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Paulo Cordeiro mostra como, em pouco tempo, a Doce Fado conquistou o sucesso

Paulo Cordeiro, chef e sócio do Doce Fado. De família portuguesa, Cordeiro decidiu lançar uma empresa de doces aqui no Brasil. Com mais de 25 anos de experiência na área de confeitaria e panificação, o português investiu e a ideia deu certo. Agora, a Doce Fado já conta com três unidades e começa uma franquia.
Com planos de levar a Doce Fado para outras regiões brasileiras, Paulo comemora o sucesso de uma empresa que está completando dois anos em 2016 e já faz sucesso com a clientela. Um dos fatores para fazer a doceria continuar crescendo é a rigorosa atenção à originalidade de cada prato.
Tudo começou há quase dois anos, em 2014, quando Paulo Cordeiro e Leonardo Romanelli inauguraram a primeira unidade da empresa no Mercado Municipal de Curitiba. A Doce Fado logo ficou conhecida por reproduzir os doces portugueses com maior autenticidade possível. Agora, a marca já tem três unidades na cidade e planeja a expansão para outros lugares no país, por meio de lojas próprias e franqueadas.
A ideia da Doce Fado, no começo, era esperar aproximadamente dois anos para planejar a segunda loja, mas com a repercussão da marca, tudo aconteceu de forma rápida. Foram apenas seis meses para que a marca se tornasse conhecida na região.
O chef é português e viu no Brasil uma grande oportunidade de empreender. Em 2012, diante da crise em Portugal, Paulo se mudou para as terras brasileiras e acabou trabalhando em uma padaria de Curitiba. Antes, ela já havia trabalhado na confeitaria de seu pai em Portugal, onde aprendeu todas as receitas tradicionais do país.
Apesar da intimidade com a cozinha, o chef precisou de uma ajudinha a mais. Paulo só conheceu o sócio mais para frente, durante uma visita na empresa V. Romanelli. Logo em seguida, eles resolveram criar a Doce Fado, que teve investimento inicial de R$ 100 mil. Os dois empresários somaram experiências diferentes ao negócio. Enquanto Cordeiro conhecia tudo sobre os doces, desde a produção até o consumo, para Romanelli tudo ainda era novidade. Essa combinação mostrou a importância de ter um brasileiro no negócio, já que poucas pessoas do país conhecem as iguarias portuguesas.
“Minha família é da cidade de Alcobaça (região central de Portugal), considerada um dos berços da doçaria portuguesa, pois grande parte dos doces conventuais foram reproduzidos no mosteiro ali existente. Desde criança, aprendi com o meu pai os segredos da melhor padaria e doçaria portuguesa, e me apaixonei por essa prática repleta de histórias. É um pouco dessa tradição que queremos espalhar pelo país, começando o nosso projeto de expansão pela cidade de Florianópolis, que recebe a primeira franquia da marca”, detalha o chef Paulo Cordeiro.

MATÉRIA-PRIMA
De acordo com o chef, todo o trabalho para garantir pratos mais próximos dos feitos em Portugal começa pela escolha de matérias-primas. Na Doce Fado, são utilizados ingredientes portugueses, como uma forma de garantir a ligação entre os dois países. “Com esse trabalho minucioso, conseguimos oferecer itens de altíssima qualidade. Escutamos diariamente que os nossos doces e pães são iguais aos de Portugal. Isso nos deixa muito orgulhosos, pois mesmo no outro lado do Atlântico, conseguimos manter as características da cultura gastronômica portuguesa”, comemora o chef.
Em abril deste ano, a Doce Fado inaugurou a primeira loja fora de Curitiba, em Florianópolis (SC). A unidade conceito é a primeira também como franquias, um negócio que havia sido projetado há algum tempo pela empresa. Mesmo acreditando na tradicionalidade de uma loja no mercado central, os sócios notaram o quanto unidades de rua poderiam fazer sucesso.
A Doce Fado trabalha com mais de 30 produtos na linha de produção, que podem ser consumidos no local ou levados para a casa. Um dos exemplos da empresa é o tradicional pastel de Belém, além do Pastel de Santa Clara e o Toucinho do Céu. “Sinceramente, nós não esperávamos tanto sucesso em menos de um ano. Para vocês terem uma ideia, chegamos a produzir 7 mil unidades do Pastel de Belém por semana”, conta Cordeiro.
Além desses pratos, o destaque também vai para a panificação portuguesa, como o pão de azeite e azeitonas e o pão de calabresa. “Além disso, trabalhamos com vários pratos que levam bacalhau, trazendo um pouco mais da cultura portuguesa para o Brasil”, completa o chef.
No início, a Doce Fado se caracterizava apenas pela produção de doces no cardápio, mas os pratos salgados logo ganharam espaço na empresa. Como a culinária portuguesa é muito vasta, ficou mais fácil aproximar os clientes dos pratos.

