Flores comestíveis. Muito além da decoração

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Há de soar estranho alguém dizer que come flores e que, sim, muitas são comestíveis. Nos dias de hoje, ainda pode parecer estranho, quem sabe curioso, o consumo de flores, porém, muitas podem fazer parte da dieta de qualquer pessoa por serem gostosas, saudáveis e nutritivas. Além disso, enfeitam qualquer prato, seja numa salada, carne, massa, frutos do mar, entre outros. São variados os tipos de flores que podem ser usados na culinária. O que vai depender é o sabor de cada espécie e a melhor receita em que elas se encaixam, seja para ornar, seja para comer. O apropriado é que o uso da flor para fins gastronômicos seja de procedência segura, sem uso de aditivos químicos durante o processo de cultivo, para que não haja prejuízo ao organismo. Da mesma forma que hortaliças e ervas frescas são diariamente comercializadas e apreciadas, o mercado de flores comestíveis está buscando o seu lugar sendo mais uma opção ao consumidor. Diversos produtores investem nesse ramo cultivando e comercializando as melhores e mais saborosas flores.

Visual

“Já ouviu o ditado ‘comer com os olhos’? Pois é, o apetite sempre começa pelo visual”, pontua Deborah Orr Cheung, proprietária da Dro Ervas e Flores. Com 19 anos de mercado, no começo a empresa trabalhava apenas com ervas condimentares, já com foco em decoração de pratos. Eventualmente, com o desenvolvimento da própria gastronomia, expandiu a linha para flores comestíveis e brotos. Os produtos são enviados para todo o país e entregados pessoalmente em algumas regiões da capital paulista. A proprietária conta que a gastronomia é sua paixão, e se puder de alguma forma embelezar ainda mais os deliciosos pratos de seus parceiros, faz com toda a dedicação. “Nossas flores são cultivadas sem nenhum agrotóxico, colhidas uma a uma, com seleção rígida de qualidade. Diferentemente do que se possa imaginar, o inverno é a época do ano em que temos as mais lindas flores comestíveis.”
As flores da Dro Ervas e Flores são comercializadas em caixinhas de plástico numa folha de isopor furada. Elas são colocadas uma a uma. A empresa tem flores de menos de meio centímetro e de até 10 centímetros de diâmetro. “Todo nosso ciclo faz questão de respeitar a natureza e seu desenvolvimento com o mínimo de interferência humana”, explica Deborah. A proprietária indica as flores comestíveis principalmente em sobremesas.

Tendência

A Fazenda Maria faz parte do grupo Frangoeste, que está há mais de 30 anos no mercado granjeiro e açucareiro. Há 10 anos, a empresa resolveu cobrir uma nova tendência no mercado brasileiro – o das  flores comestíveis. O foco inicial foi a alta gastronomia paulistana, muito carente na época de flores europeias e diferenciadas para a culinária. “Começamos a seguir uma tendência muito forte na Europa e Estado Unidos e disseminamos o cultivo de novas espécies de flores comestíveis ainda não produzidas no Brasil. O sucesso foi tão grande que logo estávamos atendendo todo o país, não só com as flores, mas com brotos, ervas aromáticas e babies leaves (folhas jovens de hortaliças). Nossos produtos são selecionados, higienizados e prontos para o uso. Costumo dizer que vendemos o ‘filet’ das ervas”, introduz Deborah Gaiotto, diretora comercial da Fazenda Maria.

Hoje, a empresa trabalha com mais de quarenta tipos de flores comestíveis. Tem as mais tradicionais (minirrosa, calêndula, capuchinha, amor perfeito); as mais diferenciadas (flor de mel, verbena, begônia, kalanchoe, flores do campo); exóticas (miniorquídeas, borago); picantes (jambu – que proporciona uma leve dormência na boca); e até as mais aromáticas como flores das ervas (alecrim, manjericão, tomilho). Deborah informa que vendem a cada quarenta unidades e elas podem ser utilizadas de várias formas. “Tanto em pratos doces como em salgados, varia muito da criatividade de cada chef. Por exemplo: temos a cravina que é uma flor mais adocicada e combina muito com salada de frutas; o borago que tem um leve sabor de ostra e pode ser combinado com um risoto de frutos do mar; o jambu usado numa salada de rúcula para elevar ainda mais a picância; e até a violeta de cheiro, que pode ser cristalizada e servida acompanhando um café”, diz. “A Fazenda Maria produz as flores com o mesmo processo de produção das hortaliças e ervas”, salienta.
Hoje em dia, elas já são bem mais conhecidas. Há cinco anos, a surpresa dos consumidores era muito maior. Diziam alguns: “Posso comer mesmo?”. Atualmente, a aceitação é muito maior e a procura é por uma culinária mais sofisticada e saborosa. As flores agregam não só beleza, mas também sabor ao prato. “É uma explosão de sentidos dentro de uma refeição. Podemos dizer que ‘comemos com os olhos’”. O consumo delas vem crescendo a cada ano, contudo, elas ainda são procuradas mais como uma decoração – um plus – assim como os brotinhos. A diretora comercial da Fazenda Maria conta que 90% de seus clientes são restaurantes de alta gastronomia e buffets mais sofisticados, os outros 10% ficam para o consumo doméstico.

