Estudar fora para crescer

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Intercâmbios voltados para o ramo de alimentação fora do lar contribuem satisfatoriamente para o amplo crescimento dos profissionais do setor

Estudar fora para crescerUma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta) no início de abril do ano passado apontou que o número de brasileiros que procuram complementar sua formação no exterior por meio de um intercâmbio cresceu 20,46% entre o período de 2017 e 2018. Ao todo, só em 2018, 365 mil pessoas embarcaram para experiências de estudo e trabalho no exterior. Já em 2017, foram registrados 302 mil intercâmbios. Com isso, estima-se um movimento financeiro de 1,2 bilhão de dólares.
O mesmo levantamento mostrou ainda que os brasileiros estão estudando, majoritariamente, em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Malta. Além disso, foi descoberto que a preferência nacional é por intercâmbios relacionados a cursos de idiomas, seguidos pelos cursos de idiomas com trabalho temporário, cursos de férias para adolescentes, cursos de graduação e os chamados programas de high school, em que os estudantes brasileiros fazem parte dos seus estudos do Ensino Médio em uma instituição estrangeira.
Paralelamente a esse contexto de expansão, o intercâmbio também tem sido muito procurado por profissionais de diferentes ramos, com destaque para o de food service, como uma maneira de se diferenciarem perante um mercado que só cresce e, por isso, está cada vez mais competitivo.

Opções

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“A pessoa que vai e volta de um intercâmbio nunca é a mesma”, afirma Edwar Remolina, consultor operacional da Egali Intercâmbio

De olho nesse expressivo aumento do interesse do brasileiro de uma maneira geral pela experiência do intercâmbio, assim como especificamente dos profissionais ligados ao mercado de alimentação fora do lar, as agências especializadas nesse serviço já oferecem diferentes opções de programas de intercâmbios.
Edwar Remolina é consultor operacional da Egali Intercâmbio e conta que a empresa oferece aos intercambistas todos os serviços requeridos para programar uma viagem de estudos com sucesso. “A Egali Intercâmbio é a maior agência de intercâmbio da América Latina. Nosso foco é o ensino de idiomas no exterior. Atualmente, ofertamos mais de quarenta destinos ao redor do mundo, dando ao aluno a opção de escolher entre programas de línguas, programas de estudo com permissão de trabalho, preparatórios para exames internacionais, programas teens, idioma com foco em profissões etc. Além disso, fornecemos, gratuitamente, suporte nos processos imigratórios e temos acomodações próprias ou em parceria em mais de dez países, seguro de saúde, compra de moeda estrangeira, passagens aéreas etc. Ou seja, tudo o que um aluno precisa para iniciar esse projeto de vida pode contratar conosco”, detalha.
Ainda segundo Remolina, “é de interesse da Egali ofertar programas para todo tipo de aluno e profissões. No caso da gastronomia e culinária, temos programas nas cozinhas mais renomadas do mundo, Itália, Espanha, França, Austrália e Chile (focado na degustação de vinhos). Os cursos na Itália, por exemplo, são dirigidos a quem quer aprender a preparar alguns pratos típicos da culinária italiana e melhorar seus conhecimentos sobre os vinhos. Na Espanha, o aluno aprende tanto da cozinha mediterrânea, como a espanhola. Na França, o aluno pode descobrir os segredos da gastronomia francesa com verdadeiros chefs. Na Austrália, os cursos oferecem aos alunos uma ampla seção transversal de conhecimentos teóricos e treinamento de habilidades práticas em cozinhas comerciais totalmente equipadas, garantindo que os alunos estejam prontos para a sua carreira como chef comercial”, explica.
Thiago Carvalho é consultor de educação internacional e viagens da Speed System e partilha que a agência oferta “cursos de intercâmbio em diversos países. Estudo geral dos idiomas, cursos de high school, profissionalizantes (college, pós-graduação, bacharelado), curso para maiores de 30, 40 e 50 anos, curso de férias para adolescentes, cursos amadores de fotografia, culinária, moda, intercâmbio para a família, trabalho voluntário etc. Temos escolas parceiras que oferecem cursos de culinária na França e na Espanha, mas nada profissionalizante e, sim, amador e de curta duração”, pontua.
Já Juliana Cançado é coordenadora de vendas de intercâmbio da World Study BH, que também conta com várias opções de intercâmbios voltadas aos interessados na área food service. “Além dos programas de curso no exterior, oferecemos cursos de graduação, pós-graduação, mestrado, programas de estudo e trabalho, bolsa acadêmica, trabalho como au pair (babá), trabalho remunerado para universitários etc. Trabalhamos ainda com programas acadêmicos que possibilitam ao estudante viver a experiência na área de hospitality, tal como food service, alimentação etc. Temos parcerias com diversas escolas renomadas, sendo uma delas a Le Cordon Bleu, onde o estudante pode fazer um curso completo de gastronomia ou módulos específicos de um determinado programa na área de culinária”, diz.

