Alimentos saudáveis ao alcance de todos

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Imagine-se na seguinte situação: certo dia, você está em um sacolão e observa alguns legumes, e imagina como eles foram tratados na lavoura. Pesticidas, agrotóxicos, técnicas agrícolas que prejudicam o meio ambiente são introduzidos para dar maior tempo de vida ao produto. Assim, o consumidor pode ingerir uma refeição que não vai fazer bem a sua saúde. Em seu consciente diz: “Será que existe outra opção, em vez de colocar uma substância que irá prejudicar a mim e minha família?”

Assim, os alimentos orgânicos transformaram-se na solução ideal para o consumidor, eles são muito mais de que produtos sem agrotóxicos. São resultado de um sistema agrícola e de produção, que visa o equilíbrio e o manejamento dos recursos naturais. Eles agregam as técnicas agrícolas do passado e o conhecimento atual, que facilitam o equilíbrio entre o homem e a natureza. A agricultura orgânica é um método que não agride o ecossistema e mantém vivo a cadeia de produção a longo prazo.

Visão Ambiental e Social

O meio orgânico tem reflexo em 2 áreas, o ambiental e social. Na parte ambiental, poucas pessoas param para pensar que o método que mais agride a natureza é a agricultura moderna. É de responsabilidade do agricultor cuidar bem da terra, pois sem consciência e preparo a devastação no meio ambiente é grande.

Um outro problema que afeta a qualidade dos alimentos são os agrotóxicos. Geralmente as pessoas consomem verduras e legumes, e não têm esclarecimento suficiente sobre os agrotóxicos. A agricultura em larga escala abusa dos agrotóxicos e pesticidas que deveriam ser usados com moderação. Cientistas alertam que a química empregada nesta cultura pode levar ao surgimento de diversas doenças, principalmente o câncer.

Em virtude deste problema, os orgânicos resgatam o lado natural do cultivo e a preservação da natureza, um meio de valorizar o agricultor em torno de uma filosofia de vida, que não beneficiará só a ele, mas a todos. No Brasil, o mercado de orgânicos representa 3% da produção nacional. Com preços elevados, são vendidos em lojas especializadas, feiras e aos poucos chegam aos supermercados.

No social, existem programas do governo de incentivo à criação de pequenos produtores orgânicos, que não visem só na preservação, mas uma alternativa sustentável. Todos saem ganhando, pois existe uma grande oferta de alimentos. Neste sentido social, não se pode contratar mão-de-obra infantil, deve-se pagar os impostos e ter em certificado que o alimento é mesmo orgânico.

Para obter o certificado, deve-se passar por vários procedimentos de inspeção, que passa pelo cultivo, desintoxicação do solo, e a responsabilidade social com projetos voltados à preservação do meio ambiente. Há um selo de qualidade rotulando todos os produtos que passam pelo processo da IBD, Instituto Biodinâmico em Botucatu.

Curiosidades sobre orgânicos

Para algumas pessoas que não tem informações sobre orgânicos, é comum confundirem o seu sistema de cultivo como transgênicos. A diferença é que nos transgênicos, o seu gene é modificado em laboratório, enquanto o orgânico não. Eles não são cultivados com agrotóxicos ou adubo industrializado, mas utilizando técnicas novas e antigas de manejo sustentável da natureza.

O histórico dos orgânicos é muito curioso. Na Alemanha Nazista, Adolf Hitler que era vegetariano, apoiou medidas de incentivo a cultura orgânica como forma de limpeza ariana. No Brasil, esta cultura foi introduzida pela colônia japonesa no início do século XX. Existe uma controvérsia em relação aos orgânicos no meio científico, eles são tão fortes que alguns podem provocar reações maléficas causadas por fungos. Outros pesquisadores afirmam que a menor concentração água nos alimentos, não evita o risco de novas doenças e podem ser prejudicais a saúde.

Atualmente o Brasil é um grande produtor de alimentos orgânicos, mas o mercado consumidor é muito pequeno. Segundo o diretor comercial da Agropalma, Marcello Brito, o mercado de orgânicos é restrito a Europa e Estados Unidos. “Este é um mercado proporcional a renda per capita e tem um forte apoio em países ricos, como europeus e americanos. Pois com um nível educacional e com poder de renda maior é mais fácil o acesso a esses produtos orgânicos”, esclarece Marcello.

Mercado Orgânico

O Brasil é um grande exportador, mas o mercado nacional carece deste produto. Apesar do aumento das vendas em 30%, o preço em media é de 30 a 50% mais caros que os alimentos convencionais. Segundo Marcello Brito, o mercado europeu é o mais visado. “Nos países da europa, há uma grande preocupação com a saúde, e o consumo é alto principalmente em derivados.” Um dado estatístico do mercado interno brasileiro mostra que há uma procura maior entre as classes de alta renda, enquanto as camadas mais baixas têm dificuldade de obter informações ou acessibilidade ao alimento.

A região serrana do Rio de Janeiro é a maior produtora de orgânicos do estado. Um terço da produção nacional vem de lá, e 100% dos produtos consumidos no estado saem desta região (38,2% de Teresópolis e de 23,5% de Petrópolis). Mas o principal problema para o aumento da oferta é o preço, muitos comerciantes apontam o investimento no marketing e feiras regionais para popularizar o consumo.

