No embalo do mercado

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Ao comprar um produto, uma das primeiras coisas que o consumidor enxerga é a sua embalagem. A partir dela, a pessoa pode elaborar uma percepção sobre o produto e decidir por comprá-lo ou não.

Pensando nisto, as empresas que comercializam comidas e bebidas, seja para o varejo ou food service, investem em embalagens. “Na Cargill, todos os aspectos que envolvem uma embalagem são avaliados pela equipe do marketing em conjunto com as áreas de ‘pesquisa e desenvolvimento’, ‘suprimentos’ e com os fornecedores selecionados”, explica Flavia Peria, gerente de marketing para Food Service da Cargill.

E são muitos os aspectos. Aparência, design, tamanho, quantidade, praticidade, sustentabilidade, segurança, transporte e, claro, o produto em questão, são levados em conta no momento de elaborar uma embalagem.

Desenvolvimento sustentável

A multinacional Cargill, que produz e comercializa produtos e serviços agrícolas, alimentícios, financeiros e industriais, se preocupa com as necessidades do cliente e do meio ambiente ao produzir embalagens.

“Todas as embalagens dos produtos Food Service são desenvolvidas com o objetivo de oferecer praticidade aos clientes, levando em consideração as necessidades tanto do momento do cozimento dos alimentos como do momento em que são servidos” afirma Flavia Peria, gerente de marketing para Cargill Food Service. “Se o produto for utilizado na cozinha, a embalagem pode ser maior e com pega facilitada, por exemplo, para oferecer economia e mais praticidade ao operador. Se for utilizado para servir alimentos para o consumidor final ou à mesa de um restaurante, por exemplo, a embalagem com apelo estético inovador provavelmente terá mais destaque”.

Além da praticidade, ela destaca outros aspectos como o food safety, qualidade, boa relação custo-benefício e sustentabilidade. “A Cargill Food Service tem como meta reduzir o consumo de matérias-primas na produção das embalagens e a busca por insumos que gerem menor impacto ambiental após seu descarte”, diz.

O quesito estética também é levado em conta. “O departamento se preocupa em manter as embalagens visualmente e esteticamente atrativas e que facilitem a visualização das principais informações e identificação dos produtos pelo cliente”, explica Flávia. “Um bom exemplo é o caso das gorduras para Panificação, Sorveteria e Confeitaria da linha Al Chef, que possuem fotos das principais aplicações estampadas no rótulo. Isso facilita o momento da compra, no qual o cliente pode escolher facilmente o produto mais adequado à sua necessidade”.

Embalagens especiais para vinhos

Assim como os produtos alimentícios destinados ao varejo e ao food service, outro setor que precisa se atentar às embalagens é o de bebidas.

“No caso dos vinhos, a embalagem é muito importante por definir origem, estilo e uva utilizada para fazer a bebida”, explica Nelton Fagundes, sommelier da Enoteca Decanter. “A embalagem também indica se o vinho está pronto para consumo ou se pode envelhecer, além de proteger o produto e facilitar o seu transporte”.

Fagundes reforça que os rótulos dos produtos são regulamentados e seguem modelos padronizados com elementos obrigatórios, tais como país, região ou distrito, percentual de álcool, safra, quantidade de bebida que a garrafa contém, conservantes, nome da região produtora ou uva.

No momento de bolar uma garrafa, o sommelier destaca fatores como exposição na área de vendas, como será armazenada, quantidade de vidro presente na garrafa e resistência para não quebrar com facilidade. “A cada dia, as garrafas passam a ter menos vidro, seguindo modelos ecologicamente corretos”, diz.

Fagundes constata que os vinhos campeões de venda possuem rótulos atrativos. “É uma forma de encantamento que faz com que as pessoas acreditem que, com aquela apresentação, o vinho seja realmente bom”, opina. Especialista no assunto, ele elogia os rótulos de alguns vinhos, como o espanhol Tempranillo Artero 2011, o argentino Malbec Las Moras Black Lebel e o francês Chateau Clos dês Litanies Janqueix.

Produto inovadores, embalagens idem

Em novembro de 2012, a SPA lançou um produto inovador no varejo: o “café para comer”, também conhecido por coffee beans, nas opções espresso, café com leite e cappuccino. Recentemente, a marca lançou a embalagem sortidos, que contém nove grãos de 10 gramas do produto, sendo três de cada sabor. “Por ser algo nunca provado pelo consumidor, é justo que ele experimente um pouco de cada e tenha fácil acesso à variedade”, justifica Renato Abaurre, diretor da SPA.

