Atenção às mudanças

Eli Abada, do Si Señor, fala sobre dinâmica brasileira e a necessidade de reformulações constantes

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O Si Señor, atualmente, possui várias unidades e conta com um ambiente que faz alusões à chamada cultura Tex-Mex, contando, ainda, com planos de expansão. Nesta entrevista realizada para a Food Service News, o fundador da rede, Eli Abada, destacou a sua trajetória profissional e alguns pontos importantes a respeito da marca. “O mercado brasileiro como um todo tem muitas variáveis, e para o Casual Dinning isso se potencializa, tornando cada decisão muito arriscada. A dinâmica do Brasil muda muito, seja ela economicamente, seja em relação ao gosto do público. Nós precisamos sempre estar atentos para acompanhar essas mudanças. É um processo eterno de “afinação” do nosso negócio”, disse ele à publicação.

De acordo com a empresa, a marca segue três premissas, que são: ótima comida, boa música e atendimento de qualidade. O cardápio se destaca por ser um cardápio variado, que atende a diferentes tipos de gostos e que, inclusive, apresenta opções de pratos que não levam pimenta em sua composição. Há, também, adaptações que foram feitas pensadas nos hábitos dos brasileiros. “Agora que voltei a atuar como Diretor Operacional da rede, tenho trabalhado em cima de metas e planos. Entre essas metas estava a reintrodução da promoção “El Double” e o novo cardápio Texas-Grill, dois projetos que já estão nas operações e que têm trazido um ótimo resultado. Também é meu objetivo, enquanto gestor, criar uma unidade e parceria entre todos os departamentos que estão sob minha responsabilidade, para que eles se tornem embaixadores do nosso espírito e personalidade”, frisou Abada.

Food Service News: Quais os principais pontos da trajetória da empresa que você destaca?
Eli Abada: O ponto que marcou o nascimento do Sí Señor foi a divergência que havia entre meu sócio e eu na gestão do restaurante El Kabong. Eu tinha o desejo de transformá-lo numa rede, abrindo novos restaurantes, enquanto ele gostaria de mantê-lo do jeito que estava. Por essa razão, em 2007 rompemos a sociedade e eu transformei dois, dos três restaurantes El Kabong, em Sí Señor.

Essa foi uma decisão arriscada, pois o El Kabong tinha um nome muito forte e eu sabia que a simples mudança de marca provocaria uma grande queda no faturamento dos restaurantes. Dito e feito. Além disso, logo após essa virada, tivemos que manter uma das nossas lojas fechadas durante nove meses, até conseguirmos a regularização na prefeitura. Aquele foi um período de muitas incertezas e de bastante trabalho, mas logo o Sí Señor começou a cair no gosto da galera e já em 2008 abri a unidade de Pinheiros, iniciando a nossa expansão. Na época, não havia um plano muito estruturado, a gente expandia mais com a coragem do que com as possibilidades.

Em 2009/2010 o Brasil vivia um período de otimismo e, assim, surgiram fundos de investimentos interessados em nós. Foi um longo período de conversas até que em 2013 fechei a parceria com o fundo de investimento JMGEP. A princípio, ficou combinado que o fundo iria assumir o controle da rede e eu ficaria como um conselheiro.

Durante os anos de 2013 e 2014, aceleramos o processo de expansão e tornamos nossa estrutura mais sólida. Entretanto, já na virada de 2014 para 2015, começamos a ser impactados pela crise que tem abalado o nosso país. Por causa disso, tivemos que nos readequar e repensar em alguns planos. Freamos a nossa expansão, revisamos todos os nossos processos e otimizamos nossas operações. Com essas mudanças, temos conseguido enfrentar a crise sem sofrer muito com ela. Conseguimos manter as casas cheias. Neste ano de 2016, reassumi o controle operacional da empresa e venho trabalhando ativamente para que ela continue a crescer e a proporcionar uma experiência de qualidade para nossos clientes.

