Mudando no presente, de olho no futuro

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Profissionais e empresas têm se reinventado na pandemia para escapar da crise

Além dos impactos sanitário e social sentidos em todo o mundo, a pandemia da Covid-19 trouxe consigo uma crise que afetou economicamente diversos segmentos do mercado. O food service viu muitos estabelecimentos encerrarem as suas atividades. Mas mesmo com o alto número de fechamentos e suspensões de serviço, vários empreendimentos buscaram se adaptar à chamada nova realidade e reinventar suas formas de atuação.
Essa onda de transformações garantiu a sobrevivência de diversos estabelecimentos, que fizeram desde pequenas adaptações até grandes mudanças. Mas apesar do caráter positivo de se reinventar, o processo exigiu e segue exigindo cuidados e planejamento.

A Food Service News conversou com empresas que realizaram mudanças, além da Associação Brasileira de Franchising e de consultores que falaram sobre o assunto.

Aceleração do ritmo de transformação

Mudando no presente, de olho no futuro
“Perder de vista a qualidade e o sabor em nosso mercado é sempre um risco que leva à perda gradual de clientes. Toda a atenção é necessária”, diz João Baptista da Silva Junior, coordenador da Comissão de Alimentação da Associação Brasileira de Franchising (ABF)

João Baptista da Silva Junior, coordenador da Comissão de Alimentação da Associação Brasileira de Franchising (ABF), destaca o que as franquias de alimentação têm feito durante a pandemia para superar os desafios impostos pela crise.

“A agenda de transformação das franquias de alimentação já vinha acontecendo há alguns anos, mas a pandemia imprimiu um ritmo muito mais forte. É como se as redes tivessem feito em três meses o trabalho de três anos. Isso foi fundamental para a perpetuação do negócio e a adaptação aos novos hábitos do consumidor e às restrições e mudanças bruscas do mercado de forma geral. Uma pesquisa recente da ABF/Galunion mostra que o delivery dobrou sua participação no faturamento das redes entrevistadas, passando de 18% para 36%, assim como cresceu a captura mista de pedidos (uso de canais próprios e marketplaces), que passou de 45% antes da pandemia para 73%. Outros movimentos importantes detectados foram a criação de novos canais/formas de venda, incluindo as cozinhas virtuais (dark kitchens), ajustes no cardápio/oferta de produtos e a digitalização nas interações com o consumidor”, salienta.

De acordo com o coordenador, a intensificação da agenda de transformação das franquias serviu, num primeiro momento, para manter os estabelecimentos funcionando, mas os ganhos vão além disso.

“O mais imediato foi a preservação das operações. Em seguida, temos a maior digitalização e eficiência dos negócios. Atualmente, estamos fazendo mais com menos com a ajuda da tecnologia. Tudo isso permitiu também a criação de ofertas e produtos mais sintonizados com o momento atual, como pratos que se preservam melhor no delivery ou até kits de produtos para o prato ser finalizado em casa”, afirma.

Apesar dos benefícios trazidos pelas mudanças na forma de trabalho dos estabelecimentos, João Baptista aponta cuidados a serem tomados neste momento, destacando a qualidade do serviço e a preocupação com uma boa comunicação com os clientes.

“Perder de vista a qualidade e o sabor em nosso mercado é sempre um risco que leva à perda gradual de clientes. Toda a atenção é necessária. Outra questão importante é que, mesmo à distância, a questão do serviço e comunicação com os clientes continua fundamental. Nesse sentido, manter a equipe treinada e orientada e utilizar os canais que o consumidor deseja são estratégias fundamentais”, destaca.

O valor do relacionamento

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“Assim como todos os negócios que tiveram que fechar suas portas, as empresas que atuam no food service tiveram que se adaptar e se reinventar e isso passou pela ampliação dos canais de atendimento”, diz Huberto Damas, diretor de estratégia e finanças do Grupo Bittencourt

Huberto Damas é diretor de estratégia e finanças do Grupo Bittencourt, empresa de consultoria para franquias e redes de negócios. Ele destaca algumas iniciativas adotadas pelas empresas do food service para se reinventar na pandemia.

“Assim como todos os negócios que tiveram que fechar suas portas, as empresas que atuam no food service tiveram que se adaptar e se reinventar e isso passou pela ampliação dos canais de atendimento.

