Confiança e crescimento

0

Presente em diversos segmentos da economia, a GS1 Brasil trabalha com o padrão global de identificação e comunicação de produtos e serviços da cadeia de suprimentos, atuando para assegurar apoio aos empresários, divulgar novas tecnologias, promover a cooperação entre parceiros comerciais, estabelecer as normas técnicas necessárias e dar incentivo à modernização.

Segundo Roberto Matsubayashi, diretor de inovação e alianças estratégicas da GS1 Brasil, para que um profissional obtenha êxito, deve haver a preocupação constante de realmente agregar valor à organização, fazer a diferença, estar sempre presente e ser útil, além de ser uma pessoa íntegra, interessada e comprometida.

Food Service News: Você pode falar um pouco sobre a GS1 e sua atuação no mercado?

Roberto Matsubayashi: A GS1 é uma entidade de padronização que desenvolve e gerencia padrões que auxiliam as empresas na gestão da cadeia de suprimentos, envolvendo a gestão de produtos de todos os elos da cadeia: matéria-prima, indústrias, cadeia de distribuição e varejo. A parte que todo mundo conhece desse nosso padrão são os códigos de barra que são encontrados nos estabelecimentos de autosserviço. Então, todos aqueles códigos de barra são baseados no nosso padrão, e isso ajuda na questão do relacionamento com o consumidor.

A atuação da GS1 é voltada à agregação de valor através da utilização de padrões; ela democratiza e universaliza o acesso à tecnologia pelas empresas, principalmente as pequenas e micros, tornando-a mais barata e acessível.

Temos, atualmente, uma série de atuações voltadas à educação, treinamentos abertos e gratuitos.  Possuímos produtos voltados ao setor de supermercados, atacadistas distribuidores, um outro grupo na área de saúde, na área de vestuário e calçados, e atuamos em mais de 20 segmentos da economia.

FSN: Você pode contar um pouco de sua história?

RM: Sou formado em engenharia eletrônica pela escola politécnica da universidade de São Paulo e tenho pós-graduação pela FGV na área de marketing e finanças. Como engenheiro, no começo trabalhei em empresas brasileiras na área de tecnologia da informação, empresas que forneciam sistema de automação bancária, automação industrial. Eu me juntei à GS1 em 2000 e já estou na empresa há 13 anos.

FSN: Como iniciou sua carreira na GS1?

RM: Comecei na empresa como gerente técnico, e ao longo do tempo, não mudei para um departamento diferente. Na verdade, foi uma evolução da área que eu cuidava. Ela recebeu depois o nome de área de soluções de negócios, tirando um pouco até o foco na tecnologia, mais voltada para soluções e agregação de valor para as empresas. Durante muito tempo, ficamos com essa denominação, até que houve uma reformulação da área, e eu fiquei responsável por implantar essa área de inovação, na qual já estou trabalhando há quatro anos.

FSN: Quais foram as maiores dificuldades encontradas no início da carreira para a realização do seu trabalho?

RM: Em cada fase existem etapas diferentes. Logo depois que você sai da faculdade, o primeiro desafio é como estudante, você se tornar um profissional. Você passa a vida toda estudando, e a partir daí você tem que começar a produzir. Então, acho que é a primeira mudança mental que você tem que criar, começar a não aprender para você, mas aprender para a organização e produzir para algo diferente do nível pessoal. É uma mudança importante, porque muitas vezes você encontra profissionais que continuam pensando individualmente e não agregam para o grupo, não sabem trabalhar em equipe e essa é uma primeira mudança que deve ser feita. A partir daí, há os desafios que cada um encontra na sua carreira, e eu acho que deve-se ir trabalhando com dedicação e comprometimento. Um segundo desafio é encontrado quando se assume uma função de coordenação com gestão de pessoas, que envolve um outro nível de amadurecimento, pois você deixa de fazer só pra você e tem que começar a aprender a delegar, e não só delegar, mas também saber adequadamente cobrar e acompanhar os resultados.

FSN: Que valores você busca agregar à empresa?