Custos e benefícios

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“Para quem faz um curso específico na área de food service, volta com um currículo excelente, podendo empreender”, enfatiza Juliana Cançado, coordenadora de vendas de intercâmbio da World Study BH

Com tanta procura e opções de estudo no exterior, saber quais são, realmente, os benefícios de se fazer um intercâmbio é primordial. Até porque o investimento em estudar fora não é baixo e requer dedicação tanto de tempo quanto física e mental.
De acordo com Remolina, da Egali Intercâmbio, “o custo e duração variam de país a país. Na Europa, por exemplo, é o aluno quem decide quanto tempo quer ficar e quanto dinheiro quer investir na sua preparação. Na Austrália, os programas têm duração e preço fixo. É importante ressaltar que esses cursos têm datas de início específicas. Os valores na Europa são a partir de EUR 850 para duas semanas de culinária com curso de idioma incluído, mas sem acomodação e sem passagem aérea. No caso da Austrália, a partir de AUD 5000 para seis meses de curso e também sem incluir demais serviços como passagem aérea ou acomodação. Um dos grandes diferenciais é que esses programas são 100% práticos e dados por chefs ou profissionais renomados nesses destinos. Então, a quantidade de informação, conhecimento e dicas que o aluno vai adquirir é extremamente válida, além da possibilidade de conhecer pessoas do mundo todo com os mesmos objetivos, aumentando o networking do aluno. Trocar experiências dará um conceito mais amplo da mesma profissão e mostrará ao aluno como ela é vista no mundo todo, preparando-o para o mercado de trabalho internacional”, avalia.
Para Remolina, “a pessoa que vai e volta de um intercâmbio nunca é a mesma. Independentemente da finalidade, ele muda completamente a visão que o aluno tem do mundo e até das suas próprias convicções. Ele voltará ao seu país de origem com ideias mais claras sobre sua profissão, pois compartilhar experiências com quem tornou a gastronomia e culinária sua paixão e se dedicou para ser um dos mais renomados servirá ao aluno como exemplo e inspiração. O fato de sair da sua zona de conforto para qualificar-se no exterior é muito bem visto por qualquer empresa no mundo, pois demonstra que o aluno realmente quer ser bom no que faz e foi atrás de mais conhecimento para aspirar a ter cargos melhores ou, em casos mais ambiciosos, para criar seu próprio negócio. Todos sabemos como são respeitados e bem pagos os chefs no mundo. Então, por que não se esforçar e investir para ser um deles? Ter o mundo na cabeça nos permite tomar decisões mais assertivas devido ao processo de autoconhecimento que se inicia. Podemos ser mais úteis nas nossas empresas, dar opiniões com mais propriedade. O mesmo cérebro tira a visão simplista que tínhamos de muitas coisas, o que nos faz profissionais mais produtivos e competitivos. Pouco a pouco, também vamos nos tornando exemplo para outros profissionais. Uma vez li uma frase que me chamou muito a atenção: ´o intercâmbio pode te tornar ‘a pessoa certa’ para o emprego dos sonhos’. Acredito que todos estamos cientes que transformar-se na ‘pessoa certa’ é um objetivo cada vez mais desafiador. Os ambientes de trabalho mudam todos os dias e com eles as exigências para cada cargo. É por isso que as famosas soft skills (habilidades como autoconhecimento) tornam-se cada vez mais importantes. Além disso, os empregadores valorizam muito o fato de o aluno ter se enfrentado a outro idioma e outra cultura, pois isso o faz um cidadão global responsável pelo mundo como um todo”, enfatiza.
Estudar fora para crescerCarvalho, da Speed System, complementa que a média de custo e tempo de duração de intercâmbios voltados para profissionais “varia e muito. Cada área tem o seu tempo de duração, mas todos, com certeza, trazem aprendizado de um outro idioma, vivência no exterior, conhecimento de novas culturas, países e a oportunidade de conhecer pessoas de todo o mundo. A oportunidade de fazer um intercâmbio abre a visão de mundo para a pessoa. O crescimento pessoal e profissional é enorme, sem contar o networking que é feito. Atualmente, nesse mundo globalizado em que vivemos, quem tem a experiência de viver fora do Brasil tem um ‘plus’ em seu currículo. Seja um certificado de nível de um idioma extra confirmado, ou até mesmo um diploma em uma instituição de ensino de um outro país, tem um valor diferenciado”, garante.
Já Cançado, da World Study BH, reforça que “o valor depende muito do destino, duração, programa etc. Programas acadêmicos, como graduação, pós e mestrado, duram cerca de dois a quatro anos e são pagos anualmente. O aluno pode conseguir alguns descontos e bolsas dependendo do seu desempenho. Por isso, os valores são bem alternados. Em cursos voltados para profissionais, além de melhorar o idioma, o aluno tem a oportunidade de enriquecer o currículo através de aulas acadêmicas e práticas. Nesses programas, o aluno escolhe uma área específica e o curso é focado nessa área, podendo ter aulas práticas, além das teóricas. As áreas mais comuns são administração, culinária, gestão, turismo, marketing, entre outras. Os cursos geralmente possuem duração de seis meses a um ano, podendo ser estendido após esse período. São inúmeros ganhos. Podemos citar o amadurecimento como o principal deles. O intercâmbio ajuda o estudante a ‘se virar’ sozinho, passar por dificuldades, resolver seus problemas sozinho etc. Fora isso, ele aprende o idioma do destino e conhece a diversidade cultural do mundo. Para quem faz um curso específico na área de food service, volta com um currículo excelente, podendo empreender no ramo no mercado brasileiro posteriormente”, indica.

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