Alternativa saborosa

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Mesmo não sendo um animal popular como o boi, o frango e até mesmo o peixe, o camarão tem sido uma nova escolha na dieta do brasileiro. A aposta no camarão é otimista devido à facilidade e praticidade de adaptação desse crustáceo ao combinar uma vasta variedade de temperos, elaborações e atraentes apresentações visuais. Além do sabor agradável ao paladar, o camarão é rico em propriedades fundamentais para a saúde do consumidor. Fonte de proteína, cálcio, ferro, vitaminas, ômega 3 e colesterol, essas substâncias fazem do animal um alimento benéfico no combate a doenças cardiovasculares, no controle da pressão sanguínea, entre outros.

Seja pela tendência de uma alimentação mais leve, pelo preço acessível ou maior facilidade de compra e criação de pratos, esse crustáceo, pouco a pouco, tem conquistado seu espaço nos cardápios e na economia nacional.

Carcinicultura

A carcinicultura é a criação e produção de camarões em cativeiro. O cultivo é feito em tanques e a produção é viabilizada para o consumo humano. A vantagem dessa atividade do setor primário é assegurar produtos com mais controle e regularidade em relação à pesca tradicional, feita em mar aberto.

Atualmente, pode se dizer que quase 30% de todo o camarão comercializado no mundo provêm da carcinicultura. Essa atividade é a primeira etapa na qual o camarão é submetido antes de chegar ao food service ou ao prato do consumidor final. O Nordeste é a região brasileira onde está concentrada a maior parte da criação de camarão do país; a região representa cerca de 95% da produção nacional.

Uma das mais importantes empreendedoras ligados ao setor de Engenharia e Agrobusiness, o grupo Secom é um dos maiores produtores e distribuidores de camarão no Brasil. Há 32 anos em atividade, a Secom Aquicultura é uma das principais criadoras e comercializadoras desse crustáceo no país. A produção de aproximadamente 1.500 toneladas de camarão por ano, que são distribuídas para os restaurantes e redes anexadas do grupo, é feita na propriedade localizada no Delta do Parnaíba, estado do Piauí. Nos 900 hectares da fazenda estão distribuídas estruturas de tanques de água, laboratórios, frigoríficos e outras estruturas responsáveis pelo controle de todo o ciclo do camarão, reprodução, larvicultura, engorda e beneficiamento.

Carlos Augusto, diretor de Franquia e Expansão do Grupo Secom, explica o ciclo do camarão, que passa por diferentes etapas antes de chegar ao consumidor final. “No laboratório são selecionados os reprodutores, que ficam em tanques escuros e em total silêncio para a cópula. Após a desova das fêmeas, as larvas são separadas até eclodirem. A partir daí, entram na fase de pós-larva, seguida da fase de engorda nos grandes viveiros da fazenda. Quando atingem o peso ideal, são despescados e vão para o beneficiamento”. Segundo ele, o ciclo do camarão pode variar de três a seis meses, dependendo da espécie.

O breve período de tempo para completar todo o ciclo do camarão pode ser um ponto positivo para o empresário que tiver interesse em investir nesta atividade. No Brasil, os fatores sócio- econômicos favoráveis à carcinicultura são: geração de emprego e renda para população local, desenvolvimento sustentável em razão da conservação ambiental e condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento do animal, principalmente na região Nordeste, onde a água salgada está disponível em abundância. Por outro lado, nem todo investimento é 100% estável. Carlos Augusto afirma que “hoje, o setor passa por algumas dificuldades, como, por exemplo, a alta do dólar, a proliferação de vírus, altas taxas de impostos e o alto custo para a manutenção de infraestrutura”.

Associação

Criar camarão pode ser uma alternativa promissora no que diz respeito à relação custo-benefício. Além de ser uma atividade de retorno financeiro rápido, o mercado brasileiro é pouco competitivo em produção nacional. De acordo com Itamar Rocha, presidente da ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Camarões), “esta espécie é um produto altamente desejável e tem apresentado um consumo interno crescente. Na atualidade, o agronegócio do cultivo do camarão gera uma receita líquida em torno de 35% da receita bruta, o que é considerado um excelente negócio na área da produção do setor primário da economia brasileira”. O presidente afirma que, nos últimos anos, houve crescimento notável no aumento da oferta do camarão cultivado no mercado nacional. “Em 2005, o consumo per capita de camarão era de 125,16g. Atualmente, o nível de consumo per capita chega à cifra de 550,0g, e a produção nacional alcança a cifra de 80.000 toneladas por ano”.