Além de ser um produto diferente e pouco conhecido no mercado, a SPA aproveitou para inseri-lo em uma embalagem incomum, considerando que o consumidor tem pouca referência sobre café. “Tivemos o cuidado de desenvolver uma embalagem conceitual, que também leve uma informação ao apreciador e que seja autopromocional. Inserimos uma breve história do café: origem na Etiópia, quando chegou à Europa e sua evolução em comparação ao cacau, que também era somente bebida e passou a ser comestível em 1847”, conta o diretor. “É o novo capítulo que nós, brasileiros, estamos marcando, de lançar para o mundo a versão massa integral de café para comer e sua nova categoria de mercado, batizada de Cafene”.

O café para comer é produzido em Vila Velha, no Espírito Santo, a partir do processamento de café Premium 100% Arábica. Além da opção sortidos, há as embalagens Mimo (saco de 400 gramas), grãos em caixa display com 15 unidades e sacos de 84 gramas. Por sua vez, o Coffee Coins, “moedas” criadas com o objetivo de abastecer o food service, são comercializados em sacos de 500 gramas.

Visão dos distribuidores

O mercado de embalagens, inevitavelmente, passa pelo departamento de distribuição. A Embalar trabalha com pronta entrega de embalagens para padarias e supermercados. “Somos distribuidores do papel acoplado para frios, sacola compostável e saquinhos lisos e personalizados”, afirma Aluízio Ferreira Carvalho, diretor da empresa.

Na posição de distribuidor, Carvalho revela que se preocupa sobre como o consumidor irá levar o produto para casa. “No caso do frango assado, por exemplo, nos preocupamos em não deixar a embalagem vazar e sujar o consumidor”, diz.
O diretor destaca que, ao bolar uma embalagem, fatores como o tipo de matéria-prima, praticidade e a relação do consumidor com o produto final devem ser levados em conta.

Em todas as formas e tamanhos

Referência mundial em soluções em processamento e envase de alimentos, a Tetra Pak® possui onze famílias de embalagens, cujos volumes podem variar de 80ml a 2 litros. “A combinação dos diferentes formatos e volumes, aliadas às diferentes formas de aberturas, tampas e canudos representam um enorme portfólio de embalagens disponível para a indústria de alimentos”, afirma Eduardo Eisler, vice-presidente de estratégia de negócios da Tetra Pak®.

Por sua vez, as embalagens longa vida da empresa estão disponíveis em diversos formatos e volumes que vão de 25ml a 2 litros. “Estas criam uma barreira protetora que impede a entrada de luz, água, ar e micro-organismos, preservando o sabor e o aroma dos alimentos de três a doze meses”, reforça Eisler.

Aliás, o vice-presidente ressalta que garantir a segurança, a qualidade dos alimentos e a manutenção de suas características ao longo do prazo de validade, sem a adição de conservantes químicos, são grandes desafios no momento de bolar uma embalagem. “Por estas razões, a embalagem da Tetra Pak® é composta por seis camadas de diferentes materiais. Começando de dentro para fora, duas camadas de polietileno evitam qualquer contato do alimento com as demais camadas”, explica. Ao considerar as funções que todas as camadas desempenham, “o resultado é uma embalagem de alta qualidade”.

Além da segurança dos alimentos, Eisler destaca outros fatores que devem ser levados em conta, como o processo de estocagem e o manuseio, com a finalidade de garantir a segurança para os manipuladores das embalagens.

“Todo o desenvolvimento de nossas embalagens leva em consideração, desde a sua concepção, a utilização de matéria-prima de fonte renovável, a utilização de tintas à base de água e a melhor relação material de embalagem/produto”, diz.
Eisler reconhece que a concorrência é cada vez mais acirrada e percebe as mudanças no comportamento do consumidor, que demandam produtos mais sofisticados e diferenciados. “Estes fatores criam a necessidade de soluções de produções inovadoras. É aqui que o design se torna uma ferramenta importante para criar originalidade e valor agregado ao produto e à sua função. Produtos bem projetados resistem melhor à competitividade e ganham acesso a novos mercados”, ressalta.

Para se manter competitiva no mercado, a empresa investe na inovação. “O ciclo de pesquisa e desenvolvimento de um novo produto pode levar de três a cinco anos. Anualmente, investimos cerca de 440 milhões de euros na área de desenvolvimento mundial, que conta com aproximadamente 1200 profissionais”, diz. “Esta ampla equipe tem como objetivo central discutir como será o cenário e as necessidades do mercado em 2020”.

