Macarrão na ordem do dia

0

A Associação Brasileira de Massas Alimentícias (Abima) prevê com bons números o fechamento de 2002: a estabilidade do setor e um consumo per-capita anual de 5,7 quilos de macarrão no País são alguns dos bons resultados apurados. Os dados são animadores para os fabricantes, que enfrentaram problemas como a pressão cambial, a crise na Argentina – principal fornecedor de trigo ao Brasil – e os aumentos de preços de outros insumos, que afetaram diretamente o custo do produto. Desde 2001, os estoques mundiais de trigo vêm sofrendo reduções drásticas, ocasionando em aumento de preço do cereal no mercado internacional.

O preço médio do quilo do macarrão está na faixa de R$ 2,67 e, apesar do aumento, o produto continua sendo uma opção acessível a maior parte da população, já que um quilo serve 10 pessoas adultas.

Dentro do panorama de estabilidade, o segmento de macarrão instantâneo merece destaque, já que, segundo as projeções, fechará o ano com um aumento de 9,8% em volume de produção em comparação com 2001. Os segmentos de pratos prontos e semi prontos também terão aumento em relação ao ano passado, projetado em 5,6% e 4,5%, respectivamente.

Amparada pelos altos investimentos em tecnologia que o setor fez ao longo da última década, a Abima acredita que há possibilidades de crescimento do mercado. A Associação fará investimentos na área de marketing com foco no incremento do consumo de macarrão, que poderá ser ampliada pelas empresas fabricantes em todo o Brasil. Além disso, o setor aposta nas qualidades do macarrão como uma opção economicamente acessível e adequada às propostas de combate à fome do novo Governo.

Números

A Adria Alimentos prevê o fechamento de 2002 com um crescimento de 30% em suas vendas em comparação ao ano de 2001. A expectativa é de fechar o ano com um faturamento de R$ 390 milhões, R$ 80 milhões a mais que o resultado de 2001. Dentre os fatores para o aumento do faturamento estão os reajustes nos preços de massas e nos de biscoitos, além do investimento feito em produtos de maior valor agregado, como o macarrão na versão grano duro. Em 2002, a Adria destacou-se pelos investimentos em marketing, que passou dos R$ 11 milhões para R$ 22 milhões, valor que deve ser mantido em 2003. A empresa pretende crescer 25% no próximo ano e, para isto, reduzirá a participação de itens de menor valor agregado. A expectativa de crescimento no segmento de massa é de 10% em volume e 15% em valor.

Já a Vilma Alimentos, quinta colocada no ranking nacional, obteve um faturamento de R$ 165 milhões em 2002, um crescimento de 25% em relação a 2001, que ficou em R$ 132 milhões. Para o diretor de Vendas e Marketing da Vilma, Cézar Tavares, esse crescimento é resultado das estratégias da indústria, como o lançamento de diversos produtos para consumidores de diferentes classes sociais. No ano passado, a Vilma também iniciou a venda de massas para as secretarias de Educação de São Paulo e Minas Gerais, o que aumentou as vendas mensais em 500 toneladas, e fechou um acordo com o Carrefour, no qual todos os macarrões e misturas para bolos das lojas Carrefour, Champion e Dia% com marca própria serão fabricados pela indústria mineira. “Promovemos diversos eventos e projetos para estimular o consumo de macarrão entre os mais diferenciados tipos de consumidores. Além disso, o macarrão teve a qualidade incrementada com novos equipamentos suíços”, explica.

De acordo com Tavares, a produção mensal de macarrão é de 4,5 mil toneladas, o que representa 45% da produtividade total em Minas Gerais. A empresa ainda pode expandir as vendas, uma vez que sua capacidade produtiva é de 7 mil toneladas/mês. O diretor ainda informa que a previsão é aumentar a produção para 5 mil ton/mês até o final deste primeiro semestre com o lançamento de formatos inéditos no Brasil. “Queremos inovar sempre para atender às demandas dos consumidores”. Em 2003, a Vilma espera faturar entre R$ 197 milhões e R$ 210 milhões, utilizando-se da mesma estratégia adotada este ano.

A Vilma finalizou em 2001 seu projeto de reestruturação industrial e comercial. Nos últimos 4 anos, a empresa investiu US$ 30 milhões na aquisição de novos equipamentos, reformulação de sua marca, lançamento de novas embalagens e tipos de macarrão, inéditos no mercado brasileiro, em ações de marketing e projetos na área de recursos humanos. Os resultados destes investimentos foram a produção de um macarrão com qualidade internacional, redução das perdas na produção do produto e o aumento da capacidade produtiva de 4,6 mil toneladas mensais para 8,8 mil toneladas.

A empresa também registrou um crescimento no faturamento de R$ 74 milhões em 99 para R$ 118,6 milhões em 2000 e para R$ 134 milhões em 2001. De 99 para 2002, o mix de produtos subiu de 80 para 180 e o número de representantes de venda passou de 80 para 150.

