma estrutura fun­damental do setor corporativo brasileiro, de acordo com o Firm Institute.

A pesquisa da PwC também expôs que apenas 12% dessas companhias sobrevivem após a terceira geração familiar assumir a gestão. Para estudiosos, duas características são fundamentais para garantir a resistência e a disputa no mercado corporativo dessas companhias: inovar no portfólio de produtos e serviços, além também de inovar na execu­ção do projeto da empresa, e planejar com estratégia seus sucessores no comando delas.

Já 79% dos empresários de propriedade familiar esperam crescer nos próximos cinco anos – porém, o levantamento da PwC apre­senta que essa expectativa é frustrada nessas companhias porque somente 19% delas têm um planejamento de sucessão sólido e ape­nas 34% dos gestores já pensaram em estraté­gias digitais, sendo essas técnicas a tendência atual e mundial de sobrevivência empresarial.

Um negócio sustentável familiar se constrói com base nos valores da própria família. As empresas familiares mais bem­-sucedidas são aquelas que conseguem se equilibrar entre a gestão profissional, a propriedade responsável e uma dinâmica familiar saudável. Esses são os conceitos da PwC que executam serviços de consultoria e auditoria para esse perfil empresarial.

A preocupação atual dessas consultorias e, principalmente, do empresariado fami­liar, é se manter no mercado corporativo em longo prazo, sabendo que enfrentam desafios únicos, mas que também podem colher vantagens únicas. A diferença entre uma organização que mede seus resultados e estabelece metas por contagem de meses do ano, mais precisamente por trimestres, é que na corporação familiar a medição se faz por gerações. Normalmente, são duas ou três gerações de gestão em que uma em­presa de família se mantém no mercado, o que lhe dá experiências de erros e acertos de seus antecessores. Com isso, aprenden­do com os erros de seus familiares, natural­mente o gestor atual mantém o equilíbrio para continuar por mais tempo gerando lucros e rentabilidade positiva.

Um aspecto marcante numa empresa familiar – e que não necessariamente não ocorre em outros tipos de companhias – é que algum membro da família tomou a ini­ciativa de empreender e construir algo. E quando os sucessores têm consciência da importância desse projeto, o vínculo emo­cional é bastante forte por pertencerem a ele sabendo que o familiar o construiu com muito empenho.

Segundo informações do Serviço Bra­sileiro de Apoio às Micro e Pequenas Em­presas (Sebrae), no que tange à abertura de empreendimentos, algumas das principais características das empresas familiares são: comando único e centralizado, permitindo reações rápidas em situações de emergên­cia; importantes relações comunitárias e comerciais decorrentes de um nome respei­tado; organização interna leal e dedicada; grupo interessado e unido em torno do fun­dador; entre outras.

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