Greve dos Caminhoneiros: alimentação fora do lar comprometida?

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Uma mobilização de proporções inesperadas surtiu efeito em todo o território nacional.
Estamos dialogando sobre a ação dos caminhoneiros, que, mediante o aumento no preço do combustível, além de outros impostos, aderiram a uma grande paralisação nas rodovias. É inegável a magnitude que a greve proporcionou ao país como um todo.
Fazendo uma analogia para o mercado alimentício, é como imaginar um castelo de cartas em que, se a base de sustentação for afetada, toda a estrutura se desmorona.
É exatamente o que vivenciamos com a greve dos caminhoneiros. Se as mercadorias não são transportadas até as unidades, inúmeros estabelecimentos de diversos setores passam a ter problemas em sua produção e, em alguns casos, inviabilizam completamente a comercialização dos produtos.
O setor food service, é claro, também encontrou-se vulnerável aos efeitos da mobilização. Devido à falta de transporte de matéria-prima aos estabelecimentos alimentícios, muitos bares, restaurantes e lanchonetes enfrentaram complicações advindas do não recebimento dos alimentos.
Segundo a Associação Nacional de Restaurantes (ANR), várias empresas como Domino’s, Giraffas e Habib’s, ao lidarem com o problema ocasionado pelo desabastecimento do setor alimentício, tiveram que planejar ações emergenciais, utilizando a criatividade para lidar com toda a situação.
Algumas delas, inclusive, relataram transtornos em suas unidades, uma vez que o grande prejuízo teria ocasionado contratempos ainda mais graves, como até mesmo o fechamento de portas dos estabelecimentos.
Dessa forma, os gestores tiveram que agir em tempo hábil para suprir a falta de mercadorias, reinventando sua estratégia de venda — como foi o caso de algumas redes de supermercados, que limitaram a compra de produtos —, colocando em prática toda a capacidade de resiliência que lhes cabiam.
Perante o não recebimento de mercadorias nas unidades, os profissionais de nutrição também tiveram que adequar os cardápios à logística da greve, utilizando os produtos restantes no estoque. Além disso, o fator preço também sofreu mudanças, o que acarretou em prejuízos de ambas as partes (gestores e consumidores), já que boa parte das mercadorias não chegou, de fato, aos estabelecimentos food service.
Diante do cenário atípico, restou apenas o posicionamento das autoridades para conter a greve, e a esperança de que os acordos contemplassem os caminhoneiros e todo o restante da população de forma justa.
Aos gestores de estabelecimentos de alimentação fora do lar, pensar em uma saída para não ser tão dependente de um único recurso, como é o caso do combustível, foi uma opção. Reavaliar a produção e a logística agropecuária, pois podem ocorrer outros imprevistos de outras magnitudes, também era outra medida pertinente.
Esperar pode não ter sido a melhor estratégia, mas a realidade exigiu que trabalhássemos com o que se tinha, ao menos até que tudo venha a se normalizar completamente.
No entanto, diante de toda a mobilização, restou o seguinte questionamento: o que cada setor aprendeu com as adversidades? Já é fato que os contratos deverão prever paralisações ou outros cenários que comprometam a distribuição de mercadorias.
Além disso, uma política de estoque deve ser meticulosamente planejada, evitando, assim, que tanto os gestores quanto os consumidores sejam prejudicados.

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