 

Algumas das iniciativas passaram por:

– Repensar a forma de entrega dos produtos. Alguns restaurantes criaram uma forma inusitada: entregar os ingredientes de preparo para que o cliente monte em casa. Outros passaram a entregar os pratos congelados para consumo posterior e ainda aqueles que ao enviar a refeição criaram um ‘manual de ambientação’ para que o cliente crie o ambiente do restaurante em casa, inclusive com trilha sonora.

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Rodrigo Diotto é gerente de operações do L’ Entrecôte de Paris e destaca a necessidade de reinvenção no food service, causada pela pandemia

– Investimento em dark kitchens ou cloud kitchen. A iniciativa do foco no delivery fez tanto sentido para algumas marcas que elas começaram a pensar em investir em cozinhas direcionadas apenas para esse fim. Então, toda a estrutura de cozinha é montada sem que seja necessário o investimento em salão e funcionários para atendimento. O foco é no preparo para a entrega. Nesse cenário, há a possibilidade de compartilhamento dos espaços entre marcas distintas para redução de custos de operação e ampliação das margens.

– Uso das redes de contato, seja WhatsApp ou redes sociais para se aproximar dos clientes e estreitar o relacionamento”.

Com a pandemia e a necessidade de isolamento social, surgiu o fenômeno do “delivery de tudo”, que consiste na reinvenção das marcas para entregar não só produtos, mas também informação, personalização e momentos. Huberto fala sobre os efeitos dessa tendência.

“Aqui no Grupo BITTENCOURT, enxergamos que o momento atual exigiu uma transformação radical na relação entre as marcas e os consumidores. E mesmo antes da pandemia, isso já era uma realidade para muitas marcas. Apenas o consumo de bens e serviços não são mais suficientes para os consumidores, cada vez mais as experiências são desejadas e demandadas para as marcas. Já passávamos por um processo de ressignificação do papel da loja no varejo tradicional, visto as mudanças de cenário e do consumidor no pré-covid. No pós-crise, isso será ainda mais urgente. Privados do convívio social, o desejo por um envolvimento mais humano e emocional se torna ainda mais latente no consumidor, e as lojas e os estabelecimentos de food service devem deixar de ser apenas um canal para vender coisas e fazer refeições. Eles serão buscados para vivenciar tudo o que ficou em suspenso nesse período. É lá que o cliente vai efetivamente encontrar valor pelo relacionamento que estabelece com as marcas”, salienta.

Damas ressalta a diferença entre “delivery de tudo” e “delivery”. “Quando falamos de ‘delivery de tudo’, estamos falando de uma questão mais ampla do que somente o delivery. São coisas distintas. Estamos falando de uma entrega de conveniência, relacionamento e valor de marca – e isso só agrega aos negócios. Mesmo na questão específica do delivery de produtos, já é coisa do passado falar em conflito de canais. Isso não cabe mais na realidade atual dos negócios em que as empresas têm o benefício de ter diversos canais se complementando de forma integrada para atender o consumidor conforme sua conveniência. Não há retrocesso e nem perdas com a abertura de novos canais e principalmente de estreitar a relação com o consumidor final, entregando mais relacionamento, mais experiência, mais segurança e mais cumplicidade”, afirma.

O profissional comenta também sobre a estratégia “kill the company”, afirmando que muitas empresas precisaram adotá-la forçadamente, já dentro de um momento de crise, o que resultou num saldo positivo.

“Existe um exercício de estratégia chamado ‘kill the company’ – nele as pessoas da organização imaginam o que fariam se a empresa estivesse na iminência de desaparecer, fechar as portas. O que fariam para manter a companhia operando e esse exercício gera um movimento de inovação e de oxigenação que muitas vezes traz ideias capazes de provocar uma reinvenção do negócio como um todo, com aproveitamento de novas oportunidades que não haviam sido identificadas anteriormente. De alguma forma, entendemos que a grande maioria dos empresários teve que fazer esse exercício forçados pela pandemia e isso acabou tendo um efeito bastante positivo nos negócios”, afirma.

Importância da reinvenção

Rodrigo Diotto é gerente de operações do L’Entrecôte de Paris e destaca a necessidade de reinvenção no food service, causada pela pandemia.

