Investindo em esfiharias

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Investindo em esfiharias

Estabelecimentos especializados em esfirras têm tido grande sucesso comercial. O produto vem agradando paladares brasileiros há décadas

Quando se fala de alimentação fora do lar, o que não faltam são opções tanto para empreender quanto para consumir. Há uma enorme quantidade de estabelecimentos comerciais dessa área que oferecem todo tipo de alimento para todo tipo de gosto.
Há lugares que ofertam, no mesmo estabelecimento, uma extensa variedade de opções de comidas e bebidas, entretanto, há locais que se dedicam a vender produtos específicos, focando poucos itens.

Muitos desses empreendimentos são chamados por nomes que terminam por ‘aria’ ou ‘ria’. Os mais comuns são as pizzarias, hamburguerias, pastelarias e têm também outros como esfiharias, creperias, tapiocarias, drinkerias e até coxinharias. O objetivo é produzir, em cada segmento, lanches e refeições específicas de acordo com o seu foco alimentar.
Nesta matéria, a Food Service News irá abordar sobre como as esfiharias têm obtido êxito no mercado alimentício nacional. Um especialista e duas empresas contam o sucesso que é vender esfirras para os amantes do salgado de origem árabe.

Vale a pena investir em esfirras

Ken Francis, chef de cozinha e instrutor dos cursos de gastronomia do Senac EAD, vê as esfiharias como um mercado que tem muito o que oferecer, seja em termos de sabores, seja pela praticidade e funcionamento.

Investindo em esfiharias
“Seguramente, a esfirra é algo que pode dar muito lucro”, afirma Ken Francis, chef de cozinha e instrutor dos cursos de gastronomia do Senac EAD

“Esses estabelecimentos funcionam bem com uma estrutura enxuta. Podem optar em atuar pelo sistema delivery e take away (retirar no local). Além disso, os preços podem ser atrativos, mas, lembrando sempre que produtos elaborados com ingredientes de qualidade têm custo maior, mas são melhor reconhecidos pelos consumidores. Uma pesquisa realizada em 2020 pela eCGlobal sobre comportamento de consumo e preferência do público com relação a produtos fast food apontou que a esfirra está entre os cinco produtos mais consumidos, junto com hambúrguer, pizza, batata frita e sanduíche”, diz ele.
Para o público que está frequentando esses estabelecimentos, o chef avalia que a esfirra é uma porta de entrada para outros pratos árabes, já que o consumidor se sente mais atraído em experimentar outras opções culinárias tradicionais quando tem acesso a um produto mais original.

“E se é lucrativo investir nesse ramo? Seguramente, a esfirra é algo que pode dar muito lucro, apesar de verificarmos alguns maus exemplos de estabelecimentos que fazem esfirras quase sem recheio e com higiene duvidosa. Em contrapartida, aqueles que investem em qualidade sempre são bem recomendados”, destaca ele.

Três unidades e milhares de esfirras por mês

A Esfiha Imigrantes sabe bem o sucesso que as esfirras trazem para a empresa. Fundada em 1976 por Olivio Bezerra de Mello, o “Seu Bezerra” como é conhecido, e por dois amigos libaneses, a Esfiha Imigrantes possui três lojas na cidade de São Paulo, tanto para consumo presencial quanto para delivery.

Investindo em esfiharias
A Esfiha Imigrantes tem três lojas na cidade de São Paulo, tanto para consumo presencial quanto para delivery. Só na matriz, são vendidas mais de 60 mil esfirras por mês

Só na matriz, são vendidas mais de 60 mil esfirras por mês. Filipe Mello, gerente de comunicação do empreendimento, diz que as unidades possuem mais de 20 variedades de sabores de esfirras. “As mais vendidas são de carne, queijo e calabresa. Além do kibe que todo mundo ama”, afirma ele.

As esfirras do local, abertas, com recheio, mas sem cobertura, custam R$ 5,90. O tamanho é de 13cm de diâmetro e tem por volta de 100g. As esfirras abertas, recheadas e com cobertura de queijo ou de requeijão custam R$ 9,90 e têm o mesmo tamanho de 13cm, mas pesam mais, por volta de 140g.

“Para levar, o embalsamento do produto é feito à moda antiga, com bandejas envoltas com bobina com a logo da nossa marca e amarradas com barbante”, explica Filipe Mello.
A receptividade da clientela da Esfiha Imigrantes é satisfatória, como destaca o gerente de comunicação do empreendimento.