RM: Eu tenho aqueles valores que são permanentes. A primeira coisa é procurar realizar a missão que a organização se propõe a fazer e em cima disso possuir indicadores de metas. Mas além da questão de buscar a realização, eu acho que tem que conciliar a questão profissional e pessoal. A gente passa, a grosso modo, um terço da nossa vida trabalhando, então deve-se criar um ambiente de trabalho no qual você se sinta bem e realizado. Acho, também, que a questão de buscar resolver questões complexas e difíceis em conjunto é uma coisa que dá muita realização, é um fator, inclusive, de motivação.

FSN: Qual a sua rotina de trabalho?

RM: No dia a dia normal tem o entendimento do que se deve fazer e do planejamento global na agenda diária. Há muita comunicação, bastante por e-mail, pois recebemos muitos. Tem uma parte da comunicação bastante importante que trata de acompanhar pessoalmente o andamento dos projetos que você está desenvolvendo, as providências que devem ser tomadas e o seu desenvolvimento. Tem também a questão mais corporativa, como preparar pautas, relatórios, assuntos pra reuniões gerenciais, ou reuniões que temos com o conselho. Fora isso, têm algumas atividades que a gente participa como palestrante, então há apresentações e discursos que devemos preparar. É um dia a dia bastante dinâmico.

FSN: Hoje em dia, como você analisa o uso das novas tecnologias pela GS1?

RM: Primeiramente, acho que cabe ressaltar uma questão importante, que trabalhamos com tecnologia, bem diferente de uma empresa que vive da tecnologia no sentido de vender produtos. Muitas vezes, você tem que criar demanda por aquela tecnologia, e no nosso caso é diferente. Estamos trabalhando a tecnologia, pois, de alguma forma, o mercado pediu que fosse criado um padrão para ela. É lógico que quem demanda são as empresas de vanguarda, aquelas que têm uma visão e que exercem uma liderança no mercado. Muitos empresários que estão entrando no mercado hoje ainda estão aprendendo a usar o código de barras, então não é porque ele foi criado há quarenta anos que é uma tecnologia antiga. Na verdade, continua tão atual como antes.

A nossa grande preocupação é que as empresas utilizem a tecnologia não por que é uma moda ou porque parece ser algo bonito, nossa preocupação é que a tecnologia crie benefícios, crie valor e tenha uma função dentro da organização.

Mesmo com o código de barras, buscamos incorporar outras informações. Estamos, por exemplo, com um programa com a associação de supermercados para incluir a data de validade e poder facilitar esse tipo de controle não só pelo supermercadista, mas também para os consumidores, que através de aplicações nos celulares podem fazer essa verificação de uma maneira mais fácil.

FSN: Os campos de atuação da empresa são a criação de código de barras e quais outros itens?

RM: Na verdade, a gente tem quatro grandes áreas de padrões. Uma chamamos de padrões baseados em código de barras; a outra baseia-se em identificação por rádio frequência; a outra para o comércio eletrônico entre as empresas, as transações que elas realizam eletronicamente – pedidos, notas fiscais, aviso de despacho, relatório de venda, relatório de estoque -, essa parte que a gente chama de comércio eletrônico; e o último conjunto de padrões é voltado para a troca de informações de cadastros. Então, eu tenho o cadastro de produto, de informações de empresas, e tenho como trocar isso automaticamente.

Esse é o conjunto de padrões que nós temos, que cobrem uma série de processos. Os padrões são a base para as empresas realizarem a gestão de transporte, gestão de armazéns, a questão da rastreabilidade, e tem uma série de processos que os padrões ajudam a operacionalizar.

FSN: O que você acredita ser essencial para conquistar êxito e ser um profissional de sucesso no mercado?

RM: Bom, acho que é um conjunto de ações e atitudes por parte do profissional. Para o lado da qualificação, o profissional tem que estar atento em se preocupar com a questão de manter atualizadas as suas qualificações. Até a faculdade, é meio automático, você vai pela inércia, até mesmo pela questão dos pais, de influenciarem nisso. Mas a partir daí, não é porque você se formou que isso termina. Você deve verificar constantemente quais são as habilidades que pode continuar desenvolvendo, nem que seja uma língua, nem que seja na questão de liderança ou como saber motivar as pessoas.

