Eles querem preço!

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Eles querem preço!

Pesquisa da Sodexo mostra que 67% das pessoas que voltaram a trabalhar presencialmente estão mais preocupadas com o quanto vão gastar para almoçar

O fator preço é cada vez mais importante para os trabalhadores na hora de escolher onde e o quê almoçar. Isso é o que mostra uma pesquisa da Sodexo intitulada “O futuro da vida no trabalho”. O estudo foi realizado em parceria com Harris Interactive, empresa americana de pesquisa e análise de mercado, em nove países, incluindo o Brasil, revelando mudança nos hábitos alimentares dos trabalhadores durante o expediente.

Em suma: 85% dos colaboradores preparam suas refeições quando trabalham em casa e 49% pedem delivery. Trabalhando presencialmente, o critério de decisão na escolha do almoço leva em consideração preço e descontos. Em home office, a refeição saborosa é a prioridade.

A pesquisa constatou que os colaboradores, quando trabalham presencialmente, priorizam preço e descontos durante o almoço (67%), seguido de conveniência como pague e retire, o “take away” (42%). Quando trabalham em casa, no entanto, optam por uma alimentação mais saborosa (64%) e, em segundo lugar, buscam a saudabilidade (45%).

Segundo Tomaz Henrique Peeters, diretor de Marketing, Estratégia e Relacionamento com Clientes de Serviços Corporativos da Sodexo On-site Brasil, a maioria das pessoas começou a cozinhar em casa, tanto para manter o distanciamento social quanto para economizar, durante a crise sanitária, e descobriu o quanto isso pode também trazer benefícios para a saúde.

“O período de isolamento incentivou as pessoas a cozinharem mais aos finais de semana para descongelar as refeições, aos poucos, durante os dias de trabalho. No home office, essa estratégia facilita a rotina, e otimiza o tempo, além da escolha consciente por uma alimentação mais nutritiva durante o expediente. Depois de dois anos, isso se transformou em um hábito e a tendência é que este permaneça”, analisa o executivo.

De acordo com Patrizia Garuzi, gerente de Inteligência de Mercado da Sodexo Benefícios e Incentivos, entender as mudanças de comportamento dos trabalhadores é estratégico para que o gestor de recursos humanos apresente soluções que, de fato, atendam a nova jornada profissional do colaborador.

“É importante que a empresa monte um portfólio de benefícios que dê flexibilidade ao colaborador, podendo ajustar o saldo em Alimentação ou Refeição conforme a sua necessidade. Caso ele esteja mais presente no escritório, pode usar a modalidade ‘refeição’ e almoçar no restaurante. Quando está em casa, o “alimentação” para fazer compras no supermercado e preparar sua própria refeição também é possível”, explica.

A pesquisa “O futuro da vida no trabalho” tem como objetivo compreender o impacto da pandemia na vida dos trabalhadores, incluindo repensar o conceito de “qualidade de vida”, trabalho remoto, ambiente de trabalho e aspectos que permeiam o cotidiano da jornada profissional.

O que fazer?

A pesquisa da Sodexo mostra a grande preocupação do brasileiro com o quanto vai gastar para almoçar. Porém, isso esbarra na atual situação do Brasil, com desafios como a inflação e a perda do poder de compra, entre outros fatores. O que o setor do food service pode fazer diante deste cenário?

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“Os restaurantes vivem um segundo drama após o da pandemia. Há aumento de juros, preços de alimentos, combustíveis…”, diz Percival Maricato, da Abrsel

Percival Maricato, diretor institucional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP), diz que bares e restaurantes, bem como estabelecimentos similares, devem continuar controlando custos, evitando desperdício, comprando apenas o essencial, alterando cardápios para excluir produtos cujos custos disparam, treinando equipe, enfim, aperfeiçoando a gestão, fazendo marketing agressivo, economizando cada tostão, renegociando etc.

