Na dúvida, o melhor é se informar

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Atualmente um assunto em voga e que chegou às mesas da sociedade sem ser totalmente identificado e muito menos bem entendido, causa rebuliço e aquece opiniões diversas entre consumidores e comunidade científica: são os alimentos transgênicos, que muitos dos brasileiros já devem ter ingerido sem saber exatamente o que são.

Afinal de contas, o que quer dizer alimento transgênico? É qualquer tipo de organismo, planta ou até animal, que tem sua formação genética alterada graças ao avanço da Biotecnologia. Essa ciência possibilitou à célula de um organismo admitir um gene, que nem precisa ser da mesma espécie do receptor, para assim multiplicar-se.

Estes seres transformados, nomeados também como organismos geneticamente modificados (OGM), fazem parte de mais um dos processos de obtenção de um ser, além do já conhecido cruzamento natural, quando é necessário um intermediário próprio da natureza, e o cruzamento para melhoramento genético, em que os pesquisadores realizam tal condução, para atender a uma pesquisa em particular.

Apesar de seu aperfeiçoamento ter contribuído na conquista de melhorias para o desenvolvimento de estudos científicos, a Biotecnologia ainda não foi bem compreendida devido à falta de informação. Não há uma opinião consistente a respeito do que ela gera, mesmo sendo estudada desde o início da década de 70, com aplicações a partir dos anos 80. É uma ciência rodeada de mitos, que carrega nas costas um realização para o Terceiro Mundo: de acordo com estudos de Molnar e Kinnucan (1989) e Gresshoft (1996), seria uma das alternativas para retirar os agricultores da baixa produtividade, pobreza e fome.

A resistência aos OGM é constatada tanto no Brasil quanto em alguns países da Europa e do Japão, sendo que europeus e japoneses preferem pagar mais caro para não comer nada transgênico.

Os OGM, também denominados “Frankstein” por algumas entidades, são de ampla variedade: soja, milho, algodão, mandioca, inhame, batata-doce, tabaco, arroz, tomate, trigo e canola. E o meio ambiente ainda não pode agradecer por tal evolução, pois os riscos já evidentes da biotecnologia são grandes e há outros que não podem ser levantados por não terem comprovações de suas seqüelas. A comunidade científica e alguns nutricionistas, como a Doutora Ângela Accioly, presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, apontam perdas para a agricultura quanto à diversidade, erosão e poluição genética, surgimento de superpragas e extermínio de insetos benéficos para a agricultura. Acrescenta-se ainda mudanças na vida microbiana do solo e, até o momento, a irreversibilidade dos impactos na natureza. Porém, a corrente oposta acredita que se basear em “achismo” só retarda a ascensão da biotecnologia. “É imprescindível impedir o avanço da ciência com base em suposições”, acredita Fernando Reinach, bioquímico da Universidade de São Paulo.

Alguns países como Estados Unidos, Canadá, China e Argentina possuem cultivo irrestrito de tomate, soja, algodão, milho, canola, e batata alterados geneticamente. Consuelo Rocha, brasileira que morou durante treze anos na Flórida, Estados Unidos, conta que lá, há cerca de um ano, várias campanhas publicitárias foram feitas para inibir o uso dos OGM, inclusive uma rede de restaurantes mexicanos, de fast-food, foi interditada por utilizar milho geneticamente modificado. “Eu, particularmente, não consumo nada desse tipo, pois, faz mal para o estômago. Até o óleo de girassol que eu usava já continha transgênicos”, ressalta Consuelo, que retornou a Belo Horizonte em julho deste ano. Em contraposição, existem consumidoras da capital mineira que nem entendem o que vem a ser alimentos transgênicos, como Janete Luciana Alves que, ao ser entrevistada, indagou: “O que é isto, alimentos transgênicos?”

Conforme divulgação da Unicamp, foram realizados testes em laboratórios europeus que acusaram a presença de transgênicos em 11 lotes de produtos vendidos nacionalmente. Todos continham a soja geneticamente modificada Roudup Ready da Monsanto ou o milho transgênico Bt. Da Novartis.

Uma grande empresa brasileira de carne e derivados foi vistoriada pelo Greenpeace em agosto deste ano. O Greenpeace já testou seis produtos da marca e todos obtiveram resultado positivo, conforme a entidade informou, sendo que três continham soja transgênica. A mortadela foi o produto que apresentou o maior índice de OGM.

Até bebês já podem estar consumindo leite com OGM, conforme esclareceu a nutricionista clínica Mirtes Teixeira Santos. “Como falta divulgação e não sabemos bem as reações, algumas mães já podem estar oferecendo determinado tipo de leite em pó aos seus filhos, sem saber que contêm transgênicos. Como as crianças são mais sensíveis, podem correr o risco de alergias”, explica.

Uma das medidas que o consumidor poderá adotar, quando estiver fazendo suas compras, será a verificação dos rótulos dos produtos. De acordo com o governo federal, baseado nas iniciativas do Congresso Nacional e na determinação da justiça, a rotulagem deverá alertar sobre o conteúdo de elementos transgênicos, deixando visível e bem clara a informação. Todos os produtos, inclusive os importados, irão aplicar esta norma, e um símbolo no rótulo será a marca para tal identificação, devido ao fato de que a população brasileira possui 30% de analfabetos.

Os brasileiros devem ficar atentos às informações a cerca do assunto, para evitar comprar gato por lebre. “O conhecimento precisa chegar à sociedade para que todos possam discernir o que é realmente prejudicial à saúde e ao meio ambiente ou, até mesmo, refletir se o valor despendido com tal desenvolvimento não poderia ser revertido para reforma agrária ou projetos mais elaborados para a qualidade de vida”, sugere Accioly.

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