Food Service contrata

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Nos últimos anos, o mercado de alimentação fora do lar cresceu no Brasil de forma expressiva. O aumento no número de pessoas que realizam suas refeições fora de casa, por exemplo, é um dos fatores, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 60 milhões de brasileiros.

Esse fenômeno pode ser explicado pelo fato de que o país vivencia a ascensão da classe C, a nova classe média, e o crescimento do número de mulheres que trabalham fora. Essas mudanças provocam alterações nos padrões de consumo e na dinâmica das refeições das famílias.

Soma-se a isso o fato de que, até 2016, o Brasil receberá eventos que atraem turistas locais e estrangeiros, a exemplo da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Naturalmente, estes eventos aumentam o fluxo de turistas e movimentam a economia. Consequentemente, a fim de atender às demandas do mercado de alimentação fora do lar, torna-se necessário investir em capacitação de mão de obra.

A cadeia de empregos do mercado de alimentação fora do lar é bem ampla, empregando na indústria, que envolve a área de pesquisa e desenvolvimento, produção, marketing, vendas e área comercial, até o final da cadeia, abrangendo os bares, restaurantes, hotéis, cozinhas industriais, redes de fast food e franquias.

Mercado aquecido

Com o mercado em expansão, não sobram profissionais do ramo desempregados. É o que afirma Giovanna Campos, coordenadora nacional de recrutamento e seleção da Allis, especializada em recursos humanos.

“Os profissionais com vivência neste ramo são muito valorizados”, diz. Giovanna constata que as vagas operacionais em inaugurações de lojas são difíceis de serem preenchidas. “Há carência de profissionais em algumas regiões, a exemplo da zona sul do Rio de Janeiro e de São Paulo, por serem áreas elitizadas”.

Ainda sobre os cargos operacionais, a coordenadora revela que faltam profissionais com o ensino médio completo, pré-requisito em muitos primeiros empregos. “Observamos que, cada vez mais, os jovens param os estudos ou postergam a formação no ensino médio”, diz.

Segundo Giovanna, muitas pessoas se interessam pelo ramo alimentício, em especial os profissionais que atuam em cargos administrativos e de apoio à gestão. “Nos pontos de vendas, também existe uma inclinação de promotores que querem migrar para o ramo alimentício”, diz.

As oportunidades administrativas de apoio à gestão, gerenciais e executivas buscam, na maioria das vezes, profissionais que já possuem experiência no ramo. “O que ocorre é a migração do profissional de uma empresa para outra do mesmo segmento”, justifica.

No entanto, falta certa qualificação entre os profissionais administrativos e de apoio à gestão. “Nestes casos, o que impacta negativamente é a falta de fluência no idioma inglês. Há muitos profissionais capacitados, tanto em termos acadêmicos quanto em experiência. No entanto, possuem inglês básico ou intermediário”, afirma.

Outra questão é que muitos profissionais que trabalham com alimentação não dão o devido valor ao food service. “Quando eles mudam de segmento, é dentro do varejo”, diz.

Investimento em consultorias

Tendo em vista o expressivo crescimento do mercado de alimentação fora do lar, a Nestlé Professional, departamento da Nestlé dedicado ao food service, trabalha desenvolvendo soluções que tornam os canais de vendas mais competitivos e transmitindo seus conhecimentos, sem deixar de lado as necessidades do consumidor final.

“A orientação estratégica da equipe de Professional é voltada para ajudar os estabelecimentos comerciais a buscar a profissionalização da prestação de serviços por meio de parcerias que aumentem sua capacidade produtiva, suporte para a padronização dos processos nas cozinhas e consultoria para a geração de novos negócios. Tudo isso contendo em seu portfólio produtos que levam marcas consagradas da Nestlé, a exemplo de Nescafé, Moça e Nescau”, informa a empresa.

Sendo assim, a empresa presta consultoria para os estabelecimentos com a finalidade de gerar negócios, otimizar a renda e as vendas. Os clientes recebem atendimento personalizado, realizado por consultores de marketing e chefs experientes de cozinha.

De acordo com a empresa, “a Nestlé Professional foi desenvolvida com base em quatro pilares de sustentação: valorização do cliente, criatividade, excelência e experiência. Nossos consultores gastronômicos são absolutamente capacitados para entender as necessidades dos clientes para que possam pensar junto com os mesmos em soluções rentáveis”.

