Em todas as mesas

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Consumo do pão francês é alto no País e continua crescente. No entanto, é preciso estar atento a várias características do produto para atender as exigências dos consumidores

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), no ano de 2019, a média de consumo do pão francês no Brasil foi de nada menos do que 704,7 toneladas por mês. Esse número representara um crescimento de 7% em relação ao ano anterior. Mas o que explica o sucesso estrondoso e crescente do produto no País?

Alimento acessível

Osmar Kimura é gerente de panificação da Coop. Ele fala sobre a que se deve essa preferência do brasileiro pelo pão francês por tanto tempo.

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“A principal estratégia é fornecer ao consumidor um produto sempre fresco com sensação de pão quentinho saindo do forno a toda hora”, diz Osmar Kimura, gerente de panificação da Coop

“O pão francês é um alimento acessível a todas as camadas da população e tem uma tradição muito forte no Brasil. O produto é muito versátil e cai bem com vários recheios, tais como mortadela, presunto, requeijão, ovo, doce de leite, banana, carne, linguiça etc. Na Coop, produzimos mensalmente cerca de 2,5 milhões de unidades e foi graças a essa grande procura, que em março de 2020, lançamos uma nova receita assinada pelo chef José Luis Gioio, supervisor de produção da Central de Panificação, em parceria com Luiz Farias, da Academia Bunge, eleito em 2016 o melhor pâtissier do mundo pela International Union of Bakers and Confectioners”, destaca ele.

Osmar Kimura conta as ações da Coop para atrair e fidelizar clientes. “Temos uma receita exclusiva onde nos diferenciamos do mercado, pois usamos fermento natural na composição. A principal estratégia é fornecer ao consumidor um produto sempre fresco com sensação de pão quentinho saindo do forno a toda hora”, diz ele.

O gerente de panificação da Coop destaca ainda os principais benefícios de se trabalhar com o pão francês. “Pão francês é o principal produto em vendas de uma padaria, ele traz fluxo para o supermercado, onde o cliente diariamente vem buscar o pão e acaba levando algum produto que necessita. O pão francês é o mais amado e requisitado entre os mais de 100 tipos de pães encontrados no mercado brasileiro”, afirma ele.

Osmar Kimura também fala sobre os cuidados a serem tomados em todo o processo que envolve o pão francês. “O pão francês, apesar de simples, requer cuidados desde a fabricação do produto até a exposição. Seguimos à risca o processo de produção com ingredientes de alta qualidade, após isso, fazemos a fermentação e assamento no tempo correto e agora é só esperar ‘craquelar’ e expor na área de vendas”, afirma ele.

Cultural

Arthur Benevides, gerente comercial regional de moinhos da M. Dias Branco, fala sobre a popularidade do pão francês no Brasil, destacando a versatilidade como ponto-chave.

“No Brasil, o consumo de pão se popularizou depois do século 19. Com a vinda dos italianos para o Brasil, no início do século 20, a atividade de panificação se expandiu e o produto passou a ser essencial na mesa do brasileiro até hoje. É o alimento preferido dos brasileiros dada a sua versatilidade, afinal, pode ser usado como complemento em sopas, como sanduíche, com manteiga, entre tantas formas em que o seu consumo é notado em todo o Brasil”, afirma ele.

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Arthur Benevides, gerente comercial regional de moinhos da M. Dias Branco, fala sobre a popularidade do pão francês no Brasil, destacando a versatilidade como ponto-chave

Para Arthur Benevides, o principal ponto do sucesso do produto é sua qualidade. “O sucesso está na qualidade, resultado da receita, cujo principal ingrediente é a farinha de trigo. Como a qualidade das farinhas varia de ano para ano, o segredo dos grandes produtores, como a M. Dias Branco, para que o produto que chega aos transformadores ou à casa do consumidor final não sofra alterações é o blend, ou seja, a mistura de trigos nacionais ou importados de duas ou mais safras. O blend define não apenas a qualidade dos pães, mas impacta em todo o processo de produção, buscando a melhor performance para o produto final. Pode interferir também em aspectos finais do pão, incluindo a coloração, a crocância e o sabor. O resultado é um pão de qualidade e fresquinho. Além disso, ter uma boa mão de obra qualificada é essencial para que o pãozinho tenha todos os aspectos definidos. Como não cair no gosto do brasileiro?”.