“A chegada da pandemia trouxe para o mercado de food service uma rápida necessidade de adaptação, não somente por uma questão de oportunidade, mas principalmente por uma questão de sobrevivência. Certamente as mudanças que estamos vivenciado irão moldar o comportamento de consumo do setor alimentício, onde o delivery passa a ser visto como uma alternativa mais presente no nosso cotidiano e por consequência disso a concorrência estará cada vez mais acirrada devido à entrada de novos players. Nessa disputa por espaço, se destacarão aquelas empresas que tiverem a capacidade de se reinventar e inovar”, afirma.

Uma das apostas dos estabelecimentos tem sido adotar o sistema de dark kitchen, para otimizar a produção e reduzir custos.

“A flexibilidade do modelo de dark kitchen nos permite explorar uma série de oportunidades presentes no mercado atual, como por exemplo, a possibilidade de incluir a nossa operação como uma nova culinária dentro de uma operação que já atenda seus clientes através do sistema de delivery ou mesmo através de novos investidores que visam otimizar seus custos operacionais explorando outras marcas que possam atuar com a nossa de uma forma sinérgica. Por se tratar de um investimento relativamente mais acessível quando comparado a uma operação de salão, temos a expectativa de alcançar novas praças em um período de tempo relativamente curto, isso trará mais capilaridade à nossa marca e consequentemente aumentará a receita da rede”, diz.

O gerente ainda destaca a importância de planejar bem, além de conhecer e se atentar aos detalhes de todo o sistema do negócio, para que a busca pela reinvenção não se vire contra o empresário.

“Um bom planejamento é fundamental para manter esse tipo de negócio ativo. Atuar no mercado de delivery não se resume única e exclusivamente na realização da compra de algumas embalagens e na vinculação do restaurante com os aplicativos de entrega disponíveis. É necessário entender que o delivery é um negócio que possui as suas particularidades assim como qualquer outro negócio e não deve ser trabalhado apenas em momentos de ociosidade. É preciso se ater aos detalhes, desde a elaboração do cardápio do restaurante até a sua entrega final, é necessário saber se os produtos resistirão ao processo logístico mantendo a sua qualidade e também se as embalagens escolhidas são adequadas ao tipo de operação que a sua empresa se dispõe a realizar”, afirma.

De acordo com Rodrigo Diotto, ao se reinventar é importante estar atento ao mercado e à realidade da própria empresa.

“Não é de hoje que as empresas procuram aprender uma forma de fazer mais com menos, gerando mais resultados com menos esforços e um menor investimento, resumindo, trabalhando de uma forma mais inteligente. A crise gerada pela pandemia trouxe uma série de mudanças para o mercado e uma das principais mudanças que podemos identificar está no setor econômico, mas ao mesmo tempo que dificuldades surgem oportunidades são apresentadas e o processo de reinvenção é o fator-chave para que as empresas possam aproveitar esses momentos. Nessa hora é importante olhar para os recursos disponíveis e entender quais deles podem ser aproveitados e adaptados para atender às novas necessidades que surgiram. Olhar para o mercado é crucial, pois além de aprender com os seus próprios erros e acertos é possível aprender com os erros e acertos dos outros”, salienta.

Resiliência, inovação e agilidade

Bertolucci é diretor de franquias da rede de restaurantes Água Doce Sabores do Brasil e destaca a importância de algumas características em momentos difíceis, como a resiliência.

“Neste período difícil que estamos enfrentando, devemos ser resilientes, inovadores e ágeis. Isso é fundamental para a sobrevivência do negócio. Em menos de 24 horas, vimos todos os 80 restaurantes da Água Doce fecharem as portas por conta da pandemia e foi preciso virar a chave rapidamente. Com certeza, foi o nosso diferencial. Já tínhamos a operação delivery nas unidades, mas era só um complemento que se tornou a principal fonte de faturamento. Junto com nosso parceiro de entregas, o iFood, inovamos nas campanhas, criamos embalagens que promoveram a interação com o cliente, aumentamos a presença da tecnologia dentro das cozinhas e investimos muito em treinamento de equipe. Elaboramos nosso protocolo já seguindo algumas normas implantadas na rede e assim, conseguimos chegar até a reabertura sem encerrar nenhuma operação”, afirma.

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Julio Bertolucci é diretor de franquias da rede de restaurantes Água Doce Sabores do Brasil e destaca a importância de algumas características em momentos difíceis, como a resiliência

Julio Bertolucci conta também que a pandemia acelerou alguns processos. “Tínhamos um planejamento de implantações e inovações para os próximos três anos que foi desenvolvido em dois meses”, relata.

