Donuts: o novo par perfeito para a hora do café brasileiro

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Donuts: o novo par perfeito para a hora do café brasileiro

Iguaria tipicamente americana tem sido a aposta de muitos empresários

Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) indica que o café é uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros, sendo que 95% da população do país consome o produto. Com isso, o número de cafeterias vem aumentando gradativamente no Brasil. Tanto que, segundo um levantamento feito pela Euromonitor, o mercado nacional já conta com cerca de 3,5 mil cafeterias.
Em meio a esse alto consumo de café, outro produto se destaca, que é o donut, receita muito popular nos Estados Unidos, mas que já ganhou o paladar dos brasileiros. Por isso, hoje em dia, a iguaria é considerada por muitos o acompanhamento perfeito para aquela hora do café e, por isso, tem sido a aposta de muitos empresários.
“O donut com um café é a perfeita combinação para alegrar e recarregar as energias para o dia. A melhor combinação do donut é com um café bem fresquinho, seja ele espresso, coado ou também nossas bebidas especiais como capuccinos, lattes, Dunkaccino”, indica Ricardo Alexandre Monteiro, diretor operacional de lojas brasileiras Dunkin Donuts, empresa global norte-americana especializada na venda das rosquinhas e café. A marca, juntamente com Mister Donut, Dunkin Brands e Donut King, é um dos três principais players do mercado mundial de donuts.
Monteiro conta que fez o primeiro contato com a Dunkin Donuts no fim de 2013. “Estávamos à procura de uma oportunidade de crescimento e vimos na Dunkin Donuts essa opção, pois sabíamos que eles estavam muito interessados em vir para o Brasil. Começamos a trabalhar e, em maio de 2015, abrimos a primeira loja. A escolha da marca Dunkin Donuts, que tem o donut mais famoso do mundo, foi uma busca por uma empresa reconhecida mundialmente. O donut é uma sobremesa que combina demais com o crescente hábito do brasileiro de tomar café”, diz.
Segundo o diretor operacional, atualmente, são vendidos, por mês, mais de 180.000 donuts Dunkin Donuts no Brasil e, anualmente, mais de 2.100.000. Para ele, o donut faz tanto sucesso entre os brasileiros “primeiramente pela sua qualidade e sabor e também por ser uma opção de sobremesa que você pode compartilhar com os amigos e família”.
O donut mais vendido nas lojas brasileiras Dunkin Donuts administradas por Monteiro “é o Bostom Cream, que é um dos mais famosos da marca. Esse donut possui uma cobertura de chocolate meio amargo com recheio de creme bavariano que é a base de leite e baunilha. Combina muito bem com café”, indica.
Giovanni Lo Grasso, economista, chef confeiteiro e idealizador da Donuts Now juntamente com o sócio Bruno Rodrigues de Souza, também chef confeiteiro e artista plástico, considera que o êxito dos donuts no mercado nacional também está relacionado à grande influência da cultura americana no Brasil.
“Estamos habituados a consumir a cultura americana e pensamos que todo mundo quer ser remetido àquelas cenas de filmes em que o policial saboreia a rosquinha como se nada mais importasse, nem mesmo o bandido da história, ou de séries como os Simpsons, em que os personagens têm paixão pelo doce. E, quando você conhece o nosso produto, se ‘teletransporta’ para esses momentos e entende bem o porquê de eles serem tão amados. As versões recheadas são mais populares entre os brasileiros, por lembrarem o sonho. No entanto, há muito mais sabor aqui a ser explorado. Comer donuts é nostálgico, prazeroso, saboroso, mesmo sem nunca ter provado. Quando você vê, simplesmente torna-se irresistível, é sentir no conforto do jardim aquela paz, estar bem e não querer mais sair de lá, se transportar para aquela cena de cinema em que, independentemente de qualquer coisa, você merece comer um donuts e ponto final”, destaca o chef confeiteiro.
Grasso relata ainda que a Donuts Now foi idealizada por ele e o sócio porque ambos sempre tiveram “o sonho de ter o próprio negócio, voltado à nossa área de interesse, a gastronomia. Nós nos tornamos amigos e colocamos no papel a nossa intenção e projeto antes pequeno, mas que foi tomando grandes proporções e se tornou a realidade de hoje, um café especializado em donuts, nosso carro-chefe, com intuito de trazer a melhor qualidade em cada produto que sai da nossa cozinha”.
O donut mais vendido na Donuts Now é o Chocolatudo, “que leva um exclusivo cremoso de chocolate, receita refinada elaborada após muito estudo para atingir um sabor inigualável ao paladar mais exigente em se tratando de uma sobremesa que veio para ganhar o espaço da mesa dos brasileiros”.
O donut também é o investimento de Camila Doro Kurtz Mello, tecnóloga em Produção de Vestuário, mas que descobriu a paixão pela confeitaria e montou a Dream Donuts em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul.
“Saí da empresa onde trabalhava no setor administrativo para buscar fazer algo que gostasse e, depois de muitos testes e ideias, surgiu a Dream Donuts”, conta ela.
Para Mello, os donuts fazem tanto sucesso no mercado nacional pelo fato de os “brasileiros sempre gostarem de comidas com massa, como pães, bolinhos e afins. O donut consiste em uma massa fofinha e levemente adocicada, que permite inúmeras combinações de recheios, podendo agradar todos os gostos. Tradicionalmente, o donut é coberto com açúcar ou glacê, mas, aqui, pudemos ‘abrasileirar’ para que o donut deixe de ser um doce americano, para ter cara de doce brasileiro”.

