Gestão: Os números da cachaça

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Anuário da Cachaça, publicado recentemente, revela êxito do produto e ainda mais possibilidades de crescimento

 

O Anuário da Cachaça, publicado recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), mostra que o número de estabelecimentos produtores de cachaça e de aguardente é de 1397 (registrados no MAPA), com 5490 produtos registrados, distribuídos em 835 cidades em 26 unidades da federação.

Além disso, “a cachaça é o destilado mais consumido pelos brasileiros, presente em mais de 77 países, e um dos quatro destilados mais consumidos em todo mundo. Com 500 anos de história, também é o primeiro destilado das Américas e a primeira Indicação Geográfica do Brasil, ou seja, parte da identidade do Brasil. Nossa bebida tem contribuído para o desenvolvimento do país, com toda sua relevância cultural, social e econômica, nas cinco regiões”, detalha Carlos Lima, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Cachaça – IBRAC.

Com tantos números positivos, dá para perceber todo o êxito da bebida no mercado. E o sucesso não para por aí. “Em 2018, segundo dados do provedor de pesquisa de mercado, a Euromonitor, o consumo de cachaça foi de 520,9 milhões de litros, representando 72% do mercado de destilados. Nesse mesmo ano de 2018, em termos de valor, o mercado foi superior a R$ 14 bilhões de reais. Trata-se de um setor responsável por mais de 600 mil empregos diretos e indiretos, que são gerados em sua cadeia produtiva. A estimativa é que o Brasil possua uma capacidade instalada de produção de 1,2 bilhão de litros/ano. Em função das particularidades do setor, é difícil afirmar o volume efetivo de cachaça que é produzido anualmente. A produção de cachaça deve ser entendida como um vetor de desenvolvimento nas diversas regiões, já que sua produção é pulverizada em milhares de produtores de todos os portes espalhados de norte a sul do país”, destaca Lima.

Ainda segundo o Anuário da Cachaça, lançado ao mercado em parceria com o IBRAC, “os produtores de cachaça e de aguardente representam 21,96% do total de 6.362 estabelecimentos produtores de bebidas alcoólicas e não alcoólicas registrados no MAPA, o que representa quase um quarto dos estabelecimentos produtores de bebida fiscalizados pelo Ministério. Trata-se de um levantamento que representa uma grande evolução para o crescimento e o aprimoramento do setor produtivo no país, uma vez que a base da construção de políticas públicas para o setor é a existência de números cada vez mais verdadeiros e atualizados sobre o segmento”, diz Lima.

E o que explica todos esses números positivos? Lima lembra que a “cachaça excede como base para coquetéis, em especial aqueles com frutas, além da utilização do destilado na tradicional e conhecidíssima caipirinha que, para ser autêntica, deve ser feita exclusivamente com cachaça. A versatilidade da bebida na coquetelaria vem se mostrando igual ou mesmo superior a da Vodca, do Gin ou do Rum. Tanto é que vários bartenders a utilizam para reinventar drinks famosos, tais como o Mojito, Dry Martini e a Margarita. A grande variedade, considerando a diversidade regional de sua produção, com as muitas opções entre as não envelhecidas e as envelhecidas nas inúmeras madeiras, cada uma com impactos sensoriais distintos, vem proporcionando uma base extensa de experimentação de coquetéis contemporâneos, tanto no Brasil como internacionalmente. É essa quantidade de atributos que faz a cachaça um destilado distinto dos demais, que vem conquistando espaço e angariando novos fãs no mundo todo”, salienta.

Mercado
Com tantos números positivos, o segmento segue firme rumo a um crescimento cada vez maior. De acordo com Lima, o setor pode continuar crescendo a partir de novos investimentos e ações para fortalecer a bebida, tanto no Brasil quanto no exterior.

“As ações de reconhecimento da cachaça no mundo, como produto genuíno brasileiro, vêm sendo realizadas por uma sólida e importante parceria do setor privado, por meio do IBRAC, com o governo federal, já com relevantes resultados. Em setembro de 2018, o Senado aprovou um acordo internacional entre Brasil e México para o reconhecimento mútuo da cachaça e da tequila como indicações geográficas e produtos distintivos dos dois países. Em novembro, também de 2018, o acordo comercial firmado entre Brasil e Chile traz novas diretrizes para a comercialização entre os dois países, entre elas, a possibilidade do reconhecimento mútuo entre a cachaça e o pisco (chileno), como indicações geográficas e bebidas distintivas de cada país. Depois, ratificado pelos parlamentos dos dois países. Com o reconhecimento do Chile, a cachaça é agora protegida pelos seguintes países: Estados Unidos, Colômbia, México e Chile. Neste momento, há grande expectativa que o acordo com o Mercosul e com a União Europeia resulte no reconhecimento da cachaça pelo bloco europeu, um dos principais mercados de exportação”, pontua o profissional.

Segmento
Mesmo com tudo isso, a cachaça ainda não é valorizada como um símbolo nacional, conforme pondera Lima. Para ele, já está na hora de essa realidade mudar. “Suas contribuições culturais, sociais e econômicas estão comprometidas devido a questões de base que impedem seu crescimento e desenvolvimento de forma sustentável. Para que a cachaça ocupe seu espaço merecido e tenha todo o seu potencial explorado, algumas iniciativas se fazem urgentes e necessárias. Pensando nisso, foi lançando em setembro de 2018, o Manifesto da Cachaça. O documento apresenta três pontos essenciais para que a cachaça seja realmente reconhecida como um Símbolo Nacional”, destaca.

Para Lima, ainda há muito a ser fazer, “mas acreditamos que, com o desenvolvimento e a implementação dessas ações, daremos passos essenciais no caminho da valorização e do reconhecimento da cachaça como um patrimônio do Brasil. Algumas empresas de pesquisa indicam um crescimento de um dígito para o setor, mas acreditamos que sem uma revisão da carga tributária como um todo e, também alterações no sistema tributário de alguns estados, dificilmente o setor continuará a crescer de forma sustentável”, afirma.

Já quando o assunto é inovar nesse segmento, Lima acredita que os produtores devem continuar seguindo o caminho da premiunização adotado por outros destilados, “principalmente investindo em novas formas de apresentação dos produtos. Além disso, a utilização de madeiras brasileiras e novos blends também segue como uma tendência para o posicionamento dos produtos”, avalia ele.

Instituto Brasileiro de Cachaça – IBRAC
www.ibrac.net
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
www.agricultura.gov.br

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