Ele faz história

Torrone marca presença no Brasil e aponta para um futuro ainda mais promissor

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Torrão, turrón, terrum, mandolate. Todos esses nomes identificam um mesmo doce, o torrone. Ele é obtido após cozinhar mel, clara de ovo e nozes. O torrone é um quitute muito apreciado em todo o mundo, inclusive no Brasil. A massa pode conter diversas frutas secas, tais como amêndoa, castanha, amendoim, nozes, pistache. Ele pode ser harmonizado com marshmallow, também pode ser envolto numa camada de chocolate, servir como recheio de wafer e até mesmo ser elemento principal num bolo. Sua característica marcante é a textura macia, parecida com uma bala ou goma de mascar. Pode ser consumido em temperatura ambiente, congelado, em forma de cubos ou barras, tornando-se ótima opção de sobremesa.

Dentro do ramo alimentício de doces, o torrone já tem seu lugar no mercado, gerando lucros consideráveis para seus investidores. O doce é destaque na empresa Rapaduras Gaúcha, que começou suas atividades em 1990. “O diferencial do nosso torrone é uma combinação de cuidado no preparo e qualidade da matéria-prima utilizada. A massa é a base do doce, mas, para virar torrone, precisamos adicionar amendoim e castanhas sempre bem crocantes para contrastar com a textura da massa. É feito segundo o método tradicional, que inclui o branqueamento – processo em que a clara em neve e o mel são acrescentados”, relata o diretor-presidente José Geraldo da Silva. Os produtos da Rapaduras Gaúcha são elaborados com tecnologia moderna e rigoroso controle de qualidade. Os colaboradores são treinados e orientados pelo zelo da qualidade dos produtos para poder ter a satisfação dos revendedores e consumidores com produtos saudáveis e nutritivos, mantendo as características do alimento natural. A empresa tem sua marca própria e também fabrica os produtos com o nome de outras marcas para que essas empresas revendam. Eles possuem o torrone coberto com chocolate branco e ao leite, torrone com wafer e com castanhas.

Experiência

Com a experiência carregada há anos pela família na arte de criar doces artesanais, o casal Edmilson e Fabiana fundaram a Doce Vida Torrones, com o objetivo de oferecer uma linha de produtos especiais feitos com castanhas, além dos tradicionais e típicos doce de leite, goiabada e uva passas. As receitas de família, a forma artesanal, o profissionalismo na seleção dos ingredientes e uma vigilância constante pela qualidade final de seus produtos são elementos fundamentais para dar um bom andamento à empresa.

“Hoje, a Doce Vida possui uma linha de torrones com uma variedade de 11 sabores, entre eles, macadâmia, nozes, amêndoas, caju com tâmara, avelã com damasco, coco e outros. Esperamos poder agradar a todos os clientes que nos procuram, desejando que uma das nossas combinações vá ao encontro do seu gosto e paladar pessoal”, orgulha-se Edmilson Gadioli, proprietário da empresa. Os torrones da Doce Vida têm contraste de texturas e o sabor autêntico dos ingredientes. É uma combinação de cuidado no preparo e qualidade de produtos, mas a receita, segundo Edmilson, tem seus segredos.

Conhecimento

A Dolce Zoë também fabrica os torrones, de forma artesanal, para oferecer ao paladar exigente a melhor consistência e sabor do doce. Zoë Shorter, proprietária da empresa, desde cedo começou a cozinhar doces e sobremesas por puro gosto pela culinária. Contudo, só depois de alguns anos, ela percebeu que essa prática poderia se tornar uma profissão. Especializou-se numa escola francesa, em Paris, e lá descobriu novidades que poderiam ser comercializadas no mercado brasileiro, desenvolvendo suas próprias receitas, com um toque típico brasileiro, mesclando o conhecimento da confeitaria europeia.

Zoë diz que o seu produto é diferente daqueles comumente encontrados no mercado, pois trata-se de um nougat mais macio. Quanto à fabricação, a proprietária diz que “utiliza-se mel orgânico proveniente de flores selvagens. Nossos torrones não contêm nenhuma espécie de aditivos artificiais nem conservantes. Ademais, visto que todo processo é realizado de forma artesanal, as frutas secas – amêndoas, avelãs etc. – podem variar conforme o gosto do cliente, além das outras frutas secas desidratadas – cranberry, damasco, passas etc. – podendo variar conforme a estação”, explica. Zoë ainda conta que este produto não contém glúten, ou seja, tem a possibilidade de ser explorado em mercados para pessoas que têm alergia à substância. “É um nicho de mercado que está começando a se abrir aqui no Rio de Janeiro, embora os produtos ainda sejam poucos e de preço alto”, confessa. A sua linha de produção vai desde bolos, brownies e cupcakes a tortas, biscoitos e o já mencionado torrone.

Muito apreciado

O nougat é, normalmente, mais consumido em épocas natalinas, sendo ele uma sobremesa obrigatória em algumas ceias, principalmente, as mais tradicionais, que preservam a cultura europeia. Em outras ocasiões, combina bem com café. O doce se modernizou com diversas “versões” e formatos, porém, basicamente, existem três tipos: o mais comum é o nougat branco, feito com clara de ovos batida e mel; o segundo é um doce mais amarronzado, que é feito sem ovos, com uma textura crocante, mais firme; outro tipo é conhecido como vianense ou alemão, que é, essencialmente, chocolate e avelã. O famoso torrone já está inserido em outras culinárias doces, sendo utilizado como ingrediente em outros produtos, por exemplo, em barras de chocolate.

Sendo um produto versátil, a massa do nougat pode assumir qualquer forma. Consequentemente, por ser assim, o doce existe em diferentes formatos. Inclusive, em uma das versões de sua história, o primeiro exemplar desse doce tinha a forma de Torrazzo, a torre do sino da catedral de Cremona, cidade italiana. O ideal para degustá-lo é chupar ou morder como uma bala. Lembrando que há tanto o doce macio quanto mais firme; mais grosso e também mais fino.

O torrone faz parte da gastronomia mundial, em especial, europeia, mas já conquistou o paladar de outros povos, como africanos, asiáticos, do Oriente Médio e das Américas – todos esses já possuem suas versões próprias. Sua tradição no Brasil já se estabeleceu, inclusive, sendo adaptada com ingredientes de origem nacional, como a castanha-do-pará, nativa de uma árvore da Floresta Amazônica. Não é um doce tão popular quanto os tipicamente brasileiros – pé de moleque, cocada, brigadeiro, quindim, pamonha, tapioca, paçoca, curau, rapadura, goiabada – mas as fábricas já têm incluído o nougat em suas linhas de produção para atender a demanda do doce no mercado.
Atualmente, a Espanha é o principal produtor de torrone em todo o mundo, exportando toneladas anuais. Esse produto inspira uma infinidade de receitas.

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