Futuro em aberto

0

Como agir diante de uma possível diminuição do público nos espaços físicos dos estabelecimentos no pós-pandemia?

A pandemia do novo coronavírus vem gerando uma série de impactos pelo mundo. Suas consequências causaram problemas econômicos em todo o planeta, com praticamente todos os setores comerciais afetados, como o food service. Adaptações, mudanças de forma de operação, cortes de gastos e de pessoal e até suspensão das atividades ou fechamento definitivo das portas de estabelecimentos foram cenas que se tornaram comuns mundo afora. Mas os transtornos causados pelo vírus não param por aí e não são somente imediatos.
De acordo com uma pesquisa realizada pela agência de marketing 4Life, que entrevistou 1.206 pessoas entre os dias 10 e 14 de junho de 2020, por meio da plataforma SurveyMonkey, 44% das pessoas acham muito pouco provável ou improvável o retorno a estabelecimentos food service, como bares e restaurantes, num período de pós-flexibilização do isolamento social. Já 21% dos entrevistados consideram a volta razoavelmente provável, 16% afirmam ser provável que voltem a frequentar, enquanto 19% afirmam que, sim, vão voltar a frequentar esse tipo de comércio logo que possível.
Os resultados da pesquisa levantam, portanto, um questionamento importante sobre como as empresas de food service deverão se preparar para o período de flexibilização do isolamento social, visto que o comportamento do público consumidor tende a ser diferente do que era antes da pandemia.

Tranquilidade e apoio às empresas

Futuro em aberto
“Acreditamos que com mais informação e mais tranquilidade – obviamente observando os cuidados necessários nesse momento – o mercado retoma a normalidade, o que deve acontecer até o final deste ano aqui no Brasil”, diz Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), levantou a possibilidade de a pergunta refletir um momento passado, de mais insegurança que o atual.
“Na Abrasel temos uma convicção: gente gosta de cuidar de gente. Talvez essa pesquisa reflita um momento anterior, em que as pessoas estavam mais receosas, mas o que nós temos observado é que a tranquilidade começa a se refletir no mercado. Em lugares como a Alemanha, por exemplo, o faturamento atual do setor já supera o pré-crise. Acreditamos que com mais informação e mais tranquilidade – obviamente observando os cuidados necessários nesse momento – o mercado retoma a normalidade, o que deve acontecer até o final deste ano aqui no Brasil”.
Paulo fala também sobre como será indicado que os restaurantes e bares operem daqui para frente.
“No primeiro momento da retomada, as medidas de segurança e higiene impõem uma restrição de oferta nos espaços físicos – seja pela limitação da capacidade ou de horário de atendimento. Mas os clientes estão comparecendo, estão buscando esses espaços dos quais ficaram privados por tanto tempo. Com o avançar das fases de retomada, a oferta vai voltando aos patamares anteriores à pandemia, o que a gente acredita que deve acontecer até o final deste ano. Um ponto que merece atenção é o investimento no delivery e no to go, que já era tendência no setor, mas foi muito acelerado pela pandemia. São canais que devem ser aproveitados pelos estabelecimentos no longo prazo. No geral, o que a Abrasel orienta é seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Anvisa – todas organizadas numa cartilha que disponibilizamos gratuitamente na Rede Abrasel (redeabrasel.com.br). Além disso, muito importante observar também a legislação municipal. Estamos à disposição para orientar os empresários nesse caminho e a Rede Abrasel é uma excelente fonte de informação para apoiá-los nesse processo de retomada”.
O presidente-executivo da Abrasel também diz que não acredita na perda da cultura do espaço físico, mas, sim, numa mudança nas operações dos estabelecimentos de alimentação.
“Nós não acreditamos na extinção do espaço físico. Como dito anteriormente, onde já há a retomada, os clientes estão comparecendo. O que acontece é que o setor está sendo forçado a se tornar mais produtivo, com equipes e processos mais enxutos, e a tendência é tornar as operações mais simples. Alguns hábitos adotados durante a pandemia também devem perdurar, como fazer reserva nos estabelecimentos, pedir delivery, fazer pagamentos com contato mínimo etc”.
Por fim, Paulo conta sobre as medidas que a Abrasel tem apoiado e incentivado, desde o início da pandemia, até os dias atuais, para a sobrevivência dos estabelecimentos.
“Nós sempre estivemos atentos ao que estava acontecendo no resto do mundo e, graças a isso, conseguimos reagir com rapidez e consistência nas ações de enfrentamento. Um dos primeiros movimentos da Abrasel foi uma reunião com o presidente Bolsonaro e ministro da economia, Paulo Guedes, em 17 de março, com objetivo de pedir ajuda para pagar os salários. Dessa reunião nasceu, 15 dias depois, a MP 936, que hoje já virou lei e que foi fundamental para que fossem mantidos empregos e empresas nesse período. Também pleiteamos crédito para o setor, pressionando quando esse crédito não tinha chegado na ponta”.
O presidente executivo continua. “Hoje a Abrasel tem uma parceira muito interessante com a Caixa Econômica Federal e tem conseguido apoiar nossos associados no acesso ao Pronampe. Além disso, estamos presentes em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal e temos negociado com governos estaduais e prefeituras as melhores condições possíveis de apoio à retomada e a solvência das empresas do setor, sem dúvida um dos mais atingidos pela pandemia. Isenção ou parcelamento de impostos, contas de água, luz, apoio à negociação com fornecedores. Preparamos também diversas cartilhas, vídeos, cursos, webinars – tudo gratuito e de fácil acesso na Rede Abrasel. Tem orientações sobre delivery, renegociação de aluguel, marketing, processos para retomada, um extenso acervo à disposição de qualquer um que precise. É todo um conjunto de medidas que a Abrasel vem liderando e implementando para dar conta da complexidade da situação. Temos um grande time mobilizado no país todo para dar todo apoio necessário às empresas e trabalhadores do setor nesse momento”.