“Os restaurantes vivem um segundo drama após o da pandemia. Há aumento de juros, preços de alimentos, combustíveis… Os consumidores perderam empregos e renda, continuam lesados e, como os custos aumentam, e os donos de restaurantes não conseguem repassá-los para os preços dos cardápios, persistem sobrevivendo sem margens de lucro, sem conseguir pagar dívidas feitas na pandemia com trabalhadores, bancos, fornecedores, fiscos municipal, estadual e federal, distribuidores de energia e outros credores. Muitos continuam quebrando e outros passando à informalidade. Pode-se acrescer nas dificuldades à instabilidade institucional e à insegurança jurídica, causadas pelo governo”, diz ele.

Percival ainda explica que as empresas estão retomando gradualmente o serviço presencial e pelo menos o faturamento do almoço tem melhorado, mas persiste a dificuldade de obter margens de rentabilidade significativa.

“Quanto ao jantar, continua prejudicado em boa parte, como dito, pela perda de renda dos empregados que eram mais bem pagos e que conforme pesquisas perderam pelo menos 10% da renda salarial. Há que se acrescer a questão da insegurança e da violência, que faz com que 2/3 das pessoas das grandes cidades tenham medo de sair à rua à noite”, comenta.

Oferecer valor em tudo dentro de um restaurante

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Davi Filho, chef do Doma House, diz que as pessoas têm um monte de restaurantes para colocar o dinheiro e decidiram ir até o Doma: “Então temos a obrigação de dar a elas o nosso melhor todos os dias”

O chef Davi Filho, do Doma House, casa dedicada a uma gastronomia bem aberta, localizada em Duque de Caxias (RJ), destaca a importância de o cliente perceber valor em tudo.

“Entendemos que estamos na era da experiência. Temos que fazer o cliente perceber valor em tudo, desde o ambiente, comida, bebida gelada, atendimento… As pessoas têm um monte de restaurantes para colocar o dinheiro e decidiram vir até a nossa casa, então temos a obrigação de dar a elas o nosso melhor todos os dias”, considera.

A maior parte dos clientes do almoço no Doma é composta de funcionários de empresas. “Temos muitos escritórios, hospitais, consultórios perto da gente”, diz Filho.

Foco no presencial, sem esquecer do digital

Hermes Bernardo, CEO e fundador da FiChips Food, maior

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“Para atração de clientes, aplicamos os combos do dia, assim como o programa fidelidade destaca”, Hermes Bernardo, CEO e fundador da FiChips Food

franquia do Brasil especializada na culinária inglesa (venda de peixe empanado e batata frita), diz que “por mais que vivemos momentos difíceis, e ainda enfrentamos a Covid-19, temos uma demanda reprimida e a gastronomia traz entretenimento. Notamos um aumento da nossa demanda aos finais de semana e happy hour. Agora, o desafio é se moldar a nova realidade econômica para os períodos que de fato são mais baixos. Acredito que aquilo que não propõe desafio não lhe move. É necessário criar ações inteligentes e trazer novos clientes com margens menores que podem ser válidos para médio prazo para uma fidelização”, afirma.

Quando se fala apenas de preço, Hermes comenta que, obviamente, é um atrativo, mas o mais importante para o CEO é a entrega, o valor entregue, uma boa experiência, bom atendimento, qualidade nos produtos.

“As pessoas buscam muito isso hoje e já colocam na balança não só o fato do preço. Para atração de clientes, aplicamos os combos do dia, assim como o programa fidelidade, que após a aquisição de um determinado número de produtos ele ganha outro produto”, conta.

Hermes explica que a rede sempre orienta o franqueado a fazer o trabalho street e partner (rua e parceiro). “Fazer essas parcerias com empresas e proporcionar desconto para os colaboradores. Exemplo das nossas operações em shopping centers, onde a franquia tem unidades implantadas, é colocado à disposição o cardápio de lojistas (trabalhadores locais), com descontos de até 20% em todos os itens do cardápio, inclusive nos pratos executivos. Lembrando que todas as unidades disponibilizam o programa de fidelidade proporcionando uma gratuidade a cada 10 consumos, ideal para o público que precisa de boa alimentação a preço justo”, diz.

“Os restaurantes tiveram de fato que reajustar seus preços, porém as ações de sell-out (venda que é realizada diretamente ao cliente final) se fazem extremamente necessárias, como as promoções e fidelizações, trazendo o desafio da pandemia com a importância de trabalhar mais o digital. Muitos restaurantes não se importavam com delivery justamente por terem recorrência de empresas próximas em seu PDV e não investiam até então na internet e vendas delivery. Gosto muito de uma frase de Bill Gates que diz: ‘Em alguns anos vão existir dois tipos de empresas: as que potencializam seus negócios pela internet e as que estão fora dos negócios’”, destaca Hermes.

