Macarrão: paixão nacional que movimenta o setor

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Macarrão: paixão nacional que movimenta o setor

Brasil é o terceiro maior consumidor do produto no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e para a Itália

O Brasil é o terceiro maior consumidor de macarrão no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e para a Itália, de acordo com estudo da Nielsen encomendado pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI). O levantamento aponta que nove em cada dez brasileiros comem massa com frequência.
Além disso, no ano passado, a ABIMAPI divulgou a segunda edição de um estudo realizado pela Kantar WorldPanel a respeito dos hábitos de consumo de macarrão no Brasil. Conforme a pesquisa, o estado de São Paulo foi o responsável por 20,5% do volume total (1,208 milhão de toneladas) consumido em 2017, o que corresponde a 247,8 mil toneladas. Com isso, foi detectado que o macarrão está presente em 99,5% dos lares paulistas e que, somente na região metropolitana, há concentração de 10,2% do total de macarrão consumido no país, o que representa cerca de 123 mil toneladas.
Já sobre os formatos de macarrão preferidos pelo brasileiro, o estudo descobriu que o espaguete é a paixão nacional. Mas qual será a razão de os brasileiros gostarem e consumirem tanto macarrão?
Para Maurizio Scarpa, diretor-geral da Barilla, marca líder mundial na fabricação de massas fundada em 1877 na região de Parma, na Itália, e que opera no Brasil desde 1998, “a massa é um alimento amado por todos pelo fato de ser extremamente fácil e versátil, agradando toda a família e em diversas ocasiões, do dia a dia até as mais sofisticadas. Apesar de ser um prato típico italiano, já faz parte da cultura brasileira. Seja no domingo de macarronada com a família, ou no almoço de Dia das Mães com lasanha, a massa sempre esteve presente na rotina e nas lembranças dos consumidores locais. Por isso, a Barilla procura sempre oferecer produtos que proporcionem saúde e prazer e continua atenta aos gostos e às exigências dos brasileiros. Além disso, a marca incentiva os consumidores a provarem a versatilidade da massa por meio do conceito Masters of Pasta. A massa é como uma tela em branco onde você pode criar os mais diversos sabores. E como os brasileiros não possuem o hábito de inovar na preparação de pratos de massa, existe uma oportunidade de a marca incentivar os consumidores à explorarem sua criatividade através de técnicas muito simples, percebendo que a massa pode ser preparada de forma prática e rápida, com uma combinação de ingredientes diversos e por pessoas não tão experientes na cozinha, revelando, assim, o chef que existe em cada um”, avalia.
Fabiana Diogo Clementino Silva Filete, engenheira de P&D da Vilma Alimentos, produtora de massas desde sua fundação em 1925, afirma que “hoje, o macarrão faz parte da base alimentar dos brasileiros e cada família tem um toque especial para suas receitas. Grandes momentos com familiares são quase sempre ao redor de uma mesa e, na sua maioria, acompanhados de uma deliciosa massa”.
Walter Faria Junior, presidente executivo da J.Macêdo S.A, empresa que comercializa massas desde 1975, quando comprou a fábrica de massas Brandini, em Alagoas, reforça que “o macarrão é um dos pratos preferidos do brasileiro porque é prático, versátil e nutritivo. Segundo uma pesquisa realizada pela Kantar Word Panel, em 2017, na GSP, o macarrão é o 5° prato mais preparado em casa, sendo a versão à bolonhesa a preferida”, informa.

