De olho na dieta climatariana

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De olho na dieta climatariana

Nova forma de se alimentar da população propõe mudanças nos cardápios dos estabelecimentos

Você já ouviu falar em ativismo alimentar? Os ativistas da alimentação são pessoas que entendem que o que e como comemos impactam no meio ambiente e têm papel decisivo nos rumos do mundo.

Entre os ativistas alimentares, um grupo vem crescendo em torno de uma prática que ainda é desconhecida por muitos, mas que promete conquistar cada vez mais espaço: a dieta climatariana. A busca dos adeptos desse tipo de alimentação é por um consumo mais consciente, que leva em conta as formas utilizadas na produção dos alimentos, considerando os impactos que as atividades necessárias para que os produtos cheguem às mesas trazem à natureza, visando reduzi-los ao máximo possível.

Consumo sustentável

O nutrólogo Gustavo Feil explica o que é a dieta climatariana, destacando que se trata de um tipo de alimentação que busca reduzir energia, poluição e desperdício.

“É o hábito de comer alimentos produzidos em locais próximos para reduzir gastos de energia e geração de poluição no transporte. Além de minimizar ao máximo o desperdício dos alimentos”, afirma.

Para Gustavo Feil, a dieta climatariana tem atraído adeptos pelo seu caráter sustentável, “pois ela representa uma forma de minimizar os efeitos climáticos do planeta, ao mesmo tempo que prioriza o não desperdício dos alimentos, dedica-se a utilizar partes dos alimentos que normalmente não são utilizadas, como as cascas e aparas”, diz ele.

Segundo Gustavo Feil, o mercado de food service é diretamente afetado pelo crescimento da dieta climatariana, já que os alimentos são comprados de produtores locais. “Essa dieta ajuda o pequeno produtor, pois dá preferência para a produção local e não a de grande escala”, afirma ele.

O nutrólogo ainda cita os principais benefícios e desafios de se aderir a esse tipo de dieta. “Os benefícios são que normalmente esses alimentos são ricos em nutrientes e com pouco uso de agrotóxicos, o que melhora a qualidade do alimento, o desafio é que alguns alimentos são de difícil acesso pela maior parte da população”, afirma ele.

Perguntado se espera que haja um crescimento do número de adeptos da dieta climatariana nos próximos anos, Gustavo Feil afirma que dada a possibilidade de escassez de alimentos no futuro, a probabilidade de um crescimento na adoção desta é real.

“Acredito que sim, com a grande massa populacional que o planeta se encontra, o alimento ficará cada vez mais escasso, e quando mais próximo e mais barato ele chegar ao consumidor final melhor, porém ainda é uma dieta pouco popular e desconhecida por grande parte da população”, destaca ele.

Reduzindo danos

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“Quem não se adequa a isso pode sofrer prejuízos em suas vendas”, diz Nathalia Danelli

A médica nutróloga Nathalia Danelli destaca que a dieta climatariana se trata de mais do que uma mudança alimentar, sendo uma transformação no comportamento e costumes de forma geral.

“A dieta climatariana é uma dieta baseada em alimentos que não agridem o planeta. Os climatarianos não são vegetarianos, porém limitam o consumo de carne, além de darem preferência a alimentos sazonais, ou seja, alimentos que são produzidos naturalmente de acordo com a época do ano. Mas na verdade, ela vai muito além de uma mudança alimentar, já que os adeptos dessa prática procuram comprar seus alimentos em estabelecimentos locais a fim de reduzir a poluição com o transporte, evitam utilizar embalagens plásticas, costumam armazenar suas compras em recipientes reutilizáveis e evitam desperdício de alimentos, tudo para limitar ao máximo a quantidade de lixo gerada e poluir o mínimo possível o meio ambiente”, afirma ela.

De acordo com Nathalia Danelli, a preocupação com a saúde pessoal e do planeta Terra tem aberto as portas desse tipo de alimentação, fazendo-a se popularizar.

“Estudos demonstram cada vez mais como as nossas escolhas alimentares podem ser devastadoras para o planeta e para a nossa saúde, e isso tem despertado um interesse maior das pessoas em saber como reduzir esse impacto. Com a pandemia essa questão ficou ainda mais evidente, e o movimento vem crescendo a cada ano”, destaca ela.

Segundo Nathalia Danelli, é importante que os estabelecimentos do food service estejam atentos a tendências como a da dieta climatariana, para assim oferecer opções para os consumidores.