Marcas famosas com preços que se adequam a todos os bolsos

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Alex BX, da ICM, diz que “se hoje o consumidor tem como foco o custo-benefício, vamos buscar atendê-lo da melhor forma”

“As marcas precisam se adequar para atender bem o consumidor, não o contrário. Se hoje o consumidor tem como foco o custo-benefício, vamos buscar atendê-lo da melhor forma, pois visamos sempre entregar a melhor experiência, sem deixar nenhum dos atributos de lado: qualidade, conveniência, serviço e preço. Nossas principais marcas presentes em shoppings, como KFC e Pizza Hut, possuem um portfólio amplo que se adequa a todos os bolsos. Estamos constantemente trabalhando para oferecer o melhor custo-benefício aos consumidores, em especial em momentos de cenários econômicos mais desafiadores, como o atual”, conta Alex BX, CMO da International Meal Company (IMC), uma das maiores empresas do varejo de alimentação do Brasil.

Para Alex, o país vive um momento em que o consumidor está cada vez mais crítico quanto ao que de fato está consumindo – sua qualidade, procedência e custo-benefício.

“Um dos mercados mais importantes para nós, nos períodos de almoço, são as praças de alimentação dos shoppings. Estamos constantemente criando promoções, combos e lançando novos produtos que entregam quantidade e qualidade por um valor acessível”, afirma.

As marcas do grupo estão localizadas na maioria dos shoppings das principais capitais do Brasil. “Esses locais abrigam ou ficam próximos de centros comerciais e escritórios, logo é comum que no horário do almoço nossas lojas recebam movimento de funcionários de empresas”, conta o CMO.

Para esse público-alvo, as opções variam muito de acordo com as marcas do grupo. Elas contam com um vasto portfólio para todos os gostos, bolsos e estilos de vida.

“O KFC, por exemplo, está oferecendo novas opções de lanches – como o Chicken Crunch e o Chicken Coronel – a R$ 9,90/cada para quem busca uma refeição rápida, deliciosa e barata. A marca também conta com diversas opções dos seus famosos baldes de pedaços de frango, por valores a partir de R$ 27,90. Por sua vez, a Pizza Hut oferece promoções variadas para todos os gostos. Um exemplo é a ‘Pizza em Dobro’ às quartas-feiras, quando, ao comprar uma unidade, o cliente leva mais uma, gratuitamente”, destaca Alex.

Para mitigar os impactos causados pela inflação no Brasil, a IMC revisitou os contratos com fornecedores, para garantir o melhor custo-benefício sem abrir mão da qualidade. O grupo aposta também em uma reestruturação dos cardápios, tornando-os mais diversos, trazendo novidades e equilibrando preços. Duas das marcas-foco, a Pizza Hut e o KFC, oferecem os serviços de delivery e take away.

“Apesar dos desafios que tivemos em 2021 – grande parte fruto da pandemia – conseguimos nos superar, registrando o melhor resultado de vendas da nossa história no 4o trimestre de 2021. Isso nos traz a certeza de que estamos no caminho certo e a motivação para crescer ainda mais em 2022”, diz ele. A IMC tem em seu portfólio marcas como KFC, Pizza Hut, rede Frango Assado, Batata Inglesa, Viena, entre outras. O grupo opera em shoppings, centros comerciais, rodovias e aeroportos.

Proposta de negócio

Restaurante contemporâneo espanhol localizado próximo a região dos escritórios de Pinheiros, bairro em São Paulo, capital, o Me Vá tem atendimento presencial de domingo a domingo.

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Andre Silva, do Me Vá, diz que o primeiro ponto, antes de qualquer passo para promoções, descontos, entre outros, é estar bem clara a proposta de negócio

“No Me Vá não trabalhamos com take away e nem delivery. Como nossa comida é mais especifica se comparada ao gosto da grande maioria dos consumidores, optamos por neste momento trabalhar só presencialmente”, diz Andre Silva, gerente financeiro do empreendimento.