FSN: Por que resolveu investir nesse tipo de cardápio?
EA: Aos 13 anos, eu me mudei com meus pais para San Diego, na Califórnia, local em que morei até os 24 anos. Lá, trabalhei em uma rede de restaurantes, onde conheci toda a operação desse tipo de negócio e me afeiçoei com esse tipo de culinária. Quando voltei para o Brasil, sentia falta daquela comida e não encontrava nenhum bar ou restaurante que ofertasse aquele tipo de cardápio. Foi então que, em 1993, para sanar essa “carência”, abri o El Kabong. Nunca imaginei que minha vida profissional seria em cima desse tipo de negócio. Achava que era algo temporário, mas estou aqui até hoje.

FSN: Quais são os diferenciais da marca?
EA: Acredito que o diferencial da nossa marca está no fato de ela conseguir trazer uma experiência completa da cultura Tex-Mex, porém adaptada aos gostos do público brasileiro. Conseguimos isso unindo a qualidade e o sabor da nossa comida ao nosso ambiente fascinante e à nossa trilha sonora.

FSN: Como é o seu trabalho no dia a dia?
EA: Agora que voltei a atuar como Diretor Operacional da rede, tenho trabalhado em cima de metas e planos. Entre essas metas estava a reintrodução da promoção “El Double” e o novo cardápio Texas-Grill, dois projetos que já estão nas operações e que têm trazido um ótimo resultado. Também é meu objetivo, enquanto gestor, criar uma unidade e parceria entre todos os departamentos que estão sob minha responsabilidade, para que eles se tornem embaixadores do nosso espírito e personalidade.

FSN: De que forma você enxerga esse mercado?
EA: O mercado brasileiro como um todo tem muitas variáveis, e para o Casual Dinning isso se potencializa, tornando cada decisão muito arriscada. A dinâmica do Brasil muda muito, seja ela economicamente, seja em relação ao gosto do público. Nós precisamos sempre estar atentos para acompanhar essas mudanças. É um processo eterno de “afinação” do nosso negócio.

FSN: Quais são os principais desafios?
EA: Como falei na questão anterior, é sempre difícil fazer projetos de longo prazo no Brasil. Mas em meio a este cenário, talvez o nosso maior desafio seja tornar a culinária Tex-Mex um objeto de desejo para o brasileiro, que ainda enxerga o Sí Señor como um restaurante mexicano e com pratos apimentados. Também existe uma dificuldade enorme em manter um bom padrão de atendimento. O custo e a dificuldade para desenvolver uma equipe sólida e motivada é muito alto.

FSN: E as principais vantagens?
EA: A vantagem do Sí Señor é que ele foi um dos primeiros restaurantes com essa proposta aqui no Brasil, e hoje somo líderes do mercado Tex-Mex. Assim, nos tornamos referência para o público.

FSN: Como se destacar em um mercado cada vez mais competitivo?
EA: Para se destacar é preciso trabalhar para aumentar cada vez mais a percepção de valor que os clientes possuem de nós, deixando bem claros as vantagens e os benefícios que oferecemos a eles. Por isso, acompanho de perto as tendências e nos moldamos a ela e ao mercado, claro, sem perder a nossa autenticidade. Estamos sempre numa busca eterna por melhorias, e isso sempre nos tira da nossa zona de conforto, tornando nossos restaurantes dinâmicos e sempre atrativos.

FSN: Na sua opinião, como é possível obter êxito profissional?
EA: Com dedicação e um inconformismo que luta para entregar o melhor sempre. Quando você serve os outros do jeito que gostaria de ser servido, independentemente da área de atuação, provavelmente vai encontrar êxito.

FSN: Quais são as expectativas para a empresa em médio e em longo prazo?
EA: Como plano em médio/longo prazo, é tornar a nossa culinária mais conhecida pelo público brasileiro, quebrando o preconceito com a comida mexicana e nos desassociando da culinária pesada e apimentada. Além, é claro, de retomar o nosso plano de expansão.

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