No estado de São Paulo, os pontos de venda chegam a 35,3% dos comerciantes. Os principais consumidores são aqueles que não necessariamente preocupam com a saúde, mas com a natureza e os benefícios que ela traz à sociedade. Os motivos de recusa que se encontra no estado, são a natureza fisiológica e o mal condicionamento, um outro desafio apontado pelos vendedores de produtos orgânicos é a conservação dos alimentos para vender aos clientes.

Óleo de Palma

Como o Brasil produz uma grande quantidade de alimentos e derivados orgânicos esta demanda é em sua maioria exportada. Um dos principais produtos brasileiros que é destinado ao mercado externo é o óleo de Palma. De acordo com Marcello Brito, não existe uma estatística correta em relação a esse produto. “Nós vendemos 99% de nossa produção para o exterior enquanto no Brasil o consumo ainda é mínimo. Exemplo: se produzimos 5 toneladas, vendemos 600 quilos por ano para o exterior e não temos um retorno no mercado interno, produzimos para os países mais desenvolvidos que são consumidores e os países em desenvolvimento que são os produtores.”

Para a fabricação em larga escala do óleo vegetal, é necessário cumprir tarefas de higiene e de produção. “A fazenda é bio-orgânica, os funcionários são específicos em cada função, e não transitam de uma área a outra. Uma espécie de cerca natural, controla a rotina dos funcionários e da produção do óleo”, comenta Brito.

Com a fabricação do óleo, é possível adicioná-lo como derivado de outros alimentos. Um exemplo disso é fazê-lo derivado ao biscoito, dependendo do processo ele pode oxidar – se não for natural e se transformar em gordura hidrogenada em que a hisomêria pode causar câncer. “Eles são causadores comprovados de elevação de colesterol ruim (LDL) ao mesmo tempo que reduz o bom(HDL). Quando é produzida esta gordura vegetal com óleo de palma, é feito um fracionamento físico onde utiliza-se a temperatura e filtração” explica Marcelo.

Uma curiosidade que Marcelo expõe nos orgânicos é a fabricação de biodisel que surgiu junto com o óleo de palma, sendo eles pioneiros neste processo. Outro fator positivo sobre orgânicos é que a partir do dia 31 de julho o governo estará rotulando os produtos transgênicos e orgânicos.

Aquacultura Orgânica

Os produtos orgânicos não se restringem a verduras e legumes, mas também se estendem aos animais. Um dos produtos que é novidade no mercado é a criação de camarão orgânico, processo ligado a criação de crustáceos. No Brasil, a exportação deste produto chegou a mais de 300 milhões de dólares contra 220 milhões das importações, saldo favorável à balança comercia marítima brasileira, que somou 304 milhões em comparação aos anos anteriores. Um dos indicadores da força do camarão brasileiro é a recuperação do mercado em queda em 2004 comparado a 2005. A produção liquida girou em 24,56 %.

Com a maioria dos produtos orgânicos são exportados, a Primar, a primeira fazenda de camarão e ostras do Brasil, localizada em Tibau do Sul, Rio grande do Norte. De acordo com Márcia Kafensztok, coordenadora de design e marketing, a Primar é pioneira no projeto de aquacultura orgânica que tem camarão como principal produto, todo o seu processo de produção foi elaborado pelo biólogo marinho Alexandre Alter Wainberg.

“Inicialmente, começamos com camarão e ostras, agora implantamos a criação de peixes, pois se adaptam muito bem ao manejo orgânico”, explica Márcia. O sistema da Primar leva vantagem em não destruir a fauna marinha. “O nosso camarão esta em plena harmonia com a natureza pois não polui ou devasta, mas esta em plena harmonia”, completa.

Segundo Márcia, o mercado esta cada vez mais favorável aos orgânicos, e no mundo a idéia está crescendo de forma acelerada. Ela ressalta as dificuldades em relação aos orgânicos em que a produtividade é baixa, principalmente no caso do camarão. “Introduzir um novo produto ao mercado tem suas dificuldades, até explicar o modo de produção as pessoas, demora um certo tempo” enfatiza. No momento, o crescimento desta cultura tem impactos favoráveis, mesmo com a agricultura convencional produzindo a um de baixo valor. A população tem tomado consciência em relação aos resultados finais de cada cultura que tem levado a produção de alimentos a saúde humana.

Um outro fator que leva muitos produtores a analisar o mercado de orgânicos é referente a queda de produção, que fica em 20% do convencional. Segundo Marcia, o produtor deve verificar as diferenças de criação e cultivo entre o produto convencional pelo orgânico. Ela lembra que o produto orgânico é mais caro, chegando a 30% de diferença em comparação ao camarão convencional.

A Primar também coloca o trabalho social em primeiro plano. O governo do Rio Grande do Norte, criou um consorcio com os pequenos produtores para concentrar a produção e exporta-la. Nos locais onde se concentra os lagos de criação de camarão, há uma relativa mudança no cenário da região, através do empenho de pequenos produtores em aumentar as suas produções e aproveitar seus potenciais. Com incentivos do governo estadual, a Primar cedeu a tecnologia de cultivo, com isso dobrou a produção e a empresa se tornou líder do mercado de camarão orgânico.

Márcia se mostra otimista com o futuro dos alimentos orgânicos. “Muitos acham que é um luxo comer os alimentos por causa dos preços. Mas em breve as pessoas terão a oportunidade de escolher se querem comer com pesticidas ou não, pois o homem tem conhecimento e tecnologia para criar alimentos em larga escala sem prejudicar a natureza ”diz.•

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