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Os chamados restaurantes secretos se destacam pelo atendimento único e exclusivo

Os restaurantes secretos são locais que oferecem uma experiência única e exclusiva aos consumidores. A Food Service News entrevistou três empresários que contam por que optaram por esse tipo de negócio.

Pilares

Localizado no bairro Prado, em Belo Horizonte, está o Clandestinu. “Nascemos com a proposta de ser um local único e exclusivo dentro de uma cervejaria. Trabalhamos com dois pilares: cartela individual ou evento fechado open bar e open food”, inicia dizendo o proprietário Pedro Henrique Alves de Oliveira.

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Paulo Henrique Alves de Oliveira, do Clandestinu, diz que, observando a vontade de se ter algo exclusivo, pensou em um estilo pub mais escuro com uma temática fechada

O Clandestinu oferece atendimento personalizado e exclusivo. Cardápio único. Ambiente para 40 pessoas. Decoração temática. Acústica e iluminação própria. Banheiro privativo. Horário diferenciado. E muito mais.

“Este é o Clandestinu. Faça a sua reserva e reze para ter a data disponível”, diz Pedro Henrique Oliveira.

E quais as diferenças entre um restaurante secreto e um bar/restaurante tradicional? Para o empresário, a diferença é que não existe a exposição como qualquer outra porta. No local, somente pessoas convidadas têm acesso aos eventos.

“Nosso principal produto é o sigilo. Nossos eventos no Clandestinu são: chá de lingerie, despedida de solteiro, despedida para outro país, confrarias e festas de premiações”, relata ele.

A equipe é montada de acordo com o evento e o pedido do cliente. “Por exemplo: chá de lingerie somente as meninas que trabalham”, acrescenta Pedro Henrique Oliveira.

Bem-vindo ao misterioso e futurista bar secreto

O Infini tem alma futurista. O bar funciona do outro lado do salão do sexagenário La Casserole, localizado em um dos corações de São Paulo, o Largo do Arouche. A carta de drinques é assinada pelo premiado bartender Kennedy Nascimento e contou com pinceladas de Victor Zucaroni e João Piccolo.

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Leo Henry, do Infini, diz que o seu restaurante secreto conta com 45m² e foi desenhado com espelhos cobrindo todas as paredes e o teto, dando a sensação de fazer uma viagem no tempo-espaço

Leo Henry, sócio do La Casserole, Térreo Bar e Infini, relata que o seu restaurante secreto conta com 45m² e foi desenhado com espelhos cobrindo todas as paredes e o teto, dando a sensação de fazer uma viagem no tempo-espaço. Além dos drinques, é possível experimentar pratos que combinam França e Brasil, criados pela chef Daniela França Pinto, que além de assinar o cardápio, também é sócia do bar.

“O Infini abre de quarta a sábado, mas como o ambiente é enxuto – e para não tumultuar o salão do La Casserole – a partir de quinta-feira, a espera do bar funciona numa das icônicas bancas de flores do Largo do Arouche”, diz Leo Henry.

Um restaurante secreto – ou bar, no caso do Infini – tem várias particularidades. O sócio explica que a ideia foi criar uma novidade no mesmo espaço do restaurante, mas sem alterá-lo ou descaracterizá-lo.

“Neste sentido, criamos um ‘cubo mágico’ ultrafuturista dentro de um ícone da década de 1954, criando uma experiência que causa, ao mesmo tempo, curiosidade, surpresa e encanto. Para além deste efeito, no nosso caso, a criação de um bar secreto trabalha no sentido de um reposicionamento de marca e renovação de público – mas vale destacar que outros bares/restaurantes secretos podem ter outras finalidades. O importante, com isso, é que todos os pontos de contato com o cliente (decoração, comunicação, serviço, ofertas de cardápio) estejam devidamente alinhados com o objetivo geral e com o nível de experiência proposto”, afirma.

Para Leo Henry, há muitas pequenas diferenças entre um ambiente mais secreto e o aberto, mas talvez a principal esteja na comunicação, na forma de se apresentar publicamente.

“Estamos acostumados a ver bares e restaurantes divulgando todas as suas características, pontos fortes, suas opções de comidas e bebidas e até mesmo informações operacionais, para gerar interesse no público e para que saibam o que esperar ao frequentar o local. No caso de um bar secreto, é necessário dosar a divulgação aberta com a manutenção de certo mistério e com a surpresa que envolve a experiência. No Infini, por exemplo, não divulgamos nem mesmo o endereço em nossas redes sociais e nem o percurso que será feito ao chegar ao local. Mas também vale destacar que, via de regra, há mais similaridades com a operação habitual de bares e restaurantes do que diferenças”, diz ele.

A receptividade, desde a abertura oficial, em outubro de 2021, tem sido ótima. Leo Henry conta que as pessoas ficam curiosas com o ambiente e com a experiência dentro de um bar “secreto” instalado em um restaurante francês de mais de 60 anos.

Exclusividade

O The Secret – Nomad Cooking, localizado no histórico bairro de Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro, é um pequeno restaurante secreto que, às vezes, muda de localização (por isso o “nomad”).

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Um restaurante secreto – ou bar, no caso do Infini – tem várias particularidades. O sócio Leo Henry explica que a ideia foi criar uma novidade no mesmo espaço do restaurante, mas sem alterá-lo ou descaracterizá-lo

“Fazemos só jantares em datas marcadas, sendo entre dois e quatro jantares na semana, dependendo da demanda. Só recebemos amigos com reserva marcada com antecedência mínima de 36 horas ao horário do jantar. As reservas são pagas e os pratos escolhidos antecipadamente. Temos um máximo de oito a dez pessoas por jantar. O nosso menu é fixo e temático (oriental, sul-americano, mediterrâneo, tipo degustação) e vai mudando a cada dois ou três meses. Tempos opções vegetarianas e só cozinhamos a comida que vai ser consumida. O nosso conceito de sustentabilidade faz que nunca joguemos comida fora”, conta a chef argentina Cristina Sánchez Lázare.

A chef salienta que o local não é aberto todos os dias, não tem dias fixos de funcionamento e só atende em datas marcadas.

“A nossa localização vai mudando entre diferentes espaços. Somos só duas pessoas trabalhando. Não temos funcionários. Sou eu como chef profissional e sommelier no comando da cozinha e o Nelson, uruguaio, arquiteto e responsável pelas vendas, recepção e atendimento”, conta ela.

A chef diz que um restaurante secreto deve manter uma atmosfera calorosa,
tranquila, romântica, com boa e tranquila música, papo legal e fluente. “O cliente deve sentir que está quase no próprio lar”, destaca.

O The Secret teve muitas propostas de casamento em suas mesas e muitas comemorações de aniversários, de casamento, de namoro. “As pessoas nos procuram muito para essas datas especiais”, relara a chef.

Para Cristina Lázare, o conceito de secreto não permite fazer um serviço massivo que leva uma rentabilidade maior, mas, nesse caso, o empreendimento perderia a qualidade do serviço, que é o seu diferencial.

“Às vezes temos 30 comensais numa semana. Nessa escala é uma economia muito pequena, mas suficiente para nós que somos apenas duas pessoas no quadro de pagamento. Na verdade, é mais o prazer de fazer o que amamos do que um negócio altamente lucrativo”, diz ela.


CLANDESTINU
Instagram: @slodexperience
INFINI
Instagram: @infini.bar
THE SECRET – NOMAD COOKING
Instagram: @thesecretnomadcooking

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