Arte e cultura na cozinha

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Tortas ilustradas com rostos de personagens criadas pela canadense Jessica Leigh são uma verdadeira ‘febre’

Arte e cultura na cozinhaTorta ou tarte. Esses são os nomes de uma iguaria culinária internacionalmente conhecida por ser um alimento cozido ao forno, feito com massa de farinha e recheado com diferentes ingredientes, tanto salgados quanto doces.
Com o decorrer dos anos, a torta ganhou novas versões e sabores. Porém, foi nas mãos de uma canadense e toda a sua criatividade que a receita voltou a brilhar nos últimos anos.
Jessica Leigh Clark-Bojin, também conhecida como “thePieous” no mundo virtual, anda fazendo o maior sucesso com suas tortas ilustradas com rostos de personagens. Só no seu perfil no Instagram (@thePieous), a artista tinha 68,6mil seguidores até o fechamento desta edição, uma verdadeira ‘febre’.
As tortas de Clark-Bojin chamam muita atenção pela impressionante reprodução que ela consegue fazer de vários personagens.
Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, a canadense, que é casada e tem um filho, revelou que suas tortas são “criadas usando uma série de estênceis feitos à mão e pós comestíveis, como canela ou cacau. Uma vez que os recursos básicos estão no lugar, eu esculpo e pinto os detalhes como cabelos, roupas e elementos de design de fundo”, contou.
Clark-Bojin mora em Vancouver, no Canadá, e cursou quatro anos de Artes Plásticas. Ela contou que começou a fazer tortas “por motivos alimentares, há cerca de quatro anos. Eu tinha feito uma promessa de Ano Novo para não comer açúcar refinado ou substitutos do açúcar pelo período de um ano. Com isso, eu fiquei, realmente, desesperada para achar algum tipo de sobremesa que eu poderia comer. Eu sabia que, teoricamente, que podia fazer uma torta decente de degustação usando apenas maçãs, temperos e massa crocante sem açúcar. Mas não tinha experiência na cozinha. Naquele momento, eu só usava meu forno para assar figuras de argila de polímero. Entretanto, eu estava determinada. Então, eu comprei uma caixa de crisco, segui as instruções do pacote e fiz minha primeira torta. E foi muito bom! Por acaso, recortei a forma de um dragão por cima e minha família achou que era legal. Então, continuei fazendo desenhos artísticos para minhas tortas. Enquanto procurava inspiração online, descobri que a arte de assar torta decorativa estava fora de moda há cerca de 200 anos e eu meio que tomei isso como um desafio para ressuscitar a forma de arte”, partilhou.
De lá para cá, Clark-Bojin fez dezenas e dezenas de “retratos de torta ou Pietraits”, como ela mesma denomina sua arte. “Eu me inspiro em tudo, desde personagens de desenhos animados a atores e músicos famosos, amigos e família. Gosto muito de quadrinhos de ficção científica/fantasia, filmes, jogos e programas de TV. Então, a maior parte da minha inspiração vem dessas fontes”, disse.
A artista dividiu ainda que “torta decorativa combina meus amores pela ciência, arte e design com o prazer genuíno de todas as coisas da cultura pop. Eu acho que a confluência desses elementos é o que contribuiu para o meu sucesso. Eu sou uma nerd. Faço a peregrinação anual à Comic Con, tenho um quarto na casa dedicado à minha coleção de Lego, exibo figuras de vinil na minha sala de jantar em vez de pratos de porcelana. Minha casa é um santuário para os universos de fantasia com os quais cresci e para os novos de que gosto hoje. É natural para mim criar homenagens aos jogos, filmes, quadrinhos, brinquedos, bandas etc. Coloco tudo que eu amo nas minhas tortas e sempre fico emocionada quando outras pessoas também gostam do meu trabalho! As tortas são ótimas, existem em todas as culturas da Terra e juntam famílias. Elas não merecem a reputação abafada que se estabeleceram a elas”, enfatizou.

Mais que tortas

Arte e cultura na cozinhaApesar de serem vistas e desejadas por milhares de pessoas na Internet, as tortas de Clark-Bojin não são comercializadas para o público aberto. Ela esclareceu que suas iguarias não são criadas com o intuito apenas econômico. Pelo contrário! A canadense garantiu que seu trabalho tem um propósito bem maior.
“Eu só vendo para clientes corporativos, mas sempre fico feliz em ensinar as pessoas como fazer suas próprias tortas de personagens. Eu, raramente, comercializo as tortas diretamente. Vendo livros, ferramentas, cursos e outros materiais destinados a inspirar as pessoas a criar as suas! Minha missão é provar ao mundo que as tortas podem ser tão mágicas e épicas quanto qualquer outra sobremesa lá fora. Para que isso aconteça, preciso proliferar meus conhecimentos e descobertas e não acumular minhas técnicas para mim. Com isso em mente, eu publico clipes tutoriais gratuitos no meu Instagram todas as semanas, passo pelo menos uma hora por dia respondendo a perguntas dos seguidores e publiquei uma versão em e-book do meu livro de instruções Pie Art ‘Pie Modding’ na Amazon. Nada me deixa mais feliz e emocionada com o fato de mais e mais pessoas estarem mergulhando e se transformando em também torcedores dessa arte”.
Clark-Bojin complementou ainda que para ela, “Pie Art não é uma ‘nova moda’. É a descoberta de uma forma de arte perdida, uma maneira de expressar nosso amor pela comida e pela cultura pop, uma maneira de descobrir novas culturas, novos sabores, novas técnicas de alongamento criativa e intelectualmente, uma nova maneira de fornecer doces especiais para pessoas preocupadas com a saúde. Assim como é uma maneira de conhecer novas pessoas e relacionarmos com a próxima geração, além de transmitir nosso amor pelo cozimento e, acima de tudo, uma nova maneira de se divertir!”.

O melhor trabalho

A variedade das tortas de Clark-Bojin é tão grande que fica difícil escolher qual é a mais bonita e, com certeza, saborosa. Mas, a pedido da nossa reportagem, a artista conseguiu eleger o seu melhor trabalho.
“Eu realmente gostei de fazer a minha mais recente homenagem ao músico Prince, pois me deu uma desculpa para usar muitas pitadas roxas”, disse.
Entretanto, acima de preferir uma torta específica, a canadense ressaltou que o seu trabalho resgata cultura. “Eu acho que é sempre uma boa ideia continuar experimentando e dando continuidade quando se trata de arte. E eu estou realmente satisfeita por ver a comunidade de cozinheiros em geral abraçando o potencial da Pie Art”, finalizou.

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