Certificação Kosher: atender a comunidade judaica exige preparo

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Brasil tem a maior comunidade judaica da América Latina e a 11ª no mundo

Certificação Kosher: atender a comunidade judaica exige preparo
“Atualmente, estão disponíveis no mundo quase 1 milhão de insumos e ingredientes para a indústria Kosher e verifica-se também um grande crescimento de lançamento de produtos nesta categoria nos últimos anos”, diz Lilian A. Miakawa, Coordenadora de Desenvolvimento de Negócios Food da Fuchs Lubrificantes do Brasil

De acordo com a Confederação Israelita do Brasil (CONIB), a comunidade judaica no país é a segunda mais importante da América Latina, atrás da Argentina e à frente do México, com 120 mil judeus entre os 204 milhões de brasileiros. Ou seja, 0,06% da população. Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados no Censo de 2010 apontam que, há exatos dez anos, 107.329 judeus já viviam em terras brasileiras, confirmando a segunda maior comunidade judaica da América Latina e a 11ª no mundo.
Por tradição, os judeus seguem uma alimentação chamada Kosher, que também é conhecida como Kasher. Trata-se de uma alimentação que segue as regras descritas no Torá, que é o livro sagrado dos judeus. A palavra Kosher, traduzida para o português, significa adequado ou bom. Assim, para os judeus, faz referência a tudo aquilo que é adequado para o consumo deles com o objetivo de buscar uma alimentação mais pura e que nutre o corpo e a alma. Nesse contexto, carnes, derivados do leite e vegetais estão incluídos nessa dieta. No entanto, para ser considerado Kosher, o alimento precisa respeitar uma série de regras rígidas durante a produção e o preparo, além de ser fiscalizado por um órgão especializado.
De olho em atender a comunidade judaica que escolheu o Brasil para viver e construir suas famílias, assim como suprir importantes requisitos do atual mercado global, algumas empresas brasileiras ligadas ao ramo food service já possuem a chamada Certificação Kosher.
Lilian A. Miakawa, Coordenadora de Desenvolvimento de Negócios Food da Fuchs Lubrificantes do Brasil, por exemplo, conta que a empresa conquistou a certificação no final do ano passado pela planta localizada em Barueri, São Paulo, por meio da certificadora STAR-K, uma das três maiores certificadoras Kosher do mundo, com reconhecimento internacional, sendo a quarta planta da FUCHS no mundo, além de Alemanha, Estados Unidos e África do Sul.
“A Certificação Kosher é um processo de certificação que garante alimentos produzidos de acordo às leis alimentares judaicas. Isso significa, para os lubrificantes de grau alimentício da FUCHS utilizados pelas indústrias de alimentos na lubrificação de seus equipamentos, que as formulações dos lubrificantes de grau alimentício e todo processo de produção atendem aos rigorosos requisitos das leis judaicas para receber o selo Kosher da Star-K, mundialmente reconhecido pela seriedade e credibilidade dentro dos círculos judaicos. Para a FUCHS, a conquista da certificação foi um grande passo para a consolidação de sua estratégia como fornecedor de referência global de lubrificantes de grau alimentício que atende aos mais elevados requisitos internacionais de segurança. A certificação da planta da Fuchs Lubrificantes no Brasil vem se somar a outras plantas do grupo já certificadas em outros países, trazendo um papel importante na logística regional para o crescimento da nossa operação nos países da América do Sul. E, para os nossos clientes, significa operar com lubrificantes mais seguros e confiáveis, que podem contribuir com a segurança alimentar de seus processos e produtos. No que tange a produção local, essa proporcionará também maior disponibilidade de lubrificantes de grau alimentício com certificação Kosher no mercado brasileiro e maior agilidade de atendimento, inclusive, nos países da América do Sul”, explica Miakawa.
A Alibra Ingredientes, empresa nacional especializada em fornecer ingredientes lácteos e não lácteos, misturas alimentícias em pó e substitutos de queijos para o mercado de alimentos e de bebidas, também já possui a Certificação Kosher.