A equipe de consultores tem por objetivos colaborar com o crescimento do negócio do cliente com marcas confiáveis e que contam com apoio em sua comercialização; oferecer vantagem competitiva através de produtos inovadores; manter o cardápio do cliente atrativo e atualizado; incrementar as vendas com novas estratégias, otimizando tempo e mão de obra para apoiar o cliente.

Parcerias em nome da capacitação

Por meio de parcerias, a Harald, referência em chocolates e coberturas no mercado Business To Business, oferece capacitações no ramo da gastronomia.

Em janeiro do ano passado, a empresa anunciou parceria com a Rede Laureate Brasil, que abriga instituições de ensino superior que oferecem curso de gastronomia. O objetivo do acordo é incentivar o uso do cacau fino brasileiro, de altíssimo padrão, no mercado gastronômico nacional.

Além disso, a parceria viabiliza trocas de experiências, conhecimentos, pesquisas, tecnologias e práticas entre a indústria e o universo acadêmico. Também abrange ações como cursos, workshops e degustações de produtos para alunos e público externo.

“As iniciativas conjuntas terão foco na aplicação prática e acadêmica para estudantes, nutricionistas, chefs, chocolatiers e toda a gama de público que trabalha e se interessa por gastronomia no Brasil”, explica Rosa Moraes, diretora de Gastronomia da Laureate do Brasil.

“Queremos levar essa experiência para todo o mercado brasileiro e mostrar que o país é capaz de produzir um chocolate composto de matéria-prima totalmente nacional com a mesma qualidade encontrada em qualquer lugar do mundo”, afirma Ernesto Ary, presidente da Harald. O executivo completa que serão ofertados cursos específicos sobre trufas, brigadeiros, sobremesas, utilização de coberturas de chocolates e afins. Estas atividades podem capacitar pessoas para terem uma fonte de renda extra ou principal.
Participam do projeto as seguintes universidades: Anhembi Morumbi, em São Paulo; Centro Universitário IBMR, no Rio de Janeiro; UNIFACS, Universidade Salvador, na Bahia; UNPBFPB – Faculdade Unida da Paraíba, na Paraíba; Faculdade dos Guararapes, em Pernambuco e a UnP – Universidade Potiaguar, do Rio Grande do Norte.

Em julho, a Harald anunciou parceria com o Institut National de la Boulangerie-Patissêrie, escola francesa que é referência mundial para profissionais de confeitaria e panificação.

Para selar a parceria, Jacob Cremasco, diretor comercial da Harald, assinou uma carta de intenções para apoiar a iniciativa da entidade francesa de abrir sua primeira escola no país. A empresa irá fornecer o chocolate que será utilizado nos cursos de formação de padeiros, confeiteiros e chocolatiers ministrados pelo INBP.

Primeiramente, o instituto irá promover cursos e palestras para empresas, entidades e grupos fechados, além de fornecer consultoria pedagógica, engenharia e análise de produtos para empresas do segmento de alimentos e panificadoras.

Depois, o Instituto vai realizar cursos profissionalizantes de curta e longa duração em sua escola, prevista para ser inaugurada em São Paulo até 2014. Esta será a primeira filial brasileira, que será localizada em um prédio de 3.800m². Até então, o INBP já investiu R$ 5 milhões no edifício, valor que pode chegar a R$ 20 milhões até a abertura da escola.

“A imagem do Brasil no exterior, o interesse dos brasileiros pelos cursos do INBP na França, a proximidade do país com a cultura europeia, a oferta de poucos cursos de capacitação nessa área e o crescimento da economia brasileira foram alguns dos motivos que nos estimularam a ter uma escola em São Paulo”, afirma Jean-Pierre Bernard, diretor do INBP Brasil. “Escolhemos o centro de São Paulo por ser um lugar de fácil acesso, culturalmente rico e que está passando por um processo de revitalização, elementos alinhados com os valores que são caros ao INBP: cultura, social e sustentabilidade”.

Da França para o Brasil, virão métodos e técnicas lá utilizados, professores franceses e brasileiros que se formaram pelo INBP na França. Com o objetivo de manter a qualidade do ensino e renome, o Instituto procura por mais parceiros locais que produzam matérias-primas com a mesma qualidade das europeias, tornando os produtos finais fiéis às receitas originais francesas.