Para Andre, o cenário sempre foi desafiador. “No Brasil, se pararmos para analisar friamente, a inflação sempre nos acompanha. Somos um país que sofre muito com essa questão. Há muita oscilação de preços, muitas vezes falta de produtos, economia instável e uma política muito jovem. Atualmente, estamos passando por essa questão, e está cada vez mais presente, pois começou a atingir uma nova classe de pessoas que antes, talvez, não sentia tanto essas mudanças do mercado. A pandemia deixou muitas pessoas desempregadas e com o retorno ao trabalho, muitas delas não conseguiram se recolocar no mercado pelo valor que recebiam antes. Ou seja, menos emprego, menos renda, menos poder de compra. Fora outras questões que entram nesse processo como: falta de chuvas no ano passado, queimadas, problemas de abastecimento, greve de caminhoneiros, guerra entre Rússia x Ucrânia, valorização do dólar e euro frente ao real – o que acaba valendo mais a pena para o produtor exportar ao invés de vender para o mercado interno. São muitas questões que acabam englobando no preço do alimento”, ressalta.

No Me Vá, o primeiro ponto, antes de qualquer passo para promoções, descontos, entre outros, de acordo com o gerente, é estar bem clara a proposta de negócio.

“Em muitos casos, tomar atitudes em dar desconto e promoções não surte efeito, porque para muitos consumidores o que faz sentido é comer uma comida que faça sentido no estabelecimento que ele se propôs a comer. No almoço, trabalhamos com o menu executivo (entrada + prato principal + sobremesa) com o valor fechado por pessoa. O trabalho que faço com o chef de cozinha é fixar um custo máximo que ele pode gastar no menu executivo e, assim, trabalhamos com a margem global que envolve”, diz.

Dicas

A educadora financeira Aline Soaper explica que com a alta da inflação e os preços altos dos alimentos, as pessoas optam por reduzir os gastos com as despesas do dia a dia.

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A educadora financeira Aline Soaper diz que, para driblar o aumento dos preços dos alimentos sem precisar aumentar o preço do cardápio, os restaurantes podem negociar com fornecedores, reaproveitar mais os alimentos e planejar melhor as compras para evitar desperdícios

“Neste cenário, mais pessoas aproveitam o trabalho em home office para economizar com restaurantes, uma vez que mesmo com os preços altos dos alimentos no supermercado, ainda é mais barato comprar e cozinhar em casa do que comprar a refeição pronta. No entanto, o tempo que é gasto no preparo do alimento também deve ser levado em consideração. Se a pessoa perde horas do dia cozinhando e poderia estar produzindo mais no trabalho, realizando prospecção de clientes e até realizando mais vendas, a economia pode custar mais caro. Por isso, é muito importante avaliar outras questões envolvendo o custo real x custo global da alimentação”, salienta Aline.

Para não perder clientes, a especialista diz que os restaurantes podem apostar em dias promocionais, eventos e cartões fidelidade, em que o cliente acumula benefícios se mantendo fiel ao mesmo estabelecimento.

“Além disso, trabalhar essa conscientização do quanto o cliente ganha de tempo ao comprar a refeição pronta ao invés de perder horas no supermercado, na cozinha e lavando a louça depois, ajuda na percepção de valor que o consumidor não está apenas comprando uma refeição, mas ganhando tempo de vida para produzir mais ou até mesmo descansar”, afirma.

Aline ainda orienta que para driblar o aumento dos preços dos alimentos sem precisar aumentar o preço do cardápio, os restaurantes podem negociar com fornecedores, reaproveitar mais os alimentos e planejar melhor as compras para evitar desperdícios.

“Criar opções sazonais, com pratos feitos com ingredientes da época e investir na boa apresentação dos pratos e do cardápio, o que valoriza muito a percepção de valor para os clientes”, diz.

Manter os preços baixos na medida do possível

A Mordidela é uma marca de alimentação que hoje trabalha no modelo de lanchonete completa, desde o café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Bruno Zanetti, CEO do Grupo ZNTT, responsável pela Mordidela Food, conforme a pesquisa citada, vê a situação num momento desafiador.