Certificação Kosher: atender a comunidade judaica exige preparo
“Ampliamos as possibilidades de consumo dos nossos produtos e garantimos um maior controle de qualidade de todo o processo e produtos certificados”, destaca Carina Veiga Ozaki, Analista de Comércio Exterior da Alibra

Ana Paula Loch Schütze, Gerente da Garantia da Qualidade da organização, acrescenta que a “certificação habilita a empresa a fornecer produtos de acordo com os preceitos da Bíblia Judaica (Torá). Ou seja, é um documento emitido para atestar que os produtos fabricados por uma determinada empresa seguem às normas específicas que regem a dieta judaica ortodoxa. Segundo a certificadora BDK, órgão responsável pela avaliação e fiscalização dos alimentos, todo o alimento para poder ser consumido pelos seguidores da Torá precisa ser Kosher. E, para confirmar que as fabricantes de alimentos seguem as normas do sistema Kosher, surgiram as certificadoras Kosher, como o BDK do Brasil, que desempenham a tarefa de avaliação e certificação das indústrias alimentícias, verificam os insumos e suas procedências, o processo de fabricação, assim como a eventual influência de outros produtos e linhas de produção dentro da fábrica. Embora sejam produtos voltados principalmente para o mercado judaico, também atendem exigências adventistas, naturalistas, entre outras. Algumas características podem fazer com que os alimentos não obedeçam a essa regra, como a mistura de carne e leite, a utilização de utensílios de cozinha que foram anteriormente utilizados em produtos não Kosher, além de vários fatores ligados ao manuseio de carne, entre outros cuidados”, detalha.
Segundo Carina Veiga Ozaki, Analista de Comércio Exterior também da Alibra, a conquista da Certificação Kosher “proporcionou à Alibra atender diversos países e clientes da cultura judaica, assim como indústrias que também atendem esses países. Ampliamos as possibilidades de consumo dos nossos produtos e garantimos um maior controle de qualidade de todo o processo e produtos certificados”, destaca.
O Kurotel, eleito em 2019 pelo quinto ano consecutivo como o melhor Spa Clínico da América Latina, sendo também apontando como um dos melhores do mundo, também conta com a Certificação Kosher. Localizado em Gramado, no Rio Grande do Sul, “a gastronomia do Kurotel, Centro Contemporâneo de Saúde e Bem-Estar, destaca-se por ser saudável, gourmet, funcional, muito saborosa e prioriza alimentos orgânicos, atendendo a distintos perfis, como pessoas alérgicas, intolerantes, veganas e vegetarianas, por exemplo. Uma dieta com baixas calorias, pouco sal e sem açúcar refinado. A Comunidade Judaica sempre teve forte presença em nosso espaço desde a sua fundação, pois o Kurotel respeita a cultura, os hábitos, os costumes e a alimentação judaica. Existe uma clientela frequente, cativa e que coloca na sua agenda anual o Kurotel com prioridade para um momento de check-up anual de corpo, mente e espírito. Mas, agora, está ainda mais presente depois do spa receber o selo Wedo Kasher, sendo único no seu segmento. A partir da certificação, foi possível ampliar esse relacionamento, trazendo agora pessoas da comunidade religiosa, adeptas ao kosher e que estamos muito felizes em poder atender. Vale ressaltar que a certificação também passa a atender os praticantes da alimentação Kosher, que tem conquistado cada vez mais adeptos, independentemente de serem religiosos ou não. No segmento spa de destino, o Kurotel é o único a receber a certificação Kosher, de acordo com o rabino Moshe Eisencraft”, diz Rochele Silveira, Diretora da Kur Cosméticos e uma das Sócias-Diretoras do Kurotel.

O que precisa ser feito?

Certificação Kosher: atender a comunidade judaica exige preparo
Brasil tem a maior comunidade judaica da América Latina e a 11ª no mundo

