A cebola que faz rir

Empresários veem seus lucros subirem com a comercialização do item que tem sido a estrela de diversos cardápios

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Mandioquinha, batata frita, torresmo, calabresa, carnes, cubos de queijos, salame, azeitonas recheadas, canapés, muffins, carpaccios e tantos outros aperitivos já fazem parte do cotidiano gastronômico do brasileiro, principalmente durante uma conversa informal entre amigos, numa mesa de bar ou em uma confraternização. Quem já participou de algum evento ou reunião que foram servidos alguns alimentos como petiscos sabe da importância que eles têm naquele momento. Uma boa conversa sempre pede um aperitivo e uma bebida. Em algumas vezes, ele é usado como entrada, para depois ser servido o prato principal. Dentre uma infinidade dessas criações, há uma que vem ganhando espaço e ficando famosa em todo o país: a cebola gigante. É isso mesmo.

Pode soar estranho usar a cebola como tira-gosto, mas este produto está conquistando as pessoas. Claro que não é a pura e simples cebola a ser consumida, mas, sim, aberta e feita com sofisticação, empanada e acompanhada de molhos que a deixam muito mais saborosa. Esse alimento, também conhecido como cebola australiana, é bem maior que a tradicional encontrada nos mercados, e é exatamente por isso que ela oferece o trabalho culinário de ser aberta como uma flor e suas pétalas são o tira-gosto que é mergulhado em algum acompanhamento. Parece simples, mas a condição como é preparada, inclusive com segredos culinários de alguns estabelecimentos, tem feito a diferença e liderado os pedidos da categoria.

Sucesso

Com 60 restaurantes em 27 cidades brasileiras, a rede Outback Steakhouse é sinônimo de sucesso pela qualidade, fartura e sabor marcante da sua culinária, estilo descontraído de atendimento e instalações aconchegantes. No mundo, está presente em 22 países entre Europa, Américas e Ásia. No tradicional cardápio, além das famosas carnes, há opções para todos os gostos, variando entre saladas, sopas, massas, frango, peixe, sanduíches, sobremesas e opções para crianças. Todos os ingredientes utilizados são rigorosamente frescos e os itens que compõem o cardápio são preparados diariamente pela equipe de Outbackers – como são chamados os funcionários – no próprio restaurante. Entre as novidades trazidas para o Brasil pela rede, destacam-se a cortesia de refil de refrigerante e iced tea: o cliente só paga o primeiro copo e todos os seguintes são por conta da casa.

A Bloomin´Onion, como é chamada a gigante cebola dourada, é um dos ícones do Outback. “É servida com nosso molho Bloom, molho picante, perfeitamente harmonizado com os temperos da cebola,” conta Antonio Carlos Pontes, vice-presidente de Compras e Logística do Outback Steakhouse. Foi criada em 1988, por Tim Gannon, um dos fundadores do Outback nos Estados Unidos. Desde então, nunca saiu do cardápio. Na primeira noite em que o Outback abriu, em Tampa, EUA, foram vendidas apenas duas unidades. Hoje, só no Brasil, são mais de 90 toneladas por mês. Seu formato foi inspirado na Waratah, famosa flor típica do deserto australiano. Antonio Carlos diz que “hoje, o produto já é bastante conhecido entre os frequentadores da rede, agradando até mesmo aos que não são adeptos de cebola. Atualmente, são mais de 90 toneladas vendidas por mês no Brasil, sendo este um dos aperitivos mais vendidos pela rede no mundo todo. Atende de forma satisfatória a margem de lucratividade da rede, mas requer todo um cuidado com a produção de um tipo específico de cebola, só encontrada em climas adequados para o plantio”.

O cardápio do Outback segue um padrão mundial da rede e traz verdadeiros ícones, como a Ribs on the Barbie, a Bloomin´Onion, entre outros. Constantemente, são realizados estudos para a introdução de novos pratos, que são incluídos no cardápio conforme a estratégia global de inovação. No entanto, produtos como a Bloomin´Onion são marcas registradas da rede no país e estão extremamente conectados quando se fala em Outback. “O restaurante ficou muito conhecido como um local para compartilhar momentos especiais e este aperitivo, que chegou com a rede ao Brasil, é um sinônimo de fartura, sabor marcante e é perfeito para ser compartilhado, traduzindo fortes características da rede,” completa o vice-presidente.