No Brasil, o camarão não é um produto de consumo popular como as tradicionais carnes vermelhas e de frango. Todavia, o consumo de camarão vem aumentando consideravelmente com a maior oferta do produto no mercado doméstico. A ABCC reconhece que, para que haja maior procura do crustáceo, é necessário um ajuste da comercialização do produto no mercado, para que desta forma os preços praticados no varejo se tornem mais competitivos em relação às carnes vermelhas e de frango.

No âmbito econômico, a carcinicultura gera boa rentabilidade não apenas nas médias e grandes empresas, mas também em pequenas unidades. Segundo Rocha, a atividade gera empregos no meio rural para trabalhadores “de escassa qualificação profissional, apresentando, portanto, características econômicas e sociais que podem e devem ser aproveitadas nos planos governamentais de inclusão social e produtiva no campo”.

Apesar de ser uma atividade relativamente recente na economia brasileira, fatores como regularidade de fornecimento, padronização de tamanho e qualidade, colocaram o camarão cultivado na preferência do consumo nacional de pescados, não havendo grandes dificuldade para inseri-lo nos diversos nichos de mercado do país.

Conforme dados da ABCC, o consumo de camarão vem crescendo lentamente em diversos países. Os Estados Unidos são o principal consumidor de camarão no mundo, seguidos porJapão, países asiáticos e da União Europeia. Atualmente, além da produção para consumo local, o mercado de exportação parece bastante favorável aos produtores brasileiros. O presidente Itamar Rocha afirma que, devido uma enfermidade denominada SEM (Síndrome da Mortalidade Precoce), houve desabastecimento do mercado internacional, gerando enormes perdas à produção asiática. Desta forma, o camarão brasileiro surge como uma alternativa competitiva, o que resultou em operações de exportação para os mercados do Vietnã e em negociações de vendas para a Tailândia, China e Coréia do Sul.

A ABCC é uma sociedade civil, sem fins econômicos, que tem por objetivo promover o desenvolvimento da carcinicultura em todo o território nacional. Ela atua na defesa, associação, regularização e orientação de todos os produtores de camarão no Brasil. Além de organizar estudos e pesquisas em áreas direta ou indiretamente relacionadas com a atividade, ela promove simpósios, conferências sobre os aspectos técnico-científicos e comerciais, desenvolvimento sustentável da carcinicultura, inclui selos de qualidade para a carcinicultura, entre outras funções.

Produto diferenciado

Fundada em 1984 pelo executivo Fernando Perri, a Vivenda do Camarão é a primeira e maior rede de restaurantes de frutos do mar do Brasil. A primeira casa foi aberta na região de Moema, São Paulo, com a missão de levar para o consumidor o melhor do camarão nacional a um preço acessível. O sucesso ao longo dos anos e a abertura de outras filiais por diversas regiões do Brasil viabilizaram a montagem de uma Central Processadora de Alimentos, localizada em Cotia, região metropolitana da capital paulista. Na Central, são processadas mais de 2000 toneladas de pescados por ano e os equipamentos de última geração garantem a produção de 700 mil refeições mensais. Hoje em dia, a empresa conta com mais de 150 lojas, atendendo uma média de 5 mil pessoas mensalmente em cada unidade.

Para chegar até o prato do cliente, o camarão passa por um longo processo. O sócio-diretor da rede, Rodrigo Perri, conta que o camarão é cultivado em fazendas de criação no Nordeste, onde é pescado e enviado à central de processamento. “Na central, o produto é descascado e desviscerado, seguindo, então, para o processo de cocção e embalagem”. Em seguida, os produtos sofrem choque térmico e são rapidamente congelados e acondicionados em embalagens e ambientes que preservam 100% as características naturais do camarão. Após o congelamento, o produto é distribuído para os mais de 180 restaurantes da rede Vivenda do Camarão espalhados pelo Brasil e outras redes de supermercados, hotéis, bares, restaurantes e cozinhas industriais. A Vivenda do Camarão oferece mais de 50 opções de pratos quentes, além de saladas, petiscos e sobremesas.