Instantâneo

Criar uma versão só para o mercado brasileiro do seu principal produto, o Miojo. Esse foi o principal desafio da multinacional japonesa Nissin-Ajinomoto ao lançar um produto desenvolvido especialmente para o Brasil.

Depois de uma pesquisa realizada com quatro mil consumidores de dez estados, cujo objetivo era traçar um perfil do mercado nacional, a Nissin obteve uma surpresa: os hábitos brasileiros com o Miojo eram completamente diferentes dos do restante do mundo, principalmente os do Japão. Ao contrário dos inventores do macarrão instantâneo, os brasileiros não gostam de comer o Miojo com aquele caldinho estilo lamen.

Mais da metade dos entrevistados disse preferir escorrer o macarrão antes de colocar o pó, e usar o tempero como parte de um molho de verdade, preparado com outros ingredientes.

Versão mais consistente do Miojo tradicional, o preparo do Nissin Cremoso prevê que o macarrão seja comido com um molho bem ao gosto dos brasileiros, principalmente dos jovens que moram sozinhos nas grandes cidades. O gosto um tanto ou quanto pesado dos sabores deve-se também à outra descoberta da pesquisa: anda crescendo entre os consumidores do produto o número de homens jovens que trabalham e moram sozinhos. Gente que, por definição, gosta de pizza, de bacon, de queijo e de tudo quanto seja comida pesada. Aliás, é dos 15 aos 25 anos que o brasileiro mais come Miojo. O consumo percapita de macarrão instantâneo no Brasil ainda não é um dos maiores do mundo. São cerca de 6 pacotes, número que representa um pouco mais que a metade do consumo americano. “Comparado com o consumo de países orientais, a diferença é maior: os japoneses representam cerca de 12% dos 41 bilhões de pacotes consumidos anualmente em todo o mundo. São nada menos que 42 pacotes habitante/ano. Mas o mercado brasileiro já é respeitável, movimentado e vem crescendo. Nos últimos anos, a evolução foi de quase 60%”, contabiliza o gerente geral de marketing da Nissin, Hiroyuki Miyoshi.

A Nissin descobriu que os jovens representam um verdadeiro nicho de mercado para seu macarrão instantâneo. E que estava completamente abandonado. “Não podemos definir um único público, pois nossos produtos são direcionados para todos que buscam praticidade. Destacamos principalmente a mulher, a dona de casa, pois é ela na maioria das vezes a decisora de compras. Por isso focamos este público diretamente no ponto de venda, através de ações promocionais. Já com a comunicação focamos principalmente o target jovem mais aberto a inovações e difusor de novos hábitos de consumo”, avalia.

A Nissin Food Products Co. foi fundada no Japão em 1948 por Momofuku Ando e se especializou na fabricação de macarrão instantâneo. Em 1958, foi lançado o “Chiken Ramen”, o primeiro lámen instantâneo, considerado um item de luxo nos restaurantes japoneses. Com um custo a 1/6 do macarrão fresco, Ando criou um método novo, que era retirar o lámen da embalagem, colocá-lo dentro de uma tigela, adicionar água quente, tampar e esperar 3 minutos. “Chiken Ramen” vendeu além das expectativas planejadas pelo fundador da companhia.

Os produtos hoje são fabricados em mais de 10 países e estão presentes em vários pontos de todo o mundo: Estados Unidos, Coréia, Tailândia, Filipinas, Índia, China, Alemanha, etc. No Brasil, a produção e as vendas do macarrão instantâneo iniciaram-se em 1965 na cidade de São Paulo.

Hoje, os investimentos realizados pela joint venture Nissin Foods Products Co. e Ajinomoto CO., consolidaram esse produto como líder no segmento de macarrão instantâneo. “Os dados da Abima reforçam e aumentam nossa responsabilidade junto aos consumidores. A categoria de macarrão instantâneo vem se destacando ano a ano. Realmente nossos produtos se apresentam como uma ótima opção de alimentação, não só pela necessidade diária de consumo de carboidratos, mas principalmente pela praticidade, variedade e baixo custo”, comenta.

Em 1997, a Nissin passou a comercializar em nível nacional o produto Cup Noodles (macarrão instantâneo no copo), importado da Nissin dos Estados Unidos, que é sucesso no mundo inteiro. Inicialmente, o produto era importado do EUA e desde 2002 passou a ser fabricado no Brasil. “Em 2001, tivemos o Nissin Lámen Cremoso, em 2002 foi a vez de Cup Noodles produzido nacionalmente e adaptado ao paladar brasileiro e agora em 2003 estamos lançando o Cup Noodles Cremoso”.

Evolução do Consumo no Brasil

Evolução do Faturamento em Milhões de Reais (1994 – 2002*)

Consumo por Região

Setembro e Outrubro de 2002

Segmentação da Categoria

Setembro e Outrubro de 2002

Fonte: Abima

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

5 × três =