“A gente se preocupa, mas ficou complicado para quem não tinha caixa. Não tinha uma reserva, um capital de giro, digo. Então muitos negócios fecharam as portas, porém, alguns players com pouco preparo saíram do mercado e abriram espaço para os que sabem trabalhar. Também durante o período de crise sanitária, por conta do distanciamento, o delivery aumentou demais uma vez que as pessoas passaram a usar mais esse serviço na pandemia”, diz.

Para o CEO do grupo, “o preço sempre foi e sempre será um fator importante e decisivo para os consumidores escolherem o quanto vão pagar.” Porém, sem perder a qualidade do que é ofertado. “A gente conseguiu absorver na maioria das lojas um custo do frete grátis. Promovemos com esse aumento da busca do delivery a facilitação da vida das pessoas, que está cada dia mais corrida. Inclusive com a criação de combos. A pessoa compra o almoço e ganha a sobremesa, por exemplo”, diz.

Existem combos para o local físico e para o delivery. As unidades Mordidela são frequentadas por funcionários de empresas porque normalmente estão em locais de grande fluxo. O principal perfil de cliente da marca são funcionários de grandes, médias e pequenas empresas. “Aquela pessoa que às vezes se desloca até o local por algum motivo e precisa se alimentar rapidamente”, afirma.

Com a atual situação, Bruno conta que uma das ações feitas foi a mudança do cardápio. Com valores mais acessíveis e parcerias com empresas que fazem o desconto em folha, essa estratégia os ajudou no equilíbrio, manutenção do negócio e aumento de vendas.

“Os desafios encontrados são sempre manter uma boa qualidade de produto com um preço que cabe no bolso do consumidor. Tudo subiu! Tem tido alta inflação, obviamente, mas mantivemos os preços baixos na medida do possível”,diz.
Hoje a rede Mordidela está em todo Brasil.

Cenário desafiador principalmente no processo de compra dos insumos

Camila Miglhorini, fundadora e presidente do Mr. Fit, rede de franquias de fast food saudável, também fala sobre a situação econômica do país.

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Camila Miglhorini, do Mr. Fit, diz que um dos fatores que acredita ter feito a empresa chegar a números tão expressivos, mesmo em meio ao caos econômico, foi a oferta de produtos saudáveis e saborosos, mas sempre com preços acessíveis

“O cenário é muito desafiador, porém com uma oportunidade enorme, afinal existe uma dor no mercado, que é a preocupação com o quanto as pessoas vão gastar para almoçar. Acredito que se o empreendedor souber tratar a dor, ou seja, tiver produtos mais acessíveis, terá um público certo. Para isso, obviamente, é necessário tomar decisões como rever toda a sua cadeia de fornecedores, custos operacionais, entre outras ações”, diz.

Um dos fatores que Camila acredita ter feito o Mr. Fit chegar a números tão expressivos, mesmo em meio ao caos econômico, foi a oferta de produtos saudáveis e saborosos, mas sempre com preços acessíveis. E com o aumento do fator preço na decisão de compra, a marca também aumentou suas ofertas aos clientes, como a criação da linha Brasileirinho que são pratos econômicos, pacotes para clientes que consomem com mais frequência etc. Quase 70% dos consumidores da rede são pessoas que ou estão em escritórios ou em home office, de acordo com a presidente do Mr. Fit.

“Por isso focamos a abertura das unidades e venda do delivery próximas às empresas, escritórios e afins. Como atrativo, além de parcerias com descontos e aceitar pagamentos em dinheiro e cartão, nós também aceitamos o vale-refeição”, diz.

Para se adequar à realidade econômica, junto ao anseio do consumidor, a empresa reduziu sua margem de lucro e também colocou opções mais econômicas. “Acredito que o maior desafio foi rever todo o processo de compra dos insumos, ou seja, fornecedores de longa data que não conseguiram manter ou até mesmo reduzir os preços, tivemos que retirar da nossa gestão e buscar novos com preços mais competitivos”, fala Camila.

O Mr. Fit tem, atualmente, mais de 450 franquias, em 18 estados brasileiros e uma em operação em Portugal.

