Crescimento nas adversidades

Mesmo diante da instabilidade econômica, diversos números mostram a força da alimentação

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A crise econômica pela qual o país vem passando tem feito com que diversas marcas se percebam em situações realmente delicadas. O cenário pode ser bem difícil para várias empresas. Demissões, diminuição da produção, entre outras questões, fizeram parte da realidade de muitas organizações. Quedas em determinados números também foram percebidas ao longo desse tempo.

No entanto, mesmo diante desse quadro, o segmento alimentação contou com um crescimento de 5,5% em seu faturamento. Já a variação do ticket médio das redes do setor foi de 7,9% entre os anos de 2015 e 2016, de acordo com os dados da 11ª Pesquisa Setorial de Food Service divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). O levantamento foi encomendado pela ECD Food Service e foi apresentado no Seminário Setorial de Food Service e Pós-NRA ABF 2017, que abriu a ABF Franchising Week.
Mas o que esses números representam para o setor? “Eles refletem a resiliência do segmento de Alimentação que, a exemplo do setor de franchising, mesmo crescendo em ritmo menos acelerado nesses últimos anos de desaquecimento da economia brasileira, continua mantendo resultados positivos”, diz João Baptista Junior, coordenador do Comitê de Food Service da ABF.

Mais dados

Outros apontamentos que chamaram a atenção na pesquisa dizem respeito às tendências e estratégias que são pensadas e executadas pelas marcas do segmento. Quando se trata de um cardápio que conta com alimentos light, por exemplo, 60,8% das redes o inclui. Já 52,7% investem em alimentos integrais e vegetarianos e 51,4% em itens diet.
A utilização de aplicativos delivery também tem sido uma opção de várias empresas, sendo algo presente em 55,4% dos locais pesquisados. Entre as marcas que não contam com essa alternativa, 75% responderam que pretendem disponibilizá-la para os consumidores.

Já quando se trata de unidades franqueadas, houve uma variação positiva de 2,9%, passando de 20.457 para 21.046 pontos de venda entre os anos de 2015 e 2016. Já as unidades próprias contaram com uma variação negativa de 11,9% no mesmo período comparativo, passando de 2.862 para 2.520. Foi apresentado um ligeiro crescimento no número total de unidades do setor alimentação, de 1,1%, totalizando 31.064 pontos de venda no Brasil.

“Observamos que, estrategicamente, os franqueadores investiram na melhoria da gestão do ponto de venda, buscando maior eficiência; na redução de custos, aumentando, assim, a rentabilidade das unidades; além de estarem ainda mais atentos às questões tributárias, considerando-se que as unidades franqueadas, diferentemente das próprias, são enquadradas no regime do Supersimples, na sua grande maioria.

Outro ponto que é importante destacar é o fato de que o varejo de alimentação está sendo muito influenciado pela mudança de comportamento do consumidor. Um exemplo é o uso dos aplicativos de food service, próprios das redes ou de terceiros. Aumentando as facilidades de acesso do consumidor, aumenta a procura. Com isso, todo o segmento cresce”, ressalta Baptista.

Serviços

O estudo da ABF conta, desde o ano passado, com uma nova classificação dos subsegmentos de alimentação (sendo 12 no total), por tipo de culinária e de serviço. Isso possibilita a avaliação acerca do comportamento das redes.

O serviço rápido tradicional foi o predominante entre as marcas que participaram do estudo. O delivery é o mais usado quando o assunto são as redes de culinária chinesa, japonesa e outras asiáticas, alcançando 40% delas, seguido de massas e pizzas (20%) e brasileira, variada e gastrobar (9,1%).

Manutenção

Quando a preocupação é manter números melhores mesmo diante da crise econômica, Baptista ressalta que é importante manter foco total na eficiência da gestão, na qualidade dos produtos e dos serviços. O profissional também frisa que é necessário buscar inovações, como em novos pratos, na reformulação dos cardápios, nos formatos de negócios, no uso das mídias sociais e das novas tecnologias. Para ele, a operação do negócio é algo que exige uma atenção diária e, com o trabalho conjunto de franqueadores e franqueados, é possível vencer os desafios.

“O mercado de food service é um dos mais consolidados e o mais representativo individualmente do franchising brasileiro. De acordo com o balanço do desempenho do setor em 2016, feito pela ABF, o segmento Alimentação cresceu 8,8%, representando 26,7% do franchising, o que demonstra a sua relevância setorial e também para a economia do país de forma geral”, destaca ele. “O segmento de alimentação oferece uma ampla gama de opções de marcas, modelos de negócios, produtos e serviços para todos os perfis de investidores, com ótima relação custo-benefício em um mercado que historicamente cresce e continuará crescendo em função do consumo de alimentos fora do lar e por delivery, que se manterá ao longo do tempo”, ressalta.

Futuro

E as coisas tendem a melhorar ainda mais. Como frisa Baptista, as perspectivas são boas na medida em que o Brasil dá sinais de que está começando a retomar o caminho do crescimento. “Todos os setores são influenciados pela crise política e econômica, porém, no caso do franchising, com padrões, gestão e modelos pré-definidos, e especificamente no caso do mercado de food service, bastante consolidado, no Brasil e no mundo, com marcas e operações diversificadas, as expectativas são de crescimento ainda maior nos próximos anos”, diz.

Mas como trabalhar as tendências apontadas sem se desvincular de um público já cativo? “Analisar o mercado, acompanhar as mudanças tecnológicas sem perder a identidade da marca; os diferenciais que a consolidaram no mercado fazem com que ela conquiste novos consumidores e mantenha os seus clientes já fidelizados”, afirma o profissional.
Realização

A Pesquisa Setorial ABF Food Service 2017 contou com uma amostra representativa do setor de alimentação. Ao todo, 74 marcas participaram, o que corresponde a 27,21% da representação da base de associados da área alimentação, com 9.670 unidades (41,03% do total de pontos de venda das redes que são associadas do setor) e uma receita de
R$ 15,755 bilhões.

Os números do desempenho do segmento de franchising envolvem o mercado como um todo, inclusive não associados, e são apurados em pesquisa por amostragem, cruzados com levantamentos realizados por entidades representantes de áreas correlatas ao sistema de franquias, como Associação Brasileira de Shoppings Center (ABRASCE) e Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) – órgãos de governo como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e CNC, instituições parceiras como Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e instituições de ensino como Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Fundação Dom Cabral.
Os dados divulgados pela ABF são auditados por empresa independente e referência para órgãos governamentais de várias esferas, entidades do franchising do exterior, como World Franchise Council (WFC), Federação Ibero-americana de Franquias (FIAF) e instituições financeiras.

A Associação Brasileira de Franchising não tem fins lucrativos e foi criada há 30 anos para divulgar, defender e promover o desenvolvimento sustentável, técnico e institucional do modelo de negócio Franchising/Franquia. A instituição reúne todas as partes que estão envolvidas na franquia – franqueadores, franqueados, consultores e prestadores de serviços – para garantir e disseminar as práticas da indústria do franchising no país.

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