Inaugurações em meio à crise

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Na contramão de muitas empresas, marcas investem em abrir as portas durante a pandemia

Em meio à pandemia do novo coronavírus, muitas empresas tiveram prejuízos e diversas fecharam as portas. Outras, porém, investiram em um novo negócio justamente no período de crise. A Food Service News conversou com algumas organizações que se enquadram nesse segundo perfil para saber o porquê da decisão e como os negócios estão se saindo.

Locale Caffè

Inaugurações em meio à crise
A Locale Caffè abriu recentemente as suas portas no Itaim, em São Paulo, adotando os sistemas de Grab&Go e delivery

A Locale Caffè abriu recentemente as suas portas no Itaim, em São Paulo, adotando os sistemas de Grab&Go e delivery. A marca está vendendo quatro vezes mais do que as perspectivas.
De acordo com os sócios Gabriel Fullen, Nicholas Fullen e Sandro Myasaki, a empresa decidiu abrir as portas mesmo em meio à pandemia porque já estava com a equipe contratada e não conseguiu isenção total do aluguel “e achamos que poderia ser um bom teste para iniciarmos a operação com uma demanda mais baixa para acertarmos detalhes operacionais”, destacam.
Para eles, um dos principais desafios neste momento é se adaptar a uma nova realidade que não se sabe, ao certo, o que se pode esperar. Assim, a marca está tentando se preparar para o maior número de cenários possíveis.
“Investimos muito em nossa estrutura de delivery e take away, que mesmo após o fim do lockdown ainda representará boa parte de nosso faturamento”, afirmam eles.
A segurança dos clientes e colaboradores não ficou de fora, de acordo com os sócios. “Em todas as casas do grupo, sempre fomos muito rígidos quanto à higiene e segurança, acompanhados de uma assessoria nutricional e sanitária. Agora, em meio à pandemia, o cuidado aumentou ainda mais com maior acompanhamento da assessoria e seguindo à risca todas as orientações das instituições de saúde responsáveis”, dizem.
Os clientes, afirmam eles, receberam muito bem a inauguração. “Estamos muito felizes com o aceite e receptividade, tanto em nosso atendimento quanto em nossos produtos”, dizem eles, que destacam, ainda, como atrair consumidores em um momento de instabilidade e insegurança econômicas. “Demonstrando a seriedade e preocupação com a saúde de nossos clientes e colaboradores sem perder a essência dos nossos negócios, levando momentos agradáveis e felizes a todos que consumirem a nossa experiência”.
Sobre as expectativas para este ano, a empresa diz que é sobreviver. “A perda no ano será inevitável e estamos lutando dia a dia para minimizar o prejuízo e trabalhando para que a retomada seja rápida”.

Osso Smash House

Inaugurações em meio à crise
Um exemplo de inauguração recente é a Osso Smash House, em São Paulo, que atualmente opera pelo iFood. O negócio é fruto do trabalho dos irmãos Guilherme e Gustavo Mora em parceria com o chef Renzo Garibaldi

Outro exemplo de inauguração recente é a Osso Smash House, em São Paulo, que atualmente opera pelo iFood. O negócio é fruto do trabalho dos irmãos Guilherme e Gustavo Mora em parceria com o chef Renzo Garibaldi.
“Era um negócio que já vinha sendo pensado há um bom tempo, com a pandemia, e o crescimento do delivery, consideramos um momento ideal para o lançamento”, diz Guilherme Mora. De acordo com ele, as metas internamente impostas estão sendo batidas e os clientes receberam bem positivamente a inauguração. “Inclusive mais do que o esperado. As pessoas realmente compraram a ideia do delivery”, diz.
Entretanto, existem também os desafios nesse cenário. Para Mora, o principal é “o lançamento de um produto por meio totalmente digital, isto é, temos que convencer, digitalmente, as pessoas a experimentarem nosso lanche”. De acordo com ele, o desafio está sendo superado. “Isso está acontecendo no boca a boca. As pessoas estão gostando, se arriscando a pedir e falando para os conhecidos, e assim vai crescendo, além da mídia que estamos ganhando boa repercussão”.
Além disso, destaca, o produto da marca é considerado barato, “o que é ponto positivo para a insegurança econômica, mostrando um produto com bom custo-benefício, a atração dos clientes cresce”, destaca.
Sobre a segurança dos clientes e dos colaboradores, Mora afirma que há todos os cuidados. “Medição de temperatura, a equipe ficou de quarentena antes do retorno, lavagem constante das mãos, álcool gel sempre disponível, entre outros pontos”, diz.
As expectativas em relação ao negócio, afirma, são otimistas. “Inclusive já estamos estudando o processo de expansão da marca”, relata.