Mercado

Os dados sobre mensuração de fabricação e venda de macarrão da Barilla no Brasil são confidenciais, conforme Scarpa. Porém, o diretor-geral revela que, “na Itália, a marca é líder, com 35% de participação, além de deter 25% do mercado americano. Aproximadamente 80% do mercado da empresa se concentra na Europa (51% na Itália). Atualmente, a empresa, que faturou €3.41 bilhões em 2016, produz o suficiente para encher mais de 10 bilhões de pratos de macarrão por ano. No Brasil, a marca é líder na categoria de massas grano duro. Sabidamente, um dos cortes mais consumidos e amados pelos brasileiros é o spaghetti. A Barilla possui basicamente duas linhas, importadas e nacionais, para atender às exigências e demandas de todos os brasileiros. As importadas são as mesmas massas consumidas pelos Italianos, são 100% grano duro e comercializadas na tradicional caixinha azul, que trazem a essência da massa italiana e textura sempre al dente. Seus principais cortes são o bavette, capellini, farfalle, fusilli, penne rigatte, rigatoni, risoni e o amado spaghetti nº 5. A Barilla sempre trabalha com produtos premium, seja na categoria de grano duro ou de grano tenro. Após o início de suas operações no país, a Barilla lançou novas linhas especiais para atender às demandas dos brasileiros. A primeira foi a de massa integrale, uma massa de grano duro 100% integral, lançada em 2008. Em 2015, a linha sem glúten começou a ser comercializada no mesmo ano de lançamento na Itália e nos Estados Unidos. Diferentemente da massa de trigo, ela é feita de dois tipos de milho e arroz. Da mesma forma que a massa integral, ela oferece a mesma textura e consistência al dente de uma massa original grano duro. Especificamente para o mercado brasileiro, houve o lançamento da linha de massa com ovos em 2013, produzida com trigo tenro e ovos, que acaba de conquistar o selo do Certified Humane Brasil, após a implementação do projeto cage-free, que consiste em utilizar apenas ovos de galinhas livres de gaiolas. Neste ano, esse método será implementado em 100% da produção da linha no Brasil, que possui 10 cortes: lasanha, penne, espaguete 8, espaguetinho 9, linguine, parafuso, cabelo de anjo, fettuccine, além de pai nosso e ave maria para sopas e cremes. Complementado a linha importada e 100% grano duro, a Barilla também possui a linha La Collezione, que oferece cinco cortes inspirados nas regiões da Itália: casarecce, fettuccine, lasagne, mezze penne tricolore e tagliatelle Al’ Uovo. E por fim, a linha Piccollini oferece os cortes favoritos dos brasileiros em miniaturas: mini farfalle, mini fusilli e mini penne rigate. O principal diferencial de uma massa está relacionado com o trigo utilizado em sua fabricação e know-how de fabricação em massas há mais de 140 anos. A Barilla é referência mundial na fabricação de massas grano duro e usa uma combinação dos melhores grãos, que garantem a preparação de um macarrão sempre al dente devido à alta qualidade do trigo”, detalha.
Segundo Filete, da Vilma Alimentos, a empresa produz “quase 10 mil toneladas de massas por mês, sendo que as massas ovos e sêmola são as mais vendidas. A Vilma produz massas desde 1925, quando foi fundada. Iniciou suas atividades com uma pequena fábrica criada pelo casal de imigrantes italianos Josephine e Paschoal. A massa artesanal de receita italiana conquistou os clientes e ganhou espaço no mercado. Hoje, são quase cem anos produzindo massas com um alto padrão de qualidade. O principal ingrediente do nosso macarrão é a farinha de trigo. A farinha é produzida no moinho da Vilma Alimentos. Para produzi-la, utilizamos uma combinação de trigos específicos para massas. Para cada linha de macarrão, existe um diferencial. A linha grano duro, por exemplo, tem o grande diferencial da textura al dente. A permanência dessa textura ao elaborar as receitas, como, por exemplo, ao misturar o macarrão em um molho pré-aquecido, é outro diferencial. Afinal, percebe-se que a textura se mantém. De forma geral, os grandes diferenciais estão na qualidade da massa e no sabor”, enfatiza.
Já Junior, da J.Macêdo S.A, partilha que a empresa “ocupa a segunda posição no mercado brasileiro de massas secas, com 13,3% de market share volume e 12,3% de market share valor. O corte mais vendido é o espaguete, que representa 45% do volume. As massas J.Macêdo são elaboradas a partir de farinhas selecionadas para cada tipo de macarrão. Nossas fábricas são certificadas em programas que envolvem a segurança de alimentos que garantem as conformidades da gestão de nossos sistemas. Além disso, utilizamos o que existe de mais moderno em termos de tecnologia para fabricação de massas, nossos equipamentos são de ponta e permitem otimizar cada matéria-prima para obter um produto da mais alta qualidade”, garante.

Tendências

Assim como vários outros alimentos, o macarrão também precisou passar por algumas mudanças para suprir às tendências alimentares relacionadas à nova onda nacional de saudabilidade. Junior, da J. Macêdo S.A, explica que, “atualmente, não existe nenhuma norma ou acordo aprovado que implique na alteração da formulação do macarrão, visto que o ingrediente básico é a farinha. Mas a J. Macêdo está alinhada às tendências de mercado de que o consumidor está, cada vez mais, preocupado com a saúde e busca produtos mais saudáveis, porém sem abrir mão da praticidade. Por isso, estamos trabalhando em um pipeline de inovação para atender a essa necessidade, não somente na categoria de massas, mas também nas outras categorias que atuamos. Já temos em nosso portfólio as massas grano duro integrais Petybon nas versões espaguete, penne e fusilli”, revela.
Filete, da Vilma Alimentos, divide que “para atender ao mercado voltado para a saudabilidade, temos a massa integral que é fonte de fibras. Para as linhas que possuem corantes, optamos por utilizar corantes naturais, que também vão ao encontro com a atual onda de saudabilidade”, pontua.
Scarpa, da Barilla, por sua vez, diz que a empresa “possui uma maneira de fazer negócios que respeita o conceito ‘Bom para você, bom para o Planeta’. Assim, a Barilla sempre teve a missão de oferecer alimentos que proporcionem prazer e saúde a partir de um processo de produção transparente e honesto, inspirado no modo de vida italiano e na dieta mediterrânea. A massa de grano duro, por ser um produto saboroso e saudável, não sofre alterações em sua formulação desde sua criação. Mas, buscamos, continuamente, melhorar o perfil nutricional de nossos produtos. Desde 2010, reformulamos 347 deles focando em redução de sal e gorduras trans, mas sem perder a qualidade de um produto Barilla”.

Origem

O macarrão tem uma origem um pouco incerta. Filete, da Vilma Alimentos, conta que “há uma grande discussão acerca da origem do macarrão. É comum dizer que tem origem chinesa e que Marco Polo, após uma permanência de 12 anos naquele país, levou para a Itália e, de lá, foi difundido por toda Europa. Outros historiadores acreditam que o trigo já era plantado às margens do Rio Nilo. Segundo essa tese, como os árabes que dominavam o comércio no mediterrâneo, teriam introduzido na Europa o consumo do macarrão. Mas, mesmo sem saber ao certo a origem do macarrão, hoje, é ele um dos alimentos mais conhecidos e consumidos no mundo”, ressalta.
Junior, da J. Macêdo S.A, complementa que “a origem do macarrão é incerta e disputada entre árabes, chineses e italianos. Uma das primeiras referências é de uma pasta que foi feita por povos da Assíria e da Babilônia, em 2.500 A.C. e que era cozida a partir de uma mistura de cereais e água. Porém, na versão mais comum, o macarrão teria chegado ao ocidente pelas mãos de Marco Polo, depois de uma visita à China no século 13”.

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