Comercialização

A Ervas Finas fornece, há 21 anos, ervas, folhagens especiais, flores comestíveis e minilegumes para a alta gastronomia. “Nós mesmos plantamos a grande maioria dos produtos e já fornecemos os produtos higienizados e embalados para os melhores restaurantes, hotéis, buffets e mercados”, diz Annette Heuser, proprietária da empresa. Eles possuem, no momento, oito variedades no catálogo. A embalagem padrão é uma caixa acrílica com 40 flores cada, em uma bandeja de isopor furada para as pétalas não quebrarem. São produzidas sem agrotóxicos e conservadas sob refrigeração. As flores têm validade de cinco dias. Quando começaram com a produção de flores comestíveis, as pessoas ainda tiveram receio de comê-las. Elas eram mais usadas como decoração e raramente consumidas. “Hoje, o consumidor é mais curioso e ousado. Experimenta tudo. O perfil de quem as consome é de alguém que aprecia a alta gastronomia, quem gosta de experimentar sabores diferentes.”

Segmento

A história da Isla Sementes teve início em 1955. Na época, o segmento de sementes de hortaliças no Brasil era exclusividade das multinacionais, sendo a Isla a pioneira desse mercado também na América Latina. A empresa é especialista em sementes de hortaliças, flores, ervas e temperos. A Isla possui mais de 600 sementes diferentes. Nesse sentido, a empresa atinge todos os elos da cadeia de alimentação saudável, de produtores e varejistas até os consumidores finais. Para alcançar o objetivo de atingir todos esses elos da cadeia, a empresa iniciou o desenvolvimento genético (Isla), passando pela produção (agricultor), pela comercialização (varejo) até chegar ao cliente final (consumidor de hortaliças).

A companhia disponibiliza uma ampla linha de flores comestíveis que contempla diferentes cores, aromas e sabores – são mais de 35 variedades. “Entre elas, destacam-se as pétalas rosas pelo seu aroma e sabor adocicado e ligeiramente ácido, ótimas para doces, bolos e saladas; as begônias de sabor ácido parecido com limão; as capuchinhas que dão toque picante e levemente apimentado, que lembra muito o sabor do agrião; as flores de abóbora adocicadas e com gostinho de girassol; a amor-perfeito que, além de decorar e colorir pratos, tem sabor adocicado inigualável. Essas, entre outras, darão um toque especial para um cardápio mais ousado”, lista Sthefânia Handler, analista de marketing da Isla.

As sementes de flores comestíveis são vendidas na linha de envelopes Multi. Todas as embalagens garantem boa conservação das sementes, são aluminizadas e impermeáveis. Além disso, os sachês são colocados dentro dos envelopes, de forma a preservar ainda mais a qualidade de suas sementes, não permitindo a entrada de umidade e deixando-as secas – condição fundamental para o produto. A analista diz que uma dica importante é guardar as embalagens de sementes em locais frescos e secos. O peso líquido das embalagens varia conforme a espécie. Quanto à produção das sementes, a empresa possui um campo de produção situado em Candiota (RS) onde é feita 75% da sua produção própria. Apenas 15% das sementes são importadas.

No Brasil, as flores comestíveis vêm ganhando força nos últimos tempos. Restaurantes buscam cada vez mais por variedades. “Há quem pense que as flores comestíveis sejam uma recente novidade, porém, o hábito de consumi-las existe há muito tempo, desde a década de 1940. Com o passar do tempo, ganharam espaço nas mesas dos restaurantes. Sua principal vantagem é tornar os pratos mais atrativos e proporcionar sabores únicos na culinária. “Por se tratar de uma tendência, a procura por sementes vem crescendo cada vez mais e, por isso, é o momento ideal para quem busca comercializá-las ou produzi-las”, destaca Sthefânia Handler, analista de marketing da Isla.

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