O diretor deixa clara a importância de respeitar o protocolo sanitário, podendo levar novidades aos clientes, sem se esquecer da segurança.

“Acredito que muitos clientes querem sair, celebrar a vida e, dentro de nossas unidades, com um rigoroso controle sanitário, focamos em levar alegria para a mesa do cliente. Lançamos um cardápio inovador, alegre e que traz como tema ‘Aquarela do Brasil’. Deixar o ambiente seguro, sem dúvida, foi o nosso maior acerto neste período. Todas as mudanças foram feitas para agregar ao negócio”, afirma.

Um novo modelo de negócio

Reinaldo Varela é fundador do Divino Fogão. Ele conta que para superar o fechamento de shoppings, área exclusiva de atuação da empresa, investiu no delivery e no dark kitchen.

“A importância de se adaptar a situações como a da pandemia é primordial para manter o negócio saudável. É necessário avaliar quais mudanças irão gerar impactos positivos ao longo do processo de adaptação. Durante a quarentena, as franquias de alimentação foram as mais atingidas, uma vez que precisaram fechar os restaurantes. No caso do Divino Fogão, a atuação é exclusiva em shopping centers, que ficaram por um bom tempo fechados. Para aliviar a queda de faturamento, estimulamos ainda mais o uso do delivery por meio de aplicativos de entregas. Em outubro, lançamos um modelo inovador de dark kitchen, que são as cozinhas invisíveis com foco nas entregas em domicílio”, afirma.
Para o empresário, a crise oriunda da pandemia proporcionou a criação de um novo modelo de negócio.

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Reinaldo Varela é fundador do Divino Fogão. Ele conta que para superar o fechamento de shoppings, área exclusiva de atuação da empresa, investiu no delivery e no dark kitchen

“Com certeza foi a criação de mais um modelo de negócio. O Divino Fogão possuía um único modelo de negócio como foco em shoppings. Com a pandemia, observamos um gargalo que antes não era possível enxergar com todas as unidades funcionando. A dark kitchen é um modelo mais enxuto e econômico e focado 100% no delivery. A proposta é de utilizar cozinhas profissionais que possuem tempo ocioso para a preparação de pratos tradicionais da rede e fomentar as entregas em casa. Como o valor de investimento é baixo, cerca de R$ 8 mil, esperamos ampliar os raios de entregas de nossos produtos”, afirma.

Para o fundador da Divino Fogão, observar as oportunidades de mercado é importante para recuperar o que foi perdido com a crise.

“Todos os setores sofreram, de alguma forma, com a pandemia. O volume de negócios caiu, houve um período mais complicado e estamos em processo de recuperação. Nesses momentos desafiadores, precisamos avaliar o cenário e identificar oportunidades que possam ajudar e alavancar novos negócios. Com as dark kitchens, estamos ampliando nosso raio de atuação, além de ajudar outras empresas que têm espaço e disponibilidade para oferecer alguns produtos do Divino Fogão (neste caso, elas se tornam licenciadas da marca), gerando uma renda extra para os parceiros”, afirma.

Investimento e gestão

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Simone Galante, fundadora e CEO da Galunion Consultoria, também destaca as mudanças vividas pelo food service durante esse período desafiador

Simone Galante, fundadora e CEO da Galunion Consultoria, também destaca as mudanças vividas pelo food service durante esse período desafiador.

“Como todos os negócios em alimentação, as franquias se depararam com grandes desafios, entre eles a grande presença em locais de mais alto fluxo, como shoppings, centros comerciais e aeroportos. Todos sabemos que uma das grandes causas da redução do faturamento do setor se deve ao fato de o movimento não ter voltado aos patamares anteriores nesses locais. O setor de franquias, já em sua essência, sabe trabalhar articulando em rede, tanto seus franqueados como seus parceiros e fornecedores. Assim, implementaram o delivery e take away com muita agilidade, prepararam kits para que os consumidores pudessem ter a experiência replicada em casa, e, por já serem experts em padrões, implantaram rapidamente protocolos eficazes de segurança e saúde para amparar a necessidade de seus colaboradores e clientes, e aumentar a confiança. Muitas marcas já tinham boa presença digital, o que facilitou a comunicação com seu público. Outro ponto foi a capacidade das redes em realizar ajustes na sua estratégia de canais de vendas e na oferta para cada um destes canais. Daí o surgimento de expansão via cloud kitchens e também de várias marcas virtuais novas para expressar uma oferta específica para o delivery”, ressalta.

