Colher ganha novos tipos e funções

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Mercado de talheres é bastante promissor, mas precisa se reinventar para continuar lucrando

Metal, plástico, silicone e até madeira. Esses são alguns dos materiais usados na fabricação das colheres hoje em dia. Uma tradicional colher é formada por uma parte côncava e uma pega, sendo inicialmente classificada como um utensílio culinário utilizado pela civilização ocidental moderna para facilitar a degustação de alimentos pastosos e/ou líquidos. Porém, ao longo dos anos, a colher passou a ter outras classificações e usos.
“A colher surgiu com o objetivo de ser usada à mesa. Existem registros arqueológicos de artefatos com mais de 20.000 anos (madeira, pedra, marfim), mais parecidos com uma concha. Com os anos, o utensílio passou a ser mais versátil, sendo usado em sua fabricação, além dos conhecidos metais, as madeiras, folhas de palmeiras, pedras, ossos, plásticos comuns, misturas de plástico com madeira (pegada mais sustentável) e plásticos que imitam metal. Essas escolhas podem ainda estar relacionadas com a durabilidade ou a aplicação do utensílio. O primeiro a sugerir o uso individual dos talheres foi o cardeal francês Richelien (1589-1642), por volta de 1630. O utensílio vem sofrendo modificações quanto aos materiais, mas também no sentido das aplicações, com múltiplas possibilidades”, conta Nicolas Ferreira Rodrigues, docente da área de Gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) São Paulo.
Entre os três tradicionais talheres da cultura ocidental, a colher foi a segunda a ser criada, após a invenção da faca e antes do garfo. Há relatos de que a inspiração de sua concepção foi o formato das conchas dos moluscos e que sua primeira versão foi produzida com pedra ou osso. Mas, atualmente, a colher, assim como vários outros utensílios domésticos, já se tornou peça-chave no mercado food service, que se manteve em crescimento mesmo durante o período em que a crise econômica afetou o comportamento de consumo de grande parte dos brasileiros. Tanto que, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), o faturamento desse mercado cresceu cerca de 85% entre 2010 e 2016. Já pesquisa de mercado da Euromonitor International aponta que, até 2020, a indústria de food service deverá movimentar R$ 526 bilhões no Brasil.
De olho nesse promissor mercado, em que os consumidores estão atrás não só de inovação e praticidade, mas também de design, os empresários do ramo food service e fabricantes de colheres precisaram se adaptar a essa nova forma de consumo e uso do item.
De acordo com Rodrigues, do Senac, “a escolha de colheres para o food service deve estar alinhada com a proposta do estabelecimento e pode remeter ao nível de refinamento, à durabilidade do produto, ser ou não descartável e facilidade no uso/aplicação. Um estabelecimento que tem um valor agregado maior em seus produtos, busca materiais mais nobres. Um que tenha uma abordagem mais ecoeficiente, pode buscar materiais que sejam biodegradáveis. Há colheres feitas com madeira ou casca/folhas de palmeiras, que são funcionais e geram menos impacto ao meio ambiente. Porém, têm custo alto e nem sempre é possível a reutilização. Já um estabelecimento que compartilha uma praça de alimentação de um shopping, por exemplo, opta, em geral, por uma colher mais barata, especialmente, por ter muito desperdício, como descarte incorreto no lixo. Um aspecto importante quando falamos em food service é o material e as maneiras de se lavar o utensílio. Alguns materiais não resistem aos produtos de limpeza usados nas máquinas de lavar utensílios, assim como a baixa resistência ao calor característico dessas máquinas, forçando a troca dos mesmos em um tempo mais curto. Já as colheres em prata, que por muito tempo foram sinônimo de refinamento, eram usadas por um período e quando queria se obter novos designs, derretiam e moldavam-se novos objetos, prática que persiste até os dias de hoje. Um problema em relação à prata era a sua composição, que demandava polimento periódico. Mas, hoje, com a composição de outras ligas metálicas, essa necessidade é dispensada”, afirma.

