Cenário 2018 e projeções para 2019

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As cortinas do ano de 2018 estão cerrando e, neste momento, entendemos ser valioso contar com uma leitura do que foi este ano e, mais ainda, do que podemos projetar para 2019.

Historicamente, desenvolvemos estudos apurados que nos permitem estimar, com alto grau de acuracidade, quais são os fatores que influenciam diretamente o mercado de food service, para os dois objetivos acima: entender o que acontece e prever o que acontecerá.
Não diferente dos últimos vários anos, emprego e renda do trabalhador, nessa ordem, encabeçaram a lista, mantendo quase total correlação com a evolução do mercado. A grande parte das outras variáveis é coadjuvante e, normalmente, só aparecem com alta relevância quando são desdobramentos da variação de emprego e renda.
Por mais que muitos empresários estejam reclamando de 2018, fato é que este ano fechará com um resultado positivo na casa de 2 a 2,5% de crescimento real no food service, fruto de uma trajetória de recuperação especialmente do emprego.

Este ano só não será um pouco melhor porque a paralisação dos transportes iniciada no início de maio comprometeu entre meio e um ponto percentual de crescimento no food service.
Nos últimos 6 meses, tivemos saldo positivo na geração de empregos no Brasil em 5 meses. Este saldo, beirando os 450 mil empregos adicionados, já indica o motivo fundamental que embasa o crescimento do nosso mercado, mesmo que parte deles não seja com carteira assinada.

É mais gente trabalhando e, por conseguinte, consumindo na rua ou menos capaz de cozinhar em casa. Significa também uma gradual recuperação de refeições coletivas e de vouchers, e por aí afora. Além de que mais gente trabalhando proporciona um aumento da massa salarial que circula no mercado e, com isso, mais consumo de forma geral.
Por um lado, porque a concorrência é maior e mais acirrada do que nunca entre empresas semelhantes, mas também entre empresas que não necessariamente competem diretamente. E, nessa arena competitiva, porque enquanto há muitas empresas sofrendo para se manter ou crescer, há uma quantidade muito importante de empresas surgindo, colocando pressão na panela.

Mas, por outro lado, há outro fenômeno bem evidente: uma enorme dicotomia entre expectativas e a realidade. Sinceramente, muitas e muitas empresas apostaram alto demais na recuperação do mercado para 2018 e, mesmo havendo um crescimento positivo, não foi o suficiente para atingirem suas metas aviltadas.

Inúmeras empresas projetaram crescimento do mercado na casa de 10% ou até mais para 2018, mas baseadas muito mais em expressão de desejo do que em fundamentos.

Nesse meio tempo, inúmeras movimentações importantes entre as empresas ocorreram, por exemplo a venda da operação brasileira da Starbucks para o SouthRock Capital, do Pizza Hut e do KFC para o Grupo Sforza, do Domino’s para o Vinci Partners, além dos bilhões de reais em investimentos anunciados por redes como Burger King, McDonald’s, Bob’s, Habib’s, entre outras.

O motivo de destacar esses investimentos, todos ocorridos entre dezembro de 2017 e outubro de 2018? Evidenciar que grande parte dos principais players desse mercado já tinha a leitura de que o ponto de inflexão da estagnação do mercado seria 2018 e, consequentemente, que um ciclo de retomada de crescimento será 2019.
Assim, vamos falar de 2019. Entendendo que a dinâmica do food service não muda substancialmente de um ano para o outro, consideramos um conjunto robusto de mais de 20 variáveis para nos ajudar a olhar os próximos anos, encabeçadas obviamente por emprego e renda.

O que se projeta, com o que há de concreto para o 2019 que já bate à porta, é a continuidade da recuperação do emprego, alguma recuperação da renda individual e, por consequência, da massa de renda. Recuperação, sim; a galope, não!
Este é o cenário que devemos todos ter em mente: não dá para esperar crescimentos acelerados, pois os fundamentos não apontam para isso. Nosso intervalo previsto para 2019: o food service crescerá entre 2,8 e 3,8%, descontada a inflação do setor; no alvo da meta: 3,3%!

Agora, há espaço para mais do que isso? Eu direi que, seguramente, há, com dois olhares… O primeiro: preparar o negócio para crescer mais, a partir de melhor entendimento de necessidades e tendências de consumo e aprimoramento da gestão de forma geral.

O segundo, em nossa análise bem recente: há a possibilidade de que ocorram melhorias no ambiente macroeconômico que gerem recuperação mais acelerada do que o que se prevê hoje em emprego, renda, investimentos etc. Se isso ocorrer, pode vir um 2019 melhor do que aproximadamente 3,3% de crescimento real; mas há que observar os primeiros meses do novo Governo.

Meu statement para 2019: o crescimento real do food service será de, no mínimo, 3,3%!
Que venha o Ano Novo e muita prosperidade para todos nós!

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