Origem

A origem dos donuts, assim como de várias outras receitas culinárias de sucesso, é incerta. Monteiro, da Dunkin Donuts, por exemplo, afirma que “a origem dos donuts não é algo consensual, mas foi em 1948 que William Rosemberg abriu a primeira loja de donuts com nome de Open Kettle e, em 1950, o nome Dunkin Donuts começou a ser usado inspirado pelo hábito que os clientes tinham de afundar o donut no café”.
Grasso, da Donuts Now, acrescenta que o donut “é facilmente identificado pelo formato, um bolo em forma de rosca, feito de massa e cobertura açucarada. Tem seu nome de origem do termo inglês ‘doughnut’ que traduzido significa rosca frita. Esse termo foi empregado pela primeira vez pelo historiador Washington Irving em seu livro intitulado ‘History of New York’, de 1809. Mas há controvérsias quanto à origem inicial desse bolinho, sendo a mais comum de que se originou na Holanda, no século XVI, por padeiros holandeses. Porém, ainda não contava com o furo no meio e que teria sido levado à América do Norte por colonos desse país. Hanson Gregory, de origem americana, reclamou para si o direito sobre a criação do donut com ‘furo’ no meio, afirmando tê-lo inventado em 1847, aos 16 anos, quando, a bordo de um navio, teria ficado insatisfeito com um ‘dough’ (pequeno bolo feito de massa de cereais, farinha e água) que teria seu centro cru e o qual ele havia retirado com a ajuda de um frasco de pimenta, inventando, assim, a rosquinha com furo. Afirma, então, ter ensinado a mãe a fazer a sua versão do bolinho que ganhou o apreço da comunidade. A criação tornou-se tão popular nos Estados Unidos que proporcionou a Hanson Gregory a honra de ter uma placa de bronze na casa que habitou em Rockport, no estado americano de Maine. Em 1946, Willian Rosenberg trabalhava como ambulante produzindo e vendendo donuts por meio de sua empresa Industrial Luncheon Services, fornecendo esses bolos e café aos trabalhadores das fábricas ao redor de Boston. O sucesso do empreendimento foi tanto que provocou uma troca no horário do lanche das empresas que os ajustaram para coincidir com a passagem do ambulante. Rosenberg passou a fornecer o bolo já coberto de açúcar com café simples, sem açúcar, esse servido em largas xícaras que deram origem ao hábito de molhar o bolo no café antes de ser comido. Os clientes satisfeitos o incentivaram a abrir uma loja e, com o aumento da demanda incessante, ele começou a rede de lojas com o primeiro nome de Open Kettle em 1948 e que, mais tarde, se tornou a Dunkin Donuts em 1950. E, hoje, mundialmente conhecida. Desde então, o pequeno bolo com furo tem ganhado apreciadores no mundo todo e uma variedade de sabores que superam as expectativas dos amantes dessas rosquinhas que possuem os mais variados recheios e coberturas a base de chocolate”, contextualiza o chef confeiteiro.
Perfil de consumidor
Para Monteiro, da Dunkin Donuts, o perfil de consumidor de donuts é composto por “clientes de todas as idades, desde crianças até terceira idade, mas o percentual maior é jovem, de 15 a 35 anos”.
Grasso, da Donuts Now, relata que, antes de abrir seu negócio, ele e seu sócio tinham em mente um perfil de consumidor. Entretanto, os dois tiveram surpresas em relação a isso.
“Inicialmente, pensávamos em atingir um público específico, mais jovem. No entanto, nos surpreendemos por ganharmos o paladar das crianças até as vovós, além da garotada que leva o conceito da donuts como algo fotogênico nas redes sociais. Nosso público é 100% jovem, já que idade é um conceito irrelevante aqui. Todo mundo que prova se apaixona e não tem erro, você vai pedir por mais”, afirma o chef confeiteiro.
Mello, da Dream Donuts, por sua vez, afirma que seu perfil é majoritariamente feminino. “A grande maioria dos clientes são mulheres. Elas interagem mais nas redes sociais e efetuam mais encomendas”.

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