CULINÁRIA
A culinária portuguesa possui influências mediterrâneas e atlânticas em sua produção. O uso de peixes nas receitas é uma das características do país. A dieta mediterrânea é conhecida pela trilogia composta por pão, vinho e azeite. Além desses ingredientes, acrescenta-se produtos agrícolas, frutos frescos e sopas. Carnes também entram para uma grande composição de pratos, em especial a carne e víscera do porco, o presunto e embutidos. Outros ingredientes ganharam espaço com o tempo, é o caso do feijão e da batata, que atualmente atuam como produtos essenciais na elaboração de pratos.
Como colonizador de terras brasileiras, Portugal deixou uma enorme herança para nossa culinária. Conhecido por sua forma de cozinhar os alimentos e os temperos fortes, os pratos portugueses entraram para a cultura do país, somados com o conhecimento dos índios e os produtos típicos no Brasil.
O costume de comer pães, por exemplo, pode ser explicado pela influência portuguesa.
Lá, essas massas possuem grande demanda, além das variedades. Exemplo disso são pães feitos com milho, centeio, entre outros insumos. Em Portugal, a presença do ingrediente é ainda maior que no Brasil, sendo usado também em vários pratos, como nas tradicionais sopas.

DOCES PORTUGUESES
Um dos doces mais populares de Portugal é o Pastel de Belém, que possui como matéria-prima a nata. Estima-se que a receita surgiu por volta de 1837, por clérigos do Monteiro de Jerônimos. Por uma questão de subsistência, esses clérigos colocaram à venda os pastéis que produziam. Pelo fato de a localidade atrair muitos turistas, a iguaria começou a ser fortemente difundida.
Outro doce bem conhecido nas terras portuguesas é a torta de Azeitão, uma região de Setúbal, é a representação da região em forma de doce. Elas são produzidas a partir de ovos, com leve sabor de limão e canela. Em Braga, o doce que ganha vez é o pudim abade de priscos. A receita também tem origem nos mosteiros da região. Como Portugal é um país com forte representação religiosa em sua história, é normal que a tradição influenciasse outros setores, como a culinária.
O salame de chocolate, que já é conhecido no Brasil, tem origem portuguesa. Ao contrário do salame tradicional, a versão doce da receita contém biscoito de maisena, vinho, chocolate e, em alguns casos, nozes e castanhas também dão sabor ao doce.
Com um nome bem diferente, o Toucinho do Céu não deixa a desejar e é um dos doces mais consumidos em Portugal. Antes, essa sobremesa era produzida com banha de porco e daí surgiu o nome inusitado. Atualmente, a receita do Toucinho envolve açúcar, amêndoas, doce de gila e gemas de ovos.
Para quem prefere opções como tortas, pode se aventurar em uma versão de amêndoa Algarvia, que leva ao forno amêndoas caramelizadas. Com ingredientes fáceis de serem encontrados, a sobremesa é um prato bem conhecido na culinária portuguesa.

DOCE FADO
www.docefado.com.br

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