O sócio-diretor da Vivenda do Camarão aponta os benefícios de comercializar este tipo de produto. “A vantagem é trabalhar com um produto diferenciado, desejado pelo consumidor. A demanda por produtos à base de camarão vem crescendo muito nos últimos anos, acompanhando o crescimento da renda per capita da população brasileira”. O empresário enxerga grande potencial de crescimento do mercado e acredita que tendências por refeições leves e saudáveis também influenciam no crescimento do food service na área de camarão, principalmente por parte de clientes do sexo feminino das classes A, B e C, público-alvo de maior predominância segundo ele.

Contudo, deve-se reconhecer que o mercado brasileiro desse crustáceo leva desvantagem devido à falta de ajuste da demanda, que é maior que a oferta, o que faz elevar o preço desse produto. “O maior problema é conseguir um produto de qualidade a preços competitivos. O camarão é o produto que teve o maior aumento percentual desde a implantação do plano Real, chegando a mais de 1.000% ao longo de 20 anos”, afirma o executivo.

Para quem deseja ser um franqueado da Vivenda do Camarão, o executivo é otimista. “A Vivenda possui parceiros antigos e, devido ao grande volume e enormes investimentos no processamento e indústria, conseguimos, ao longo do tempo, repassar pouco este preço ao consumidor final”. Segundo ele, o investimento total para a abertura da uma unidade está em torno de R$443.000,00 a R$ 580.000,00, chegando ao faturamento médio bruto de R$95.000,00 por mês e prazo de retorno do investimento de 24 a 36 meses. O sócio-diretor acredita que os preços justos, a agilidade de um fast-food e os vários prêmios e selos internacionais conquistados contribuem para a Vivenda do Camarão ser reconhecida entre os concorrentes desse segmento.

Matéria-prima de qualidade

Ao perceber um mercado pouco explorado de food service com foco em camarão, o Grupo Secom enxergou nele “uma matéria-prima de alta qualidade e grande oportunidade de unir a alta gastronomia com o estilo e o preço do food service”.

A rede Camarão & Cia elabora seus pratos com frutos do mar em geral, tendo sempre o camarão como protagonista. Segundo o diretor Carlos Augusto, por meio de uma equipe especializada, as receitas e os pratos são criados manualmente e passadas por treinamento para todos os funcionários da rede, tendo sempre como objetivo o padrão de qualidade exigido pelo grupo. “O cardápio da rede é recheado de diversas opções, desde deliciosas saladas, passando pelas massas, petiscos até cardápios especiais como a “Hora do Crepe” e o “Happy Hour”, pontua.

O diretor desmistifica que o preço e o tipo dessa matéria-prima oferecida seja inacessível. “Como rede, nós não percebemos nenhuma grande dificuldade. Prova disso é que crescemos cada dia mais, conquistando um público diversificado e exigente em todas as partes do Brasil”, afirma o executivo. Relatando que o público é extremamente receptivo, ele acredita que parte dessa dificuldade de introduzir o camarão como alimento acessível a todos os públicos deriva do produto ainda ser pouco explorado no mercado, em razão de um rótulo criado de que, obrigatoriamente, um produto mais caro é consumido apenas pelo público das classes A e B.

O diretor aposta no potencial do camarão como sucesso no segmento de food service desse produto. Para o investidor que deseja se tornar filiado da Camarão&Cia, o valor médio de uma franquia é de R$ 550.000,00, com faturamento médio mensal de R$ 150.000,00 e retorno em um período aproximado de 24 a 48 meses.

Associação Brasileira de Criadores de Camarão
www.abccam.com.br

Vivenda do Camarão
www.vivendadocamarao.com.br

Secom Aquicultura e Camarão e Cia
www.camaraocia.com

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