Carne 100% vegetal já é realidade

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Produto proveniente de abate de animais será minoria no mercado em 2040, diz relatório divulgado por uma das maiores consultorias empresariais do mundo

Um relatório divulgado pela AT Kearney, uma das maiores consultorias empresariais do mundo, aponta que a carne proveniente de abate de animais será minoria no mercado em 2040. O mesmo estudo traz ainda a previsão de que 35% da carne consumida mundialmente em 2040 será cultivada em laboratório a partir de células de animais. Já os outros 25% serão oriundos de substitutos vegetais semelhantes à carne animal.
De olho nessa estimativa e no expressivo aumento do número de vegetarianos e veganos em todo o mundo nos últimos anos, as carnes sem abate, também conhecidas como carne 100% vegetal, carne limpa, carne 2.0, carne falsa e/ou carne sintética, já é a grande aposta de algumas marcas do mercado food service como produto alternativo à carne convencional.
A Seara é uma empresa de alimentos que vem apostando nessa tendência das novas carnes. A marca lançou, por exemplo, o Incrível Burger Seara Gourmet, que é um hambúrguer vegetal feito 100% de soja não transgênica e que combina beterraba, alho e cebola.
Segundo a assessoria de imprensa da organização, “a Seara Alimentos já tinha em seu portfólio o Hambúrguer Mix de Cogumelos Seara Gourmet, que é vegetariano e feito com mix de cogumelos (shimeji, shiitake e paris) e requeijão”, diz a empresa, completando que, posteriormente, a marca passou a oferecer o Incrível Burger Seara Gourmet, que é 100% vegetal. “A Seara Alimentos entendeu que era necessário oferecer opções para quem não quisesse comer um hambúrguer de origem animal. Para produzir um produto 100% vegetal, a empresa levou dois anos pesquisando e desenvolvendo sua própria fórmula para garantir que a qualidade surpreendesse aos consumidores com inconfundível sabor e textura de carne, além da similaridade na aparência. Com a crescente demanda do mercado por alimentos de origem vegetal e relacionados, a companhia ajustou seu pipeline de inovação e continuará investindo para crescer no segmento. Essa é uma tendência que chegou para ficar. A aposta da Seara Alimentos em produtos feitos de proteína de origem vegetal é certa, visto a alta demanda desse mercado, tanto no Brasil quanto no mundo. Visamos atender a todos os públicos que buscam uma alternativa de consumo em relação às proteínas de origem animal. As proteínas feitas a base de vegetais da Seara Alimentos são recomendadas para o consumo de todas as pessoas, sem restrições”.
O Incrível Burger Seara Gourmet vem em embalagem com duas unidades de 155g e com 27g de proteína cada um. “Nossa expectativa é atingir cerca de 15% de market share do mercado de meatless em até três anos”, destaca a assessoria de imprensa da Seara.

Na praça

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Deco Meisler e Thomas Troisgros, sócios no T.T.Burger

Também antenados em relação ao aumento da procura por carne sem ser de origem animal, alguns donos de lanchonetes, bares e restaurantes já ofertam a nova opção aos seus clientes.
Um dos primeiros estabelecimentos brasileiros de alimentação fora do lar a incluir a nova carne no seu cardápio foi a rede carioca de hamburguerias T.T. Burger.
André Meisler, CEO da marca, conta que a nova carne servida nas hamburguerias é “proveniente de um parceiro chamado Fazenda Futuro. Eles são a primeira FoodTech brasileira e desenvolveram um burger com gosto e textura de carne, porém 100% a base de plantas. Após alguns testes que fizemos em loja, o Thomas Troisgros, meu sócio, aprovou a versão e fomos o primeiro estabelecimento no Brasil a vender o produto”, diz.
O Futuro TT foi lançado no mês de maio do ano passado, mas a rede T.T.Burger já conta com produtos vegetarianos desde 2016.
Segundo Meisler, a inspiração para começar a trabalhar com hambúrgueres sem ser de origem animal surgiu de uma viagem que ele fez há cerca de quatro anos para São Francisco, nos Estados Unidos, para participar de “um seminário sobre novas tecnologias da Singularity University. As primeiras foodtechs americanas (como Impossible Foods, Beyond Meat e Memphis Meats) já estavam na pauta do ‘Futuro da Alimentação’ e com um propósito superinovador de conseguir transformar a indústria da carne sem precisar utilizá-la. Eu me apaixonei pelo assunto. Eu e Thomas debatemos durante alguns anos sobre essa possibilidade, até que o Marquinhos (Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro), coincidentemente, apareceu com um protótipo de carne desenvolvida através de neurociência e inteligência artificial nos pedindo para testar e criticar o produto final. Do ponto de vista de custo de produto, é bem similar. Esperamos, no entanto, que, com o tempo, o custo do Futuro Burger fique mais barato que a carne comum. Até pelo aumento da demanda e pelo ganho de escala desse mercado. Do ponto de vista de processo, a única diferença é que preparamos o Futuro TT em chapas separadas do TT Burger tradicional”, detalha o CEO, que ainda partilha que “o produto trouxe um público novo para dentro de nossa loja. Quarenta por cento das pessoas que experimentaram o Futuro TT nas quatro primeiras semanas eram clientes novos, nunca haviam entrado em uma de nossas lojas. Observamos muitos clientes veganos consumirem o produto, obviamente. Mas o que mais impressionou foi a quantidade de flexitarianos, aquela turma que segue a dieta vegetariana, mas se permite comer carne de vez em quando”, pontua.
A média de venda do Futuro TT’s por loja T.T Burger é de duas mil unidades e, por mês, “20% da demanda total de burger”, diz. “Com as carnes à base de plantas, você pode comer um burger com sabor muito próximo ao de origem animal, mas sem aquela sensação pesada, que algumas vezes acontece ao final da experiência. Mas, cuidado! Você pode ficar viciado!”, alerta Meisler.

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