“Sempre ficam muito satisfeitos. Um exemplo são as notas positivas que recebemos dos consumidores de um aplicativo de comida. Os pedidos online feitos para a matriz, no bairro Ipiranga, passam de 17 mil por mês, e a nota é 4.8 de 5. Na unidade da Lapa são mais de 6 mil pedidos por mês e a nota é 4.9 e no Tatuapé, recém-aberto, já são mais de 5 mil pedidos por mês e a nota 4.8”, ressalta.

Praticamente qualquer faixa etária do público consumidor gosta de esfirras. Filipe Mello conta que nas unidades, frequenta um público bem variado, tanto pessoas na faixa de 20 a 30 anos quanto na faixa dos 60 anos, “e o público que come a nossa esfirra se apaixona. Atingimos todos os públicos com os nossos produtos que prezamos por oferecê-los com sabor e qualidade”, diz.

O gerente de comunicação do empreendimento também explica que a esfirra é um item de fácil produção, muito prático e rápido de prepará-lo, por isso, torna-se lucrativo para quem o produz quando há um grande volume de vendas. E, para Filipe Mello, os resultados são incríveis como já mencionado: relevante retorno financeiro e alta satisfação dos clientes.
Em média, por dia, são vendidas mais de 5 mil esfirras juntando todos os sabores de todas as três unidades. “É um mercado em ascensão assim como a culinária árabe em geral, logo, estamos neste momento de expansão da marca já contando com duas filiais, além da matriz, e com um projeto ambicioso de abrirmos muitas outras até o final de 2022”, relata Filipe Mello.

Sucesso

Investindo em esfiharias
No Samir Amis, são vendidas por volta de 120 mil esfirras no mês

Quando chegou ao Brasil em 1988, o imigrante sírio Moris Azar não falava uma palavra em português, mas sabia fazer pão sírio. Deixou a cidade síria de Al Qamishi para tentar a sorte aqui e apostou totalmente na culinária de sua tradição. Foi o primeiro a vender pão sírio no Brasil e, com ajuda de outro sírio, fez sua produção de pão sírio crescer. A concorrência surgiu e decidiu trazer também esfirras.

Em 2006, Moris fundou o empório árabe Samir Amis em Moema, São Paulo, para vender suas receitas em seu agora novo empreendimento. Hoje, o empório é administrado por seu filho e sua mulher, Joseph Azar e Rula Hanno, que se dedicam integralmente ao comércio familiar.

No Samir Amis, são vendidas por volta de 120 mil esfirras no mês. O proprietário Joseph Azar apresenta os tipos de esfirras da casa, que são: esfirra aberta: carne, queijo, ricota, zaatar, frango com catupiry; esfirra fechada: carne, queijo, escarola, ricota com espinafre.

“As esfirras no delivery chegam em caixas personalizadas do empório”, ressalta.
Joseph Azar diz que as esfirras, normalmente, são tidas como entradas, para um jantar árabe, por exemplo. “Mas se formos pensar em eventos, aniversários e recepções, as esfirras são o prato principal”, destaca.

De acordo com ele, todos amam as esfirras do empório, e aproveita para dizer que quem tem tendência a gostar do produto, certamente também gosta de outros pratos da gastronomia árabe, como kibe cru, charutinho de uva, pastas e os pães típicos da região.
Falando sobre os resultados de se vender esfirras, Joseph Azar comenta que todo produto que um empreendedor esteja fabricando e não terceirizando, sem dúvidas obtém uma taxa maior de lucratividade, pois a produção é dele. E as esfirras são o carro-chefe do Empório Samir Amis.

“Fico feliz pelo crescimento de estabelecimentos comercializando um produto que veio de fora. É um orgulho para nós, árabes e descendentes de origem árabe, sabermos que hoje a esfirra é quase um salgado brasileiro, pela fama que tem, mas que nasceu e tem suas raízes na Síria e no Líbano”, afirma ele.

ESFIHA IMIGRANTES
www.esfihaimigrantes.com.br
Instagram: @esfihaimigrantes
EMPÓRIO SAMIR AMIS
Instagram: @samir.amis
SENAC EAD
www.ead.senac.br
Instagram: @senaceadoficial

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