Sem muito impacto negativo, mas cientes do cenário atual

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Danilo Adamek, do Tantô, diz que alguns pratos da rede apostam na variedade para oferecer aos clientes a melhor combinação entre qualidade x preço

“A Tantô Temakeria sempre teve consciência de que os clientes são menos propensos a gastar no horário do almoço, se compararmos com o período do jantar. Por isso, já faz alguns anos que colocamos combinados executivos e promoção de temaki no almoço. Particularmente, para nós não houve qualquer mudança perceptível no comportamento desses consumidores”, expõe Danilo Adamek, diretor administrativo da Tantô.

A marca oferece produtos específicos para o almoço, dentre eles os combinados executivos, promoções de temaki e combos para duas e quatro pessoas nesse período.

“Esses pratos apostam na variedade para oferecer aos clientes a melhor combinação entre qualidade x preço”, diz Danilo.

Nos combinados executivos, é possível mesclar produtos mais caros, como o filé de salmão com tilápia, por exemplo. Dessa forma, há uma compensação que gera um equilíbrio no custo geral do prato e é possível ofertá-lo a um preço mais atrativo ao cliente. Também foram desenvolvidos combos para duas e quatro pessoas, envolvendo uma entrada quente, sushis e temakis – em uma espécie de menu degustação. Além de ser um preço mais convidativo do que se fossem selecionados os itens separadamente, a variedade também é um diferencial para esses produtos.

“Apesar de a margem cair um pouco, o aumento do ticket médio compensa, sendo ainda assim, vantajoso tanto para o consumidor quanto para a Tantô”, afirma.

As unidades da marca estão localizadas em antigos bairros residenciais de alto padrão que foram se tornando cada vez mais ocupados por empresas, clínicas e comércios em geral. Portanto, recebem um número grande de clientes que trabalham nessas empresas, além de pedidos para delivery e retirada.

Atualmente, a Tantô Temakeria está com 3 unidades no estado de São Paulo.

Mais dicas

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O economista João Felipe Sauerbronn diz que o empreendedor deve avaliar qual estratégia deve levar à frente dentre duas: foco no preço baixo; ou combinação da melhor oferta de valor (preço baixo e qualidade alta)

O economista João Felipe Sauerbronn encerra explicando o seguinte: “Este é o contexto atual: a população brasileira vive um momento de muitas restrições de consumo e sem perspectivas de melhora no curto e no médio prazo. A inflação é a maior dos últimos 26 anos e tem um impacto maior para os trabalhadores, que experimentam período sem aumentos reais de salários. O salário mínimo sofre achatamento e o poder de compra do brasileiro hoje é 30% menor do que o de 5 anos atrás”, diz.

De forma resumida, dado o contexto apresentado, João Felipe diz que os restaurantes têm que agir estrategicamente. Eles passaram a concorrer não apenas com outros estabelecimentos, mas também com alimentação trazida de casa e com fornecedores informais de quentinhas. Nesse momento, o consumidor está mais atento ao preço e procura opções mais baratas para alimentação fora de casa.

“Por conta disso, os gestores de restaurantes têm que observar suas capacidades de oferta e o perfil do consumidor que atende. Com isso em mente, deve avaliar qual estratégia deve levar à frente dentre duas: foco no preço baixo; ou combinação da melhor oferta de valor (preço baixo e qualidade alta).”


SODEXO
www.br.sodexo.com
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ABRASEL-SP
www.sp.abrasel.com.br
instagram: @abraselsp
DOMA HOUSE
instagram: @domahouse.rj
FICHIPS FOOD
www.fichips.com
instagram: @fichipsfood
INTERNATIONAL MEAL COMPANY (IMC)
ri.internationalmealcompany.com
ME VÁ
instagram: @restaurantemeva
ALINE SOAPER (educadora financeira)
www.institutosoaper.com.br
instagram: @alinesoaper_oficial
MORDIDELA
www.mordidela.com.br
instagram: @mordidelabrasil
MR. FIT
www.redemrfit.com.br
instagram: @mrfitfranquiasoficial
TANTÔ TEMAKERIA
www.franquiatemakeria.com.br
instagram: @tantotemakeria
JOÃO FELIPE SAUERBRONN (economista)
instagram: @felipe.sauerbronn

 

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