A outra questão diz respeito à entrega. Acho que um profissional tem que entregar alguma coisa para fazer parte de uma organização. Tem que ter a preocupação constante de realmente agregar valor, fazer a diferença, estar todo dia na organização e ser útil. Essa é outra preocupação.

E é lógico que, como você está inserido em equipes e no relacionamento com as pessoas, existem todas as competências que você tem que ter de relacionamento e comunicação. Mas acho que, de qualquer forma, importantes são os valores básicos.

Todo mundo valoriza você ser uma pessoa íntegra, interessada e comprometida. Acho que são coisas sempre valorizadas e importantes.

FSN: Quais fatores você considera essenciais para a consolidação e o desenvolvimento de uma empresa?

RM: Bom, aí já é uma questão um pouquinho mais difícil, porque eu respondo por uma das questões da organização.

Acho que uma organização de sucesso é um pouco do que eu falei do pessoal, mas em escala muito maior.

Uma empresa de sucesso tem que estar constantemente entregando alguma coisa ao mercado, algo que o mercado valorize. Seus produtos e serviços têm que ser bem avaliados e bem conceituados. Isso é uma das fontes de sucesso.

Para apoiar isso, é claro, ela precisa ser bem conhecida, bem reconhecida e trabalhar os seus produtos e serviços.

Em cima do produto tem toda a parte de produção e das pessoas que prestam serviços, na qual todos devem apoiar para que aconteça, pois há uma série de áreas que, em conjunto, tem que realizar isto. Às vezes, você pode focar em uma área e esquecer as outras, mas todas são áreas de apoio que não deixam de ser importantes. Se não há uma política adequada de pessoal, você pega as pessoas e a empresa vai para o buraco; se você negligencia a questão da tecnologia da informação, você não tem sistemas que apoiam adequadamente a execução, e é a mesma coisa.

Então, não existe uma área mais importante, tudo faz parte de um conjunto, e tem que estar tudo em harmonia. Todos têm que ter a mesma preocupação e o mesmo cuidado, para em conjunto realizar essa proposta que é sempre entregar valor para o mercado.

FSN: Quais são os planos, as metas, os investimentos que a GS1 pretende realizar nesse e nos próximos anos para obter mais destaque no mercado? Quais são suas expectativas em relação à empresa?

RM: Bom, tem uma série de ações que estão sendo realizadas pelas mais diferentes áreas. Existem vários projetos que estão em andamento, mas como são de responsabilidade de outros diretores, vou focar mais no que tenho na minha lista de entregas.

Primeiro, devemos nos preparar para inaugurar no próximo ano um centro de inovação e tecnologia, que visa reunir uma série de equipamentos, sistemas e soluções para demonstrar os padrões de aplicação na indústria, na cadeia de suprimentos e no relacionamento com o consumidor. Vai ser uma área muito interessante e ajudará as empresas a entender uma série de conceitos de negócio.

Fora isso, estamos trabalhando no desenvolvimento de uma série de serviços baseados em sistemas para os nossos associados, principalmente para, a partir do código de barras que está no produto, os consumidores poderem fazer consultas pelo celular, fotografar o código de barras do produto e ter acesso às informações. Essas têm que estar em algum lugar, e a gente está buscando ter um sistema onde os fabricantes podem colocar as informações e imagens oficiais sobre o produto. Então, são algumas inovações que estamos trabalhando para ajudar as empresas associadas.

Em termos de organização, tenho certeza que com os vários projetos que estão em andamento, a gente continua olhando e caminhando para a frente.

Temos, ainda, projetos de implantação de várias ferramentas para ajudar no nosso trabalho, como o sistema CRM que está em andamento e o portal que está sendo reformulado. São vários projetos em andamento que ajudam nessa perspectiva que todo mundo espera, de a organização se reformular constantemente e apoiar os profissionais.

 

GS1 Brasil

www.gs1br.org/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

3 × cinco =