Agora é a vez do frango?

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Agora é a vez do frango?

Com o preço da carne de boi em patamares elevados, o frango tem se mostrado uma alternativa para empresários e consumidores, mas também propõe desafios

O preço da carne de boi em 2021 atingiu elevados patamares. Como alternativa, muitas pessoas têm optado por consumir mais carne de frango, além de vários empresários do setor de alimentação oferecê-la mais em seus cardápios.

Agora é a vez do frango?Jorge Dietrich, coordenador do Master em Gestão e Marketing do Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de Porto Alegre (RS), explica que esse mercado do frango está em alta a nível global.

“O Rabobank divulgou um relatório relativo ao quarto trimestre de 2021, sinalizando que o mercado global de carne de frango vem mostrando sinais de recuperação na maioria dos países e regiões. Segundo o Rabobank, o comércio global teve uma forte recuperação no segundo trimestre de 2021 com os negócios atingindo patamares históricos. De acordo com esse relatório, as perspectivas globais para o quarto trimestre de 2021 foram positivas em meio ao cenário de demanda contínua e de oferta restrita. O comércio está aumentando, impulsionado pela recuperação do segmento de food service com o arrefecimento da pandemia”, diz ele.

Em relação ao Brasil, o relatório cita que o país registrou um forte crescimento local de carne de frango devido às ajudas financeiras do governo e, também, ao aumento do preço da carne bovina. Os volumes de exportação aumentaram 6% e a produção 7% no primeiro semestre de 2021. Jorge Dietrich acredita que a alta do preço da carne de boi afetou de alguma forma a produção desses pratos em bares e restaurantes que o servem.

“O aumento do custo diminuiu o consumo nacional e isso também atingiu bares e restaurantes. Houve alteração de tipo de carne e frango, por exemplo, e até diminuição de quantidades. Estava conversando com um bar de Curitiba, que vende comida congelada, e a gerente me citou que para manter o preço, teve que reduzir o tamanho (pedaço) da carne em um estrogonofe. Estamos vivendo um momento econômico complicado e pouco está se conseguindo passar para os clientes, as margens de lucro estão sendo afetadas, sim”, diz.

Agora é a vez do frango?O brasileiro tem uma tradição de consumo para carne de boi, mas com o aumento dos preços, Jorge Dietrich afirma que não só o frango, mas ovo e proteínas vegetais aumentaram seu espaço no cardápio dos brasileiros. “O consumidor vai se adaptando e a nova geração tem um poder de adaptação maior”, afirma.

Para o coordenador do curso da ESPM, o preço da carne de boi não deve cair em curto ou mesmo em médio prazo. “Estamos falando de uma situação global, não é local. A importação, principalmente da China, a alta do dólar, mesmo com os embargos
recentes da China ou a proibição de exportações de frigorífico argentino, não tiveram grandes alterações para a baixa do preço da carne bovina”, avalia.

Aumento da demanda

Fausto Borba Junior, diretor de indústria da Espetinhos Mimi, conta que com a alta dos preços da carne de boi, o repasse acaba sendo inevitável para quem deseja consumi-la.

Agora é a vez do frango?“Para tornar os produtos mais acessíveis ao consumidor, lançamos embalagens com uma quantidade de produtos reduzida, trazendo opções de 400g, 500g, 600g e 800g, além de diminuir o tamanho dos espetos (de 100g para 50g)”, relata.

Falando de frango, na linha de congelados, a Espetinhos Mimi oferece espeto de frango (coxa, sobrecoxa e peito), espeto de coração, espeto de medalhão de frango, espeto de tulipa de frango, espeto de linguiça de frango. Nas unidades da rede, para consumo no local, tem frango à parmegiana, filé de frango grelhado e frango empanado.

Para Fausto Borba Junior, habitualmente, os consumidores de carne bovina também consomem frango. “Nos últimos tempos, notamos uma mudança de comportamento dos nossos clientes, ou seja, houve um aumento na demanda por frango e suíno em nossos estabelecimentos e nas festas e eventos que fazemos”, diz ele.