De acordo com Arthur Benevides, trabalhar com o pão tem como benefício sua popularidade já assegurada. “O próprio pão já tem por si só um apelo de consumo muito forte, afinal, trata-se do alimento mais consumido no Brasil e no mundo, de maneira que o consumo é contínuo e o negócio tende a ser muito bem-sucedido, sobretudo quando as padarias entram no contexto de se reinventar, acelerando o processo de inovação e buscando oportunidades como diferencial competitivo, a partir de parcerias com empresas de outros segmentos, promovendo ações de marketing nas mídias sociais para estimular o consumo dos pães”, afirma ele.

O gerente comercial regional de moinhos da M. Dias Branco fala ainda sobre os principais cuidados a serem tomados na produção de pães. “É fundamental que a padaria siga as boas práticas de alimentação e higiene, respaldada pela Legislação de Segurança Alimentar. Adicionalmente, como já dito, o uso de matérias-primas de qualidade potencializa a qualidade e o sabor do produto”, afirma.

Arthur Benevides cita o pão na história e sua presença massiva em diferentes locais e culturas por todo o mundo. “O pão é consumido por todas as classes sociais e se trata de um dos alimentos mais democráticos que existem. Inclusive, é um entendimento universal que o pão é um alimento nobre, o mais popular do mundo, consumido em todas as sociedades ao redor do planeta, das classes sociais mais favorecidas às mais carentes. Ao longo do tempo, desde a Mesopotâmia, sua produção foi sendo modificada e diversificada, seguindo as tendências de consumo e obedecendo critérios étnicos, religiosos, respeitando a diversidade de sabores e paladares ao redor do mundo, até chegarmos aos padrões atuais. O fato é que o pão faz parte da rotina de maneira expressiva, como um verdadeiro item cultural das pessoas, adaptando-se a hábitos distintos de consumo”, afirma.

Demanda

Axel Bouley, um dos fundadores da France Panificação, fala sobre a grande demanda do pão francês no Brasil e no mundo, classificando-o como o alimento de mais fácil acesso, independentemente da classe social do consumidor.

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“Em resumo, é um pão que o padeiro deve assar várias vezes no decorrer do dia para ter um produto ‘extrafresco’ para procurar manter a qualidade do produto”, afirma Axel Bouley, um dos fundadores da France Panificação

“O pão em si tem muito significado, podemos até dizer que é um dos principais alimentos ou de mais fácil acesso em todas as classes, é um produto que carrega muitas histórias”, diz ele. “As pessoas se reúnem para se alimentar, inclusive no café da manhã; café da manhã precisa ter pão, molhar o pão no café e sentir o cheirinho de manteiga derretida, que sensação boa… Um caldo com pão também, o temperinho que fica no pão, quantas texturas e sabores…”, destaca ele.

Quando o assunto é a principal dificuldade de se trabalhar com o pão francês, Axel Bouley afirma que lidar com a necessidade de se oferecer um produto sempre fresco é um desafio para os padeiros.

“A principal dificuldade é que o produto deve ser fresco, já que a qualidade diminui muito rapidamente com o tempo, a durabilidade dele é de quatro horas para ter as características que o cliente exige, crocante por fora e macio por dentro. Em resumo, é um pão que o padeiro deve assar várias vezes no decorrer do dia para ter um produto ‘extrafresco’ para procurar manter a qualidade do produto”, afirma ele.

Coop
www.portalcoop.com.br
M. Dias Branco
mdiasbranco.com.br
France Panificação
www.francepanificacao.com.br

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