Alimentação saudável em evidência

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Muito se tem falado sobre a alimentação saudável. Várias empresas têm aberto seus cardápios para pratos que oferecem esse tipo de característica e são o alvo de diversos consumidores. Até mesmo organizações que antes não tinham um apelo maior a opções como saladas ou então como as frutas têm investido nesse tipo de produto para alcançar cada vez mais clientes e oferecer àquilo que se adapta às necessidades e também aos gostos deles.

As discussões são muitas e as propostas para esse segmento também são diversificadas e aparecem a todo momento. Selecionamos algumas das questões mais recentes que envolvem o tema para que você possa ficar por dentro de alguns dos últimos acontecimentos e saiba mais profundamente acerca de cada um deles. Veja a seguir algumas notícias que são relacionadas ao assunto alimentação saudável e também o ponto de vista de alguns especialistas a respeito disso.

Comida

No último dia da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Brasília, e que teve como tema Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar, delegados de todo o país votaram as propostas que serão encaminhadas ao governo, como o acesso dos povos indígenas à terra, valorização do papel das mulheres e melhoria na oferta de alimentos saudáveis.

O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arnoldo de Campos, disse que as propostas apresentadas pelos delegados vão nortear políticas públicas: “O governo agora tem o desafio de elaborar o segundo Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e estas propostas vão ser a base do planejamento dos próximos quatro anos. Elas são muito importantes porque vão influenciar diversas políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, não só do governo federal. Temos influência sobre os estados e municípios”.

Sobre o uso dos agrotóxicos, um dos itens debatidos na conferência, o secretário disse que é preciso avançar, pois “precisamos tirar o Brasil da condição de campeão mundial no uso de agrotóxico. Precisamos reduzir o uso ao mínimo necessário, para aquelas situações em que é justificado.”

O representante da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Dourado Tapeba, disse que, durante os quatro dias do evento, os 65 delegados indígenas participantes tiveram a oportunidade de apresentar diversas propostas. Segundo ele, cerca de 90% delas foram aprovadas. Entre os temas discutidos, está o acesso à terra que é essencial para garantir a alimentação saudável.

“A gente tem comido muita comida industrializada e para nós, essa comida não serve. A obesidade está crescendo muito nas nossas famílias indígenas. Quem tem condições de comprar comida no mercado está obeso e quem não tem condições está desnutrido. A desnutrição é muito grande nas nossas famílias principalmente nas crianças”, disse Tapeba. Para garantir o acesso à terra e, consequentemente, à alimentação, Tapeba afirma que os territórios indígenas precisam ser demarcados e homologados.

Sandra Rodrigues, que representa o Movimento de Mulheres Camponesas no Consea, também participou dos trabalhos e destacou os debates levantaram questões ligadas à agroecologia, como modo de produção, além do combate aos agrotóxicos. Entre as demandas apresentadas pelo movimento, ela lembrou a importância do reconhecimento das mulheres na preservação da biodiversidade e na produção e preparo de alimentos mais saudáveis. “Nos grupos de trabalho isso foi construído e pautado: reconhecimento e valorização com políticas públicas que viabilizem a produção feita pelas mulheres e a autonomia econômica para elas”.

Gleyse Peiter é secretária-executiva da Rede Nacional de Mobilização Social e também representa a sociedade civil no conselho. Ela destacou que, além das propostas, foi elaborada uma Carta Política aprovada pelos delegados. O documento reconhece os avanços já alcançados pelo país e coloca os desafios ainda existentes. Mas ela diz que é preciso ainda regulamentar a questão dos agrotóxicos e do uso de transgênicos e há “uma discussão importante sobre a amamentação, as mulheres e os indígenas”. Gleyse disse também que o país precisa focar em políticas voltadas para o aceso a alimentos saudáveis. (Agência Brasil).

Ação

Com o objetivo de mobilizar governos e sociedade civil para ampliar o acesso à alimentação saudável e combater a obesidade, o governo criou o Pacto Nacional para Alimentação Saudável, por meio de decreto publicado noDiário Oficial da União.

O documento foi assinado pela presidenta Dilma Rousseff durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Brasília. A finalidade é ampliar as condições de oferta, disponibilidade e consumo de alimentos saudáveis e combater o sobrepeso, a obesidade e as doenças decorrentes da má alimentação da população brasileira.

A intenção é mobilizar estados, municípios, sociedade civil, organismos internacionais e setor privado para integrarem a iniciativa. O Distrito Federal aderiu ao pacto, sendo a primeira unidade da Federação a se tornar parceira.

Entre as medidas previstas estão o incentivo à produção de alimentos orgânicos, agroecológicos e da agricultura familiar, para assegurar a oferta regional e local, além do estímulo ao consumo de alimentos saudáveis no ambiente escolar. Outra medida é reduzir de forma progressiva os teores de açúcar, de gorduras e de sódio nos alimentos processados e ultraprocessados.

O pacto terá gestão e coordenação da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional. (Agência Brasil).

Debate

Doença que mais aumenta no Brasil, a obesidade infantil traz uma série de preocupações para pais e especialistas. Por conta disso, o Fórum de Obesidade Infantil, que foi realizado no Rio de Janeiro, debate os riscos, o aumento de casos e também como tratar a doença.

Secretária estadual de Ações Sociais e Direitos Humanos, Teresa Cristina disse que ter uma renda mais alta não significa garantir uma alimentação mais saudável. “Grande parte da população não tem acesso a uma alimentação saudável, pois não sabe nem do que se trata. Temos de estabelecer um conceito fixo para isso. Muitas pessoas com capacidade financeira para se alimentar melhor continuam com práticas que prejudicam a saúde. Boa renda e alimentação saudável não andam, necessariamente, de mãos dadas”, afirmou.

Diretora do Instituto de Nutrição da Uerj, Inês Rugani reiterou a opinião da secretária e alertou para a fabricação de certos alimentos.

A pediatra Odete Freitas, diretora de Sustentabilidade da Amil, promotora do encontro,  falou da importância do debate e destacou os riscos  da obesidade na infância. “A obesidade é uma das doenças que mais crescem em todo o mundo. E quem enfrenta esse problema logo na infância tem alta probabilidade de desenvolver uma série de enfermidades associadas na fase adulta”, acrescentou.

Segundo Odete, diante desse cenário, é importante reconhecer projetos que tenham por objetivo ajudar pessoas “a viver de forma mais saudável e motivar debates que busquem soluções para a atual epidemia de obesidade infantil.”

De acordo com o Ministério da Saúde, os números revelam que uma em cada três crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos (33,5%) está acima do peso. Entre os meninos dessa faixa, 16,6% são obesos, contra 11,8% das meninas também eram obesas. Entre os adultos, o excesso de peso atinge 52,5% da população do país.

Nove anos atrás, essa taxa chegou a 43%, representando um crescimento de 23% no período. Também preocupa a proporção de pessoas obesas com mais de 18 anos: 17,9%. Esse percentual não sofreu alteração nos últimos anos. Conforme o ministério, os quilos a mais são fatores de risco para doenças crônicas, como as do coração, hipertensão e diabetes, que respondem por 72% dos óbitos no Brasil. (Agência Brasil).

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