De olho na estética

No mercado há 28 anos, o Café Gourmet Santa Monica disponibiliza modelos de máquinas de café para locação e comercializa pacotes de café premium de 250g, 500g e 1kg, em grão, torrado e moído.

Na visão de Marcos Antonelli, responsável pela criação das embalagens da marca, o principal desafio é oferecer uma embalagem como solução simples e prática no dia a dia do consumidor. “São muitos aspectos que se deve levar em conta, como o mercado em que a empresa atua, atributos da marca, perfil do público, hábitos de consumo e aplicações”, diz.

Antonelli destaca que o desenvolvimento da parte estética ocorre desde a contratação de uma agência especializada no desenvolvimento de embalagens até a escolha dos fornecedores que a produzam com material de alta qualidade e acabamento. “Para atrair o público, é importante estar antenado com as novidades que o mercado apresenta, tanto em design como em produção, assim como oferecer novas ideias e propostas inovadoras”, diz.

Destaque nas gôndolas

A Dauper investe na aparência de seus produtos. “Nos preocupamos com a visibilidade dos produtos nas gôndolas e em como destacar a embalagem para que o consumidor, dentre tantas opções, escolha a Dauper”, afirma Raul Matos, diretor comercial. “A embalagem deve ser clean, sem poluir demais, e clara nas informações, deixando o consumidor bem informado sobre o que está comprando”.

A marca trabalha em parceria com uma agência de publicidade que apresenta ideias do que há de mais inovador no mercado de trabalho e busca referências e tendências no exterior.

Cada linha da marca recebe um visual diferente. “Na GranPure, procuramos um visual mais clean e, na linha Sense, embalagens com relevo e brilho localizado”, diz.

Assim como a parte estética, a praticidade dos produtos e os hábitos dos consumidores são fatores levados em consideração. “Com a alimentação fora do lar, o consumidor, cada vez mais, busca produtos em mono porções que ele possa levar na bolsa para o trabalho ou para a academia. Assim, ele pode consumi-los em qualquer lugar”, explica Matos.

Sustentabilidade e liderança

Na América Latina desde 1942, a MWV Rigesa é uma empresa verticalizada, que produz desde sua própria matéria-prima até as embalagens finais. “Com o controle de todos os processos, um grande diferencial nosso está na padronização e qualidade de alto nível. Nosso papel Kraft impacta na qualidade final de nossos produtos, pois é um material de primeira linha” afirma Sérgio Ivancko, gerente de serviços técnicos da empresa. “Além disso, a MWV Rigesa tem uma área de desenvolvimento de embalagens muito forte. As embalagens que produzimos são feitas sob medida para cada cliente e para cada produto”.

No Brasil, a empresa está entre as líderes no mercado de embalagens de papelão ondulado. Diga-se de passagem, MWV Rigesa possui sistema de impressão direta sobre o papelão ondulado, com qualidade diferenciada e considerada a melhor tecnologia do Brasil.

As operações da empresa envolvem uma fábrica de papel, cinco de embalagens de papelão ondulado e o gerenciamento de 54 mil hectares de floresta de pinus e eucalipto.
Ao bolar uma embalagem, a empresa leva em conta todos os critérios técnicos: resistência, otimização, logística, armazenagem e tipos de fechamento e abertura.

“No caso do segmento de food service é preciso levar em conta que, muitas vezes, os produtos são resfriados e, por isso, precisam de embalagens que ofereçam resistência na cadeia úmida e de frio. Esse quesito é muito importante para manter a integridade do produto, o que impacta diretamente a imagem da marca”, explica Ivancko.

Outro aspecto primordial é a sustentabilidade. “Está no DNA de nossa empresa e presente em todos os nossos processos”, diz. “Temos um elemento-chave utilizado para assegurar o cumprimento dos fatores ambientais: é o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), responsável por dirigir a implementação das melhores práticas ambientais”. Tais práticas se fazem presentes na produção de papéis, que trazem ganhos ambientais significativos; na presença do selo PEFC nas embalagens, o maior sistema de certificação florestal do mundo e o fato de todas as florestas da empresa serem certificadas pelo Cerflor, programa do Inmetro que comprova que a empresa atua de forma ecologicamente adequada, socialmente justa e economicamente viável.

Cargill:
www.cargill.com.br

Enoteca Decanter:
www.enotecadecanter.com.br

SPA:
www.spali.com.br

Café Gourmet Santa Mônica:
www.cafegourmetsantamonica.com.br

Dauper:
www.dauper.com.br

Tetra Pak®:
www.tetrapak.com.br

MWV Rigesa:
www.br.meadwestvaco.com

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