Na visão de Jacob Cremasco, da Harald, a parceria contribui para a formação de profissionais capacitados, elevando a qualidade dos produtos brasileiros e tornando o nosso mercado cada vez mais competitivo. “É importante termos no Brasil uma escola deste porte, capaz de oferecer novas possibilidades de crescimento para os nossos profissionais”, justifica.

Cursos de panificação na Baixada Santista

Em parceria com a Escola APAS – Escola Paulista de Supermercados, a Nita Alimentos oferece, desde 2013, cursos gratuitos de aperfeiçoamento para profissionais que atuam nos setores de panificação e confeitaria nas redes supermercadistas da Baixada Santista, região carente destes profissionais.

As primeiras aulas, ministradas por técnicos de panificação da Nita Alimentos e pela culinarista Edivânia Reis, aconteceram no início do ano passado. As oficinas práticas de padaria e confeitaria foram realizadas no Centro Técnico Maria Helena Cechelli de Paiva, na sede da empresa, em Santos.

“Essa parceria proporcionará aos associados da APAS da Regional da Baixada Santista a capacitação do trabalho técnico exigido para as áreas de padaria e confeitaria, resultando no aumento da produtividade e diminuição do desperdício”, explica Pedro Celso Gonçalves, diretor de treinamento e desenvolvimento da Escola APAS.

Em janeiro, a primeira turma do curso de panificação e confeitaria formou doze alunos. Eles concluíram a grade naquele mês e receberam o certificado de participação. Ao longo do curso, os alunos aprenderam a trabalhar com receitas industriais de diversos tipos de pães doces e salgados, tortas, bolos e sobremesas.

Unilever contrata

O mercado, em especial as cozinhas, passou por mudanças nos últimos tempos. “No passado, os profissionais começavam a carreira como assistentes de cozinha e aprendiam tudo na prática. Atualmente, a figura do chef ou cozinheiro com formação técnica ou superior é mais comum”, constata Joana Fleury, diretora channel marketing do departamento Unilever Food Solutions, voltado para a alimentação fora do lar.

A diretora reconhece que a transição dos profissionais é intensa. “No Food Solutions, há muitos profissionais oriundos do varejo. Com o mercado aquecido, muitos profissionais fazem esta transição em busca de novos desafios. A experiência deles contribui para o desenvolvimento e profissionalização do setor”, diz.

Desenvolvimento, turnover e customização

Para Renata Holzer, gerente de marketing de food service da Vigor, o profissional do ramo deve reunir três pré-requisitos básicos: visão de negócios, bom networking e prazer por gastronomia.

“O food service ainda é muito pequeno comparado com o segmento de varejo e business to business. Portanto, os profissionais deste segmento ainda estão em processo de formação”, constata. No entanto, ela enxerga uma tendência mais otimista. “Atualmente, é mais fácil encontrar profissionais com interesse em trabalhar no food service, pois é um mercado que vem ganhando notoriedade graças a marcas e empresas profissionalizadas e bem-sucedidas”.

De acordo com Renata, dentro do food service, a área técnica é a que mais demanda profissionais e a que mais sofre turnover. “Esta é a área técnica que, na minha opinião, é o coração do negócio, pois concentra as pessoas que alavancam a rentabilidade dos estabelecimentos, levando as soluções para a cozinha e para o salão”, diz.

De acordo com a gerente, há mais de dez anos, o departamento de pesquisa e desenvolvimento trabalhava para atender o food service. “Hoje em dia, para atender os estabelecimentos, os produtos e os portfólios das empresas devem ser específicos e desenvolvidos com uma visão de rentabilidade e valor agregado direcionado para o negócio do cliente”, frisa.

Renata revela que há casos de clientes que demandam determinados produtos no food service. “Em algumas vezes, os produtos são desenvolvidos de forma customizada, ou seja, é moldado em parceria com o cliente e produzido apenas para ele”.

Vigor:
www.vigor.com.br

Allis:
www.allis.com.br

Nestlé:
www.nestle.com.br

Nita Alimentos:
www.nitaalimentos.com.br

Harald Chocolates e Coberturas:
www.harald.com.br

Unilever:
www.unilever.com.br

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