Senhor Pudim

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O Senhor Pudim, que há seis anos tem uma unidade no bairro Moema, em São Paulo, inaugurou no começo de julho mais uma loja, dessa vez no Brooklin

Já o Senhor Pudim, que há seis anos tem uma unidade no bairro Moema, em São Paulo, inaugurou no começo de julho mais uma loja, dessa vez no Brooklin.
”O projeto de abertura já estava decidido e pronto antes da pandemia, inclusive com equipamentos comprados, contrato de aluguel assinado e outros, então voltar atrás não seria a opção”, explica o confeiteiro e sócio fundador da empresa, Marcos André Martins.
Para ele, um dos principais desafios do momento é que o produto da marca seja conhecido pelo consumidor local. “Dependeremos bastante dos deliveries, uma vez que o consumo dentro da loja não será permitido ou com número reduzido de pessoas”, diz ele, que também fala sobre o que tem sido feito para superar o desafio. “Temos uma rede nas mídias sociais bem grande, mais de 100 mil seguidores. Também contaremos com nossa assessoria de imprensa que fará divulgações e contatos para que possamos enviar nosso produto para influencers, youtubers e formadores de opiniões, principalmente do entorno”, relata.
Apesar do momento de pandemia, a marca tem conseguido excelentes resultados. “Nosso delivery mais que dobrou. Hoje temos uma venda bem maior que tínhamos antes da pandemia. Acreditamos que isso continue, mesmo com a flexibilização por parte do governo no que diz respeito ao consumo dentro da loja. Temos crescido numa média de 25% mês a mês e pensamos que isso continuará, talvez num percentual menor, mas não muito fora disso”, afirma. “Não demitimos nenhum colaborador, pelo contrário, contratamos outros mais, estamos criando nosso próprio e-commerce e já pensando na terceira unidade para este ano”.

Inaugurações em meio à crise
“Nosso delivery mais que dobrou. Hoje temos uma venda bem maior que tínhamos antes da pandemia”, diz o confeiteiro e sócio fundador do Senhor Pudim, Marcos André Martins

Martins também conta que o Senhor Pudim não mudou em nada a fabricação de seus produtos. “Continuamos a usar produtos nobres, embalagens atrativas. Pensando no meio ambiente, temos uma proposta de descontos quando o cliente traz de volta as formas de alumínio, e por mais que vários dos nossos insumos tenham tido um aumento no preço, não repassaremos nesse momento para o cliente final”, destaca.
Assim como outras empresas, o Senhor Pudim também não tem se descuidado da segurança, segundo Martins. “Nossos colaboradores receberam máscaras e treinamento de higiene específica conforme especificações da Anvisa e secretaria da saúde. Colocamos uma barreira de acrílico na frente do caixa, compramos totens display de álcool gel. Também é feita, algumas vezes ao dia, a higienização das maçanetas e balcões com um produto esterilizante específico. Os clientes que vêm retirar o pudim são obrigados a usar máscaras para entrar na loja. Para o delivery, desenvolvemos uma sacola específica, para que o produto fique totalmente isolado do contato com as mãos do entregador. Estamos seguindo todos os protocolos legais”.

Locale Caffè
@localle.caffe
Osso Smash House
@smashhouseosso
Senhor Pudim
www.senhorpudim.com

 

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