Para a empresa, é lucrativo vender frango, pois tem uma boa margem de lucro com o produto. Nos últimos meses, o diretor afirma que foram introduzidos novos produtos de frango tanto na linha de congelados quanto nos pratos servidos nas lojas.

Investimento

A Korin Alimentos, empresa do Grupo Korin, com sede na cidade de São Paulo, produz e comercializa linhas orgânicas e sem uso de transgênicos, de origem animal e vegetal, como frangos, ovos, pescados, arroz, café, mel, entre outros.

Agora é a vez do frango?Luiz Carlos Demattê Filho, CEO da Korin Alimentos, diz que, de fato, tem experimentado aumentos muito grandes nos insumos para a produção agropecuária e isso obviamente traz um impacto significativo em custos. Porém, na empresa, o investimento em produzir e comercializar frango é lucrativo.

“É vantajoso, sem dúvida. Claro que nesses últimos dois anos, em razão dos impactos macro e microeconômicos gerados pela pandemia e a disrupção das cadeias de suprimentos têm trazido enormes desafios e dificuldades para as empresas do setor”, pontua.

Luiz Carlos Demattê Filho salienta que os produtos da Korin são reconhecidos pelo seu sabor. “Esse é um dos pontos fortes em nossa relação com clientes e consumidores. As receitas disponíveis em nossas mídias são um grande sucesso, por exemplo. Na atualidade, eu diria que a carne de frango atrai muito aqueles que estão buscando uma dieta mais magra e buscando melhorar seu bem-estar geral e de sua família”, diz.

Frango no prato

Localizado na cidade do Rio de Janeiro nos bairros de Botafogo e Flamengo, atualmente, o Liga dos Botecos usa em torno de 350kg/mês de frango em seus pratos.

“Nesse mercado do frango, os valores subiram em torno de 50% no último ano. Carne avina, de qualidade superior, como orgânica e de criação sem antibióticos, aumentaram ainda mais. Não há uma variedade tão grande de cortes do frango, então não tem muito como buscar opções mais em conta, apenas variações na qualidade da criação e modo de preparo”, diz o chef Bruno Magalhães.

O investimento em pratos com frango tem sido uma alternativa hoje na Liga dos Botecos, já que lá também é servido boi e porco – proteínas carros-chefe da casa. “De carne bovina, só de costela que é o corte que mais vende na casa, é utilizado mais de uma tonelada por mês. Mas, de alternativa, oferecemos, por exemplo, após o aumento do preço de bovinos, apenas opção de frango para estrogonofe”, diz Bruno Magalhães.

Opções

Agora é a vez do frango?O Frangão, situado na zona leste da capital de São Paulo, traz para a região uma opção de frango frito estilo americano. Andrey Lucas Dalberti, sócio-proprietário do local, conta que desde a fundação da empresa, o foco sempre foi trabalhar exclusivamente com frango.

“Mas, nos últimos anos, sentimos uma alta expressiva nos valores, pois com o aumento do valor da carne de boi, houve um aumento do consumo da carne de frango (Lei da Oferta e da Procura), aumentando seu valor e chegando a ter, inclusive, escassez dos produtos que trabalhamos em alguns períodos. A princípio, não realizamos nenhum ajuste em quase todo o ano passado, dado a situação do país, porém, a partir de outubro de 2021, o reajuste foi inevitável devido aos reajustes semanais elevados e constantes da indústria de carnes”, afirma.

Desde o seu início, a meta do O Frangão era explorar e oferecer a maior variedade de cortes de frango, dando opção para que o cliente escolha de acordo com o corte que mais o agrada. “Inicialmente trabalhávamos apenas com coxa e sobrecoxa e aos poucos fomos incluindo novos cortes (peito/sassami e asa), alguns diferenciais como frango frito inteiro, iscas de sobrecoxa, frango a passarinho etc”, diz.


Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)
www.espm.br
Instagram: @espmpoa
ESPETINHOS MIMI
www.espetinhosmimi.com.br
Instagram: @espetinhosmimi
KORIN
www.korin.com.br
Instagram: @korinalimentos
LIGA DOS BOTECOS
Instagram: @ligadosbotecos
O FRANGÃO
www.ofrangaodelivery.com.br
Instagram: @ofrangaodelivery

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