Produção

Darci Friebel é diretor comercial da Tramontina, tradicional empresa brasileira que, desde 1975, fabrica talheres. Ele conta que “a Tramontina possui amplo mix de colheres, produzidas em diferentes materiais e para usos diversos. Seja para uso pessoal, preparo de receitas ou até mesmo para momento de servir à mesa, a marca conta com opções totalmente de aço inox, com cabo de madeira ou propileno, feitas de bambu ou nylon. Entre os principais usos, estão colheres para café, sopa, sobremesa, coquetel, petiscos, refresco, capuccino, para açúcar, colher de mesa, para servir, para aperitivo ou couvert. O mercado de colheres de inox está em constante crescimento. Nesse sentido, não podemos pensar apenas na colher para tomar sopa. O crescimento acompanha os mais diferentes usos, que surgem a partir de pratos com gastronomia mais apurada e que precisam de utensílios específicos. Por exemplo, uma colher de refresco para servir uma sobremesa mais elaborada”.
Segundo Friebel, “a Tramontina produz, por mês, 1 milhão e 200 mil peças de colheres inox. O mercado é amplo e a Tramontina tem uma participação importante. Pessoas buscam opções que ofereçam segurança e conforto na utilização e, de acordo com sua necessidade, apostam em modelos com mais design ou funcionalidade”, afirma.
Para o diretor comercial, a função básica de uma colher não foi modificada no decorrer dos anos. O que mudou foi a forma como as pessoas a utilizam. “Surgiram utilizações mais específicas de acordo com o alimento que será servido ou consumido. Antigamente, se usava uma única colher para praticamente todos os tipos de alimentos. Agora, isso mudou. Essa tendência não só vemos em colheres, mas também em facas. Por exemplo, já há facas para cortar queijo, tomate, fiambres, legumes, pão, carne e assim por diante”, ressalta.
Outra empresa que há anos fabrica e vende colheres é a Brinox. Marina Gatelli é supervisora de marketing da marca e relata que os atuais modelos de colheres ofertados pela Brinox são as para “mesa, sobremesa, chá, café, arroz, todas em 14 linhas diferentes e a escorredora em uma linha”, detalha.
Conforme Gatelli, “o mercado de colheres segue o de talheres, sendo um dos pilares de utilidades. Cresce a cada ano, com foco no segmento de hospitalidade. No segmento doméstico, concentra a venda em faqueiros ou unidades avulsas, sendo o segundo mais representativo”, partilha.
Para a supervisora de marketing da Brinox, a mudança mais expressiva no nicho de talheres nos novos tempos foi a “migração das colheres de sobremesa para chá e o desuso das colheres de café”, pontua. Entretanto, ela enfatiza que “tudo está se reinventando, mas a função de serviço e consumo de alimentos que a colher desempenha não deve se perder”, acredita.

Como escolher?

Com tamanha diversidade de oferta, a escolha da colher ideal não é uma tarefa fácil. Afinal, já há opções de quase todos os tipos e funções. Por isso, Friebel, da Tramontina, aconselha que “o consumidor deve priorizar a qualidade da matéria-prima, como o aço inox. E, principalmente, a qualidade do acabamento nas bordas das colheres para garantir a segurança durante o uso e evitar o corte da boca durante a refeição. Além disso, saber escolher a colher certa para a utilização necessária é essencial. Além de utilizar as melhores matérias-primas que conferem maior resistência e durabilidade ao produto, a Tramontina realiza o lixamento da borda da colher para segurança do consumidor. Temos a maior variedade de opções em termos de design com mais de 30 linhas de inox e tipos de colheres para usos diferentes. São, pelo menos, dez modelos diferentes”.
Gatelli, da Brinox, considera que, ao escolher uma colher, as pessoas precisam ficar atentas ao seu “tamanho, ergonomia, qualidade e acabamento. As colheres da Brinox possuem espessura do aço, polimento e design. São produtos feitos para se adaptarem ao consumo dos alimentos”, salienta.
Nicolas Rodrigues, do Senac, acredita que a melhor escolha ocorre quando os tipos de colheres e suas respectivas reais funções são devidamente respeitadas. Com isso, confira, abaixo, a lista de modelos e aplicações que ele partilha.

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