“Hoje em dia os estabelecimentos alimentícios precisam estar mais preocupados em aderir a essa nova tendência, colocando em suas prateleiras mais alimentos orgânicos e ofertando opções menos prejudiciais ao meio ambiente para que seus clientes possam transportar suas compras. Quem não se adequa a isso pode sofrer prejuízos em suas vendas”, diz ela.
Quando o assunto são os desafios na adoção dessa dieta, a nutróloga destaca a dificuldade de implementação desta na rotina das pessoas. Por outro lado, Nathalia Danelli afirma que são muitos os benefícios dela para a saúde.

“O principal desafio é adequar esse tipo de dieta à realidade das grandes cidades e a rotina agitada das pessoas. Da parte nutricional, como a maioria dos adeptos dessa dieta não consomem carne, ou consomem em pequena quantidade, as necessidades nutricionais precisam ser ajustadas e acompanhadas para que o paciente não adquira nenhuma carência. Em contrapartida, os benefícios são inúmeros, uma vez que a alimentação dos climatarianos é rica em produtos naturais com alto teor de vitaminas e minerais e pobre em açúcares, sódio e gorduras saturadas, sendo assim muito mais balanceada e saudável”, diz ela.

Nathalia Danelli afirma que a dieta climatariana veio para ficar na rotina de mais e mais pessoas, pela necessidade de redução de danos em relação ao meio ambiente e à saúde pessoal.

“O ser humano já poluiu muito o planeta e está sofrendo as consequências disso com a péssima qualidade do ar e escassez de água limpa. Hoje as pessoas estão cada vez mais conscientes de como o impacto de suas escolhas pode prejudicar o meio ambiente e consequentemente a saúde de todos nós”, afirma ela.

Consumidor consciente

Jessica Nascimento Santos, coordenadora de nutrição da RS SERVIÇOS, fala sobre o que é a dieta climatariana, destacando vários fatores envolvidos nesse tipo de alimentação.

“É uma dieta baseada no estilo de vida de pessoas que têm escolhas que promovem a sustentabilidade do clima do planeta, ou seja, alimentos menos nocivos à natureza, geralmente associados à redução da pegada de carbono emitida na cadeia produtiva, distribuição e venda desses produtos”, afirma ela.

A coordenadora de nutrição também relaciona a pandemia da Covid-19 com o crescimento no número de adeptos da dieta climatariana, além de citar uma preocupação de quem adota essa prática com a microeconomia.

“Durante a pandemia, as pessoas se preocuparam ainda mais com a relação entre a alimentação, consumo consciente e seus impactos no planeta, buscando produtos sustentáveis e de preferência que auxiliem a microeconomia”, diz ela.

De olho na dieta climatariana
“Os benefícios incluem a fidelização do cliente”, diz Jessica Santos, coordenadora de nutrição da RS SERVIÇOS

Jessica Santos destaca ainda que a dieta climatariana vem para colocar em evidência uma bandeira que a gastronomia já ergue há mais tempo, e que pessoas engajadas fortalecem o movimento.

“A gastronomia levanta a bandeira do regionalismo e sustentabilidade há anos, buscando fornecedores locais de preferência orgânicos, desenvolvendo receitas com uso de Pancs e cortes animais tidos como menos nobres ou vísceras e respeitando a sazonalidade dos insumos para definir seus cardápios. Acredito que o consumidor mais consciente sobre as questões envolvidas na produção reforça essa linha e fortalece a causa”, diz.

Para Jessica Santos, uma das maiores dificuldades na adoção da dieta climatariana no dia a dia é encontrar fornecedores que atuem dentro dos pilares necessários para um consumo consciente da forma que a dieta pede. Segundo ela, a sazonalidade dos cardápios também pode ser um desafio.

“É desafiador encontrar fornecedores idôneos que respeitem os pilares envolvidos em toda a cadeia produtiva desses insumos, principalmente porque o mercado nem sempre favorece a competitividade e alguns acabam desistindo ou migrando de área de atuação. Outro desafio é explicar ao cliente que aquele maravilhoso prato com molho de jabuticaba não está no cardápio durante o inverno, pois é sazonal da primavera”, afirma ela.

Por outro lado, entre os benefícios de adotar a dieta climatariana, Jéssica Santos cita a fidelização de clientes, sabor e atratividade.

“Os benefícios incluem: a fidelização do cliente, pois concerne com seus valores e o que busca em prol da sociedade sustentável. Destaque no mercado entre os concorrentes, pois apresentam geralmente características bem marcantes de sabor e textura incomparáveis aos produzidos em larga escala. Atratividade dos clientes, pois a sazonalidade mantém a criatividade na criação dos pratos, o que renova a expectativa em conhecer a nova receita”, afirma ela.


Gustavo Feil
instagram.com/dr.gustavofeil
Nathalia Danelli
instagram.com/dranathaliadanelli
Jessica Nascimento Santos
instagram.com/oficialrsservicos

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