Para ela, a rapidez na ação das empresas e o trabalho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), somados ao investimento em gestão e tecnologia, fortaleceu o setor de food service.

“A reinvenção rápida e o trabalho articulado da Associação Brasileira de Franchising no acesso ao crédito tornou este setor mais resiliente. Vimos o aumento dos investimentos em ferramentas de gestão também, como painéis inteligentes e planejamento de produção, práticas adotadas em 2020 por 60% e 46% respectivamente dos respondentes da recente pesquisa setorial pocket do setor de alimentação, de agosto deste ano. A previsão que temos é que as redes devem terminar o ano com uma defasagem de apenas 6% com relação à 2019, ao passo que o segmento de independentes deve amargar um ‘gap’ de cerca de 25%”, afirma.

Simone Galante também ressalta que é preciso ter responsabilidade neste momento. “A agilidade e flexibilidade que foi dada no momento da crise precisa ser encarada com responsabilidade. Muitos franqueadores reduziram suas taxas de royalties, mas certamente é uma condição que pode existir somente por tempo limitado. O importante é o aprendizado da transparência e a consciência de realmente verificar o que deu resultado positivo e sustentável. Organizações que aprenderam com o feedback do franqueado e, principalmente, com o feedback dos consumidores puderam construir novos caminhos de prosperidade. Mas quem foi muito ágil e abriu muitas frentes, porém foi incapaz de medir, aprender com resultados e focar, podendo estar sofrendo com uma grande ‘bagunça’ interna onde seus colaboradores, franqueados e parceiros sentem angústia profunda e sem senso de direção”, afirma.

Para Simone, a cultura e liderança das empresas ficam mais evidentes em momentos de crise. “Concordo que em momentos de crise a cultura e liderança das empresas se revelam, e daí nascem, sim, muitas oportunidades. Para alguns, oportunidades de revisar se é ali que querem estar e ajudar a construir o futuro. Para outros, mudar de rumo. O empreendedorismo e a criatividade afloram na coragem das pessoas que se juntam para agir em prol de um propósito, muitas vezes bem concreto como a sobrevivência do próprio negócio. As pessoas assim encorajadas podem colocar várias opções na mesa, e as decisões tendem a ser tomadas sem hesitação, afinal não há tempo para pensar demais. Em uma crise com alta incerteza de seus desdobramentos, como a que estamos enfrentando, também faz as pessoas refletirem onde devem colocar seu talento, tempo e energia. E assim novas estratégias são colocadas em prática e tudo se torna uma grande oportunidade de inovação – que para nós da Galunion é tudo que gera resultado novo”, afirma.

Grandes oportunidades

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Claudio Brito é mentor de mentores e CEO da Global Mentoring Group. “Acho que a pandemia deixou muitas sequelas e, muitas vezes, o negócio que poderia estar em franca expansão levou um stop porque não conseguiu ter o resultado que previa. Então, acho que nesse momento a empresa precisa se reinventar”, diz

Claudio Brito é mentor de mentores e CEO da Global Mentoring Group, grupo internacional focado na alta performance de mentores.

“Acho que a pandemia deixou muitas sequelas e, muitas vezes, o negócio que poderia estar em franca expansão levou um stop porque não conseguiu ter o resultado que previa. Então, acho que nesse momento a empresa precisa se reinventar. Trazendo para o meu exemplo, a gente tinha um planejamento muito grande, praticamente de todo este ano de 2020, para treinamentos presenciais pelo Brasil todo, inclusive Portugal também. E o que a gente viu na prática é que esse planejamento não ia acontecer por conta do lockdown. E nesse momento tinha alguns desafios e a gente trouxe para o online, e o principal desafio era vender o treinamento online pelo mesmo ticket do presencial. E a gente conseguiu fazer isso, garantindo a entrega do diploma do treinamento no formato presencial”, afirma.
Entre os cuidados ressaltados para o processo de reinvenção, Claudio Brito enfatiza a importância do zelo e do planejamento ao efetuar mudanças. Isso porque, segundo ele, sem a devida atenção, o empresário pode correr o risco de se afastar demais de sua área de atuação, não tendo retornos e nem a implantação de uma inovação que pode-se considerar de sucesso.