Como a Certificação Kosher é um documento emitido para atestar que os produtos fabricados por uma determinada empresa obedecem às normas específicas que regem a dieta judaica ortodoxa, a sua conquista requer o cumprimento de algumas normas específicas, assim como constante fiscalização. Até porque o certificado é mundialmente reconhecido e atribuído como sinônimo de controle máximo de qualidade.
Schütze, da Alibra, esclarece que a conquista da certificação exige, “primeiramente, entrar em contato com um órgão certificador, no caso da Alibra é o BDK do Brasil, que irá avaliar o produto a ser certificado, sua formulação, matérias-primas, aditivos e fornecedores, e verificar se o produto atende aos preceitos judaicos. A empresa, então, faz um trabalho junto aos fornecedores, para garantir que os insumos, matérias-primas e embalagens também atendam ao sistema Kosher. Algumas matérias-primas consideradas mais críticas obrigatoriamente devem possuir certificação. Além disso, é feito um trabalho de segregação da produção, limpeza e estocagem de matérias-primas para garantir que não haja contaminação cruzada entre produtos Kosher e não Kosher durante o processo e estocagem pós-produção. Depois de implementadas todas as medidas para atender a produção Kosher, uma auditoria na planta é realizada pela certificadora para garantir o atendimento das normas judaicas e, então, obter o certificado. Após a conquista da certificação, os produtos continuarão sendo acompanhados periodicamente pelo órgão certificador, a fim de garantir que os produtos antes certificados continuem preenchendo todas as condições para tal. No caso de haver qualquer alteração dos ingredientes ou no processo de fabricação, esses deverão ser comunicados ao departamento de consultoria responsável. O certificado possui validade internacional de um ano, podendo ser renovado ao final desse prazo, mediante nova visita do rabino à fábrica”, resume.
Segundo Miakawa, da FUCHS, a conquista da certificação pela empresa foi decorrente de “uma série de investimentos na planta de produção, além de estruturas dedicadas para a produção dos lubrificantes de grau alimentício a fim de garantir a segurança do processo e dos produtos aos requisitos Kosher. Fortaleceu-se as boas práticas de fabricação, que se somaram a outras certificações já obtidas, como ISO 9001 e a ISO 21469, que são pré-requisitos que contribuem para o processo de certificação Kosher. Também houve o aprimoramento dos controles e dos processos internos, treinamentos internos e outros investimentos que envolvem o processo de implementação da certificação Kosher numa planta. A conquista da certificação Kosher se traduziu numa nova leitura sobre os produtos e processos utilizados em nossa planta. Trouxe uma visão mais holística e um senso ainda mais crítico mais apurado de todo o processo e tiveram como consequências a utilização de novas práticas, aprimoramento dos processos, maior qualificação de nosso pessoal. Esse processo de melhoria contínua vem proporcionando um sistema de qualidade mais robusto, mais ágil e, acima de tudo, mais confiável. O grande desafio no futuro será, cada vez mais, aprimorar os processos de qualidade e segurança de produção dos lubrificantes de grau alimentício para atender as novas e crescentes exigências de segurança e qualidade da indústria de alimentos”, pontua.
Já Silveira, do Kurotel, relata que “a certificadora Wedo Kosher, que nasceu com o propósito de expandir experiências e proporcionar um novo Kosher Lifestyle, foi a responsável pela consultoria ao Kurotel na elaboração dos cardápios, indicação de ingredientes e fornecedores, Kosherização de ambientes e utensílios e presença de um mashguiach durante toda a jornada do cliente, desde o pré-preparo, até a entrega do prato final. Em janeiro deste ano, toda a equipe Kurotel passou por um treinamento personalizado sobre regras e exigências especiais da Kashrut”, revela.
Qual é o retorno?

Certificação Kosher: atender a comunidade judaica exige preparo
“A certificação também passa a atender os praticantes da alimentação Kosher, que tem conquistado cada vez mais adeptos, independentemente de serem religiosos ou não”, ressalta Rochele Silveira, uma das Sócias-Diretoras do Kurotel

As empresas que já possuem o certificado garantem que o retorno compensa tamanho esforço e dedicação.
Miakawa, da FUCHS, avalia que “a certificação Kosher possui valor mercadológico que transcende o nicho de mercado judaico e aumenta a percepção do consumidor em termos de qualidade, confiabilidade e segurança alimentar. Isso se traduz em forte reputação e alto valor agregado ao produto/marca com selo Kosher, ampliando as perspectivas de público-alvo e consumidores como, por exemplo, pessoas com restrições alimentares como leite. Atualmente, estão disponíveis no mundo quase 1 milhão de insumos e ingredientes para a indústria Kosher e verifica-se também um grande crescimento de lançamento de produtos nesta categoria nos últimos anos. Esse cenário demonstra o potencial de crescimento desse mercado para a cadeia de fornecedores da indústria de alimentos, inclusive para os lubrificantes de grau alimentício”, ressalta.
Ozaki, da Alibra, acredita que a certificação “além de ampliar nossas possibilidades de fornecimento, mostrar aos nossos clientes que a preocupação da Alibra em melhorar os processos e garantir um melhor controle na qualidade dos nossos produtos é contínuo. A Alibra busca, incansavelmente, desenvolver as melhores soluções não apenas para o público Kosher, mas para todos os clientes e em todo tempo”, garante.
Silveira, do Kurotel, por sua vez, acredita que “a Certificação Kosher chancela a culinária de qualidade do Kurotel, atestando o cuidado dedicado de toda a equipe de nutrição e gastronomia desde a preparação e a seleção dos ingredientes, preferencialmente orgânicos e de produtores locais, até a higienização, preparo e apresentação dos pratos. É um estímulo para continuar o trabalho de oferecer refeições elaboradas para que se reflitam na melhoria da saúde de nossos clientes”, conclui.

Fuchs
www.fuchs.com/br/pt
Alibra
www.alibra.com.br
Kurotel
www.kurotel.com.br

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