Investimento

Inspirado nos famosos bares paulistas e pubs europeus, Lübeck Bar & Restaurante, localizado no centro da cidade de Socorro, interior de São Paulo, é passagem obrigatória para todos os visitantes do Circuito das Águas Paulistas. Inaugurado em 16 de fevereiro de 2011, com quatro ambientes, agradáveis e superdecorados, possui cardápio variado em cervejas e bebidas, chope artesanal e exclusivo da casa na caneca de 500 ml, porções de bolinhos, lanches e sobremesas. É detentor da franquia da cebola Big Onion e a famosa costelinha de porco com molho barbecue.

“Tínhamos dúvida quanto ao retorno do investimento (cebola gigante) que estávamos fazendo. Estava sendo iniciado um negócio totalmente novo e ainda sem experiência na área gastronômica. A decisão de fechar a franquia com a Big Onion representava um custo alto para nós, mas o produto realmente é um grande chamariz, a imagem vende”, informa Vanderlei Eduardo Bertoletti, proprietário do Lübeck. A cebola fica refrigerada em água trocada algumas vezes para retirar a acidez e até ela abrir-se, como uma flor. Ela é empanada, frita e servida acompanhada de molho levemente picante. É um prato que surpreende o paladar, a princípio pelo seu visual diferente e depois pelo seu delicioso sabor que, ao contrário da cebola normal, não é ardido. Muitas pessoas visitam o bar única e exclusivamente para comer essa cebola. O público, em sua maioria, é de turistas que já reconhecem o produto como diferencial e que está automaticamente associado ao bom gosto culinário e um ambiente agradável. “É um dos produtos com a maior margem de lucro do cardápio. O investimento da franquia foi pago em apenas seis meses”, orgulha-se Vanderlei.

Pioneirismo em exportação e importação de cebola

A Big Onion é exportadora e importadora de cebola desde 1998 e é a pioneira em colocar à disposição dos bares, choperias e botecos a cebola empanada e frita. Ailor Pericles Carrara, sócio-proprietário da companhia, explica que a cebola é assim caracterizada pelo seu tamanho e suavidade que, comparada ao que o mercado trabalha, é realmente descomunal. Ela é cortada por uma maquina importada para fazer as pétalas, e tem um preparo especial de empanar com farinha Big Onion. É frita e servida em prato branco, com um ramequim no centro trazendo o molho especial – este com o mesmo nome da empresa. “O grande diferencial é que, para empanar, nossa farinha não usa nem ovo e nem leite, portanto, não tem o perigo de estragar e pode ser usado no outro dia (guardado resfriado)”, explica Ailor. A receptividade dos clientes é enorme, pois o molho se destaca por ter um sabor picante e envolvente. É muito pedida, principalmente como entrada. É um produto lucrativo para os franqueados que utilizam os produtos Big Onion.

Sabor e textura agradáveis

A Paulista Burger faz parte da rede BovinuS, sendo a primeira hamburgueria do grupo, focando em itens com qualidade, tamanho diferenciado e produtos frescos. “Trabalhamos com a cebola brava, produto da empresa Nacho & Cia, e ela é cortada em pétalas, empanada com kit que a empresa disponibiliza, servida com molho condimentado e levemente picante. O diferencial dela é que não é carregada na pimenta do reino, mas, sim, em condimentos que a deixam com sabor diferenciado”, esclarece Itamar Mattei, chef supervisor da Rede BovinuS. O consumo médio, na Paulista Burger, é de 400 unidades/mês. É pedida geralmente em mesas compostas de três ou quatro pessoas, geralmente como acompanhamento do hambúrguer. “E, sim, é um produto lucrativo”, salienta. Itamar também informa que é um item diferenciado na apresentação e no sabor, fugindo um pouco do tradicional onion rings. A hamburgueria não se preocupa tanto com que a cebola seja extremamente grande, mas que tenha sabor e textura agradáveis, tirando o rótulo de ser uma cebola somente grande e cheia de pimenta.

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