“Acho que a questão de ter zelo pelo que você está fazendo já é uma questão importante. Por exemplo, se eu trabalho com o desenvolvimento de pessoas e desejo inovar, eu preciso inovar dentro desta linha. Não devo inovar para um segmento muito díspare, muito distante do que é o meu core business. Por que? Porque eu corro o risco de fazer uma jornada sem muito retorno e inclusive não ter o principal benefício que é a reinvenção do negócio”, afirma.

Aprendendo lições

Éber Feltrim é fundador da SIS Consultoria. Ele destaca a necessidade de reinvenção como algo primordial para a continuidade das empresas, que necessitam disso para permanecer no mercado.

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“Aprender a lição. Acho que este é o maior cuidado que tem que se ter. Qual lição? A lição de não retroceder”, diz Éber Feltrim, fundador da SIS Consultoria

“A maior importância de se reinventar é ‘não morrer’, a empresa ‘não morrer’, é permanecer no mercado, é não ser ‘engolido’. E não só. A importância de se reinventar é aprender o que 2020 nos ensinou e, aliás, nos ensinou muito, nos ensinou a ser mais preparados. Muitos se reinventaram. A nossa companhia, SIS Consultoria, se reinventou, mas hoje nós e diversas outras empresas estão muito mais preparadas. Aquela questão do digital por necessidade. Ficar no mesmo lugar ‘nos mataria’, então a gente acelerou décadas em meses. E a gente viu, as empresas viram que eram capazes, e nessa hora, alguns diferenciais, os que não tinham tiveram que aprender e são estes que fazem total diferença. Algumas coisas básicas que a gente discute na gestão de uma companhia, de uma empresa, que é a qualificação do time, o treinamento, a reserva de caixa, a necessidade de um ‘plano B’, criar travas para que o concorrente não nos engula. Claro que estar mais preparado, mais estratégico, tudo isso que a gente aprende, aprendeu é importante para não nos derrubar”, afirma.

“Existem muitos benefícios das empresas que criaram um novo modus operandi a partir da pandemia. O crescimento, a evolução na mentalidade de inovação, e na minha leitura, acho que o maior dos benefícios é o time ver a necessidade de um mindset crescente. Esse mindset crescente é totalmente o contrário do fixo, não é porque as coisas estão numa determinada crise, num determinado cenário, que nunca mais esse cenário vai mudar. Então isso nos obrigou a ver oportunidades onde a gente nem imaginava que teria. Outro grande benefício é que separou a companhia bem preparada da não preparada. Evidenciou que a qualificação é relevante nesse momento. Que a reserva de caixa, olhar, gerenciar e estudar o mercado, cuidar do patrimônio da empresa que é o cliente, tanto interno quanto externo, coisas que a SIS sempre aborda com os nossos clientes, tudo isso foram situações cruciais para que desse certo. Vale a questão de novas oportunidades que surgiram a partir da pandemia para o profissional. A questão do faça você mesmo, a questão do online, a questão de, de repente, ter as coisas de forma mais prática, esses foram os grandes
benefícios”, salienta.

Perguntado sobre os cuidados que se deve ter ao reinventar o modelo de negócio, o profissional afirma que é preciso aprender a lição.

“Aprender a lição. Acho que este é o maior cuidado que tem que se ter. Qual lição? A lição de não retroceder. De ficar ligado para não se acomodar novamente, achando que as nossas organizações não terão outras adversidades. Claro que nós teremos outras adversidades. Outra coisa que é muito importante e que temos que tomar cuidado é não achar que a pandemia acabou. A pandemia está acabando. Porém, todo cuidado nesse momento é pouco, porque nós temos um resíduo nas companhias, nas empresas, que ainda não aconteceu. E aqui estou falando em termos de gestão, de ganho de mercado, de capitalização de recursos. Então é importante, como diz o livro ‘Como as Gigantes Caem’, tomar cuidado para não achar que está no último degrau e a partir daí entrar num declínio, continuar buscando crescimento, continuar a evolução, continuar nesse gás de ver novas oportunidades”, diz.

ABF
www.abf.com.br
Grupo Bittencourt
bittencourtconsultoria.com.br
L’Entrecôte de Paris
www.lentrecotedeparis.com.br
Água Doce Sabores do Brasil
www.aguadoce.com.br
Divino Fogão
www.divinofogao.com.br
Galunion Consultoria
www.galunion.com.br
SIS Consultoria
sisconsultoria.net
Global Mentoring Group
globalmentoringgroup.com

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