Com a alta no preço das carnes, salsicha tem se tornado um novo ingrediente das refeições

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 Alimento já é a estrela dos pratos, mas ainda enfrenta muita desconfiança

Com a pandemia e a inflação, e após o constante aumento da carne bovina nos últimos 12 meses, o frango também tem se tornado uma proteína de luxo para os brasileiros. De acordo com dados da Associação Paulista de Supermercados (Aspas), o frango ficou 40,44% mais caro no último ano. Os ovos também apresentaram alta, com crescimento de 20% no valor no mesmo período.

Com todo esse aumento, os brasileiros foram obrigados a procurar outros ingredientes para complementar a alimentação da família: os embutidos. Mas se tem um ingrediente que costuma dividir opiniões, e gerar inseguranças, é justamente a salsicha, um dos preferidos da população. Mas será que ainda existe algum risco no consumo dessa iguaria?

“A gente precisa levar em consideração que é um embutido, como mortadela e salame. Então, quando você pega a composição desses itens vai ver que é um produto industrializado, que tem conservantes, nitrito, nitrato, corantes”, ressalta Solange Cassar, nutricionista especialista em segurança alimentar e diretora da Normalize Nutrição.

“Mas também há muito exagero. A produção passa por rigorosos processos de qualidade em Boas Práticas de Fabricação e não tem aquela fantasia de que vai papelão junto”.

Essa desconfiança com a salsicha não é de hoje. Na verdade, o alimento já foi considerado um dos principais transmissores de botulismo. Para se ter uma ideia, o nome da bactéria, Clostridium botulinum, vem do botulus, palavra em latim para salsicha. Hoje, porém, a percepção é mais positiva nesse aspecto. Sabe-se que a toxina liberada pela bactéria ocorre em locais com falta de oxigênio, sendo a maior incidência em conservas, ou enlatados, sem as devidas precauções.

Atenção à temperatura

Mas isso não significa que o consumo de salsicha não precise de atenção. Por ser um alimento perecível, é necessário um cuidado especial com a temperatura para evitar a proliferação de bactérias. Como o caminho da fábrica até o prato é muito longo, as etapas precisam ser acompanhadas de perto para garantir a segurança.

“Nos mercados, é obrigatório ter uma planilha de controle de qualidade no recebimento. Toda vez que chega uma carga, é necessário aferir a temperatura e colocar no documento o estado do caminhão, a temperatura do produto, as características do alimento e se ele está com o Selo de Inspeção Federal”, esclarece Solange.

“Não adianta ter todos esses cuidados e, na hora de guardar, os colaboradores demorarem.A gente vê isso acontecer, normalmente, no horário do almoço da equipe. Eu mesma já peguei salsicha a uma temperatura totalmente contraindicada, por isso é tão importante que os estabelecimentos invistam na capacitação e no treinamento de seus funcionários”.

O consumidor também precisa ficar atento para diminuir todos os riscos. Como o processo de recebimento ocorre fora da área de vendas, o cliente pode pedir para conhecer os cuidados e os procedimentos adotados pelos estabelecimentos. Além disso, planejar a ordem de compra é fundamental para não deixar a salsicha descongelando no carrinho.

Na hora de comer, não tem segredo. O recomendado é preparar o alimento o mais próximo possível da hora de consumo. Se precisar armazenar a salsicha pronta, o ideal é mante-la a uma temperatura de 60°C.

“Se a gente come algo fora das condições ideais, não significa que fará mal. Na verdade, isso depende muito do momento imunológico de cada um. Duas pessoas podem ingerir a mesma coisa e uma ter reação e outra não”, explica Solange. “Como não temos esse controle, o ideal é garantir que o alimento esteja o mais estéril possível.”

Como todo embutido não é um alimento que deve ser consumido com frequência, é importante buscar outras alternativas para uma alimentação saudável, como receitas ricas em verduras e legumes.

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