Conhecimento, atualização e segurança

Futuro em aberto
“O retorno dos clientes ao restaurante sempre será o objetivo, porém daqui pra frente o delivery é fundamental”, afirma Douglas Fujji, proprietário do restaurante Ventana

Túlio Bedeti é sócio-proprietário do GAM Asian Bar, restaurante de comida chinesa e japonesa na cidade histórica de Mariana, em Minas Gerais. Ele fala a Food Service News sobre as medidas que a administração do estabelecimento pensa em tomar para minimizar os efeitos da pandemia no momento de flexibilização do isolamento social.
“Adequaremos-nos aos padrões criados pela OMS e manteremos o serviço de delivery, alterando assim um pouco o estilo do serviço, mas mantendo a qualidade. Além de buscar sempre nos manter atualizados quanto às alterações das medidas sanitárias”, diz.
Também perguntamos se, para ele, o indicado aos restaurantes será buscar estratégias para retorno dos clientes aos ambientes físicos ou investir em novas formas de trabalho. Túlio afirma que as decisões devem partir do bom senso e de determinações científicas.
“Acreditamos que a estratégia deve permear a tudo o que se relaciona ao bom senso e às instruções da classe científica. Acredito que não será interessante reocupar tudo o que era destinado ao cliente físico de uma vez, nos restaurantes em geral. Mantemos-nos sempre atualizados com relação às informações da saúde para não fugir aos ideais de controle. Mas outras formas de atender e satisfazer as necessidades dos clientes terão de ser criadas. Nesse sentido, estamos pesquisando e elaborando estratégias para atingir as novas necessidades dos nossos clientes”.
O empresário afirma que meios de aproveitamento do espaço físico do restaurante estão em análise, não sendo ainda algo definido.
“Ainda são medidas em análise e sofrendo sempre alterações com relação às novas informações. Portanto, a estratégia relacionada à diminuição do espaço ainda não é um plano concreto, dado que a curva de contágio ainda não vem demonstrando algum achatamento aparente. Porém, medidas como afastamento de mesas, mudanças na forma como as pessoas se servem e são servidas estão sendo pensadas para o momento em que as autoridades disserem que há segurança para reabrir o atendimento ao público e voltar a funcionar com segurança e qualidade. Também manteremos o delivery”.
Por fim, Túlio fala sobre como o restaurante tem atuado no presente momento para a redução dos impactos negativos causados pela pandemia.
“Todas as medidas relacionadas ao afastamento físico tanto dos colaboradores quanto dos clientes, além das medidas ligadas à assepsia e desinfecção tanto do ambiente de preparo ou de despacho da mercadoria, quanto aos colaboradores que operam o restaurante. Buscamos sempre pesquisar e criar novos produtos para atender aos clientes da melhor maneira possível. Tivemos que nos reajustar e redefinir os formatos de administração e gestão, para nos adequar a essa nova realidade e cenário que o mercado tem oferecido”.

Reduz daqui, amplia de lá

Futuro em aberto
“Tivemos que nos reajustar e redefinir os formatos de administração e gestão, para nos adequar a essa nova realidade e cenário que o mercado tem oferecido”, afirma Túlio Bedeti, sócio-proprietário do GAM Asian Bar

Douglas Fujji é proprietário do restaurante Ventana, localizado em São Paulo capital. O empresários conta quais as medidas pretende tomar caso haja diminuição do público no espaço físico do restaurante, caso os prognósticos da pesquisa se confirmem.
“(Iremos trabalhar com) redução de custo fixo e trabalhar com um cardápio enxuto. O retorno dos clientes ao restaurante sempre será o objetivo, porém daqui pra frente o delivery é fundamental. (Pretendemos) ampliar o mix de ofertas e fazer parcerias com empresas menores, investindo em vendas online e catering”.

Abrasel
abrasel.com.br
GAM
www.facebook.com/gamasianbar
Ventana
restauranteventana.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

cinco + um =